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Travessia Toca do Lobo a Casa de Pedra

Travessia Toca do Lobo a Casa de Pedra

Travessia Toca do Lopo a Casa de Pedra

Travessia Toca do Lobo a Casa de Pedra



Desde o dia em que fraturei o tornozelo e estirei alguns ligamentos descendo a Pedra da Mina pelo Paiolinho após 4 dias guiando um grupo em uma meia-travessia pela Serra Fina eu não havia subido nenhum pico em ritmo treino, já estava no terceiro mês de recuperação ( médico me deu 6 meses para voltar a trilhar ) e só havia feito algumas trilhas e picos de baixa intensidade , sozinho e em ritmo bem lento como parte da minha fisioteratrilha.

Como na ultima trilha no Parque das Neblinas eu já estava caminhando bem quase sem analgésicos senti que já era hora de me testar para desenferrujar, mas aonde? Após este pensamento minha parceira de trilha, Alexandra dos Trilhadeiros, me chamou para o Capim Amarelo com o André, eu já com coceira nos pés e mochilinha leve pronta, partimos, não sem antes receber a companhia do Guillien do GPM .

Fui com segundas intenções, é claro! Logo no Quartzito desviei pela direita com o rumo apontado para o Morro das Andorinhas enquanto o restante o grupo seguia para o Capim Amarelo. Eu queria dar uma olhada na cumeeira que liga o Morro das Andorinhas até o Pico Agudo, e se desse, dar um pulinho lá, mas quando cheguei na ponta percebi que iria levar umas 4 horas ou mais ida e volta e gastar muita energia, nada muito bom pra quem se sente apenas 70% recuperado da patinha.

Desisti, voltei para o Quartzito e segui para o Capim atrás da trupe, Não sem antes relaxar por uns 30 min sentado no cume do Morro das Andorinhas memorizando aquela bela paisagem, e pensando “tenho que voltar aqui, é lindo demais”.

Pelo Rádio a Alexandra avisou que a trupe já havia chegado no Capim, então fui subindo devagar, sem forçar o pezinho que já começou a reclamar. Pra passar o tempo fui observando a evolução das nuvens tentando prever alguma tempestade, bem que tentavam, mas a formação de CB não finalizava com precipitação, perdiam as forças e logo se dissipavam, então fui conversando no radio e fazendo amizades com algumas pessoas pelos arredores do Vale do Paraíba até chegar ao cume do Capim.

Havia mais 6 horas de luz até o pôr do sol e a radiação solar estava fritando, para amenizar o jeito foi amarrar o burro na sombra e tirar uma "siesta" e ficar papeando olhando a frente fria se aproximar ao longe. A previsão de 30 mm de chuva acumulada para sábado e domingo não se concretizou a mais de 2000 metros de altitude, mas dava pra ver que no vale caia o mundo.

Novo dia, novas inspirações e novas segundas intenções. Alexandra e André desceram o Capim sentido Lobo e eu e o Guillien seguimos para o Tijuco Preto “ Nos veremos na rodoviária" falei pra Alê, “ Vou chegar primeiro” retrucou, e seguimos rumo a Casa de Pedra. Quando chegamos no Tijuco Preto 3 horas depois (com sacrifício), a Alexandra avisou pelo radio que já estava no Refúgio lá embaixo seguindo pra rodoviária “ eita que pernas “ pensei.

Sobe morro, desce vale, sobe morro, desce vale “ ahh se eu pego o cara que me falou que esta trilha era mais suave que a trilha do capim ...” pensei , mas a paisagem era linda, infelizmente o sol não estava querendo fazer amizades, estávamos torrando, desidratando, e o pior, estávamos com pouca água, então não poderíamos andar mais rápido pra não aumentar a temperatura corporal e assim evitar o suor excessivo, tínhamos que economizar na transpiração, pois tínhamos apenas 1 litro de água, e na trilha não haveria ponto de abastecimento.

Vara mato, sobe morro, vara capim, desce morro, vara bambu, desce encostas, vara rocha, senta 10 min pra descansar na sobra, foi assim até chegarmos na Casa de Pedra, aonde tivemos um merecido descanso antes de encarar os ultimo 5 km de estrada e poeira.

Resultado da fiosioteratrilha: 21 km, 1.500 metros de desnível positivo, 2.100 metros de desnível negativo, 12 horas de deslocamento, alguns picos novos na lista, e o pezinho saiu melhor do que entrou.

Valeu Guillien, Alexandra e André.