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Mina, Cupim, Touro e Avião

Mina, Cupim, Touro e Avião

Mina, Cupim, Touro e Avião

Expedição Mina, Ruah, Cabeça de Touro e Avião

A Mantiqueira é um paraíso para os que gostam de morros, picos, montanhas, serras, frio, belas paisagens e desafios, então tudo é motivo para está lá. Eu estava ensaiando para voltar a Pedra da Mina, desta vez para coletar algumas informações para o Projeto Brasil Baixo de Zero e GPM e fazer alguns testes de radioamador nos picos para os Trilhadeiros. Coincidiu do Carlos Moura e o Felipe Lacerda da Mantiqueira Expedições quererem atacar o Pico Cabeça de Touro pela Pedra da Mina e do João Mashião da Vaecotur conhecer a subida da Mina pelo Paiolinho, então reunimos nossos interesses e lá fomos.

Era uma terça feira às 3 da manhã, entramos em Passa Quatro /MG primeiro que o Moura e o Lacerda, pois como eles estavam indo pra treina queríamos ir na frente para não atrasa-los, mas logo no primeiro terço da Estrada lamacenta do Paiolinho da Pick-up Ranger do João patinou no ponto mais liso que encontramos até então, ponderamos que se ali estava difícil de transpor a lama, então ficaria muito mais difícil conforme fossemos avançando, com o risco de atolarmos e perder a brincadeira. Resolvemos ativar o Plano B.

Estrada do Paiolinho pós chuvas leva até 3 dias pra secar, mas não quisemos esperar

Retornamos para o centro de Passa Quatro, deixamos a Pick-up na frente da casa do Edinho para não haver problemas, como ainda era madrugada não avisamos ele. Ficamos esperando a Land Rover do Moura com o Lacerda, que chegaram as 7 da manhã, e partimos para encarar os atoleiros. Primeira, reduzida, bloqueio, empurra, sobe no capô, balança o carro, bota pressão da esquerda, gira, agora na direita, patina, bloqueia de novo, uhuuuu, passamos mais uma! E esta aventura de jipeiro se seguiu assim durante os 12 km de estrada até a Fazenda Serra Fina, aonde as 9 iniciamos a caminhada.

Primeiro dia.

O primeiro dia é sempre o pior

Minha intenção seria ficar de terça a domingo baseado na Pedra da Mina, queria retornar com a equipe dos Trilhadeiros que a Alexandra Carvalho estava a frente, mas horas antes observei que uma frente fria estava ensaiando para chegar no sábado e somando ao intransitável estado da estrada par qualquer veículo que não seja 4x4, deduzi que a saída dos Trilhadeiros para a Pedra da Mina não teria sucesso, por precaução resolvi retornar na quinta feira com os meninos, mas fiz essa decisão no momento errado, já estava na metade da trilha, subindo sem bastões ( todo castigo pra esquecido é pouco) e com 29kg de carga pra 6 dias. Subi sofrendo a toa, nem preciso dizer que o João pegou embalo no treino do Moura e do Lacerda e ampliaram 2 horas de distância na minha frente, eu somente ouvia-os pelo rádio.

Sobe o "Deus Me livre", sobe o "Misericórdia", sobe Pontão, sobe o sangue, sobe a sede, sobe o "Pico Que Partiu", mas não chega na Mina. Nestes momentos a pergunta clássica que vem do fundo do pulmão, “O que eu estou fazendo aqui?”, em seguida me encanto com o “ lindo pôr do sol, nunca havia visto daqui do Pontão”. Estava esgotado, mas tive que encarar a Mina no escuro mesmo.

Que céu divino, quantas estrelas, conforme ia subindo me lembrei que eu estava no ponto mais alto do país abaixo do Caparaó, era o momento de sentir a resposta para aquela pergunta acima, sim, apenas sentir a divindade do momento.

Enfim Cumeeeeeeee !!!

O Céu da Mina compete em igualdade com o do Itatiaia

Enfim Camaaaaaaa!!!

Dormi tremendo de frio, estava com um saco extremo -3°C, liner e toda minha roupa, mas tremi a noite toda, não sei de onde vinha tanto vento.

Segundo dia.

Amanhecer na Pedra da Mina, 4° maior pico mais alto do Brasíl e o maior do Estado de São Paulo

Dia lindo limpo e seco, descemos cedo para o Vale do Ruah, atravessamos e em menos de 3 horas já estávamos no Cupim de Boi. João, Moura e o Lacerda descerem a pirambeira e atacaram o Pico da Cabeça de Touro, pouco mais de uma hora depois já haviam conquistado o cume, objetivo principal da equipe. Voltamos para a Mina no pôr do sol.

Pico Cabeça de Touro, 17º do Brasil, 3° do Estado de São Paulo e o maior pico inteiramente dentro do Estado.

Desta vez fechei as aberturas de circulação de ar da barraca e saquei o cobertor de emergência de alumínio, meti o sleep dentro e dormi quentinho como criança, ate tirei a roupa.

Terceiro dia.

Acampado na Pedra da Mina com vistas para a Serra da Bocaina

No dia seguinte assim que o sol nasceu a trupe já estava atacando o Pico São João Batista, conhecido como Pico do Avião, orgulho desses meninos apaixonados por caminhos de totens, pirambeiras, picos e cumeeiras!

Pico São João Batista , ou Pico do Avião

Enquanto isso eu estava passeando pelo Ruah dando uma olhada nos possíveis pontos de ancoragem da Estação Meteorológica e recolhendo o termômetro.

Recolhemos tudo e picamos o capim as 10, no meio da tarde já estávamos na estrada, e para nossa surpresa, escavadeiras e moto niveladoras estavam dando uma bela manutenção na estada do Paiolinho, e revendo a previsão do tempo para final de semana ví que mudou novamente, agora era previsão de sol, poxa, se eu soubesse deveria ter ficado lá em cima para ter voltado somente no domingo com os Trilhadeiros.

Mas a aventura não acabou!!

Chegando à cidade de Passa Quatro o Edinho avisou que a PM de Minas estava desconfiada do carro ter ficado estacionado por três dias, tão logo chegamos e já encostou uma viatura para recolher nossos dados e explicações, mas foi tudo devidamente esclarecido.

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Brasil Abaixo de Zero

Água congelada no vale do Ruah

O Projeto Brasil Abaixo de Zero trabalhou na instalação da Estação Meteorológica do Parque Nacional do Itatiaia na tentativa de provar que era a região mais fria do Brasil, e provaram.

Agora eles desconfiam que o Vale do Ruah é ainda mais frio que o PNI, e para isso procuraram o Grupo Paulista de Montanhismo - GPM para agregar apoio ao projeto de instalar uma Estação Meteorológica no Vale do Ruah.

A nova estação está em fase de captação de recursos para viabilização

Descemos ao Vale para instalar o termômetro e coletar a temperatura para depois comparar com as do termômetro da parte alta do Parque Nacional do Itatiaia, estava tudo congelado, capim, água, vegetação rasteira, solo, era como entrar num freezer.

O sensor do termômetro no solo marcava – 4.4°C graus debaixo do sol das 7:30, então ponderamos que a temperatura mínima daquela madrugada do dia 23 de maio de 2017 estivesse pelo menos -6°C no vale, na Mina registramos -2°C . Posteriormente vimos que no mesma data mínima foi de -3,3°C no PNI, estou quase acreditando que o Vale do Ruah é realmente o local mais frio do Brasil como alguns suspeitam.

Descendo para o Vale do Ruah

No dia 24 fui cedo retirar o termômetro do Vale, a mínima registrada estava marcando -1°C enquanto a mínima registrada na Pedra da Mina foi de 6°C, também fiz algumas fotos e vídeos para o BAZ .

Aproveitamos para medir sinal de celular, estávamos com Tim, Vivo e Claro, mas no Vale nenhuma deu sinal, exceto na Pedra da Mina aonde o sinal da Vivo era estável, da Claro um pouco menos estável e o da Tim oscilava demais impossibilitando até o SMS.

Teste de Radio

Durante o trajeto fui testando o radio (PU2NXW) não só com o Moura e o João a minha frente, mas também com o William Peres que estava transmitindo em 145.710 Mhz VHF modo direto de Passa Quatro, reportando a qualidade da recepção e transmissão em vários pontos da trilha. Somando meus testes com os testes do próprio William a comunicação via rádio da Serra Fina com sua base em Passa Quatro é perfeita no picos Capim Amarelo, Mina, Cupim de Boi, Pontão, Cabeça de Touro e Três Estados

Continuando o teste, utilizei a repetidora do Clube de Radioamadores da Serra da Mantiqueira - Crasema (PY2KES) 146.890 Mhz que transmite de uma antena no Pico do Imbirí em Campos do Jordão, e através dela falei com colegas de radio de Taubaté, Pedra do Baú, Pindamonhangaba, e Santo André.

O teste com a Crasema foi bem sucedido apenas no cume da Pedra da Mina, e devido as limitações técnicas do nosso Baofeng UV-6R com 5W de potencia não consegui progresso no Cupim de Boi, provavelmente funcione no cume do Capim Amarelo e funcione melhor ainda no Pico do Itaguaré e Pico do Marins.

Utilizar a repetidora Crasema é uma ótima alternativa de comunicação na tavessia Marins Itaguaré para casos de emergência e para os Picos da Serra fina os testes foram fundamentais para o William ajustar o seu projetos de instalação de uma repetidora para aulxiiar os montanhistas na região.

Teste do Espanta Ratos

É um problema conhecido a grande população de camundongos silvestres em toda a Serra Fina, principalmente nos picos, chega a ser irritante, fazem barulho a noite, entram nas mochilas, sobem nas pessoas, invadem as barracas, roubam comida e até perfuram e roem nossas coisas.

Pensando em como acabar com essa agonia sem colocar um ecossistema em risco, pois o camundongo silvestre até aonde eu sei ele come insetos e até escorpiões, durante pesquisas encontrei relatos de que a hortelã pudesse afastar os ratos e resolvi fazer um teste.

O Primeiro teste foi no Pico dos Três Estados, levei essência de hortelã, borrifei em todo entorno e bivaquei no mato, não roeram minha barraca nem mochila, como fizeram uma vez comigo no Pico do Capim Amarelo.

Desta vez resolvi fazer um teste mais ousado:

No ultimo ponto de água do Paiolinho, conhecido ponto com ataque de ratos, deixei comidas atraentes dentro de um saco, ( milho, salame, arroz, paçoca e açúcar) e borrifei óleo de hortelã, 3 dias depois quando voltei estava intacto.

Na Pedra da Mina, no momento que eu estava jantando vieram vário ratos me acompanhar, aproveitei, coloquei uma paçoca e um pedaço de salame em cima de uma pedra e borrifei hortelã, ficou intacto por 2 dias.

Realmente o óleo de hortelã não é atraente para essas criaturinhas.

Lixo na Montanha

Havia pouco lixo em comparação com outras vezes em que estive na reigião, mas ainda assim havia papeis higiênicos, lenços umidecidos, embalagem de gel, garrafinhas, embalagens plásticas e outros resíduos sem serem devidamente recolhidos poe quem esteve por lá, mas só isso já deu mais de 2kg de resíduos recolhidos por nós.

PELO AMOR A ATIVIDADE QUE VC DESENVOLVE E RESPEITO AOS OUTROS, NATUREZA NÃO É ATERRO!!!

Lições, pois uma trilha ensina a outra e só uma montanha treina para outra montanha

- Jamais subir sem os bastões;

- Planeje a carga minuciosamente, cada 100 gramas a menos pode render mais disposição para cumprir seu objetivo;

- Evite levar luxo, itens sem real necessidade se não for para treinar em uma situação controlada;

- Se alimentar bem e dormir melhor ainda nos dias que antecedem a saída fazem muita diferença na disposição e recuperação;

- Respeite SEMPRE seu ritmo, ir ao ritmo dos outros pode exigir mais do que seu corpo está preparado;

- Quando tiver que deixar o carro na cidade, avisar o Edinho;

- Nunca ir pra montanha sem o cobertor de emergência de alumínio.

Participaram

Eu, Henrique Boney, João Marcelo Mashião, Carlos Moura, e Felipe Lacerda.

Equipe no final dos tres dias de caminhadas

No apoio: Edinho, no resgate, mecânico, guincho, vigia de carro, professor pardal, etc e William Peres no rádio.

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Luís Felipe A. dos Santos
Luís Felipe A. dos Santos 05/31/2017 22:31

Fala Henrique... Não sei se você se lembra de mim. Participei contigo do Curso do Padilha - WFA. Muito boa a dica do óleo de hortelã. Levarei sempre que partir para Serra Fina, Pedra do Frade (local infestado de camundongos por causa da grande quantidade de lixo) e outros tantos locais. Grande abraço

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------------------------- 06/01/2017 12:33

Oi Luís, tudo bem? vamos fazer umas saídas. Dia 15 estarei na SF novamente. mas desta vez para garantir a segurança de um grupo.

William
William 06/02/2017 15:53

Bacana, meu amigo vindo de você não poderia ser diferente.

Rodolfo Damasceno
Rodolfo Damasceno 06/04/2017 11:44

Perfeito relato, melhor ainda a dica para espantar os ratos. Valeu.

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------------------------- 06/05/2017 15:37

os ratinhos são amigáveis e inocentes, mas depois que perdi uma mochila novinha nos dentes deles, resolvi me proteger, rs

Rodolfo Damasceno
Rodolfo Damasceno 06/07/2017 11:12

Bom Dia Henrique, Se possível gostaria de tirar uma duvida com vc sobre o óleo de hortelã. Você borrifou a essência pura ou diluiu em algo, porque só achei pra comprar a essência pura.

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------------------------- 06/07/2017 18:04

Oi Rodolfo, tudo bem? Eu já testei a essência, infelizmente ela dura pouco tempo, até evaporar. Hoje eu uso o óleo, é um pouco mais caro sim, mas acha fácil em casas de essências ( se não achar existem sites que comercializam). Coloquei em uma pequena embalagem de spray que também se vende em casas de essências.

Rodolfo Damasceno
Rodolfo Damasceno 06/11/2017 23:08

Obrigado Henrique, sua dica foi excelente.