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Trekking Torres del Paine – Circuito (W+O) Patagônia, Chile

Trekking Torres del Paine – Circuito (W+O) Patagônia, Chile

Oito dias de trilhas e acampamentos no fabuloso Parque Nacional Torres del Paine. Patagônia! Chile!

Mountaineering Trekking Camping

Parque Nacional Torres del Paine – Circuito Completo (W+O)

Primeiro dia:

Portaria Laguna Amarga até Camping Seron.

O dia começou cedo com uma trip de ônibus de pouco mais de 4 horas, partindo de Puerto Natales até a portaria do parque na Laguna Amarga. Fizemos nosso registro, pagamos as taxas, assistimos uma rápida palestra, que nos informou de tudo o que poderíamos e não poderíamos fazer no parque. Cabe um alerta aqui: a fiscalização e extremamente rigorosa com quem vacilar. São restrições quanto a locais de acampamento e mais importante que isto, quanto ao uso do fogo.

Cumprido o rito necessário, estávamos liberados, eu e o Filipe, para começar nossa jornada de 8 dias pelo circuito completo.

Andamos uns 500 metros, se não estou errado e chegamos em uma ponte que eu apelidei de “a ponte mágica” pois é nela que aparentemente a coisa começa verdadeiramente.

Primeiro dia neguinho começa com todo o gás e com as mochilas igualmente com todo o gás, ou melhor, com todo o peso..kkk...o tempo ajudou bastante, tinha um sol e a temperatura estava agradável.

Neste dia a trilha é bem tranquila com poucas subidas e um visual alucinante do Rio Paine sempre nos acompanhando ao lado.

Com pouco mais de 6 horas de trekking e com algumas paradas para lanche e curtir o visual, chegamos ao Camping Seron que estava bem vazio. Montamos acampamento e tratamos de jantar e por voltadas 22:30 com luz ainda, caímos para dentro da barraca.

Os dias na Patagônia durante o verão são muito longos e isto é um fator favorável para o trekkking. Pode-se estender o dia e ficar despreocupado com problemas relativos a trekking noturno.

Neste dia andamos 17 kms.

Segundo dia:

Camping Seron até Refúgio Dickson

Neste dia começamos a caminhada por volta das 9:30, após uma noite de ventos fortes que atrapalharam um pouco o sono. Por volta das 12:30 chegamos em um refúgio de Guarda Parques, onde fomos autorizados a cozinhar( é proibido fazer qualquer tipo de fogo na trilha e isto inclui fogareiros). Feito o rango, ficamos ali descansando e trocando uma ideia com o guarda parque gente finíssima e por volta das 14:00 metemos o pés na trilha novamente e tocamos até às 17:30, quando chegamos no Dickson.

Neste dia andamos 19 kms.

Terceiro dia:

Refúgio Dickson até Camping Los Perros

Depois de uma noite mais tranquila por conta de estarmos melhores abrigados do vento, sem pressa, começamos o trekking por volta das 10:30 pois sabíamos que a distância era menor, tendo apenas uma subida constante que no final do dia nos levou dos 150 metros acima do nível do mar para 550 metros. Bem tranquilo, chegamos a Los Peros um pouco depois das 16 horas. Neste dia não paramos para almoço, apenas fomos beliscando algumas guloseimas e dando pequenas pausas de descanso.

Neste dia andamos 13 kms.

Quarto dia:

O quarto dia! Esse sim, considerado o mais difícil e de fato foi.

Estávamos cientes que este seria o dia mais cascudo e por conta disto começamos mais cedo, pouco depois das 8:30 já estávamos a caminho do topo do Paso John Gardner que fica a uma altitude de 1200 metros. Foram quase 5 kms só subindo, primeiro num bosque e logo em seguida a paisagem foi mudando. Começa a aparecer neve entre as árvores e depois somem as árvores e o que se tem é apenas uma montanha com muita pedra solta, neve e vento forte. Demoramos cerca de quatro horas para alcanças o topo e avistar pela primeira vez o fantástico Glaciar Grey.

Quando você pensa que o pior já passou, vem a interminável descida sempre acompanhada de ventos impetuosos que nem sempre sopram na mesma direção, fato este que exige sempre muita atenção para não ser arremessado em algum lugar perigoso.

Por volta das 14 horas, chegamos finalmente no Camping Paso, que não era nosso destino final. Paramos ali apenas para almoçar e um descanso de pouco mais de uma hora. Neste ponto, por conta da falta de bastões de caminhada, meu joelho direito já estava detonado e só foi piorando até o final da trilha que neste dia só terminou às 19:30. É como se diz aqui no RS: cheguei na “capa da gaita”, mas cheguei. Kkkk Ver o Refúgio Grey foi uma felicidade só depois de tudo.

Tirando o perrengue, este é um dos dias de visuais mais alucinantes por conta do Paso John Gardner e do Glaciar Grey sempre nos acompanhando do lado direito. No Refúgio Grey, começamos o W do circuito, já se vê bem mais gente e tals na trilha e nos pontos de parada.

Distância percorrida: 16kms, com um acumulo de subida de 1450m e um acumulo de descida de 1920m.

Quinto dia:

Refúgio Grey até Acampamento Italiano

Já refeitos, graças ao bom Deus, desmontamos acampamento, tomamos um café reforçado e metemos o pé na trilha novamente. Passava das 8:30 horas quando começamos a caminhada e tocamos de boa até o Refúgio Paine Grande onde paramos para almoçar e descansar um pouco.

Seguindo em frente, devagar e bem de boa, pois a trilha é de pouco sobe e desce, embora ela seja bem longa. Chegamos ao nosso destino quase 20:30 e com céu claro.

Distância percorrida: 19 kms.

Sexto dia:

Acampamento Italiano até Refúgio Los Cuernos

O sexto dia começa com um ataque até o mirante Britânico, passando pelo Vale Del francês. Cerca de 3 horas de caminhada para subir, é um bate e volta. Por disto, deixamos todo nosso equipo no camping Italiano e subimos apenas com uma pequena mochila com lanche e água. Nesta brincadeira subimos e descemos 800 metros em pouco mais de 11 kms no total. Tanto a trilha do vale como do mirante são muito lindas e valem as 6 horas deste bate e volta.

Chegando de volta ao Italiano, tratamos de almoçar e meter o pé da trilha para completar o dia e chegarmos ao nosso destino final: o Refúgio Los Cuernos, distante 5.5kms do Italiano.

Este dia, ou melhor, esta noite, quando chegamos no Los Cuernos, devido a lotação com acampamento, nós tivemos muita dificuldade de encontrar um local legal para acampar. Depois de muita procura, encontramos um lugar aparentemente ruim, numa baixada dentro de um pequeno bosque e bem ao lado de uma montanha de galhos de árvores que foram podados. Coisa do destino ao a mão de Deus, como gosto de dizer, foi a nossa sorte pois nessa noite rolou um vento monstruoso e quase que o tempo todo. Quando foi pela manhã, ao irmos fazer o nosso café no refúgio, ficamos sabendo que a galera que estava acampada no lugar “bom” tinha passado pelo maior perrengue. Era barraca voando, vareta quebrando e muitos tiveram que correr para o refúgio no meio da noite e ficar por ali amontoados no chão. Ainda bem que não choveu e nem rolou neve.

Distância percorrida: 16.5 kms.

Sétimo dia:

Refúgio Los Cuernos até Acampamento Torres

Neste dia, lembro de ter acordado com uma dor no coração por saber que a trip estava se encaminhando para o seu final. Enrolamos um monte para sair e começamos nossa jornada às 11 horas.

A trilha é longa e como de costume, tudo é muito lindo e selvagem, uma subida constante que começa suave e vai ficando mais nervosa a medida que vamos nos aproximando do Acampamento Chileno que é onde fizemos o pit stop para almoçar e seguimos em frente até o objetivo final: Acampamento Torres, onde chegamos por volta das 20:30 horas.

Esse camping é, para mim, o mais roots numa atmosfera meio hippie. Pouca estrutura e os guarda parques tinham outra vibe, se é que dá para entender, não que fosse um acampamento de doidão, nada disto. Era o astral da galera mesmo. Foi o lugar que mais curti neste sentido.

A distância percorrida neste dia foi 17.3 kms e um acumulo de subida de 1350 aproximadamente.

Oitavo dia:

Acampamento Torres até Hotel Las Torres

O último dia começou com tempo fechado e uma chuvinha fina, fato que me desmotivou de subir até o mirante das Torres. Fiquei pelo acampamento, algo me dizia que não valeria a pena ir até lá. O meu brother de indiada Filipe resolveu arriscar e deu com os burros na água. De fato, estava fechado e não deu para ver nada das torres.

Desmontamos o acampamento, tomamos um café reforçado e demos início a nossa derradeira ladeira abaixo, e, em pouco mais de 3 horas completamos o trilha até nosso destino final que era a luxuosa Hosteria las Torres, local de onde pegaríamos um ônibus de volta para Puerto Natales.

Distância percorrida: 8 kms.

Considerações finais:

O circuito completo (W+O) e realmente algo fantástico em todos os sentidos. Foram cerca de 110 kms com visuais únicos. Sem sombra de dúvidas o circuito Torres del Paine é a Meca do trekking na América do Sul, tinha gente de tudo que era lugar do mundo, e isto também é uma experiência legal.

O clima é uma incógnita sempre. Num mesmo dia pode rolar de tudo mesmo. A única constante mesmo é o vento, sempre de forte a muito forte...kkkk

Vou ter que voltar lá um dia qualquer pois não consegui ver as Torres em virtude do tempo ruim. Alguém pilha? Hahaha

Dicas:

Indispensável levar bastões de caminhada. Passei perrengue por falta deles.

Dentro do parque tudo que você for comprar é muito caro, portanto, é recomendado um bom planejamento do que diz respeito às refeições. Levamos alimentos liofilizados, frutas desidratadas, castanhas do Pará, aveia em flocos, leite em pó, café e Tang. Essa foi a base de nossa alimentação. Tudo pensado para diminuir o máximo o peso da cargueira.

Fizemos em oito dias, mas vou dizer que é bom ter mais um ou dois dias para poder aproveitar melhor a trip, fazendo mais paradas ou ainda, no caso da trilha estar fechada por mau tempo, não correr o risco de perder voo e etc...

Edson Maia
Edson Maia

Published on 07/12/2015 13:01

Performed from 11/30/2014 to 12/07/2014

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Henrik Chaves
Henrik Chaves 10/26/2015 09:24

Bom dia, Edson! Uma pergunta: você comentou que levou "frutas desidratadas, castanhas do Pará, aveia em flocos, leite em pó, café e Tang". Comprou isso tudo no lá em Puerto Natales mesmo ou levou do Brasil? Pergunto por que na semana que vem farei o mesmo circuito, e pretendia levar esse itens aqui do Brasil mesmo, mas quando estive na Patagônia Argentina havia um bloqueio de alimentos "frescos" (acho que incluía frutas e castanhas), devido ao risco de contaminação biológica. Aí no aeroporto mesmo confiscavam esses itens. No Chile é diferente?

Edson Maia
Edson Maia 10/26/2015 09:59

Bom dia Henrik! Quanto as frutas e castanhas, lá em Porto Natales, existe uma loja/armazém que trabalha só com isso, tem muita variedade...não lembro o nome, mas creio que se perguntar para o pessoal de lá, tu encontra o lugar pois Puerto Natales é bem pequena. Quanto a restrição de alimentos, no Chile também existem normas e tals...eu levei daqui do Brasil os alimentos liofilizados, café, a aveia em flocos, açúcar e o Tang...passou tudo tranquilo na aduana do aeroporto em Santiago. Teve um fato engraçado na aduana: meu parceiro de trekking, levou algumas linguiças calabresas de pacote e na hora que pediram para inspecionar, o fiscal chamou a atenção, querendo saber o que era, se era chouriço ou linguiça crua...eu não entendi direito, mas o Filipe, disse que era de hotdog, que de fato aparece uma ilustração na embalagem...bom, pra resumir, deixaram passar tudo...a minha mochila eles nem olharam, apenas pegaram a minha declaração de produtos transportados. :)

Henrik Chaves
Henrik Chaves 11/01/2015 08:20

Muito bem brigado pelas dicas, Edson! Cheguei em Puerto Natales ontem, e sigo para o parque em minutos. Deu tudo certinho na aduana. Terminei trazendo do Brasil, mesmo. Abraços!

Sheila Eduardo
Sheila Eduardo 07/04/2017 19:47

Oww adorei, além dos bastões para caminhada e alimentação planejada oque mais considera indispensável para levar?

Edson Maia
Edson Maia 07/07/2017 10:54

Grato pelo comentário Sheila... Quanto ao que levar, creio que um bom anorak e uma calça, ambos impermeáveis e respiráveis, são indispensáveis também.

Henrik Chaves
Henrik Chaves 07/09/2017 20:11

Uma balaclava (ou semelhante) também é fundamental, bem como óculos de sol. O vento incomoda MUITO sem esses itens.

Aislan Mendes
Aislan Mendes 02/16/2018 17:42

Belo relato! Deu vontade de ir até la! Ja comecei os estudos! kkk Abç

Jose Antonio Seng
Jose Antonio Seng 12/26/2020 16:33

Excelente relato, Edson ! Fui quase na mesma época que vc !

Edson Maia

Edson Maia

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