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Pico Dos Marins

Pico Dos Marins

Que montanha mágica! Situada na Serra da Mantiqueira a 2.420 de altitude.

Camping Trekking Mountaineering

Sexta-feira á noite, uma semana depois de ter dado errado a ida ao Marins, nosso amigo Alisson manda uma foto da previsão do tempo do pico dos marins no grupo do whatsapp. Isso claramente levantou um questionamento se iriamos. Eu e a Tamiris estavámos meio receiosas por termos morrido subindo a Pedra da Macela, então imagina o Marins né? Porém, os meninos como bons amigos nos incentivaram e sabíamos também que iam ser pacientes com a gente. Decidimos mesmo que íamos pra lá no sabádo de manhã, nisso já programamos o dia pra comprar e preparar as coisas pra sair domingo de madrugada.

02:43h da madrugada os meninos mandaram mensagem pra nós duas descer que eles estavam lá embaixo nos esperando. Eu nem acreditava que finalmente estava indo depois de tantas tentativas falhas. Saímos de Caçapava e pegamos a Dutra sentido Piquete com o Igarashi dirigindo muito atento pois era feriado de Nsa. Sra. Aparecida e havia muitos romeiros indo pra Basílica em Aparecida. Paramos rapidamente num Graal para tomar café e depois novamente só no estacionamento da base já para começar a trilha.

5:30h chegamos e o dia já tinha amanhecido, estava friozinho e com cerração. Com as mochilas nas costas iniciamos um trecho de mata fechada que começa ao lado de uma capela, depois o caminho se abre um pouco numa estrada de terra. Mantivemos um bom ritmo até a porteira, dali volta a ser mata fechada, úmida, sempre subindo. O terreno é irregular, com buracos e partes escorregadias, não soltei meu amigo bastão em nenhum momento. Há uma curva durante o trecho com uma parte aberta no lado direito, um pequeno mirante eu diria, mas não dava pra ver nada por conta da neblina. Seguindo a esquerda dali uns minutinhos você chega numa subida estreita, onde eu já comecei um pouco minha escalaminhada. O final da subida te leva ao famoso Morro do Careca, uma laje de pedra. Estava ventando bastante e sentimos frio. Tiramos quinze minutos para comer e descansar.

Saímos do morro do careca e depois de uma leve caminhada chegamos na placa da APA, adiante passa-se a ter alguns degraus, e a medida que fomos subindo deu pra perceber que a vegetação começa a ficar mais ausente. Apartir dai começa a ficar ainda mais ingríme e depois de várias morridas pelo caminho (mais por parte minha e da tamiris, as sedentárias), atingimos um ponto onde estávamos acima das nuvens. Um maravilhoso marzão de nuvens, e como se não bastasse, um grandioso maciço á nossa vista. O primeiro que eu pude avistar, eu nem acreditava. Eu estava super realizada! É como se até ali já tivesse valido a pena o passeio e eu mal sabia que só tinha acabado de começar. Nem de perto aquilo seria o cume do Marins... segura as emoções Camila!

Tiramos as mochilas das costas pra descansarmos um pouco, mas logo seguimos. Neste momento dava cerca de duas horas de trilha, o sol que antes aparecia timidamente entre a neblina agora se mostrava mais forte, e a medida que íamos subindo ganhavamos altitude e as nuvens ficavam para atrás. Fomos prosseguindo, as setas já apresentavam-se nas pedras, e os meninos sempre atentos a nós duas, nos ajudando com uma mãozinha (bastão ajuda nessa hora também, eles só apontavam o bastão pra gente, seguravámos e eles puxavam). Hora ou outra paravámos pra respirar, mas sem tirar as mochilas das costas para não perder muito o ritmo. O tempo abriu e o dia estava lindo de se ver! O sol ganhou força e só saberiamos depois que ele nos castigaria um pouco. Entre escalaminhadas nas rochas, atravessando a vegetação as vezes alta, o prómixo ponto de descanso foi a pedra do golfinho, onde tiramos as mochilas das costas novamente pra descansar e comer.

Retomamos e nesse momento um grupo que parecia bem experiente passou por nós, nos cumprimentamos e logo sumiram. No meio do caminho todo da trilha encontramos mais pessoas descendo do que subindo. Inclusive uns dos grupos que desceram havia um cãopanheiro com o próprio Shit Tube, ficamos encantados. Assim sendo continuamos progredindo no nosso ritmo mais lento, atentos nas setas e aos totens que ao meu ver as vezes mais confundem do que ajudam, mas em todo caso é bom. Aparentemente não há um caminho definido pra chegar ao Marins, parece haver diversas maneiras, mas não que eu saiba realmente.

Após mais, pelo menos, uma hora de navegação chegamos na fenda mais técnica onde precisava realmente escalar. Igarashi começou subindo e não demorou pra alcançar o topo. Posteriormente eu completamente entusiasmada, mas ao mesmo tempo atenta a não cair para trás e me arrebentar toda. Fui encaixando minhas mãos e pés nos vão, me apoiando nas pedras e subindo. Ao chegar no final o Igarashi estendeu o bastão pra mim e me puxou. Adorei fazer aquilo e já queria mais uma vez rs... logo depois a Tamiris começou a subir, Alisson deu uma ajudinha e ela conseguiu também. E finalizando Alisson subiu rapidamente para prosseguirmos. Adiante atravessamos um vale, descemos ele e cruzamos com um pequeno riacho, que pelo o que eu ouvi falar não é confiável beber daquela aguá. Vamos seguindo passando por laje de pedra, capins altos e alguns pontos de brejo. E por fim chegamos no último trecho, o que nos levaria ao cume. Infinitos paredões bem íngrimes que muito exigiriam de nós. Iniciamos e quando preciso o Igarashi lançava uma cordinha pra subir os paredões dando uma certa confiança pra subir de pé. Tamiris teve um pouco mais de dificuldade por questão de medo de altura, mas com nossa ajuda e coragem dela ela ia conseguindo subir. Teve um momento em que ela torceu o joelho levemente o que nos preocupou. E analisamos que a cargueira dela de 80L estava inadequada pra ela, acho que prejudicou um pouco o seu rendimento. Permanecemos parados por um instante nos tranquilizando do susto vendo se ela estava bem e tentanto resgatar qualquer fôlego pra continuar. E assim fomos, se trepando nas pedras até ao cume.

E é, Marins... eu finalmente te consquistei!

Chegamos por volta das 13h, totalizando umas sete horas de trilha. Que sentimento incrível de chegar ao cume. Superação, gratidão, felicidade... depois passado esse momento de realização escolhemos um lugar pra montar nossa barraca. Naquele momento só tinha um casal além de nós no cume, mas eles já estavam de partida. Tivemos um pequeno contratempo com a barraca, uma das varetas quebrou, mas os meninos resolveram isso rapidamente. Depois de montada os quatros deram uma leve morrida lá dentro. Os meninos, principalmente o Alisson, se queimaram no rosto e nos braços por conta do sol. Cochilamos e só mais tarde eu e a Tamiris levantamos pra fazer o almoço.

Ao entardecer começou a esfriar, então bem agasalhados fomos para pedra ver o pôr do sol, até porque sabíamos que assim que o sol sumisse ia esfriar ainda mais. Nisso já tinha chegado mais pessoas para acampar lá em cima, acho que no máximo tinha umas cinco barracas contando com a nossa. Escolhido cada um o seu lugarzinho assistimos e apreciamos um lindo pôr do sol.

18:08 e o sol tinha sumido completamente, demos uma volta pelo cume enquanto escurecia de vez. O Alisson achou o livro, assinou e colocou nossos nomes. Voltamos pra barraca e por volta das 19:30 jantamos arroz com linguicinha, batata cenoura, cebola e curry. Acho que o nome do prato é karê, acho. Igarashi é ótimo na cozinha. Jogamos umas rodadas de "Quem sou eu?", o que nos rendeu boas risadas, e antes de dormir saímos uma última vez da barraca pra ver o céu estrelado. E que coisa mais linda, o céu mais bonito que eu já vi até agora. Estava bastante frio, o Igarashi levou o saco de dormir pra cobrir eles dois e eu e a Tamiris apenas nos agasalhamos bem mesmo. Ficamos um tempo contemplando aquela maravilha e por fim fomos dormir. Na manhã seguinte quando faltava dez pras 6h eu e a Tamiris despertamos e demos conta que ninguém tinha colocado celular pra despertar mais cedo. Que erro. Eu e ela saímos da barraca com um fio de esperança do sol ainda não ter nascido, mas não deu. Ele nasceu e já estava lá pra cima. No entanto, as nuvens estavam fazendo seu espetáculo a parte.

Havia um grupo que pelo o que eu percebi tinham chegado recentemente lá. Voltamos pra chamar os meninos, mas os mesmos preferiram continuar dormindo. Eu e a Tamiris ficamos um tempão apreciando e tirando umas fotos. Ganhamos até um timelapse muito foda que uma menina estava gravando e aparecemos sem querer hahaha! Hora ou outra as nuvens passavam por nós, ventava muito e ficava úmido.

De volta a barraca tomamos café junto com os meninos e posteriormente arrumamos tudo pra ir embora. Antes de partir ainda fizemos uma boa refeição e eu fui atrás do livro pra assinar propriamente.

A hora que saímos o tempo estava totalmente nublado e úmido. Estava difícil navegar e desse modo acabamos nos perdendo um pouco no começo fazendo um caminho não muito viável. Porém logo reencontramos o trajeto mais certo de se fazer. O resto do caminho foi sem nenhuma novidade. A neblina demorou pra se dissipar totalmente e só depois deu o seu lugar ao sol. Exaustos, não viamos a hora de chegar na base e almoçar. E assim que chegamos jogamos as mochilas no carro e almoçamos no restaurante. E nunca uma coca-cola gelada caiu tão bem.

Gratidão demais por essa experiência! Marins é mágico.

Camila Moura
Camila Moura

Published on 12/24/2020 11:25

Performed from 10/11/2020 to 10/12/2020

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Camila Moura

Camila Moura

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Sonhadora, apaixonada pela natureza e montanhas. 24y @caamilamouraa

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