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André Deberdt 28/06/2025 21:23
    LAGUNAS RADIAN, CHURUP E 69

    LAGUNAS RADIAN, CHURUP E 69

    Como aclimatação para a caminhada na Cordilheira Huayhuash, realizamos alguns passeios na região da Cordillera Blanca, em Huaraz, no Peru.

    Alta Montanha Hiking Trekking

    O texto a seguir taz um relato dos dias que antecederam a caminhada na Cordilheira Huayhuash, desde a chegada em Lima, até Huaraz, a partir de onde realizamos passeios em alguns atrativos da Cordillera Blanca, dentre eles, as lagunas Radian, Churup e 69.

    Lima, Peru

    Praia da Costa Verde de Lima, observada a partir do Malecon de la Reserva.

    Desembarcamos no novo Aeroporto Internacional Jorge Chávez por volta das 11 horas da manhã (horário de Lima) do dia 02/06/2025 e tomamos um taxi até o distrito de Miraflores, onde passamos o restante do dia, até o nosso embarque no ônibus para Huaraz, previsto para as 21:30. Deixamos a bagagem em um dos locais indicados no site Bounce Luggage Storage e fomos caminhar pela cidade.

    Inicialmente seguimos até o Malecon de la Reserva, a esplanada que compõe a costa de Miraflores, e descemos até a praia para contemplar o Pacífico. Em seguida, subimos novamente até o Shopping Larcomar para comer algo. Outras opções interessantes para passar o tempo em Lima, visitadas em ocasiões distintas desta, são o Museu Arqueológico Larco (imperdível!), o sítio arqueológico Huaca Pucllana e o distrito de Barranco, próximo ao de Miraflores, onde fica o restaurante Isolina, uma ótima opção para quem gosta de comer bem. Por volta das 20 horas pegamos um táxi até a Movil Bus, de onde partem os ônibus desta empresa para Huaraz.

    Huaraz, Peru

    A cidade de Huaraz, observada a partir da trilha para a Laguna Radian.

    Chegamos em Huaraz às 7 horas da manhã, depois de 400 km percorridos em mais de 9 horas de viagem em um ônibus leito/cama de dois andares e bastante confortável. Além de subir do nível do mar até os 3.050m, as péssimas condições da estrada no trecho final também contribuem para a demora na viagem. Ainda um tanto desorientados, caímos na conversa de um dos solícitos taxistas que aguardavam no pátio da empresa de ônibus, que nos cobrou 20 Soles até o hostel (o mesmo trajeto na volta custou 6 Soles!).

    Geograficamente, Huaraz está localizada no Callejón de Huaylas (Vale do rio Santa), limitado pelas cordilheiras Branca, com picos nevados, e Negra, sem picos nevados, uma vez que recebe os ventos alísios que sopram do Oceano Pacífico. É uma cidade turística, com população estimada em 145.000 habitantes, movimentada e com um trânsito caótico, o que torna um desafio o simples ato de atravessar uma rua. Assim como nas demais cidades do Peru, as buzinas são o item mais importante do veículo, acionadas incessantemente 24 horas por dia. O comércio é bem estruturado, com supermercados, farmácias, lojas de artigos de montanhismo, diversas opções de hospedagem e alguns bons restaurantes, dentre eles o Trivio e o Calima, este último com culinária mais refinada e bastante disputado.

    Mirador de Rataquenua e Pukaventana

    Picos da Cordillera Blanca observados a partir dos penhascos de Pukaventana.

    Uma vez bem instalados no Big Mountain Hostel, na região central de Huaraz, decidimos visitar o Mirador de Rataquenua, localizado no limite leste da cidade, a cerca de 10 minutos de taxi do centro. O mirador propicia uma bela vista de toda a cidade de Huaraz e de alguns picos da Cordillera Blanca. No local fica o restaurante Cumbre, uma boa opção para petiscar ou jantar algo no início da noite, com a cidade iluminada.

    Do mirador, seguimos caminhando por estradinhas de terra e por trilhas, rumo aos penhascos de Pukaventana, local bastante procurado por praticantes de corrida e mountain bike, também com belas paisagens e uma vista mais abrangente da Cordillera Blanca. Vale muito à pena pela proximidade. Retornamos ao hostel no início da noite, à pé, pelo mesmo caminho da ida.

    Laguna Radian

    Laguna Radian com a Cordillera Blanca ao fundo.

    Optamos por iniciar nossa aclimatação pela Laguna Radian (3.937m), por ser um atrativo relativamente próximo de Huaraz, cerca de 7 km ao norte. Outra opção seria a Laguna Wilcacocha, praticamente à mesma distância. Pegamos uma van coletivo no Paradero Wilcahuain (Calle 13 de Diciembre, 785), que nos deixou no início da trilha, por apenas 3 Soles. O deslocamento levou um pouco mais que a meia hora prevista, devido às obras de saneamento pelo caminho.

    A caminhada é tranquila, passando inicialmente por comunidades campesinas e depois por uma trilha larga e bem sinalizada, com alguns quiosques para descanso pelo caminho. Há cobrança de 1 Sole na primeira comunidade e outra de 3 Soles já próximo à laguna. Por toda a trilha é possível avistar a cidade de Huaraz e techos da Cordillera Blanca.

    A laguna em si é um local agradável, apesar de não ter nada de muito especial. Havia muito lixo espalhado o que quebrou um pouco o encanto , mas nada que pudesse nos aborrecer. Retornamos pelo mesmo caminho e, ao final da trilha, não tivemos que esperar mais que 10 minutos até aparecer uma van rumo a Huaraz, aonde chegamos por volta das 16 horas.

    Laguna Churup

    Laguna Churup com o nevado Churup (5.495m) ao fundo.

    A Laguna Churup (4.450m) está localizada dentro dos limites do Parque Nacional Huascarán, na Cordillera Blanca, a 22 km do centro de Huaraz. Pegamos uma van coletivo no Paradero Pitek (Av Agustin Gamarra com a Av Antonio Raymondi), que nos levou até o início da trilha (20 Soles por pessoa, ida e volta).

    A trilha, muito bem sinalizada e com cerca de 4 km de extensão, começa com um longo escadão de pedras, por uma subida sem trégua. Mas as belas paisagens do entorno compensam o esforço. Um pouco antes da metade do caminho há um posto de controle onde é cobrada a taxa de ingresso no parque (30 Soles por pessoa). A partir daí a trilha se torna cada vez mais íngreme, com alguns trechos de escalaminhada. Há dois caminhos para o ataque final à laguna: pela direita, o mais curto porém mais íngreme, passando por uma área estruturada para acampamento e trechos de escalaminhada com apoio de correntes fixas. Outro pela esquerda, mais longo, porém sem escalaminhada, passando pelo mirador da laguna. Optamos por ir pela direita (mais íngreme) e voltar pela trilha do mirador.

    Laguna 69

    A Laguna 69, de um azul incrível, em meio a paisagens de tirar o fôlego.

    A Laguna 69 (4.604m) é uma das caminhadas mais procuradas por quem visita Huaraz, não apenas pelas suas águas incrivelmente azuis, mas pela beleza cênica ao longo de toda a trilha, com paisagens de tirar o fôlego, literalmente! Haja subida!

    Optamos por fazer este roteiro pela agência localizada no piso térreo do hostel, uma vez que o preço de 40 Soles seria bem menor que o de um transporte privado. O deslocamento até o início da trilha, passando pela cidade de Yungay, pode levar até 3 horas (cerca de 90km) e a viagem é um tanto cansativa.

    O inconveniente de agências é ter que se sujeitar aos horários e caprichos estabelecidos pelo guia, cujo principal interesse é concluir o passeio o mais rápido possível. Isso sem falar nas paradas desnecessárias pelo caminho, em uma encheção de linhuiça sem fim. Paciência...

    Após o posto de controle do Parque Nacional Huascarán (30 Soles por pessoa), fizemos uma rápida parada em uma das lagunas (Laguna Chinancocha) do belíssimo Valle Llanganuco. Um pouco mais à frente chegamos ao início da trilha, onde o guia nos passou algumas recomendações: a caminhada até a laguna não pode exceder 3 horas. O tempo de permanência na Laguna 69 é de 15 minutos a meia hora. Quem não chegar na Laguna Consuelo em 2 horas deve retornar. Mal começamos a caminhar e ele começou a apressar a todos, dando a impressão que havíamos nos inscrito em uma prova de corrida de montanha. A Giselle estressou e ligou o foda-se.

    Como já havia dito, a trilha passa por paisagens incríveis o que não justifica fazê-la com pressa. E para os biólogos, como no meu caso, cada metro quadrado traz uma surpresa. Plantas e animais diferentes, formações geológicas curiosas, um verdadeiro parque de diversões natural!

    Cheguei à Laguna 69 em duas horas e meia de caminhada relativamente exaustiva, porém, feita sem muita pressa, dentro do prazo estipulado. A Giselle concluiu em 3 horas e pudemos aproveitar bem o trajeto. A laguna possui uma beleza estonteante, com um azul indescritível.

    Na volta, feita com menos pressa ainda, até o guia relaxou, depois de levar um esporro da Giselle, nos ajudando até a procurar algumas viscachas (espécie de chinchila) para que pudéssemos fotografá-las. Ao longo do caminho, o Nevado Huascarán (ou nevados, já que são dois picos, um sul e outro norte) despontava imponente à nossa frente, com seus 6.768m, emoldurado por um belo céu azul e marcando o final das nossas atividades de aclimatação, já que na manhã seguinte partiríamos cedo para nossa caminhada de 8 dias na Cordilheira Huayhuash.

    André Deberdt
    André Deberdt

    Publicado em 28/06/2025 21:23

    Realizada de 03/06/2025 até 06/06/2025

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    André Deberdt

    André Deberdt

    Belo Horizonte - MG

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    Biólogo e montanhista filiado ao Centro Excursionista Mineiro.

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