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Solo no Pico dos Marins - 2014

Solo no Pico dos Marins - 2014

A primeira subida solo agente nunca esquece...

Mountaineering

A perrengue de 2013 não foi suficiente para eu desistir, então resolvi encarar uma subida solo para encontrar com os amigos no cume, que haviam subido na madrugada de sexta para sábado, e devido ao trabalho só consegui sair de Cruzeiro SP, as 11h da manhã de sábado, e nesse horário todos já estavam no cume, e eu saindo de casa... Senta que la vem história kkkkk.

Depois da última perrengue de setembro de 2013, eu não pensava em outra coisa. E na primeira oportunidade que tive fui denovo, mas desta vez com um outro tipo de emoção, subir o Pico dos Marins sozinha, para encontrar meus amigos lá encima... Muitos me criticaram, claro e com razão, mas eu decidida que sou, peitei o mundo e fui...Mas ainda não tinha equipos direito, então vai eu correr atrás de ajuda dos amigos, e o Di mais uma vez apoiou minha loucura e mochila já estava garantida, faltava só o restante kkkkkkk. Mas aos poucos fui compondo meus apetrechos. Casaco comprei no brechó por 15,00 e acredite o uso até hoje. Bota troquei por tênis, pois havia esquecido em Resende. Barraca emprestada de 2 lugares, mas desta vez tinha isolante e saco de dormir, uffa, menos peso kkkkk.

Sai de Cruzeiro e comi na alta com meu golzinho bola esperto, por Piquete SP, e passei pelo Bairro dos Marins para cortar caminho. Detalhe eu nunca tinha passado por lá, fui na sorte kkk, e me assustei com tamanha elevação da estrada, e aqueles morrinhos para ajudar dar impulso no carro, são abençoados kkkkk. Enfim, cheguei a base dos Marins 1h. Me arrumei rapidinho e apertei o passo pra chegar no careca. Chegando lá o primeiro susto. Ao sair do careca para entrar na mata, onde tem a placa de aviso, eu passei direto e entrei na próxima trilhinha, que vai dá na água, pulei essa água, e caminhei uns 50 metros, e o alerta do anjinho da guarda me disse: "Você não pulou nenhuma água da outra vez, volta até o careca e começa denovo". Então quando resolvi voltar, virei, e a trilhinha sumiu...me vi dentro de uma mata fechada e sem rastro de passagem de ninguém...arrepiei os pelos do corpo inteirinho...e corri, pulei a água denovo saí da mata, e ao voltar para o Careca, vi que tinha outra entradinha, então entrei e acertei. Nisso eu perdi aproximadamente uns 10 a 15 minutos. E eu estava corredo contra o tempo, pois lá encima 17h30 começa escurecer, então eu tinha pouco tempo pra chegar no cume. Neste momento o relógio marcava, 14h30, ou seja, eu tinha mais 3 horas, para chegar ao cume.

Apertei o passo, e iniciei as rochas...e na primeira virada fiz uma parada para o fôlego, de 5 minutos, a nesse tempo contemplei a vista, e vi a loucura que estava fazendo kkkkkk. Mas a vista me abasteceu de coragem, então segui enfrente...até me perder pela segunda vez. E nessa eu senti aquele medinho que arrepia as costas, pois já eram 16h, e eu tinha mais 1h30 de luz do dia, e nem tinha chego no jacaré e toten...passei sufoco...mas voltei mais um pouco, respirei fundo, e segui por outro caminho...e finalmente avistei a pedra com fenda no meio, passei por ela e em seguida avistei o passarinho no ninho....que também, me confundiu e me perdi novamente, afinal de contas, era minha segunda subida, e a primeira eu subi a noite. Parei novamente, respirei fundo, analisei as possibilidades, e neste momento observei um casal subindo atrás de mim, mas eles estavam muito rápidos, e esperei eles chegarem e pra não dizer que estava confusa, dei um tempinho e fui atrás...mas em questão de segundos os dois sumiram denovo, e a minha solitude reinava...isso já era 16h40...me restavam 1h de luz do dia, e minha meta era chegar com o dia claro.

Acelerei mais o passo, e comecei a voar pelas pedras kkkkk, rápida e ligeira cheguei no marinzinho as 17h10...e observei que o sol já não clareava mais o vale...então neste momento tomei uma decisão, vou caminhar até onde der, e até onde achar lugar para acampar seguro e vizível. E assim caminhei por mais uns 30 minutos, e cheguei na base do último paredão. E ali eu fiquei....só eu e aquela imensidão...em 2014 não haviam muitos montanhistas ainda...e naquele dia em especial nenhum fazendo travessia. Ou seja, era eu e noite estrelada no vale do Marinzinho.

Montei minha barraca, já escuro, me agasalhei, me alimentei, e curti um pouco o céu, e resolvi deitar por volta das 19h45....quando o corpo estava começando a relaxar....escuto uma voz lá no fundo.....Maluuuuuuuuuuca, OOOO Mallluuuuuca....com muita coragem, abri o ziper da barraca e coloquei o zoinho no buraquinho do ziper kkkkkk, e vi uma luz de lanterna no alto do paredão, então acendi minha lanterna também, e fiquei quietinha....e ouvi denovo....Maluuuuuuca você tá aí...e ao reconhecer a voz vi que era comigo kkkkkk. Sabe aqueles parceiros que você carrega pra vida toda? Sim, eu tenho! e lá estavam Yuri e Zappa, descendo pra encontrar comigo e me acompanhar para acabar de chegar no cume. Enquanto eles desciam, eu corri pra desmontar tudo, colocar na mochila, e encontrar com eles, que me guiaram, até encontrá los, e acabar e chegar no cume.

Ao chegar no cume, alguns que estavam lá e ficaram sabendo que tinha uma maluuuuuca subindo sozinha, vibraram com minha chegada, e pude sentir a energia de todos, o que me fez ter a certeza que estava no caminho certo, o caminho dos sonhos, sonhos de liberdade. Montei minha barraca tudo denovo, troquei de roupa, e fui contemplar a noite estrelada, e agradecer ao Universo a maravilha de ter amigos parceiros, o dicernimento em tomar as atitudes durante meus momentos perdidas, a calmaria ao ver que estava sozinha lá embaixo, e claro, a paz no coração de ter superado mais este desafio.

No dia seguinte, só alegria, dia lindo, tudo perfeito, companhias perfeitas, e aquela sensação de missão cumprida com muito prazer e força de vontade. Para descer éramos Eu, Yuri, Zappa, duas Flores que não lembro o nome, e doi rapazes que também não lembro o nome kkkkkk, mas os tenho em minhas lembranças.

Definitivamente, foi uma experiência única e espetacular em minha vida, mas que não aconselho ninguém a fazer, pois são coisas que somente sua consciência e seu coração podem lhe dizer se é confiável executar.

E assim foi a minha primeira e única, até o momento, experiência solo em montanha.

Finalizo aqui meu relato, com os olhos úmidos de emoção, e com o coração preenchido de amor próprio, pois a cada conquista, me abasteço de vida.

PS: Infelizmente a maioria das fotos que fiz na subida, estão dentro de um HD que não consiguir abrir, e estou aguardando aparecer um ser de luz, que possa recuperar meus arquivos de imagens.

Kellyns Cris Mãetiqueira

Kellyns Cris Mãetiqueira

Cruzeiro SP

Rox
95

Mãe, Mulher e Montanhista. Consciência e Conexão Corporal na Montanha. Regenerar é possivel.

www.maetiqueira.com.br

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