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Travessia Serra Fina, Ao Contrário

Travessia Serra Fina, Ao Contrário

Dita uma das mais difíceis do Brasil, uma desafio para eu e minha namorada aventureira. Partiu SF? Claroooo, vamos lá então e ótima leitura.

Então, arriscamos fazer a travessia mais dificílima do Brasil, Serra fina? :) hahah

Para começar na Toca do Lobo, o taxista nos cobraria 120 reais para nos levar de Passa Quatro até o refúgio Serra Fina, por um percurso de apenas uns 8km... Ai aí.

Fomos para o final da travessia, em Itamonte e encontramos um taxista que cobraria só 35 "contos de réis" para nos levar até fazenda do Pierre (final da travessia), o que foi um alívio para nossos bolsos já maltratados e principal motivo de fazer a Travessia da Serra Fina ao contrário, rsrs.

Antes disso, achamos uma farmácia onde pesamos as mochilas, totalizando uns 25 kg de cargueira entre ambos (Travessia da Petrobrás fizemos com 35 kg nas costas :0).

Pulamos a porteira e entramos por uma subida suave. Chegamos na fazenda, já esperando o ataque dos cachorros, o qual não aconteceu pois não haviam dogs nem pessoas. Dormimos ali mesmo e de manhã, depois de abastecer nossa água, começamos a andar.

Avançamos, subindo, subindo e a mata alta começa a ficar para atrás, dando abertura a um lindo céu azul. No demos conta, que já estávamos na primeira crista (ou última! para quem faz o trajeto tradicional, Passa Quatro > Itamonte).

A paisagem sem igual se abria a nossa frente e a temperatura baixava a medida que a tarde chegava. Continuamos avançando de olho no melhor lugar para montar o acampamento (hábito que ganhamos para os próximos dias rs), e achamos um lugar perfeito, onde alguém já havia montado sua barraca ali, havia capim forrando o chão (para evitar umidade e frio!) e uma parede de pedras para quebrar o vento, a qual era baixa e pegamos mais pedras para aumentar o seu tamanho e quebrar mais vento.

Montamos nossa barraca protegida do vento (geladoooo!!) e demos uma volta para reconhecer o local de acampamento, tiramos fotos e, ao cair da noite, fizemos nossa típica almojanta dentro da barraca, nanamos... e por volta das 23 hs...

-Fofooooo!! Quero fazer xixi!!! (minha namorada)
-Tá bom...eu saio na frente... FOFA!!! vem veeer vem veeeerrrr! (Eu)
-O que? Que foi? (minha namorada)
-A Lua!! vem essa Lua!! (Eu)

A Lili saiu para fazer pipi e viu uma linda e enorme Lua vermelha, nascendo ao horizonte...
Após curtir essa maravilha (e ter feito pipi!), nanamos de novo.

Tomamos café acompanhados de um lindo amanhecer, desmontamos o acampamento no cume dos Bandeirantes e partimos para nosso segundo dia de empreitada. Rapidíssimo chegamos ao topo dos Três Estados, tiramos fotos surreais e, como crianças, ficamos dando voltas no marco dos Três Estados, estamos em Minas!! agora em SP!! entrei no RJ!! kkkkkkkk

Como resolvemos fazer ao contrario, deparamo-nos com mais uma dificuldade, que era toda a mata voltada contra nós, criando mais um empecilho no avançar da trilha. Pobre de nós e nossos isolantes térmicos que sofreram muitos danos com os bambus, galhos e demais matinhos. Ficamos cheios de cortes e tivemos que proteger nossos rostos.

Mas seguimos em frente, passamos o Cupim e a meta era acampar na Brecha, conseguimos! uhuuuuu!!

Outro percalço que dificultou nosso avanço foi que sendo inicio de temporada de montanha, a trilha encontrava-se muito fechada, em alguns locais foi difícil achá-la, mas com nossa experiência e calma, deu tudo certo e achar a trilha foi fácil.

Terceiro dia, tudo pronto para partir, fomos em direção ao temido Vale do Ruah e seus capins elefantes. Já na descida, encontramos os 3 primeiros trilheiros que faziam o caminho normal (Passa Quatro > Itamonte), conversamos um pouco, trocamos dicas e seguimos em nossas direções. Chegando ao Ruah, avistamos o nosso primeiro ponto de água em dois dias (lembrando que fazíamos a travessia ao contrario!).

Ao longe avistamos um grupo bem próximo a Pedra da Mina, tomando banho no cristalino riacho,
achamos um bom local em meio ao Vale e tivemos acesso a água.

Encontramos mais dois trilheiros, trocamos mais ideias sobre a travessia, fizemos pausa e lanchamos todos juntos. Água reabastecida, partiu subir Pedra da Mina! Começamos a encontrar mais e mais trilheiros que ficavam surpresos por ver uma dupla fazendo a travessia ao contrario e, chegando a base da Mina, os acampamentos pareciam com a rua 25 de Março em SP.

Observamos muitas pessoas totalmente despreparadas em questão de condicionamento físico, psicológico e equipamento (gente carregando cooler, parei!). Iniciamos a subida da Mina enquanto uma fila inacabável de excursionistas descia dela. Eram por volta das 15:30hs quando chegamos ao cume, com uma vista deslumbrante, sol à pino mas com temperatura próxima a uns 5 graus devido a forte ventania do topo, Eu (Lili) não tirei minha cargueira temerosa de sair voando kkkkkkk, enquanto o Ward, de bermuda e camiseta (o rapaz não sente frio! Emoticon gasp ) olhava e fotografava tudo e era alvo de curiosidade dos demais trilheiros que lá estavam, todos super empacotados com suas "três camadas", kkkkkkkkkkkkkkk, morrendo de frio.

Devido a excursão do PlayCenter, não achamos o livro do cume para assinar, pois algum babaca estava com o livro passeando pra lá e pra cá. Se achamos superlotado o acampamento no Ruah, a Pedra da Mina parecia a praia de Copacabana na virada do ano! Decidimos descer pois não queríamos ficar no busão lotado, hahaha.

Na descida vimos que a trilha havia virado uma rodovia, devido aos trocentos trilheiros com quem cruzamos, a partir de então a navegação ficou facílima.

Seguimos em busca de nosso acampamento para o último pernoite e chegamos ao Melano. Acampamos, almojanta e partiu descansar nossos esqueletos. Nessa noite, não sabemos precisar que horas da madrugada, acordamos com uma sensação muito estranha, não era humano tão menos animal, mas sentimos uma presença que dizem ser o Corpo Seco. Eu queria sair para ver o que era, mas a Lili não deixou. Ficamos acordados por mais um tempo e a sensação desapareceu. Dormimos.

Ultimo dia!! Provisões no mínimo, cansaço quase no máximo. Desjejum gostoso, cargueira nas costas e partimos para completar nossa empreitada. Acreditamos que no último dia só andaríamos por aquela crista de sonho que aparece nas fotos mas ainda teve alguns desníveis a vencer. Partindo do Maracana, passando pelo Avançado para chegar no Alto do Capim Amarelo, pescamos nossa ultima lata de atum para dar mais um gás. A partir da ai avistamos o Quartizito, alegras por ver quase o fim de nossa jornada.

Estimamos mais uma hora de descida e em menos de 50 minutos, estávamos lá. Descemos mais um pouco até a Toca do Lobo com sua mini-linda cachu de água gelada e transparente, terminamos onde haviam placas indicando o inicio do caminho para Serra Fina.

Pernamos e passamos por um sitiozinho ali próximo. Continuamos a andar mais a frente passamos pelo refugio Serra Fina bem cansados, então que surge um fusquinha azul, ao qual pedimos carona para chegar a Passa Quatro. Detalhe: como o pessoal estava levando colmeias com centenas de abelhas para a cidade, tivemos que carregar as mesmas no colo, de boa!!! Ufaaaa!

Conclusão: difícil, sim, ao contrário mais ainda. De qualquer modo vale o desafio, as vistas incríveis e todos os perrengues passados.

E chegando em Passa Quatro, cerveja da comemoração, pegamos o ônibus para Itamonte (onde deixamos o carro), comemos uma pizza e após quatro dias sem banho e cama, dormimos num hotelzinho, com banho quente e cama... prontos para pegar a estrada e continuar a aventura!

Fotos: Lili del Valle e Ward de Sá

Ward de Sá
Ward de Sá

Published on 01/28/2016 11:50

Performed from 06/04/2015 to 06/07/2015

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Peter Tofte
Peter Tofte 02/03/2016 13:45

Parabéns! Relato muito bem humorado de uma excelente aventura!

Ward de Sá

Ward de Sá

Guararema - SP

Rox
90

Aventureiro e sempre alegre. Instrutor e guia de montanhismo. Proprietário da agência Aventureiros Anônimos Trekking e Viagens, a que mais cresce no ramo.

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