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A Escalada

Artigo sobre o processo de aprendizagem e criação de uma forte relação com um novo esporte: a escalada.

 

Antes de começar o artigo, vale uma contextualização rápida. Esse texto foi escrito no meio de 2019, durante um ano em que comecei a ter um maior contato com a escalada. Esse esporte sempre foi visto por mim como algo muito distante, seja pelo medo que tinha ou por achar que não teria condições de custear sua prática. Pois é, não é que a curiosidade foi batento e a vontade aparecendo. Lá estava eu, entrando de cabeça nisso. Tudo começou em fevereiro de 2019, com um curso de escalada básica em São Bento do Sapucaí, com o Mestre Antônio Calvo do Armazém Aventura, ao qual sou eternamente grato por sempre me encorajar e ensinar.

Logo depois, a vontade foi crescendo junto com a curiosidade por explorar os melhores picos de escalada do Rio de Janeiro. Foi assim que cheguei até o Centro Excursionista Brasileiro - CEB e iniciei o Curso Básico de Montanhismo - CBM. Lá a imersão foi total. Todos os fins de semana estávamos em alguma via, nos desafiando e aprendendo muito. Esse texto então trata-se da tentativa de expressar esse momento da minha vida e demonstrar o que vinha sentindo. Espero que gostem, foi bem sincero.

 

"É, olha só onde estou. Logo eu, que nunca tinha pensado que poderia aprender tanto, agora agora me vejo apaixonado e surpreso pelas belezas e nuances da escalada. Eu, particularmente, lembro das inúmeras vezes em que falei que não teria condições financeiras para custear mais uma prática cara ou que não me considerava capaz de me desenvolver, seja pela forte vertigem que tenho ou pela falta de tempo nessa vida tão corrida e cheia de responsabilidades. Eu estava completamente enganado.

Acredito que estou criando uma íntima relação com o esporte. Fazendo do mesmo algo muito mais do que só uma prática física ou desafiadora. A escalada tem sido um tipo de processo de meditação em movimento e uma forma de profundo autoconhecimento. Nesse mundo tão rápido e ansioso, acabou por se tornar o meu momento de paz e plenitude em todos os fins de semana.

Tudo começa na arrumação dos equipamentos. Um procedimento de concentração e sinergia. É preciso verificar se está tudo correto e pronto. Para que tudo seja o melhor possível, deve haver uma forte conexão entre você e seu companheiro. Porém, a confiança não pode ser total, já que é sempre preciso manter o sentimento de que algo possa estar errado. Cheque tudo, desconfie e se comunique até que seja a hora de começar. “Segurança pronta”.

"Escalando" - lá vamos nós. Um suave balé dançado entre o corpo e a rocha. Um belo jogo de percepções e sentidos. Percebemos de verdade o que é o medo, ao se escutar a própria respiração ofegante, ao se sentir inseguro perante cada movimento ou a tremedeira nas pernas que, por um ato de autopreservação, promove o engano do cansaço do "Elvis". É como conquistar o amor da sua vida, sempre procurando o melhor caminho a se seguir, porém, às vezes perdidos. Toca para cima, carregando aquele sorriso interno de conquista que todos aqui sabem que possuem, ou se perceberam com ele em algum momento do curso. "Caramba, não é que eu consigo". Eu vi, é possível se manter em pé em lugares nunca imaginados. Como uma bailarina em um jogo de corpo perfeito, se equilibrando nas pontas dos seus pés e mantendo sempre em uma postura forte e aconchegante. Mantenha-se próximo da rocha, afinal, ela é sua paixão. Daquelas que te jogam pra cima, te enlouquecem, te enchem de coragem, também te derrubam, mas promovem as emoções mais bonitas e sinceras

Lá vem o Crux, momento de grande tensão. Mas, calma, quem vocês acham que ouvimos lá no fundo de nossas almas? "Vai, mlkkkk". É o Menudo. Dando aquela força de sempre. Com ela, pode vir a aderência que for, que superamos, sextou né, mestre?

Na chegada, é preciso respirar fundo, relembrar tudo que aprendeu, manter a calma e executar todos os procedimentos com segurança. Montar a equalização parece fácil, mas não é. Existe um alto risco atrelado. Mais uma vez, o autocontrole é fundamental. 

A chegada ao cume ou ao fim da via é de uma emoção inexplicável. Uma felicidade que toma conta de todo o corpo. Um sentimento tão singular que, só de escrever ou ler sobre, parte da sensação toma o meu corpo de adrenalina. Comemorar é fundamental. Vale a pena tirar aquele grito de felicidade que está preso no peito. “Eu consegui”. Cara, sei lá, você se sente, por alguns minutos, apto a realizar qualquer coisa. É a rocha te dando grandes lições.

Depois, só nos resta descer, seja por infinitos rapeis ou por uma bela caminhada, porém, agora cheios de paz, procurando formas verdadeiras para expressar tamanha alegria e por uma digna comemoração do que foi realizado. Calma, o processo ainda não acabou, já que, em uma boa escalada que se preze, sempre resta o último grampo."

 

O mais legal de tudo foi que, no fim do curso, eu li esse texto na frente de todos, durante a nossa formatura. Fiz algumas adaptacões relacionadas ao tempo verbal, mas nada que alterasse a ideia principal do texto. Eu estava imensamente nervoso, tremia muito, mas consegui. Futuramente, o texto foi publicado em um dos boletins do CEB, uma honra máxima, logo pra mim que estava chegando na instituição há tão pouco tempo.

 

 

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Bruno Negreiros

Bruno Negreiros

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Engenheiro ambiental e montanhista com o sonho de contribuir para a disseminação dos esportes ao ar livre e de aumentar a conscientização ambiental e social no mundo outdoor.

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