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Travessia das Sete Quedas - Chapada dos Veadeiros

Travessia das Sete Quedas - Chapada dos Veadeiros

Travessia de dois dias, cruzando o incrível cerrado brasileiro.

Camping Trekking

Fazia tempo que queria conhecer o cerrado brasileiro, especialmente a região da Chapada dos Veadeiros. Em meados de junho, alguns amigos do CEP - Centro Excursionista Petropolitano, comunicaram que iriam fazer uma trip nos Lençóis Maranhenses e na volta, parariam em Brasília para ficar mais 8 dias na região da Chapada. Infelizmente, eu e Letícia não poderíamos acompanhá-los nos Lençóis, mas ficamos muito interessados nessa segunda "perna" da viagem.
Além de conhecer algumas das cachoeiras das regiões, a ideia seria conhecer melhor o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, fazendo todas as trilhas possíveis. E a primeira delas seria a Travessia das Sete Quedas.
Assim que consegui confirmar minha semana de folga no trabalho, comprei as passagens aéreas e reservamos um carro para facilitar nosso deslocamento na região.
Em seguida, cuidamos das "burocracias". O parque não cobra ingresso do visitante, mas é obrigatório agendar a travessia pela internet e, caso haja pernoite, pagar uma taxa de R$ 18 por pessoa (a guia - GRU - é emitida automaticamente após realizar a reserva e só pode ser paga no Banco do Brasil). O comprovante de agendamento e a guia paga devem ser apresentados na portaria do parque.

A última etapa dos preparativos foi cuidar da hospedagem. O desafio era encontrar um local que oferecesse camping e quartos. E até que não foi difícil. Depois de ler diversos relatos na internet, acabamos fechando com o camping Taiuá Ambiental, que fica na vila de São Jorge, bem perto da portaria do parque.
No dia 29 de agosto saímos bem cedinho de Itaipava em direção ao aeroporto do Galeão. Deixamos o carro no estacionamento, pois o preço compensava (R$ 160 ~ R$ 190 por até 7 dias). Despachamos nossas bagagens, aguardamos nosso embarque e as 7h15 estávamos decolando em direção a Brasília.
Lá chegando fomos recebidos pelos nossos amigos Luiz Cláudio, Paulo Victor e Sebastião, que estavam bem cansados do voo de São Luiz a Brasília, mas cheios de histórias para contar sobre as belezas dos Lençois Maranhenses. Enquanto nos divertíamos com esse papo, tomamos um rápido café da manhã e depois seguimos para o balcão da Hertz, para fazer a retirada do nosso veículo.
Em menos de meia hora, já estávamos pegando estrada rumo a vila de São Jorge. Antes, fizemos uma rápida parada em Alto Paraíso para abastecer o carro e as nossas barrigas.
Alimentados, seguimos pela excelente GO-239, que nos lembrava as estradas do Rio de Janeiro (#sqn). Rapidamente chegamos a Vila de São Jorge e não foi difícil encontrar nossa hospedagem. Fizemos nosso check-in e conhecemos as dependências. Cabe um parágrafo para falar do camping.
Letícia e eu ficamos em uma suíte bastante ampla e os nossos amigos reservaram as barracas preparadas pelo camping, com colchão, travesseiro, roupa de cama e toalhas inclusas. O camping é bastante arborizado e muito limpo. Durante nossa estadia comprovamos que o lugar é bastante silencioso também. Existe uma área comum com geladeiras e cozinha totalmente equipada para ser usada pelos hóspedes. E um diferencial bacana, é a área de lounge com plataformas feitas de bambu e com colchões para relaxar. Um lugar bonito para ver o por do sol do cerrado.
Ainda encontramos um tempinho para ir à portaria do parque e confirmar o horário de abertura do mesmo. Embora o parque só abra às 8h, quem for fazer a travessia pode fazê-lo a partir das 7h. É só conversar com o guarda de plantão.
Voltamos para o Taiuá e combinamos de sair mais tarde para explorar um pouquinho a vila. Já identificamos uma padaria próxima do camping (já que a diária do Taiuá não inclui café da manhã) e paramos para jantar no restaurante Luar com Pimenta. O atendimento e a comida foram tão bons que voltamos todos os dias para jantar por lá.
Felizes com a boa refeição e o papo divertido, voltamos para o camping para arrumar nossas mochilas para o início da travessia e finalmente dormir.

Primeiro dia:

Acordamos bem cedo e fizemos os últimos ajustes nos equipamentos. As 6h30 já estávamos na padaria para nosso desjejum. De barriga cheia, ainda compramos água, pães de queijo e um lanche para o primeiro dia da travessia.
Seguimos a pé até a portaria do parque, em um trajeto de cerca de 1,4km, chegando lá as 7h30. Como dito na véspera, a portaria estava fechada, mas conseguimos entrar sem maiores problemas. Apresentamos a papelada ao guarda, preenchemos/assinamos um termo de responsabilidade e recebemos um cartão numerado que deveria ser colocado numa caixa, alguns metros antes do término da travessia.
Seguimos para um auditório onde assistimos um rápido vídeo sobre as trilhas e diretrizes do parque. Ali mesmo, resolvemos "estender" um pouco nossa travessia, incluindo a trilha dos cânions e da cachoeira da Carioca (ou Carioquinhas), já que o percurso durante alguns quilômetros era comum às duas trilhas.
As 7h40 começamos oficialmente a travessia. Conforme o vídeo exibido, inicialmente teríamos que seguir as setas de cor vermelha (trilha dos Cânions). Fomos caminhando sem pressa, curtindo as belezas do lugar e também estranhando bastante a "secura" da região, com índices muito baixos de umidade relativa do ar.
Exatamente com 1h30 de caminhada chegamos na bifurcação que dividia a travessia da trilha dos Canions. Seguimos descendo levemente até encontrar outra bifurcação, onde tomamos a esquerda em direção a cachoeira Cariocas (ou Carioquinhas). Aproveitamos que estava vazia, e ficamos um tempo aproveitando um banho na água não muito gelada.

Retomamos a trilha e seguimos para o Cânion II, onde fizemos mais uma pausa, e depois para o Cânion I, que vimos só de passagem. Nesses locais já havia mais pessoas circulando. Por volta das 13h já estávamos caminhando em direção a primeira travessia do Rio Preto. A partir desse ponto, as setas de sinalização eram da cor laranja.
Alcançamos o rio as 14h30 e encontramos um lugar com muitas pedras onde era possível atravessar sem tirar a bota (desde que o Goretex estivesse em dia). Na outra margem, havia uma área sombreada por algumas árvores e decidimos ficar por ali até umas 16h, esperando que o calor diminuísse um pouco.
Uma curiosidade é que esse trecho da trilha que liga a margem do Rio Preto até o camping é chamado de Fiandeiras, um caminho histórico da época do garimpo, que adentra pelo cerrado rupestre.

Quando voltamos a caminhar o sol estava mais baixo, mas o calor continuava forte. Nossos amigos estavam mais leves (dois deles iriam bivacar) e adotaram um ritmo mais forte. Letícia e eu seguimos mais lentos, aproveitando para fotografar bastante. Presenciamos um incrível por do sol durante a trilha e observamos o lindo voo de um casal de araras canindé que voltavam para casa.
Pouco tempo depois, reencontramos o Paulo Victor que ficou nos esperando para seguirmos juntos até a área de camping, onde chegamos as 18h45, já escuro. Desde o ponto de travessia do Rio Preto, não encontramos nenhuma fonte de água.
Montamos nossa barraca, tomamos um rápido banho de rio e depois fizemos nosso jantar (fusilli com molho de atum e queijo parmesão). Fomos os últimos a comer, pois embora tenhamos levado fogareiro, não encontramos o bujão Tekgás para vender em Alto Paraíso (e tampouco em São Jorge). Por isso tivemos que esperar pelo fogareiro MSR do Luiz que estava usando gasolina, que ele havia comprado em Alto Paraíso.
Mesmo estando ao lado do Rio Preto, a temperatura estava muito agradável e fomos dormir com as portas da barraca abertas. Apaguei rapidamente, mas me lembro que no meio da madrugada eu senti um pouco de frio e roubei uma "fatia" do saco de dormir da Letícia.
Nesse dia andamos cerca de 23km.

Segundo dia:

Descansados, acordamos cedo para preparar o café da manhã e desmontar o acampamento. Tão logo levantei, fui tirar umas fotos das Sete Quedas, que estavam ali pertinho. Eu esperava cachoeiras maiores, por isso me decepcionei um pouco com o local. Voltei para o camping e tomei um chá com a Letícia.

Sem pressa, começamos a desmontar a barraca e guardar os equipamentos nas mochilas. Pouco depois das 8h, retomamos a travessia e seguimos em direção ao leito do rio. É necessário caminhar um trecho dentro do rio, até encontrar o ponto certo para atravessar, com muitas pedras. Nem chega a molhar a bota. Enchi meu reservatório de água e preparei um isotônico para encarar o calor que já fazia.
No primeiro dia, a subida era bem suave e em alguns pontos, quase imperceptível. Mas no segundo dia, logo após atravessar o Rio Preto, temos um trecho de pouco mais de 2km de subidas, ascendendo cerca de 150m verticais. Era a subida mais "forte" de toda a travessia. E embora fosse uma subida bem tranquila se comparada com as das montanhas de Petrópolis, o calor deixava a caminhada mais difícil. Outro complicador nesse trecho é que a única fonte de água é o Rio Preto, logo no início da pernada.
Vencida essa subida, começou um bom trecho plano, onde a pernada rendia. De longe enxergávamos uma torre bem alta e uma construção. Depois fiquei sabendo que se tratava do Posto da Mata Funda, e a torre era utilizada pela Brigada do ICMBio para observação de incêndios. Tão logo alcançamos esse posto, procuramos uma sombra para nos abrigar e descansar um pouco. Logo atrás dessa construção havia a última placa de sinalização da trilha, indicando 3km para o final da travessia. Dali até o final, a caminhada seria num estradão de terra, com muitas pedras em sua parte inicial.

Seguimos descendo por cerca de 2km nessa estrada. Quando o terreno voltou a ficar plano, eu já podia visualizar a caixa onde teríamos que deixar o cartão, indicando para o parque que havíamos finalizado a travessia com sucesso.
Da caixa até o portão às margens da rodovia faltavam apenas 300m. A travessia acaba as margens da rodovia que liga Alto Paraíso a São Jorge, distante 12km da vila. Não havíamos contratado resgate e confiamos nos locais que haviam dito que era "muito tranquilo" conseguir carona por ali (isso também é mencionado no site de reserva da travessia).
Poucos minutos antes das 11h finalizamos a travessia e encontramos com o Luiz Claudio nos esperando, pois Sebastião e Paulo resolveram continuar a caminhada em direção a São Jorge.
Como não adiantava ficar ali parado torrando no sol, começamos a caminhar pela estrada, pedindo carona para os poucos carros que passavam pelo local. Na quarta ou quinta tentativa, um carro que vinha a milhão parou láááááá longe, mas voltou para nos dar uma carona. Felicidade define esse momento! Subimos na caçamba da pick-up e no caminho resgatamos nossos amigos. Rapidamente estávamos na entrada da vila de São Jorge e só nos faltava alguns minutos para um merecido banho e um almoço farto.
Sendo bastante sincero, esse dia é pouco interessante, sem nenhum atrativo. Por sorte, é um dia bem curto: andamos "apenas" 6,5km (do camping até a estrada GO-239), totalizando 29,5km de travessia.

Dicas, serviços e coisas que eu acho (mas só acho):

- Site do Parque Nacional: http://www.icmbio.gov.br/parnachapadadosveadeiros/guia-do-visitante.html.
- O endereço do site para fazer a reserva na travessia e gerar a guia para pagamento é o http://www.ecobooking.com.br/site3/destinoAtrativo.php?gHtY=w16sdl4duzcky5r2ekew.
- Fique atento #1: o parque não funciona nas segundas-feiras, exceto no mês de julho.
- Fique atento #2: após as 12h não é mais permitida a entrada de visitantes no parque. Vi algumas pessoas voltando decepcionadas por conta disso.
- Fique atento #3: a travessia com pernoite precisa ser agendada com um mínimo de três dias de antecedência. Caso não haja pernoite, o agendamento pode ser feito até o dia anterior à entrada no parque.
- Fique atento #4: a travessia fica aberta apenas no período da seca, quando o nível do Rio Preto está baixo o suficiente para permitir a travessia em segurança.
- Existe um limite de 30 pessoas/noite acampando na travessia. Fizemos a trilha durante a semana, e não encontramos ninguém após a bifurcação do Cânion I. Mas o pernoite no sábado me parece bastante concorrido.
- A travessia não requer a contratação de guias tampouco o uso do GPS, pois é muito bem sinalizada. Essa característica do parque é uma referência, tanto que os funcionários do Parque Nacional da Serra dos Orgãos foram até a Chapada dos Veadeiros para aprender as regras de sinalização usadas por lá.
- A travessia é bem tranquila para ser feita em um único dia, sem incluir a trilha dos Cânions.
- Se fizesse novamente essa travessia, não levaria barraca. Chove muito pouco na região e fazer um bivaque é uma boa opção.
- Para alugar o carro, usei o app "RentCars" que funciona como um comparador do preço entre as diferentes locadoras. Conseguimos um preço bem menor que o praticado nos sites das locadoras e com alguns seguros inclusos.
- Contato do Camping Taiuá: taiuaambiental@gmail.com.
- Boa parte do comércio em São Jorge só aceita dinheiro. Aos poucos, alguns estabelecimentos começaram a aceitar cartões de débito.
- Em São Jorge não existe posto de gasolina. Abasteça em Alto Paraíso.
- Restaurante Luar com Pimenta: Rua 12, Quadra 6. Pizzas deliciosas, carnes bem servidas e cerveja gelada. Aceita cartões.
- Restaurante da Nenzinha: fica na rua principal e tem um self service delicioso. Aceita cartão de débito.
- A padaria próxima ao Taiuá é bem simples, mas tem produtos gostosos. Se quiser um café mais "robusto", minha sugestão é seguir até o Café da Manhã Rio Preto, que tem um buffet gostoso e farto.

Fabio Fliess
Fabio Fliess

Published on 09/15/2017 11:44

Performed from 08/30/2017 to 08/31/2017

1 Participant

Letícia Fliess

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20
Edson Maia
Edson Maia 09/19/2017 08:04

Não tenho data definida, mas quero voltar para fazer outro giro de bike por lá e a travessia das Sete Quedas. A Chapada é apaixonante. VAleu Bro!

Fabio Fliess
Fabio Fliess 09/19/2017 19:08

Tamo junto brother Edson!

Marcelo Baptista
Marcelo Baptista 09/20/2017 01:58

To namorando essa travessia tem um tempo já. Ótimo relato, Fabio!

Fabio Fliess
Fabio Fliess 09/20/2017 10:18

Muito obrigado Marcelo. Vale muito a pena...

Daniel Maffioletti
Daniel Maffioletti 07/31/2019 10:48

Fábio, pesquisando aqui no site encontrei seu relato das 7 quedas... Do camping até a caixa no final da travessia tem alguma portaria ou algum controle de acesso? Costumo ficar acampado aí próximo queria saber se o acesso é restrito para chegar nas 7 quedas entrando pelo final da trilha...

Fabio Fliess
Fabio Fliess 07/31/2019 13:37

Fala Daniel. Pelo menos na época que fiz a travessia, não havia nenhuma portaria ou controle, além da portaria existente em São Jorge. Na verdade, não encontramos absolutamente ninguém do parque durante todo o trajeto. Porém, recentemente o parque foi concedido à iniciativa privada e passou a cobrar ingresso dos visitantes, então acredito que novos controles podem ter sido criados também. Recomendo um contato prévio com o parque para sanar sua dúvida. Abraços.

Daniel Maffioletti
Daniel Maffioletti 07/31/2019 13:38

Legal, obrigado...

Fabio Fliess
Fabio Fliess 07/31/2019 13:44

Disponha Daniel. Boas trilhas para você!

Fabio Fliess

Fabio Fliess

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Montanhista desde que me conheço por gente!!! Sócio e condutor do CEP - Centro Excursionista Petropolitano. Take it easy e bora pras montanhas! Instagram: @fliess

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