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A Aventura Mais Dura e Genial do Mundo

Alguns ultramaratonistas a elegem como "a corrida mais inusitada do mundo". Outros a classificam como a "mais difícil".

Fabio Saba
Fabio Saba 04/19/2021 18:24

The Barkley Marathons é uma ultramaratona de orientação realizada no Frozen Head State Park, perto de Wartburg, Tennessee, EUA.

Trata-se de um evento de tradições enigmáticas. Não tem página na web, fanpage, perfil no Instagram ou qualquer outra forma de contato online oficial. Não tem espectadores nem lista de participantes publicada. É um mistério participar!

Porém, todos os anos aproximadamente 1.500 corredores tentam se inscrever, mas apenas 40 deles são selecionados. Os critérios de seleção são desconhecidos.

As informações existentes indicam que basta enviar uma carta de argumentação pelo correio e uma taxa de registro não reembolsável de US $ 1,60. No entanto, quando e como a corrida vai acontecer é um segredo bem guardado. O que se sabe é que ela ocorre no final de março ou início de abril de cada ano.

O que esta ultramaratona, procurada por corredores do mundo inteiro, tem de tão especial a ponto de ser classificada pelos ultramaratonistas como a corrida mais árdua do planeta?

Uma Maratona Sádica

The Barkley Marathon acontece em um terreno bastante acidentado, com um desnível de cerca de 2 mil metros de altitude, em uma pista de corrida que realmente desafia a alma das pessoas.

Uma maratona geralmente dura cerca de 26 milhas, mas não The Barkley Marathon. O percurso tem 100 milhas (aproximadamente 170 km), composta por cinco voltas de 34 km limitado a um período de no máximo 60 horas para ser concluída.

A corrida, uma curiosa mistura de ultratrail, desafio de orientação e caça ao tesouro infernal, ocorre em um percurso não marcado onde os relógios GPS e smartphones são proibidos.

Os corredores têm apenas um mapa e uma bússola, além do frio, a unidade e a solidão da montanha. O fato de que, provavelmente todos irão falhar, torna essa ultramaratona mais atraente.

Foto: Matt Trappe

Estando na floresta e muitas vezes fora das trilhas, os corredores são submetidos a passar por espinhos e outras plantas desagradáveis ​​espalhadas pelo caminho. Os corredores costumam retornar maltratados e cortados de uma volta.

Até hoje, apenas 15 pessoas conseguiram finalizar está ultramaratona. O primeiro a completar a prova foi Mark Williams, em 1995, nove anos após o primeiro evento. A última pessoa a terminar a corrida foi John Kelly, em 2017. Nenhuma mulher jamais consegui vencer as trilhas de The Barkley Marathons.

Mas de onde surgiu a ideia de colocar ultramaratonistas em um desafio quase impossível de ser conquistado?

Uma Aventura Conceitual

O percurso está localizado no Frozen Head State Park, onde fica a Penitenciária Estadual de Brushy Mountain, conhecida como "A Alcatraz do Sul". Um local não escolhido por acaso.

Em 1977, James Earl Ray, o homem que matou Martin Luther King Jr. voltou às manchetes ao escapar desta prisão.

Nas quase 60 horas em que esteve livre, Ray promoveu uma das fugas mais dramáticas dos EUA, atraindo a atenção mundial e cerca de 300 repórteres, todo o contingente da guarda nacional dos EUA e os residentes locais que se dirigiram para as montanhas com espingardas, pela emoção da perseguição e pela possibilidade de receberem uma recompensa de 25 dólares pelo fugitivo.

Ao final de três noites, Ray foi encontrado vivo portando um mapa a apenas 13 quilômetros de sua cela. Sua estratégia foi se deslocar a noite, se escondendo dos guardas e cães durante o dia se camuflado das folhagens.

Como um porco chafurdando em um chiqueiro, coberto de lama, cabelo molhado e emaranhado, tudo cortado e com muita fome, Ray não aparentava ser capaz de ir mais longe.

A forma como Ray foi encontrado, não conseguido percorrer uma distância tão longa, levou muitas pessoas a afirmarem que poderiam ter feito melhor.

O Imoderado por trás da Experiência

The Barkley Marathons foi criada por Laz Cantrell, em 1986. Laz, um verdadeiro "rebelde do sertão" do Tennessee, arquitetou uma das corridas a pé mais duras do mundo. Tão desafiadora que deixam muitos assumirem ser esse um ato de sadismo.

Conhecedor das dificuldades das Montanhas Cumberland e, sabendo das dezenas de fugas frustradas tentadas por outros prisioneiros de Brushy, Laz decidiu criar rotas nas trilhas das terras altas de Cumberland para desfiar corredores de todo o país, para provar porque este terreno não é brincadeira

Laz diz que "todo corredor gostaria de se sair melhor do que James Earl Ray e ir mais longe do que 13 quilômetros". Embora alguns deles não o façam. Foi por isso que ele projetou The Barkley Marathon. Para mostrar que elas estavam enganadas.

Foto: Alexis Berg

Laz não esconde que criou essa ultramaratona para fazer com que os participantes desistam.

Ele afirma que “as pessoas são obcecadas por conforto a ponto de não admitirem nenhum desconforto em suas vidas, achando que sabem quando se sentem bem”. Ele acredita que os humanos são feitos para suportar desafios físicos e que isso é bom para se tornarem pessoas melhores.

Alguns corredores dizem que Laz é um cara maluco. Outros relatam que ele é muito inteligente e sádico, ou seja, dramático e atrevido. Um "louco do jeito bom". Precisamente, dos que não gostam de regras e não têm respeito pelo status quo. Laz parece um desses.

O Caráter Espirituoso de Barkley

Se você for admitido para a corrida, receberá uma carta de condolências de Laz. Após o aceite, os corredores também devem preencher um formulário de inscrição e pagar uma segunda taxa, que geralmente assume a forma de uma peça de roupa, como uma camisa branca de botões ou meias. Laz escolhe um item diferente a cada ano.

Alguns relatos dizem que o formulário de inscrição apresenta perguntas excêntricas como: "Qual é o grupo de vegetais mais importante?"

Na primeiro vez que alguém participa da Barkley, deve trazer uma placa de carro de seu estado ou país de origem - essa é a terceira taxa de inscrição.

Para ultramaratonistas veteranos a taxa de inscrição é um pacote de cigarro Camel. Assim, Laz tem um cigarro de qualidade para fumar durante a corrida. Cantrell chama essa taxa de seu "plano de aposentadoria.

Isso por que a largada de Barkley é determinada pela luz de um cigarro Camel acendido por Laz, o que parece pouco tradicional para a maioria das largadas de ultramaratonas.

Seis horas antes do início da corrida, Cantrell publica um mapa do percurso e um conjunto impresso de instruções, que, mesmo com uma bússola e conhecimentos em orientação, muitas vezes pode ser difícil de seguir.

Foto: Kaz Williams

Os competidores recebem um número acompanhado de "frases motivacionais". Existem livros de bolso estrategicamente colocados no percurso de forma que, para encontra-los, todos devem seguir corretamente o curso da prova.

Ao encontrar o livro, os participantes devem arrancar a página correspondente ao seu número de corrida para provar que fizeram a volta completa. Eles recebem um novo número para cada volta.

Depois que os corredores decidem que já estão esgotados e desistem, um membro da equipe de apoio deve tocar o clarim. Como nas batalhas, os toques servem para mostrar que alguém morreu em ação.

Laz não revela, mas alguns dizem que as regras da prova e os ritos que antecedem a corrida tem relação com fatos ocorridos durante a fuga de James Earl Ray.

Tirar as pessoas da zona de conforto em um estilo não convencional, com um brilhante senso de humor, é o objetivo de Laz.

Para ele, a verdadeira alegria é ver as pessoas encontrarem algo em si mesmas que não sabiam que estava lá, e, talvez, os ritos e as regras de Barkley sejam os recursos para tornar o desafio de uma ultramaratona mais espirituoso e menos traumático.

Laz afirma que "quem compete as ultras, geralmente, tem um certo egoísmo ao pensar que é muito bom pelo que pode fazer". The Barkley Marathons já perfurou esse balão da arrogância de muitos ultramaratonistas, deixando-os tão mau tratados como Ray em sua escapada épica.

O documentário “The Barkley Marathons: The Race That Eats Its Young”, ("a corrida que come seus jovens") gravado em 2014, exibido na Amazon Prime e na Netflix, mostra como uma corrida de trilha ultramaratona pode ser dramática e fascinante.

The Barkley Marathons desde ano aconteceu no dia 18 de março. Não houve vencedores. Haviam poucos competidores internacionais devido às restrições de viagem relacionadas à pandemia e os corredores e suas equipes de apoio foram obrigados a fazer os testes COVID-19 , entre outros protocolos de segurança.

Foto de Capa: Howie Stern (Trail Runner Mag)

Fabio Saba

Published on 04/19/2021 18:24

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Edson Maia
Edson Maia 04/20/2021 11:01

Sem dúvidas, uma competição nada ortodoxa! Agora quero ver o documentário. Ótima matéria!

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 04/21/2021 09:34

Que maneiro e que bizarro!!!

Fabio Saba

Fabio Saba

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Utilizando conceitos, aplicando técnicas e organizando ideias para criar experiências valiosas com foco na educação e recreação ao ar livre. ⛺🌄🧭 www.outdooreducation.trade

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