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Uruguay Express - Barra del Chuy x Colonia Del Sacramento

Segundo episódio da série de relatos da expedição Ciclotrekking - Pra lá do Fim do Mundo. Uma trip de bike até o extremo sul da Patagônia.

Bike Trip Camping

Duas semanas em Uruguay

Primeiro dia:

Barra do Chuy – La Coronilla

Depois de quadro dias parados por conta do mau tempo na Barra do Chuí, finalmente a previsão do tempo se confirmava e amanhecera um dia de sol muito bonito. O dia chegou!

Com muita animação acordei cedo, tomei meu café e fui logo tratar de desmontar o acampamento para finalmente poder entrar mais uma vez no meu querido Uruguay!

Ao mesmo tempo em que eu planejava sair cedo, sabia que a distância até a primeira parada era curta e com isto, teria muito tempo para pedalar em ritmo mais lento e chegando cedo a La Coronilla, e conhecer um pouco daquele pequeno e lindo lugarzinho.

Antes de cruzar a aduana, dei um último giro pela avenida principal que divide a Chuí brasileira da Chuy uruguaya. Queria comprar algumas coisinhas e saborear um delicioso pancho de carrinho de rua. Delícia!

Cheguei à aduana por volta das 10 horas, o movimento de pessoas era baixo e, como de costume, não tive problema nenhum. Em poucos minutos toda a tramitação burocrática estava concluída e eu ganhava da oficial da imigração um sorridente “ bien venido al Uruguay”!

O Uruguay me recebia numa linda manhã de céu azul, sem vento e com temperatura amena. Maravilha!

Toquei meu pedal no ritmo de quem esquecera a pressa em casa e, apreciando a paisagem dos campos verdes e repletos de margaridas amarelas.  

Cheguei à entrada de La Corinilla na primeira hora da tarde e o clima de baixa temporada deixava o pequeno balneário com ares de “não tem ninguém em casa”.

Fui direto até a beira da praia para ver a paisagem, sentir o lugar e tentar localizar a direção do lugar que o app IOverlander apontava como tranquilo e seguro para acampar e passar a noite.

Depois de ficar um bom tempo na praia, segui para o local de acampamento mapeado que se trata de uma bela área verde com pracinha para crianças, mesas e bancos para picnic.

Fiquei por ali, matando o tempo, tomando um café e esperando o sol baixar, pois ainda que fosse baixa temporada, apareciam algumas pessoas de vez enquanto, tomando chimarrão, namorando, passeando com seu dog... Essas coisas. Mas tão logo o sol se foi, todos se foram juntos com ele.

Agora eu era o dono do lugar!

Escolhi com muita atenção um lugar abrigado do vento e mais importante ainda, que deixasse minha barraca de frente para o sol nascente.

A primeira noite em terras uruguyas foi dentro do esperado: tranquila e agradável.

Segundo e terceiro dia:

La Coronilla x Punta del Diablo

Tão logo os primeiros sinais da aurora surgiram no horizonte, tratei de levantar para fazer uma foto de recordação e depois disto, começar o procedimento padrão de desmontar acampamento, tomar café e iniciar o pedal do dia.

Mais uma vez eu estava sendo presenteado com um belo dia de sol, e meu próximo destino Punta del Diablo, estava mais uma vez bastante próximo, por volta de 20 kms apenas.

Ao contrário da noite anterior, desta vez, eu já tinha lugar certo para ficar. Através do app Warm Showers, entrei em contato com Maeva, uma garota francesa que vive em Punta del Diablo e que assim como eu, ama o universo das viagens de bicicleta.

Segui para o ponto de encontro que Maeva tinha sugerido e no horário combinado ela apareceu para me levar até a sua casa, onde fiquei por duas noites com todo o conforto necessário para um cicloturista, ou seja: um belo sofá para dormir, uma ducha quente e uma cozinha para preparar as refeições.

No dia seguinte, domingo, fomos passear de bicicleta pelas redondezas da praia e também demos check-in numa feirinha local de artesanato, comidas locais e outras coisinhas mais que só se vê no Uruguay.

Quarto dia:

Punta del Diablo x Valizas

Desta vez a previsão do tempo alertava para um pouco de chuva durante o dia, mas com a temperatura boa, resolvi encarar mais uma vez a ducha grátis.

Após a despedida de Maeva, segui meu rumo. O céu fechado e com cara de quem comeu e não gostou, logo mostrou suas armas, mandando uma chuva moderada, enquanto eu seguia pedalando e tentando não perder tempo para poder chegar o quanto antes em meu destino final.

Tocando um ritmo mais forte para manter o corpo aquecido, fiz apenas uma parada durante o percurso, foi num momento em que a chuva apertou. Corri para baixo de um ponto de ônibus e fiquem mais de meia-hora por ali e enquanto esperava a chuva diminuir, saboreava um café quentinho para não deixar a moral cair.

Assim que a chuva deu uma parada, segui meu rumo. Faltavam por volta de 40 kms para chegar em Valizas. Toquei direto.

Chegando em Valizas, fui direto ao camping Amaranto, onde na última passagem pero UY em 2018, tinha sido muito bem recebido, mas para minha surpresa, estava fechado!

Toquei para o outro camping que conhecia, o Lucky Valizas e páh! Fechado!

Nesse interim, a chuva que havia dado uma trégua até então, voltou para deixar as coisas ainda mais caóticas. Corri para debaixo da varanda de um hostel que estava fechado com a intenção de me abrigar do aguaceiro e pensar no que iria fazer para resolver a questão de onde pernoitar.

Após a chuva dar uma nova trégua, decidi dar um giro e procurar um hostel ou outro camping e foi nesse instante que vi uma placa com uma seta e o nome “Eco Camping Pica Flor”. Resolvi seguir a direção e logo apareceu outra placa e mais outra e depois de pedalar um pouco cheguei à porteira do camping.

Ao me aproximar, percebi que tinha um rapaz mexendo com madeiras e então perguntei se o camping estava aberto e a resposta foi afirmativa. Ufa!

Nestas alturas do campeonato, eu só queria um lugar para armar a minha barraca, tomar um banho, comer algo e dormir.

Richard, o dono, me sugeriu ficar na cabaninha, uma vez que estava chovendo... E sem pensar, aceitei.

A cabaninha era bem rudimentar, e esse adjetivo é um eufemismo carinhoso. Mas não chovia dentro e tinha lençóis limpos. Diante de tudo que tinha passado até então, molhado e cansado, eu já estava encarando tudo ali como uma grande benção. E era!

No dia seguinte, Richard, sempre muito atencioso e gentil, fez questão de me mostrar todo o camping e a suas plantinhas, coisa que no Uruguay é legal... Nunca tinha visto nada parecido ao vivo... kkk Ele até me convidou para experimentar um pouco da produção caseira, mas eu não aceitei pois essas coisas já deixaram de fazer parte do meu universo faz muuuuito tempo. Questão de gosto e também de saúde.

Depois deste tour inusitado, organizei minhas coisas para tocar em frente. A ideia era seguir para o Cabo Polônio.

Quinto e sexto dia:

Valizas x La Paloma

O dia estava nublado, mas não havia previsão de chuva e nada de vento que atrapalhasse o pedal.

Durante o trajeto, pensando no perrengue que foi em Valizas, decidi deixar o Capo Polônio para a volta, por conta do medo de chegar lá e dar de cara com tudo fechado. E de fato, depois fiquei sabendo por uma amiga que tinha apenas um hostel funcionando e que estava sempre lotado e com certa precariedade no atendimento.

Decidi então tocar para La Pedreira, uma praia que eu tinha passado rapidamente, porém nunca pernoitado.

Cheguei a La Pedreira por volta das 14 horas, e fui direto aos campings que eu sabia que existiam por lá e para variar, todos fechados. Procurei hostels e era a mesma situação: baixa temporada, tudo fechado.

Encontrei um dos únicos restaurantes que estava aberto para comer algo, dar um tempo e seguir em frente para La Paloma que fica perto, coisa de mais 9 kms apenas. Chegando lá, por ser um lugar maior, certamente eu resolveria a questão.

Depois de pouco mais de 40 minutos de pedal, estava em La Paloma e com minha estadia garantida no camping da playa La Aguada, que funciona o ano inteiro e na baixa temporada tem um valor quase que simbólico para ficar de barraca. Fiquei duas noites por lá.

 

Sétimo dia:

La Paloma x Acampamento selvagem próximo da Laguna Garzon

Como já é de costume, neste dia em especial, é preciso decidir como proceder para cruzar a Laguna de Rocha, dependendo da condição da barra da laguna estar aberta ou não.

Eu tinha a informação de que a barra estaria aberta e com isso, só existem duas opções: dar toda a volta na lagoa, coisa que aumenta em quase 50 kms a distância para se percorrer no dia, ou, procurar o Sr. Pepe, que já é uma figura conhecidíssima da galera das bicicletas.

O Sr. Pepe, é um pescador e também faz com exclusividade a travessia da barra, levando a turma que viaja de bicicleta de um lado para o outro em seu bote. Coisa rápida, 20 ou 30 minutos, dependendo da condição do vento.

De teimoso, eu ainda fui até a barra na esperança de dar de cara com a maré baixa e assim cruzar, molhando um pouco os pés apenas, na medida em que eu me aproximava, parecia que iria dar certo o meu plano. Ledo engano.

 

Depois de empurrar a bicicleta carregada pela areia fofa, já cansado, decidi deixar ela parada e fui o mais próximo do canal, e para minha decepção o mesmo embora estreito, coisa de uns 40 metros, dava para perceber que estava mais profundo e com ondas de quase um metro quebrando naquela hora. Lascou!

Fiquei um pouco de tempo ali, numa mistura de contemplação pela beleza do lugar e a desilusão por saber que teria de voltar quase 1 km empurrando a bicicleta até a casa do Sr. Pepe. Kkk

Cheguei na casa do Sr. Pepe bem na hora de la siesta e para não ser inoportuno, falei que poderia esperar um pouco, afinal não estava com pressa.

Então fiquei tomando um mate com o Sr.Pepe e conversando sobre a vida ali na lagoa, a pesca e assuntos relativos ao Brasil e Uruguay...

Uma hora depois, já estávamos no meio da laguna, com vento contra jogando água dentro do bote o tempo todo. Tomei um banho!

Já na outra margem me despedi mais uma vez do Sr. Pepe e segui meu caminho.

Eu tinha duas alternativas para acampar selvagem nesta noite. A primeira era um lugar já conhecido, onde já havia ficado duas vezes ou, seguir mais 15 kms para chegar em uma indicação do IOverlander e acampar noutro lugar de praia deserta, próximo da laguna Garzon.

Optei pela segunda alternativa. Queria descobrir novas possibilidade e conhecer outros cantinhos escondidos para ficar acampado e desfrutar de uma bela beira da praia deserta.

Sem dificuldades cheguei ao local que é bastante grande e mais uma vez, escolhi com muito cuidado o lugar para montar a barraca de maneira que a porta ficasse de frente para o sol nascente. Para mim, acordar, abrir a porta da barraca sem sair do saco de dormir e ver o sol nascer no mar é o que há!

Foi uma noite tranquila.

Oitavo dia:

Acampamento Selvagem Laguna Garzon x Punta Balena

Depois do espetáculo matinal, segui o procedimento padrão de tomar café, desmontar barraca, embarcar tudo na bicicleta e tocar em frente até Punta del Este. Mas era uma sexta-feira!

Tudo parecia correr bem. Uma noite tranquila, um amanhecer espetacular e um dia de sol sem vento, até que saí do bosque de pinheiros e ao dar início ao pedal, senti que a bicicleta estava mais pesada do que o normal e isso só poderia significar uma coisa: pneu furado! Era uma sexta-feira!

Pneu furado logo de cara até que nem esquentei muito a minha cabeça, afinal eu tinha câmaras de ar de reserva, kit de remendos e etc...

Deitei a bicicleta, saquei a roda, troquei a câmara de ar e na hora de encher o pneu a coisa não acontecia. Algum problema com a bomba? Com a válvula da câmara reserva? Era uma sexta-feira!

Lá fui eu novamente, desmontar a roda, tirar a câmara de ar reserva e colocar a outra reserva... Daí sim! Ufa! Era uma questão de válvula trancada apenas.

Perdi mais de hora nessa brincadeira sem graça. Típica coisa que acontece na sexta-feira e quem trabalha com TI, assim como eu, entende bem deste negócio misterioso que rola especialmente no último dia da semana. Kkk

Não sou supersticioso, mas gosto de um ditado popular espanhol que diz o seguinte: “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay”. Kkk

Segui em frente fazendo algumas paradas na sobra, poia o sol quente e um pouco de vento contra, faziam bater o cansaço, a fome e a sede. kkk

Ao chegar a José Ignácio, um pequeno balneário, já próximo de Punta del Este, resolvi dar um giro rápido para conhecer a praia, o farol e comer algo pois já era mais de meio-dia.

Após bater ponto em José Ignácio, tratei de focar no pedal para chegar o quanto antes em Punta del Este para descansar e ficar de boas no calor que fazia naquela tarde.

Dei uma acelerada e por volta das 16 horas já estava em La Barra e muito próximo do camping San Rafael que permanece aberto o ano todo. Mas lembram de eu falei que era uma sexta-feira?

Ao chegar à entrada do San Rafael, para minha surpresa, a porteira estava fechada e uma placa dava a notícia de que o camping estava cerrado!!!

Sabendo que o San Rafael é o único camping na região, me bateu certo desânimo misturado com pânico e desespero... kkkk Corri para o app IOverlander na esperança de encontrar um plano b e a única alternativa era outro camping, no outro lado de Punta del Este, distante 20 kms.

Sabendo que teria um adicional de pedalada somado com a incerteza de o camping em Punta Balena estar aberto ou não, tratei de comprar um refrigerante e algumas frutas para comer antes de tocar para o outro lado da cidade.

Com a questão da fome resolvida e com o emocional preparado para encarar o pedal final, tracei uma linha quase reta no app de navegação para fazer o menor percurso possível até o camping. A questão é que o caminho passava por dentro de Maldonado bem na hora do rush! Que beleza! Kkk

Depois de mais de uma hora e meia em meio ao transito pesado e caótico de um final de tarde de sexta-feira, eu saia ileso daquela confusão e seguia meu caminho na expectativa de encontrar o camping aberto.

Já passado das 18 horas, chegava finalmente no camping e para minha alegria, estava aberto! Ufa!

Fiz meu registro e depois, tratei de montar meu circo, tomar banho, comer e desmaiar dentro do meu saco de dormir.

A sexta-feira deu trabalho, porém eu consegui vencer o desafio! Kkk

Nono dia:

Punta Balena x Piriápolis

Sábado, manhã linda de sol, temperatura agradável e véspera de eleições no Uruguay.

Comecei o pedal por volta das 9 horas da manhã e sabendo que o percurso seria curto, segui num ritmo lento, curtindo o clima tranquilo do sábado de pouco movimento de carros nas vias.

Sempre aproximando ao máximo da orla do mar, fui passando por algumas prainhas muito legais, num sobe e desce suave da estradinha que percorre Punta Negra, Punta Colorada e chega até Piriápolis. Um visual muito lindo!

Cheguei ao camping do Clube de Futebol Piriápolis e havia uma boa movimentação de famílias passando o dia e também um jogo de futebol no campo que fica ao fundo do camping. Finalmente eu já não estava mais de dono do camping! Kkk

Por conta de uma previsão de chuva no domingo, resolvi ficar no camping por mais um dia, aproveitando para descansar, organizar meus equipos, lavar roupa e tratar de estudar os próximos passos até Montevideo.

Décimo primeiro dia:

Piriápolis x Playa El Fortín

Segunda-feira com cara de poucos amigos e previsão de chuva no início da manhã.

Sabendo da questão da chuva, levantei com o primeiro sinal de luz do dia. Tomei meu café e sem perder tempo, desmontei todo o acampamento e guardei tudo nos alforjes da bicicleta. Enquanto isso, uma nuvem negra se aproximava cerimonias trazendo chuva.

Foi somente o tempo de eu fazer a correria de guardar tudo e levar a bicicleta para uma área coberta do camping para despencar um aguaceiro digno de fazer o sertão virar mar.

Esperei por volta de uma hora. Era cedo ainda, e como previsto, a chuva foi embora dando lugar para um dia nublado e sem vento. Ótimo para pedalar.

Por estar meio traumatizado com a questão dos campings fechados, tratei de mudar minha estratégia. Pesquisei antes por lugares que estivessem abertos e que estivessem situados no meio do caminho entre Piriápolis e Montevideo, para fazer uma última parada e deixando para o dia seguinte entrar na metrópole bem cedo.

Encontrei o La Poderosa, que na verdade é uma pousada, hostel e camping, e ao entrar em contato via whatsapp, recebi a notícia de que estaria aberto. Uma boa notícia para começar a semana!

Com o clima ajudando e sem grandes atrativos pelo caminho, tratei de fazer o pedal render e antes das 15 horas já estava no La Poderoza.  

Como havia a possibilidade de chuva e no dia seguinte eu queria entrar o mais cedo possível em Montevideo para seguir em frente, optei por ficar no hostel, pois ganharia o tempo de desmontar o acampamento. Coisa que sempre demora pelo menos uma hora para deixar tudo certinho na bicicleta.

Mais uma vez, era apenas eu no lugar, e o grande hostel, com uma decoração estilo início dos 80´s me fez lembrar um pouco da película “O Iluminado”, dirigida pelo saudoso tio Kubrick. Medo! Kkk

Com um quarto inteiro só para mim, aproveitei para me espalhar geral! Kkk

Foi uma noite tranquila.

Décimo segundo dia:

Playa El Fortín x Montevideo x Kiyú

Dois motivos me fizeram passar batido por Montevideo: O primeiro era um convite para participar da Massa Crítica em Buenos Aires, já no próximo domingo. O outro motivo, nada bom, era que a saída de Montevideo pela Ruta 1, em direção de Colonia del Sacramento, estava muito perigosa por conta de registros de assaltos.

Com o panorama acima descrito, decidi chegar o quanto antes até o Terminal Três Cruzes e pegar um ônibus para Libertad, a primeira cidade fora da região metropolitana. Uma viagem rápida de uma hora e 50 kms apenas.

A ordem agora é chegar rápido em Colonia!

Dei um gás e entrei rápido em Montevideo, chegando em tempo para comprar passagem para o horário das 13:30. Ótimo, pois teria bastante tempo de pedal depois de desembarcar em Libertad.

Enquanto eu estava no ônibus, aproveitei para dar uma nova pesquisada nos possíveis pontos de pernoite com acampamento e estava decidido até então, por um posto de combustível situado uns 15 kms adiante de onde desembarcaria. No entanto, ao desembarcar e começar o pedal, avistei uma placa indicando um balneário que por sua vez, estava sinalizado no meu app. Mudei de ideia naquele instante, ainda que o caminho agora escolhido fosse o mais longo. Estava curioso.

Apontei a “proa” rumo de Kiyú, um pequenino balneário que margeia o Río de la Plata. Um pedal de 19 kms por uma estrada tipicamente rural, com criação de gado e lavouras, por onde circulam poucos carros e alguns tratores. Bem diferente do resto até então.

Enquanto pedalava na direção do camping que tinha como destino, avistei uma plaquinha de uma padaria e isso fez com que eu entrasse na ruazinha para onde a placa indicava, pois alguns pães seriam uma ótima pedida para acompanhar o jantar.

Ao chegar à frente da padaria, um circulo de umas 5 pessoas ao redor de um cortador de grama enguiçado conversavam sobre como tentar resolver. Nesse instante, todos se voltaram para mim, deram um olá e já vieram perguntando se eu entendia do bicho. Não tinha muito como ajudar, mas o caso do cortador de grama acabou fazendo com que eu conhecesse a senhora Norma, que ao saber que eu estava procurando camping, já foi logo dizendo que todos ali na volta estavam fechados, e no instante seguinte, me convidou para acampar seu quintal.

Ao chegar na casa da senhora Norma, ela muito simpática e comunicativa, disse que adorava viajar, que recebia sempre que podia, viajantes e turistas pelo Couchsurfers e, salvo se eu fizesse muita questão de acampar no quintal, poderia dormir no sofá da sala, usar a cozinha, tomar uma ducha e usar o wifi. Nem acreditei! Estava melhor que o planejado.

Conversamos bastante sobre viagens e ela contou que conhecia praticamente toda a América viajando nesse vibe de mochilão. Foi um momento muito divertido.

Décimo terceiro dia:

Baleário Kiyú x Ecilda Paullier

Depois de agradecer e me despedir da minha anfitriã, tomei o rumo para a próxima e última parada antes de chegar a Colônia del Sacramento, a pequena cidade de Ecilda Paullier, situada ao lado da Ruta 1 e que tem um belo parque municipal com área de camping, banheiros e churrasqueiras.

Cheguei ao meu destino no meio da tarde, depois de percorrer quase 60 kms com muitas subidinhas marotas na Ruta 1 (o Uruguay é plano, pero no mucho). kkk

Fui à sede do parque, fiz meu registro e após, a funcionária encarregada me mostrou e explicou com muita cordialidade, tudo aquilo que eu precisava saber para acampar.

Escolhi meu espaço junto a uma das churrasqueiras, montei meu acampamento e fiquei de boas até anoitecer. Tirando o ruído dos veículos que passavam na rodovia, tive uma noite muito tranquila.

Décimo quarto dia mais um

Ecilda Paullier x Colonia del Sacramento

Quinta-feira de sol e vento empurrando! Era tudo que eu precisava para chegar a Colônia em grande estilo.

O pedal seguia bastante animado pela Ruta 1, e eu pensando apenas no momento em que avistaria o trecho da estrada que é margeado por centenas de palmeiras dos dois lados da via.

Com a mãozinha do vento, a velocidade média era bastante boa e logo no início da tarde eu já estava entrando na belíssima Colônia!

Fui direto para o pequenino e ótimo hostel Toca Madera, bem no centro da cidade. Lá fui muito bem recebido por Flora e sua equipe. Seguramente o hostel mais buena onda que já fiquei até agora. Recomendo.

Eu tinha duas noites para curtir um pouco Colônia antes de cruzar de ferry boat para Buenos Aires.

Já de cara, fiz amizade com Tine, uma mochileira belga buena onda que tirou um ano sabático para viajar pela América sem grandes planos, seguindo apenas o que o momento manda. Massa, não?

Fomos apreciar o belíssimo pôr do sol naquele mesmo dia e depois voltamos para o hostel para jantar e dormir.

No dia seguinte, pela manhã tratei de comprar logo a minha passagem para o dia seguinte com destino Buenos Aires.

Na tarde, mais uma vez, juntei com Tine. Fomos dar um giro pelo centro histórico, fazer fotos e conversar muito sobre nossas trips, cada uma no seu próprio estilo. Foi um momento muito divertido.

Na noite, saímos para tomar uma cerveja para comemorar o “aqui e agora” e nos despedir de Colônia.

No dia seguinte embarcamos para Buenos Aires, mas isso será contado no próximo episódio da série de relatos da expedição Ciclotrekking - Pra lá do Fim do Mundo.

Fui!

A Aventura é agora!

Domingo, dia 01 de dezembro, depois de uma semana inteira de muita chuva aqui na Carretera Austral entre Chaitén e Puyuhuapi, finalmente um dia de céu azul e sol! Aproveito esse momento para organizar as coisas, lavar roupa, secar a tenda e dar um trato na bicicleta para amanhã seguir em frente. 

Em breve, novo episódio cheio de coisas para contar sobre a passagem por Buenos Aires e Bariloche.

Quer saber como tudo começou? Acesse o primeiro eposódio da trip Ciclotrekking clicando AQUI.

Cobertura Online

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Edson Maia
Edson Maia

Published on 12/01/2019 12:39

Performed on 11/20/2019

1 Participant

Ciclotrekking

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1032

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Angelique J. Oliveira
Angelique J. Oliveira 12/02/2019 16:51

Show, quando crescer quero ser igual vc kkkk

Edson Maia
Edson Maia 12/04/2019 22:10

Apaguei sem querer o comentário do Douglas... Foi mal, meu camarada.

Douglas Dessotti
Douglas Dessotti 12/10/2019 00:11

Tudo certo 😁✌️

Edson Maia

Edson Maia

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Um pouco cigarra. Um pouco formiga. Não necessariamente nesta ordem. Instagram: @edee_maia

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