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USAR OU NÃO OXIGÊNIO?

Muito se questiona quando o assunto é USAR OU NÃO OXIGÊNIO em altitudes elevadas...

Muito se questiona quando o assunto é USAR OU NÃO OXIGÊNIO em altitudes elevadas.
Deixando de lado o achismo pessoal de cada um, vamos falar das consequências e mudanças que ocorre no corpo.

Por Fatima Cardoso:

Faltam apenas 300 metros para chegar à barraca. Caminhando com dificuldade sobre a neve, o homem dá dois, três passos e pára para respirar. Inspira profundamente, mas tem a impressão de que o ar não chega aos pulmões. Mais três passos, nova parada. O frio de – 15° C penetra até os ossos, enregela mãos e pés, resfria a garganta até doer, corta os lábios até sangrarem. Depois de longos minutos caminhando, ele enfim alcança a segurança de sua barraca, onde cai prostrado, esgotado pelo cansaço. Corpo humanos não foram feitos para sobreviver onde o ar é rarefeito e o frio, cruel.

Quando no corpo de uma pessoa existe apenas 30 por cento do oxigênio que deveria, considera-se que ela está à beira da morte — ou seja, tanto pode estar na UTI de um hospital ou no topo do Monte Everest, a 8 848 metros de altitude. Se alguém saísse diretamente do nível do mar para lá, desmaiaria em alguns segundos e morreria em poucos minutos. Se demorar algumas semanas para fazer o mesmo percurso, no entanto, o corpo passa por um processo de aclimatação, uma série de mudanças que lhe permitem se adaptar e sobreviver. Mas não por muito tempo.

Mecanismo semelhante acontece no cérebro. Neste caso, a série de alterações orgânicas resulta em maior permeabilidade dos vasos sanguíneos, provocando vazamento de fluido para o tecido cerebral e o consequente edema. Esse problema é percebido pelo andar cambaleante da vítima, como se estivesse embriagada, além de perturbações na visão e alucinações. Se não for tratado em poucas horas, o edema pode levar ao coma e à morte.

O perigo é que um alpinista nessas condições nem sempre percebe que há algo errado. É que a falta de oxigênio no cérebro afeta o julgamento — a capacidade de raciocinar, de executar tarefas aparentemente simples e de perceber perigos. Isso acontece porque o cérebro usa sozinho entre 15 e 20 por cento do oxigênio consumido pelo corpo. Na escassez, as funções mais afetadas são as chamadas superiores, que incluem justamente a coordenação motora e o raciocínio.

Por isso, nas alturas do Himalaia, subir montanhas é um jogo bem mais pesado do que aqui embaixo. “Escalar uma parede de gelo com 50 graus inclinação em baixas altitudes não é tecnicamente difícil. A 7 000 metros de altitude é complicadíssimo”, Como sempre, é tudo culpa da escassez de oxigênio. Calcula-se que a cada 100 metros para cima o alpinista perde 1 por cento da capacidade de trabalho.

Para compensar um pouco da escassez de oxigênio, os montanhistas levam garrafas com o gás para usá-lo em alguma emergência — como subir alguns metros em direção ao topo, no chamado ataque ao cume quando já não se tem forças. Isso não significa que o alpinista fique inteirão. O oxigênio suplementar dá um ganho de 2 000 metros, ou seja, quem o utiliza a 8 000 metros respira como se estivesse a 6 000. Acima de 7 000 metros, o oxigênio engarrafado é usado às vezes para dormir. É que a partir de 6 000 metros um corpo não se aclimata mais, só degrada — perde a aclimatação. Traduzindo, o oxigênio é tão pouco que não é suficiente nem para o organismo repor as células que morrem. A 7 000 metros começa a chamada zona da morte, em que a velocidade da degradação é muito rápida. Depois de uma noite de sono, uma pessoa se sente tão cansada quanto antes de dormir. Respirar durante a noite com oxigênio suplementar aumenta ajuda a minimizar a degradação.
#highmountains #mountain #oxigenio Imagem : Dr. Diego Ariel