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JUNKO TABEI UMA DONA DE CASA QUE ESCALAVA MONTANHAS

JUNKO TABEI, A PRIMEIRA MULHER A CONQUISTAR O TOPO DO MONTE EVERESTE.

Alma Outdoor
Alma Outdoor 10/20/2020 08:50

Por Sandro Gavião

Junko Tabei preferia ser conhecida como a 36ª pessoa a alcançar o topo do Monte Evereste. Suas incríveis conquistas exigiram muito mais que habilidades e força física. Ela enfrentou o sexíssimo do século XX e desafiou a cultura japonesa onde as mulheres da época não podiam ser mais do que donas de casa.

Junko era graduada em literatura inglesa e autora de vários livros, dentre eles uma autobiografia, mas ela gostava de se definir como “uma dona de casa que escala montanhas”.

Com um currículo de deixar qualquer montanhista de queixo caído, com mais de 120 picos escalados. Em 16 de maio de 1975 Junko chegava ao topo do mundo, ela tinha 35 anos. Era a primeira vez que o Monte Evereste recebia a visita de uma mulher.
Nascida em 22 de setembro de 1939 em Miharu, Fukushima, teve seu primeiro contato com as montanhas ainda criança. Com 10 anos de idade ela e seus colegas de escola foram em uma excursão para escalar uma montanha de sua cidade, com 1900 metros de altura.

Mais tarde, se tornou a única mulher nos clubes de escalada em que frequentava. Mas alguns homens simplesmente se recusavam a escalar ao lado dela e muitos a acusavam de estar apenas tentando arranjar um marido. Em 1964 ela teve a ideia de criar um clube para incentivar as mulheres a escalar, o Clube de Escalada das Mulheres (LCC - Ladis Climbing Club). Com o Clube o número de mulheres escalando aumentou, assim como as alturas alcançadas.

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Foram criadas expedições apenas por mulheres para conquistar as montanhas do Himalaia. Em 1970 elas chegavam ao topo do Annapurna III com 7.555 metros de altura.
É natural esperar que o desafio de encarar Monte Evereste estivesse próximo. Então, logo começaram os preparativos do LCC para a investida ao Evereste, mas havia uma lista de espera para excursões de 4 anos.

A primeira grande dificuldade foi conseguir patrocínio. Entre os anos de 1973 e 1974 o Japão encarou uma séria crise de petróleo causando uma recessão no país. Mas outro motivo que dificultava conseguir patrocinadores é que as empresas simplesmente não acreditavam no sucesso de um grupo de mulheres em conquistar o Evereste. Elas tinham é que estar em casa cuidando de seus bebês e maridos, pensavam.

Elas então trabalharam arduamente para financiar a expedição, fizeram seus próprios sacos de dormir, recolheram restos de geleia que sobravam dos lanches nas escolas e construíam enfeites feitos de materiais reciclados para vender. Naquela época já não era nada barato escalar o Evereste, cada membro do grupo precisaria desembolsar uma soma equivalente a um salario anual japonês.
Mas em 1974 uma emissora de TV e um jornal japonês, criaram um concurso para montar uma expedição de mulheres para ir ao Evereste. Junko Tabei era uma das 15 escolhidas.

O Grupo chegou ao Evereste na primavera de 1975. Na ocasião Junko já era casada com o alpinista e seu maior apoiador Masanobu Tabei e tinha uma filha de 3 anos. Ao todo a expedição durou 6 meses, foram 2 meses só para conseguirem passar todo o equipamento pela alfandega indiana para então serem enviados ao Nepal.


Mas haveria alguns outros contratempos que separavam a expedição do topo do Evereste. Uma avalanche atingiu o acampamento na Face Lhotse. Tabei foi soterrada e ficou inconsciente por alguns minutos até que os sherpas conseguissem resgata-la. Apesar de ninguém sofrer ferimentos graves Tabei precisou de dois dias para se recuperar de algumas lesões.

Com a determinação que só os orientais conseguem ter, em 16 de maio 1975, após doze dias do incidente com a avalanche, ela alcançaria o topo do monte Evereste.

Permaneceu no cume por 50 minutos, tirando algumas fotos e fazendo relatos via rádio. Apesar de maravilhada com a impressionante vista diante de seus olhos, a felicidade da conquista ficou para mais tarde, no momento a atenção estava voltada em descer com segurança. 3 meses depois ela estava em casa, cuidando de toda a rotina familiar que uma mãe de uma menina de 3 anos exige. Mas dessa vez havia inúmeros pedidos para ministrar palestras e escrever artigos.

Junko Tabei nunca se interessou em voltar ao Evereste. Os altos custos de uma expedição, mas principalmente, a vontade de ir para lugares novos a levaram para novas conquistas. Ela sempre preferiu as montanhas que ainda não havia visitado. A prova disso é que em 1992, com 53 anos, ela se tornou a primeira mulher a escalar os sete cumes mais altos do planeta.

Em 2002 Tabei voltou para a escola, estudou ecologia e passou a ser uma figura influente na preservação da vida selvagem. Tornou-se uma das curadoras do Himalayan Environmental Trust (HET), fundação criada por ninguém menos que Sir Edmund Hillary, dedicado à proteção dos Himalaias.
Ela e o pioneiro no topo do Evereste se tornaram grandes amigos e mantiveram contato até a morte de Hillary em 2008.

​Em 2012 foi diagnosticada com câncer, mas continuou escalando, até quando o corpo permitiu. Ela tinha 77 anos quando faleceu em 2016. Junko Tabei deixou um legado de grandes conquistas e de consciência ambiental. Seus esforços para tornar a escalada e as montanhas um espaço onde as mulheres eram bem vindas e respeitadas foram únicos na história do montanhismo.

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