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CAPE WRATH TRAIL

CAPE WRATH TRAIL

Considerado "o roteiro de trekking mais difícil da Grã-Bretanha", 450 km de extensão, de norte a sul pelas Highlands da Escócia.

Trekking Mountaineering Long Distance

Depois de dez viagens exploratórias à Patagônia, decidi apontar minha bússola em outra direção e seguir outro azimute. Surfando a internet, encontrei um artigo que entitulava a CAPE WRATH TRAIL como "o roteiro de trekking mais difícil da Grã-Bretanha" e isso chamou minha atenção. Encomendei mapas, guias e alguns livros sobre o trajeto e comecei a estudar. Pareceu interessante.

As Highlands da Escócia são famosas como destino de turismo de aventura, a quantidade de trilhas de trekking e de mountain bike abertas e catalogadas é impressionante. O montanhismo clássico — subir a pé montanhas não muito altas sem uso de equipamento de escalada — é praticamente o esporte nacional escocês. Rotas possíveis de caiaque oceânico são numeráveis. Dá ainda para pedalar por asfalto em estradas estreitas com raro movimento de veículos motorizados, cavalgar, descer corredeiras ou simplesmente acampar.

A CAPE WRATH TRAIL pode ser iniciada da cidade de Fort William, no extremo sul do roteiro, ou no próprio Cape Wrath ("Cabo da Ira", em tradução livre), onde existe apenas um farol sobre um promontório rochoso acima do Mar do Norte.

A trilha conecta pequenos povoados, vilas, aldeias e algumas poucas cidades, sempre tentando levar o aventureiro por caminhos mais selvagens e de maior beleza cênica. Às vezes o roteiro segue por estradinhas de terra que servem de entrada ou conexão entre fazendas, às vezes entra por vales desertos de gente, sobe montanhas ou cruza rios sem ponte. É engraçado a sensação de isolamento ao saírmos de uma estrada e entrarmos num vale, tem-se a impressão de estar muito longe da civilização, completamente ilhado no meio da natureza selvagem, quando na verdade a última casa ficou a apenas 5 ou 10 quilômetros de distância.

O clima e o relevo são os maiores desafios. Grande parte do solo por onde transita a CAPE WRATH TRAIL é alagado, constantemente alagado. Chove muito na região e o subsolo é impermeável, evitando que a água escoe. O terreno é normalmente bem irregular e pedregoso, fazendo com que passo fora da trilha pisada se torne um obstáculo extra. A temperatura pode cair abruptamente, com chuva torrencial ou granizo a qualquer momento. Isso somado à alta umidade do solo e do ar faz com que a sensação térmica fique sempre desconfortável.

Um dos pontos altos da trilha são os "bothies" — casas antes abandonadas e hoje restauradas como abrigo público e gratuito em lugares remotos. Essas cabanas de montanha não possuem móveis, água encanada, energia elétrica, banheiro ou qualquer outra comodidade, mas conseguem se transformar em hotéis cinco estrelas! Um tablado de madeira para esticar o saco de dormir e nada mais! Não é preciso fazer reservas ou pagar um centavo. É possível que haja outros aventureiros no local ou que mais alguém chegue no meio da noite, mas isso só acrescenta à experiência.

Realizei a CAPE WRATH TRAIL em 21 dias com um dia de descanso. A quilometragem total foi de 446 km, sendo que uma vez chegando ao Cabo Wrath é preciso caminhar de volta até a última cidade por total falta de transporte coletivo. No verão isso pode mudar por conta do grande número de vans de turistas que visitam o farol.

Essa trilha foi feita dentro do PROJETO HIGHLANDS e pretendo escrever um livro sobre o tema e produzir um filme-documentário. Além da CAPE WRATH TRAIL, pedalei uma mountain bike tandem (bike dupla) com minha esposa, Adriana Braga, por 700 km nas Highlands seis meses depois de ter completado a CAPE WRATH TRAIL. Os dois trajetos estão no mapa abaixo.

Numa frase curta sobre o roteiro: vale a pena!

Guilherme Cavallari
Guilherme Cavallari

Published on 10/20/2016 10:28

Performed from 10/19/2015 to 11/10/2015

Views

2153

5
Peter Tofte
Peter Tofte 10/20/2016 13:23

Muito legal, Cavallari! Sempre fazendo e divulgando excelentes trilhas! Mais uma para minha lista de desejos, só falta tempo kkkkk.

Bruna Fávaro
Bruna Fávaro 10/21/2016 08:34

Aguardando ansiosamente! \m/

Diego
Diego 10/21/2016 08:38

Acompanhei de pertinho pela spot. Foi uma aventura e tanto e conheci mais um lugar que não fazia ideia da existência.

Pri|Consciência Peregrina
Pri|Consciência Peregrina 11/11/2016 11:56

Incrível! Desejando agora :)

Alberto Andrich
Alberto Andrich 12/22/2017 12:12

Parabéns, Guilherme! Se desejar, marque a World Adventure Society para aparecer como destaque no nosso perfil aqui no AventureBox. Abraços!

Guilherme Cavallari

Guilherme Cavallari

Gonçalves - MG

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Fundou e dirige a KALAPALO EDITORA desde 2001, produz e distribui conteúdo sobre aventura, com ênfase em mountain bike e trekking. Vive em Gonçalves (MG), no REFÚGIO KALAPALO.

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