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Brincando nos campos do Senhor

Brincando nos campos do Senhor

Trekking de dois dias na Chapada Diamantina. Pais e filhos se divertindo juntos em meio a natureza.

Trekking

Não resisti e aproveitei o título do filme de Hector Babenco, de 1991, para dar nome a este relato.

Decidimos levar nossos filhos para um trekking na Chapada, para terem experiências reais, saindo um pouco do mundo virtual, e para aprenderem a apreciar/vivenciar a natureza.

Os aventureiros mirins foram o Theo, meu filho de 11 anos, Davi, 10 anos, filho de Miguel/Geo e Gabriel, 8 anos, filho de Sergio. Fomos todos os sete para uma área do Parque Nacional Chapada Diamantina. Para Theo e Gabriel seria a primeira experiência em trilha. Para Davi, seria a segunda vez.

Chegamos em Lençois sexta a noite. Eu e Theo ficamos na casa do Miguel/Geo e Sergio e Gabriel em uma pousada. Jantamos numa pizzaria ao lado da Realejo, lojinha dos nossos anfitriões.

As crianças brincaram de pega-pega na rua de pedras, interditada para carros. Desapareciam da nossa vista. Comentei com Sergio que jamais poderiamos deixar isto acontecer em Salvador.

Theo, Davi e Gabriel.

No dia seguinte partimos de Lençois e após 20 minutos deixamos os carros perto da ponte do Ponem, a antiga ponte na estrada de mulas que ligava Lençois ao Norte da Bahia, ao lado da atual BR-242. O famoso Morro do Pai Inácio era visível, cerca de 2 km a Noroeste.

Prestes a caminhar. Atrás, esquerda para a direita: Sergio, Geo, Miguel e eu. Na frente, Davi, Gabriel e Theo.

A ponte tem o nome da Dona Ponem, fazendeira antiga na região. Miguel me contou que ela viveu na casa ali pertinho até os 100 anos. O filho vinha de Lençois visitá-la uma vez por semana (!!) até que um dia encontrou-a morta (de velhice).

Atravessando a ponte do Ponem, sobre o rio Mucugezinho. A casa da Dona Ponem fica abaixo das árvores ao fundo da foto.

Começávamos na ponte uma caminhada de cerca de 8 km. A jornada até o ponto do acampamento durou cerca de 3 horas, com paradas para as crianças descansarem. Os pais também paravam aliviados. Estavam sobrecarregados porque levavam a carga de duas pessoas, já que poupávamos nossos filhos da maior parte do peso. As crianças iam apenas com pequenas mochilas de ataque.

Eu faria bivaque, mas levava uma TNF Mountain 25 de 4 estações para as 3 crianças. Só ela pesava cerca de 4,5 kg. Antes de colocar a comida pesei a mochila e deu 15 kg. Mais água e comida acredito que chegou a 18 kg. Ainda bem que estava com uma cargueira excelente, a lendária Arc'teryx Bora 80, velhinha mas ainda em cima. Transfere muito bem o peso para os ossos da bacia.

Não queria que faltasse nada para as crianças e assim exagerei na comida. Com Miguel e Sergio não foi diferente. Miguel adicionalmente se deu ao luxo de levar um banquinho para sentar e um som. Seu lema é "você carrega o peso do seu conforto". E Sergio, com seu chapéu de couro, típico de vaqueiros nordestinos, carregava uma mochila estanque nas costas e outra mochila na frente.

Gabriel queria sempre ir na frente, com um bom ritmo, apesar de ser o menor.

Travessia e parada para descanso em meio a mata ciliar do rio Mucugezinho, perto do vale Encantado.

Sorte que a trilha não tinha muito desnível, bem batida, através de campos, que na Bahia chamamos de gerais.

Quando chegamos ao rio as crianças colocaram os calções e caíram na água. Começou a farra. Pega-pega, esconde-esconde e uma guerra de Nerf, armas de brinquedo que disparam dardos com ventosa.

Theo explorando o piscinão.

O belíssimo Morrão (Monte Tabor) sobressaia nos campos de altitude, formando o pano de fundo das brincadeiras.

Ao anoitecer os piás entraram na tenda, fecharam as portas de tela e acenderam as LEDs. O fato de estarem numa casinha só deles, a barraca, já era uma brincadeira. Jogaram um game (não queríamos também radicalizar e provocar uma crise de abstinência). Enquanto isto os pais prepararam a almojanta. Massa e arroz com carne de sol, milho, ervilhas, ovo cozido. Depois salsicha e queijo coalho assados.

Castelo das crianças.

Noite bonita, estrelada, Só começou a nublar por volta de 23 horas, quando os adultos foram dormir (as crianças já haviam desmaiado de sono bem antes).

Acordei cedo, com uma garoa que durou pouco.

Fizemos o café, acordamos os meninos e após a refeição eles foram para a "piscina". Enquanto isto os marmanjos já desmontavam acampamento.

Por volta de 13 horas deveríamos estar de volta aos carros. Infelizmente deveríamos regressar para Salvador, a 430 km de distância, ainda no domingo.

Apenas Geo e Miguel fariam um trajeto menor, porque tem a sorte de morar em Lençois.

Contemplando a bonita vista para o Morrão.

Saímos cerca de 11 horas e chegamos as 14 horas no Ponem. Eu e Theo ainda tomamos um banho de rio no Mucugezinho.

Seguindo os passos do pai.

Foi uma excelente experiência, combinamos levá-los duas vezes ao ano para a trilha. E acampar ao menos 3 dias (2 noites) para compensar a distância entre Salvador e a Chapada. Além disto, apenas 2 dias (uma noite) é muito cansativo, andar num dia e voltar no outro.

Assim deixamos alinhavada outra trilha, para janeiro do ano que vem, possivelmente no vale do Ribeirão.

Mais um pouco as crianças se tornarão adolescentes e será muito diferente o comportamento delas. O negócio é aproveitar o final da infância para que elas curtam bastante a natureza e queiram sempre voltar no futuro.

Peter Tofte
Peter Tofte

Published on 11/19/2017 10:45

Performed from 11/11/2017 to 11/12/2017

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1899

2
Lucas Andrade
Lucas Andrade 11/21/2017 09:33

Uhuuu... Imagino a farra dessa galerinha Peter! Ficou show o relato e as fotos!

Peter Tofte
Peter Tofte 11/23/2017 13:40

Valeu Lucas!

Peter Tofte

Peter Tofte

Salvador, Bahia

Rox
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Carioca, baiano de criação, gosto de atividades ao ar livre, montanhismo e mergulho. A Chapada Diamantina, a Patagônia e o mar da Bahia são os meus destinos mais frequentes.

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