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JACQUES COUSTEAU O HOMEM QUE NOS APRESENTOU O MAR

CONHEÇA UM POUCO DA VIDA DE JACQUES COUSTEAU

Alma Outdoor
Alma Outdoor 10/06/2020 16:38

Por: Sandro Gavião

Se você tem menos de 30 anos provavelmente o máximo que já ouviu sobre Jacques Cousteau é que era um senhor que fazia documentários sobre a vida marinha e que o personagem de Bill Murray no filme A vida Marinha de Steve Zissou foi evidentemente inspirado nele. Mas Jacques Cousteau foi muito mais que isso, ele foi um revolucionário que mudou a maneira como vemos a natureza, o planeta e nosso papel nele.


Nascido em 11 de junho de 1910 na cidade francesa de Saint-André-de-Cubzac, Jacques Yves Cousteau se mudou para Paris na adolescência onde aprendeu a falar inglês. Foi lá que começou a demonstrar um notável talento para a natação, o mergulho e em desmontar equipamentos para ver como eles funcionavam. Adivinha o que aconteceu com sua primeira câmera fotográfica?


Em 1930 entrou para a Academia Naval Francesa, mais tarde durante a Segunda Guerra foi membro da resistência aos nazistas, o que lhe rendeu uma condecoração da Legião de Honra. Teve uma breve carreira de piloto de aviões que foi interrompida devido um grave acidente de carro.

O tratamento para se recuperar das lesões que incluíam muita natação, seu treinamento militar, sua inquietação e ímpeto curioso foram as habilidades necessárias para construir sua carreira como explorador. Cousteau começou a utilizar os óculos de aviação em seus mergulhos surgindo assim o primeiro protótipo do que viria a ser os óculos de mergulho atuais.

Para captar imagens subaquáticas criou uma câmera de TV submarina e outros dispositivos que o permitia fotografar em baixo d’água (seja eternamente grato a ele Gopro). Em 1942 junto com um amigo fizeram o primeiro filme sobre a vida marinha chamado 18 Metros de Profundidade.

Jacques Cousteau e sua criação, o Aqualung. foto: youtube

Não demorou muito para surgir a necessidade de aprimorar seu equipamento de mergulho. No escafandro o mergulhador era ligado por uma mangueira que o abastecia com o suplemento de oxigênio, mas o obrigava a subir a superfície periodicamente. Além de ser um trambolho que limitava a liberdade de movimentos também não permitia que o mergulhador permanecesse muito tempo debaixo d’água, pois o fluxo dos tanques de ar era inconstante e não podia ser regulado.

Após alguns testes com oxigênio puro, o que resultou em um acidente deixando-o inconsciente à 45 pés no fundo do mar, Cousteau se uniu ao engenheiro francês Émile Gagnan que havia acabado de inventar um regulador para fluxo de gases em motores. Juntos criaram um regulador de ar que funciona apenas quando o mergulhador respira. Assim foi criado o aqualung, também conhecido como scuba (sigla para self-contained underwater breathing apparatus ou aparelho autocontido de respiração subaquática), definindo a indústria de equipamentos de mergulho com um novo design que permite que o mergulhador permaneça mais tempo dentro d’água e tenha mais liberdade de movimentos.


Em 1953 é lançado o livro O Mundo Silencioso escrito em conjunto com Frederic Dumas. Em 1956 após produzir algumas pesquisas para a marinha ele abandona definitivamente o serviço militar e passa a dedicar sua vida como documentarista à bordo do Calypso, um antigo navio caça-minas dado de presente pelo político e milionário inglês Loel Guinness e transformado em navio de pesquisas ultramoderno.

O Mundo Silencioso também virou um filme e então o publico foi cativado definitivamente pelas incríveis imagens inéditas da parte submersa do planeta concedendo a Jacques Cousteau seu primeiro Oscar. Ao todo foram três estatuetas, a segunda veio com o filme O Peixe Dourado e a terceira com Mundo Sem Sol onde ele mostra a criação de uma colônia habitável no fundo do mar.

Agora Jacques Cousteau já tinha a atenção e a admiração do mundo, era hora então de dedicar sua obra para a conservação ambiental. Ele já tinha naquela época total conhecimento das consequências futuras do desenvolvimento frenético das indústrias e das mudanças climáticas que ocorreriam.

Em 1960 liderou um movimento para tentar impedir o governo francês de despejar rejeitos nucleares no Mar Mediterrâneo e teve um papel chave na proibição da caça indiscriminada de baleias.

Mas essa consciência ambiental tardou a aflorar em sua mente. E há alguns choques no que ele prega nessa ocasião e alguns acontecimentos registrados no passado. O sucesso de seus documentários por algum tempo turvaram sua visão para o que era realmente importante. Em seus primeiros filmes o mundo submarino é narrado como um buffet onde podemos entrar e se servir a vontade. Em Um mundo Silencioso tubarões e até mesmo uma cachalote é morta pela tripulação em frente às câmeras.

Mas Cousteau não esconde esses fatos, muito pelo contrário, ele os expõem e os usa como uma espécie de evolução pessoal de sua consciência ambiental e de como ainda temos muito a entender sobre nossa relação com os oceanos.


Mais do que sua contribuição para os avanços na exploração submarina, Cousteau foi pioneiro em uma nova forma de mostrar a vida natural. Na verdade ele mostrou ao mundo o verdadeiro papel da natureza, o papel principal.


No Brasil
Jacques Cousteau desembarcou no país em 1982, na época o conhecimento sobre nossas águas e a importância de sua influência no clima mundial ainda era limitado, mas o oceanógrafo já enxergava os problemas que estavam por vir.


Um verdadeiro exército de pesquisadores, entre eles Jean Michel filho de Cousteau, desembarcou na Amazônia para uma expedição de 2 anos, trazendo consigo uma poderosa frota de veículos, entre eles o hovercraft Anaconda, o caminhão Amarillo de tração nas seis rodas e que carregava um container carregando toneladas de equipamentos, o hidroavião Papagallo, o helicóptero Félix, o caminhão anfíbio Jacaré e claro o navio Calypso. Com esse contingente e equipamento a expedição percorreu toda a vastidão amazônica brasileira e peruana se dividindo em 3 grupos por mar, céu e terra.


Apesar de experientes e já acostumados com os perigos do mundo selvagem, aqui no Brasil tudo era novidade. Logo perceberam que o clima amazônico é instável e inóspito, com tempestades repentinas, rios sinuosos e traiçoeiros e doenças tropicais. A equipe também teve que encarar tribos indígenas nada amigáveis e escarces de alimentos (chegaram a ter apenas capsulas de astronautas, barras de chocolate e aspirinas na nutrição diária).


No Fim do período de 2 anos as 3 equipes se reencontraram em Manaus trazendo consigo um levantamento detalhado da água do Rio Amazonas e seus afluentes (para se ter uma ideia da importância dessa expedição, nela foi descoberta que há mais espécies de peixes no Amazonas que em todo o Oceano Atlântico), registros fotográficos inéditos de toda a fauna e flora e a devastação cresceste das florestas.

Passados muitos séculos de nossa colonização pelos portugueses, foi necessária uma nova expedição de desbravamento estrangeira para compreender o que existe em nosso quintal.

O navio de pesquisas Calypso. Foto: Youtube

The Odyssey - O filme


No filme The Odyssey, mostra a vida do Capitão Cousteau (Lambert Wilson) a partir de 1946, fase de sua vida onde o ímpeto de explorador e aventureiro é grande, mas sua consciência de preservação e proteção ambiental ainda é pobre, apesar de sua fama mundial como documentarista, Cousteau ainda não entende a importância desses conceitos. Mas seu filho Philippe já percebe que a poluição e o progresso começaram a devastar a vida marinha e é com ele que Cousteau aprende essa triste lição.

6
Marcelo Tartari
Marcelo Tartari 10/06/2020 17:13

Eu não perdia um documentário de Cousteau, esse navio Calypso achava lindo

Alma Outdoor
Alma Outdoor 10/06/2020 17:32

Nossa! Eles tinham um carro anfíbio... adorava tbm

Jone Rodrigues
Jone Rodrigues 10/06/2020 18:46

Ótima matéria e o trailer, vou procurar o filme pra assistir. Sabe se tem no netflix ou amazon prime?

Alma Outdoor
Alma Outdoor 10/06/2020 19:41

Só encontrei no YouTube filmes para alugar

Jone Rodrigues
Jone Rodrigues 10/06/2020 21:13

vi agora o link pra alugar no youtube, valeu Alma Outdoor

Edson Maia
Edson Maia 10/07/2020 09:09

Cousteau foi meu ídola de infância. Eu pirava assistindo os seus documentários na tv. Recentemente, ao saber o longa metragem contando a vida dele, não descansei até encontrar e assistir o filme. A comédia de Wes Anderson, também é sensacional. Ótima publicação Alma Outdoor!

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