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Relatos como ferramentas de Conscientização Ambiental

Relato publicado no I Encontro Internacional da Rede Latino-Americana e Caribenha de Pesquisa e Inovação em Ambientes de Montanha (LACMONT).

Desde que virei membro ativo do AventureBox enxergo a plataforma não só como uma excelente ferramenta de compartilhamento de experiências e informações técnicas sobre aventuras vividas em ambientes de montanha. Mais do que isso, vejo o enorme potencial que a rede tem de disseminar educação e conscientização ambiental. Um exemplo claro está no Manifesto de Mínimo Impacto compartilhado e assinado por diversos aventureiros, bem como sua página institucional, onde tive a honra de escrever alguns artigos recentes sobre o assunto.

Indo além, quando enxergo a possibilidade, tento passar alguma importante informação no decorrer dos meus relatos sobre uma maior consciência na prática de esportes de aventura relacionada a um lugar específico ou uma atitude que pode ter algum impacto positivo.

Neste contexto, após inúmeras conversas com minha orientadora Rosângela Botelho, recebi o seu convite para escrevermos um texto para submeter ao I Encontro Internacional da Rede Latino-Americana e Caribenha de Pesquisa e Inovação em Ambientes de Montanha (LACMONT), abordando a importância do compartilhamento de relatos em redes sociais como ferramenta de conscientização. Aceitei e passamos algumas boas semanas elaborando um trabalho compacto, mas carregado de muitas informações.

Segundo descrição oficial do evento, o mesmo foi criado com o objetivo de fortalecer pesquisas sobre montanhas no Brasil e também em toda a América Latina e Caribe, a partir de uma convergência transdisciplinar que pense esses ambientes como resultantes de ações vinculadas a diversos setores, como agricultura, turismo, cultura e meio ambiente.

Além da clara contribuição acadêmica, fui motivado pela expectativa de colaborar, mesmo que de forma singela, para o fortalecimento da relação entre o meio científico e as práticas esportivas de tanto amo. Nesta matéria, transcrevo o trabalho enviado, aceito e publicado no congresso sobre o meu relato da Travessia Catas Altas - Morro D’água Quente, nos idiomas português e inglês.

Compartilhamento de relatos de atividades de montanhismo em redes sociais como ferramenta de conscientização ambiental: aplicação ao texto “Travessia Catas Altas - Morro D’água Quente” (MG)

Bruno Batista de Negreiros

Rosangela Garrido Machado Botelho

Programa de Pós-Graduação em Análise Ambiental e Gestão do Território da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE, Rio de Janeiro, Brasil.

Introdução

A prática de esportes de aventura está em considerável crescimento nos últimos anos. É crescente também a interação homem-natureza entre os praticantes dessas atividades, tornando-se cada vez mais necessária a conscientização sobre a importância da preservação ambiental (TAHARA; DIAS; SCHWATZ, 2006).

Em paralelo, vivemos a presença massiva das mídias sociais como um rico palco de compartilhamento de informações entre os praticantes de atividades ao ar livre e uma ferramenta potencial de conscientização e educação ambiental.

Este relato apresenta trechos do texto sobre a Travessia Catas Altas - Morro D’água Quente (MG), publicado na plataforma AventureBox, a fim de informar e motivar a conscientização dos leitores sobre a importância da conservação do ambiente de montanha onde se realiza a travessia e discorrer sobre suas impressões e comentários.

Relato

Dentre os esportes de aventura, o montanhismo se destaca. Segundo Bertiollo e Santos (2002), esta “é uma atividade realizada junto ao meio natural onde o praticante procura ascender montanhas caminhando ou escalando”.

Entre os dias 5 e 7/9/2020 foi realizada a travessia Catas Altas - Morro D’água Quente, percurso caminhado a pé entre as cidades que lhe dão nome, pelo relevo montanhoso da Serra do Caraça. Esta localiza-se entre os municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, no Quadrilátero Ferrífero, uma unidade geotectônica com 7200 km2. O clima é tropical semi-úmido, com verões chuvosos e invernos secos. É uma área de transição entre a Floresta Ombrófila Densa e a Savana, com campos rupestres nas maiores altitudes, onde há ocorrência de itabiritos e quartzitos e, nas porções mais baixas, xistos, filitos, mármores e granitos-gnaisses (CAVALCANTE; VALADÃO; SALGADO, 2010). Neossolos Litólicos e Cambissolos são frequentes.

Figura 1 - Trajeto percorrido. (Imagem: Google Earth).

O primeiro dia foi uma íngreme subida de 8km, saindo da cidade de Catas Altas (750m), até o Camping da Mancha (1600m). No segundo, subiu-se (1km) até o Cume do Pico dos Horizontes (1820m), o retorno ao acampamento e sua migração até o Camping do Pico do Baianinho (1850m), após 2,5km. No terceiro dia foram 6,5km, descendo até Morro D’água Quente (750m). O relato integral foi publicado no AventureBox. plataforma colaborativa de compartilhamento de aventuras ao ar livre, e pode ser acessado em: https://aventurebox.com/bruno-negreiros/travessia-catas-altas-x-morro-dagua-quente-mg/report.

Figura 2 - Relevo montanhoso visto do Pico dos Horizontes.

Figura 3 - Relato na plataforma AventureBox.

Trechos do relato que refletem as questões ambientais na travessia:

“NÃO FAÇAM FOGUEIRAS... na grande maioria das vezes a ação humana acaba sendo a maior responsável pelos incêndios em ambientes naturais.”

...

“As trilhas abertas em descidas bem inclinadas, que literalmente rasgam as vertentes e possuem solos bem expostos estão claramente acelerando os processos erosivos.”

...

“Nós, como montanhistas, temos sim o dever de cuidar do ambiente como um todo, seja ele social ou natural. Práticas individuais, de mínimo impacto, organização coletiva e a atuação política são de suma importância para que possamos cuidar dos lugares que amamos.”

Reação dos Leitores

A publicação registra 915 visualizações, 80 “curtidas” e está em primeiro lugar na pesquisa pelo nome da travessia no Google até 15/04/2021.

Destacamos os comentários:

“Tomara que os próximos montanhistas/trilheiros/grupos que passarem pela região tenham tanto cuidado e consciência pelo lugar como o que você teve lá”

...

“Parabéns pela pernada, pelo relato, pela consciência.”

...

“Aquela região é maravilhosa e um legado natural que deve mesmo ser preservado e bem cuidado por quem almeja subir aquelas serras, e cabe a nós, montanhistas fazermos nossa parte”

Considerações Finais

O montanhismo promove aos seus praticantes maior contato com a natureza. Esse contato gera oportunidades de conscientização e de educação ambiental que podem ser potencializadas pelas múltiplas ferramentas tecnológicas de comunicação e interação, como as redes sociais e plataformas de publicação voltadas para relatos de atividades de montanhismo.

Referências Bibliográficas

BETIOLLO, G.M.; SANTOS, S.S. Contribuições do Montanhismo para a Educação Ambiental. Motriviência, Florianópolis, Ano XV, nº 20/21, 2002.

CAVALCANTE, L.V.B.; VALADÃO, R.C; SALGADO, A.A.R. Mapeamento das unidades do relevo da Serra do Caraça/MG: Uma proposta baseada na interpretação de mapas temáticos. Revista de Geografia: UFPE-DCG/NAPA, v. esp. VIII SINAGEO, n. 1, 2010.

TAHARA, A.K.; DIAS, V.K.; SCHWARTZ, G.M. A aventura e o lazer como coadjuvantes do processo de educação ambiental. Revista Pensar a Prática, v. 9, n. 1, p. 1-12, 2006. Disponível em http://www.revistas.ufg.br/fef/article/view/121/116. Acesso 13/04/2021.

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Sharing reports of mountaineering activities on social media as an environmental awareness tool: application to the text “Travessia Catas Altas - Morro D’água Quente” (MG)

Bruno Batista de Negreiros

Rosangela Garrido Machado Botelho

Programa de Pós-Graduação em Análise Ambiental e Gestão do Território da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE, Rio de Janeiro, Brasil.

Introduction

The practice of outdoor sports has been growing considerably in recent years. It is also a growing interaction between man and nature among practitioners of these activities, making it increasingly necessary to raise awareness about the importance of environmental preservation (TAHARA; DIAS; SCHWATZ, 2006).

In parallel, we experience the massive presence of social media as a rich stage for sharing information among outdoor practitioners and a potential tool for environmental awareness and education.

This report presents fragments from the text about the trekking Catas Altas - Morro D'água Quente (MG), published on AventureBox platform, in order to inform and motivate readers' awareness about the importance of the conservation of the mountain environment where the trekking takes place and talk about their impressions and comments.

Report

Among outdoor sports, mountaineering stands out. According to Bertiollo and Santos (2002), this "is an activity performed close to the natural environment where the practitioner seeks to ascend mountains by walking or climbing".

Between 5 and 7 7 September 2020, the route Catas Altas - Morro D’água Quente was trekked between the cities that give it its name, due to the mountainous relief of the Serra do Caraça. This is located between the municipalities of Catas Altas and Santa Bárbara, in the Quadrilátero Ferrífero, a geotectonic unit with 7200 km². The climate is semi-humid tropical, with rainy summers and dry winters. It is an area of transition between the Ombrophilous Dense Forest and the Savannah, with rupestrian fields at the highest altitudes, where itabirites and quartzites occur, and in the lower portions, schists, phyllites, marbles and gneiss granites (CAVALCANTE; VALADÃO; SALGADO; 2010). Litolic Neosols and Cambisols are frequent.

Figure 1 - Path traveled. (Image: Google Earth).

The first day was a steep 8km walk, leaving the city of Catas Altas (750m), until Camping da Mancha (1600m). In the second, we walked (1km) to the summit of Pico dos Horizontes (1820m), returned to the camp and migrate to the Camping do Pico do Baianinho (1850m), after 2.5km. On the third day we walked almost 6.5 km, down to Morro D’água Quente (750m). The full report was published on AventureBox, collaborative platform for sharing outdoor adventures, and can be accessed at: https://aventurebox.com/bruno-negreiros/travessia-catas-altas-x-morro-dagua-quente-mg/report.

Figure 2 - Mountainous relief seen from Pico dos Horizontes.

Figure 3 - Report on AventureBox platform.

Fragments from the report that reflect the environmental issues in the trekking:

"DON'T MAKE CAMPFIRE ... usually human action ends up being the most responsible for fires in natural environments."

...

"The existent trails on steep slopes, which literally tear the slopes and have well-exposed soils are clearly accelerating erosive processes."

...

“We, as mountaineers, have a duty to take care of the environment as a whole, being it social or natural. Individual practices, with minimal impact, collective organization and political activities are very important to take care of the places we love.”


Readers' Reaction

The publication records 915 views, 80 “likes” and ranks first in the search for the name of the trekking on Google until 4/15/2021.

We highlight the comments:

“I hope that the next mountaineers / hikers / groups that pass through the region will be as careful and aware of the place as you were there”

...

"Congratulations on the trekking, the report, the conscience."

...

“That region is wonderful and a natural legacy that must really be preserved and taken care of by those who aspire to climb those mountains, and it is up to us, mountaineers, to do our part”

Conclusions

Mountaineering provides its practitioners a great contact with nature. This contact generates opportunities for awareness and environmental education that can be enhanced by the multiple technological tools of communication and interaction, such as social networks and publishing platforms aimed at reports of mountaineering activities.

Bibliographic References

BETIOLLO, G.M.; SANTOS, S.S. Contribuições do Montanhismo para a Educação Ambiental. Motriviência, Florianópolis, Ano XV, nº 20/21, 2002.

CAVALCANTE, L.V.B.; VALADÃO, R.C; SALGADO, A.A.R. Mapeamento das unidades do relevo da Serra do Caraça/MG: Uma proposta baseada na interpretação de mapas temáticos. Revista de Geografia: UFPE-DCG/NAPA, v. esp. VIII SINAGEO, n. 1, 2010.

TAHARA, A.K.; DIAS, V.K.; SCHWARTZ, G.M. A aventura e o lazer como coadjuvantes do processo de educação ambiental. Revista Pensar a Prática, v. 9, n. 1, p. 1-12, 2006. Disponível em http://www.revistas.ufg.br/fef/article/view/121/116. Acesso 13/04/2021.

5 Comments
gnomo do cerrado 11/07/2021 13:11

Muito bom mesmo

3
Renan Cavichi 11/08/2021 10:02

Concordo! Trabalho excelente! Parabéns Bruno!

Bruno Negreiros 11/08/2021 12:41

Valeu gonomo!!! Simples e importante!!

Bruno Negreiros 11/08/2021 12:41

Obrigado Renan Cavichi!!! Seguimos trabalhando!!

1
Bruno Negreiros 11/08/2021 12:41

Muito aprendizado provindo da página de Mínimo Impacto 

1
Bruno Negreiros

Bruno Negreiros

Rio de Janeiro

Rox
3275

Engenheiro ambiental e montanhista com o sonho de contribuir para a disseminação dos esportes ao ar livre e de aumentar a conscientização ambiental e social no mundo outdoor.

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