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Um descanso nos Frios

Um descanso nos Frios

Descansando da trilha e do réveillon com mais trilha num dos pontos mais bonitos da Chapada Oeste. Começando bem 2021!

Trekking Mountaineering Waterfall

Fotos portada e avatar: Cristina Macedo.

"....coisas assim a gente não pega nem abarca, cabem é no brilho da noite. Aragem de sagrado, absolutas estrelas". João Guimarães Rosa

Primeiro de janeiro/2021.

Acordamos cedo apesar de todo o vinho que bebemos no réveillon (ver final do relato "Agua Suja, alma limpa"). Isto porque o sol não permitia que ficassemos dentro das barracas. Alguns tomaram um banho no riacho para curar a ressaca.

Planejamos para hoje uma trilha mais light, já que havíamos feito um roteiro hard nos últimos 5 dias.

Partimos pegando o rumo da Mata dos Frios, num vale estreito entre o Barbado (maior montanha do Nordeste) e o pico dos Frios/Mutuca. A trilha começa acentuada porém na sombra, uma bela mata protegia do sol. Cerca de 40 minutos e já estávamos no divisor de águas, de um lado corria o córrego que descia para o Guarda Mor, de onde saímos, e do outro a nascente do Rio dos Frios, onde ficava a cachoeira na qual pernoitaríamos. A caminhada era interrompida para observar e tirar fotos das flores de bromélias, orquídeas e micro orquídeas, abundantes na mata.

Bromélia Tillandsia.

Foto Cris.

Atravessamos o rio numa ponte de troncos. Passei primeiro e disse que ia filmar alguém caindo. Ôoo boca... Fábio escorregou um pé e uma perna ficou entre dois troncos. Felizmente não caiu n'água. Me arrependi de ter dito aquilo.

Adentramos na primeira área aberta de pastagem. Passamos por mais duas matas e duas pastagens, intercaladas, antes de chegarmos ao destino.

Chegando.

Foto Rodrigo.

Alcançamos a cachoeira dos Frios por volta de uma e meia e colocamos as mochilas na área de acampamento para em seguida cair no rio. Não havia muita água, a terra molhada nas margens indicava que o rio havia secado uns 20 a 30 cm nos últimos dias. Mas ainda assim estava ótimo para um banho.

Descemos para o poço inferior da cachoeira onde Cris e Rodrigo tiraram fotos enquanto nos banhávamos. Na volta para o topo da cachoeira preferimos subir pelo leito do Rio, pelas pedras da parte seca da queda d'água. Mais rápido e prático que o caminho que utilizamos na descida.

A cachoeira dos Frios.

Poção inferior.

Fotos Rodrigo

Armamos as tendas, alguns tiraram um cochilo. Cris e Rodrigo ficaram de prontidão porque o pôr do sol não iria demorar. A vista para Oeste-Noroeste é muito bonita.

Sandra contemplando a vista no topo da cachoeira.

Foto Cris.

Ao escurecer eles não largaram as máquinas fotográficas. Com a ajuda do tripé tiravam fotos noturnas e responderam ríspidos, de mau humor, quando foram avisados que o jantar estava pronto. Malcriados!

A fotografia é estressante kkkkk. O cara não curte o momento de tão focado, na função de tirar as melhores fotos.

Mas as fotos de Cris e Rodrigo ficaram maravilhosas e ilustram esse relato. A primeira noite do ano foi excelente, em volta da fogueira, dando risadas e contando histórias. Algo bem tribal e primitivo, algo que perdemos na vida moderna das cidades. Nossas últimas noites foram todas assim.

A lua, que foi cheia no dia 30/12, ainda não apareceu. Ela surgiu entre a árvore e a montanha.

Tarde da noite ela dá o ar de sua graça.

Fotos Cris.

O céu estava tão limpo que decidi dormir sem a tarp. Debaixo do galho de uma árvore estendi meu saco de bivaque e o galho sustentou o mosquiteiro que rodeava minha cama.

Ao deitar vi uma aranha do genero Lycosa dentro do mosquiteiro, que Rodrigo já havia visto e me alertou. Aranha inofensiva, ao passar a lanterna na grama era possível ver os olhinhos luminescentes de dezenas dessas aranhas. Expulsei a aranha e fui dormir. Sandrinha, bióloga, fez tese sobre aranhas, daí termos estas informações.

Noite tranquila, de sono profundo, apesar dos roncos que vinham da barraca vizinha.

A manhã do dia 02 foi preguiçosa, não tínhamos pressa para sair.

A Intrépida Trupe preparando o café da manhã as margens do rio.

Foto Rodrigo.

Voltaríamos para o Guarda Mor, a menos de 3 horas de distância. Durante o trajeto encontramos o dono da fazenda onde estávamos. Veio dar sal para o gado e examinar se todos os bovinos estavam saudáveis. Portava uma primitiva espingarda de carregamento pela boca, sem massa de mira, imprestável para caça, que usava para espantar onça.

Contou-nos que na área havia cerca de 40 jumentos selvagens, largados pelos antigos donos. Mas todos foram devorados por uma suçuarana. Algumas ossadas ainda podiam ser encontradas. Ele mesmo já havia topado com a bichana. Eu que durmo em bivaque adoro estas histórias...

O gado não é incomodado pelo felino porque o porte dos bois é grande e a onça prefere presas mais fáceis. O jumentinho tinha o tamanho ideal. Tinha...

Nós despedimos do fazendeiro e seguimos de volta para o Guarda Mor conversando e admirando a mata. Xamã deu algumas topadas no pé pois usava sandálias emprestadas por Rodrigo, porque sua velha bota se deteriorou totamente na trilha anterior de 5 dias.

Chegamos por volta de uma hora da tarde e pedimos para o Seu Jura e Dona Raimunda fazerem o almoço. Na verdade havíamos encomendado para eles o jantar mas decidimos, com fome, antecipá-lo e convertê-lo em almoço. Uma baita feijoada com carne de porco frita. Ainda compramos feijão recém colhido.

Também planejávamos dar um pulo em Catolés para comer uma pizza pela tardinha. E Rodrigo e Sandra tinham que levar o 4 X 4 para uma borracharia porque um dos pneus estava perdendo pressão. Estava tão baixo que tiveram que trocar pelo estepe.

De tarde então seguimos para Catolés, a cerca de 8 km de distância, e fomos para uma padaria que servia cerveja e tinha Wi-Fi, onde pudemos ter notícias após 8 dias de mato. Rodrigo/Sandra depois do conserto do pneu se juntaram a nós e fomos para a pizzaria.

Igrejinha historica de Catolés, 1700 e cacetada.

Encontramos lá o guia Chico e Joca (vide o relato Serras Altas). E mais cervejas. Sandrinha e Rodrigo ficaram na pousada da Dona Creuza. Nós voltamos para o Guarda Mor para uma última noite acampados na velha moenda de cana. Ainda acendemos uma fogueira e conversamos um pouco antes de dormir. Bivaquei outra vez apenas com o mosquiteiro porque o céu estava bonito. Coisa boa dormir com um teto de estrelas!

Na manhã seguinte tocamos para Salvador após nos despedirmos de Seu Jura e D. Raimunda, casal que tão bem nós recebeu no Guarda Mor. Sandra e Rodrigo ainda tinham mais uns dias de férias e foram explorar a região dos Três Picos, ao Norte da Serra da Tromba.

Cerca de 8 da noite estávamos de volta a Salvador. Bom começo de ano!

Fotos do relato: Rodrigo F. De Oliveira e Cristina Macedo.

Peter Tofte
Peter Tofte

Published on 01/20/2021 14:22

Performed from 01/01/2021 to 01/02/2021

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217

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Rodrigo Oliveira
Rodrigo Oliveira 01/20/2021 14:29

Marque aí na sua lista: Vamos desbravar a região dos três morros, é linda demais e bem tranquila, ao que parece. Ao menos, por hora, já que o agronegócio está assombrando uma área próxima!

Peter Tofte
Peter Tofte 01/20/2021 15:37

Com certeza. Enquanto podemos...infelizmente!

Peter Tofte

Peter Tofte

Salvador, Bahia

Rox
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Carioca, baiano de criação, gosto de atividades ao ar livre, montanhismo e mergulho. A Chapada Diamantina, a Patagônia e o mar da Bahia são os meus destinos mais frequentes.

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