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Relato Pedra da Macela e Trilha dos 7 Degraus
Um final de semana pernoitando na Pedra da Macela em Cunha - SP e no dia seguinte descendo pela trilha dos 7 degraus até Paraty.
1ª dia: Pedra da Macela
Seguimos de Volta Redonda-RJ no carro da Jacque em quatro pessoas (Flávia,
Fernanda Jacque e Lucas) pela dutra até Guaratinguetá com destino a Cunha-SP.
Combinamos de encontrar na Pedra da Macela com os amigos (Alan, Caren, Ricardo e
Sean) de São Paulo que chegariam mais tarde, por volta das 22h.
Chegamos em Cunha no final da tarde e fomos rumo a Pedra da Macela, que é bem
sinalizada por placas, na estrada Cunha-Paraty. Seguimos e pouco depois do km 65,
tinha uma placa que indicava a entrada para esquerda: Bairro da Grama/Pedra da
Macela. Aqui já caímos numa estrada de chão de uns 6 km, com muitas casas e até
uma Cervejaria que ficava do lado esquerdo, um pouco antes de onde estacionamos o
carro. Demos de cara com um portão de ferro onde se inicia a subida a pé para a
Pedra, por isso o Lucas passou a ré e estacionamos em um recuo à direita.
Já com as mochilas a postos iniciamos a subida, que como vimos em alguns relatos é
bem íngreme. O tempo estava bom e víamos a lua e algumas estrelas mas também
relâmpagos ao longe. A subida durou cerca de 1h indo devagar com o equipo para
montar acampamento. Quase toda a trilha é uma estrada cimentada, por onde
provavelmente sobem os carros que dão manutenção nas antenas lá em cima na
pedra.
Chegamos num portão fechado e uma área cercada onde estão as antenas de Furnas.
Deste portão para frente é proibido passar, é propriedade privada de Furnas. Tem
uma entradinha do lado direito do portão com a plaquinha: “Proibido acender fogo”. É
pela pequena trilha que seguimos. podendo acampar mais acima, perto da antena
seguindo a direita ou ir para a esquerda, que foi onde escolhemos. Eu recomendo pois
ali você ficará com a barraca de frente para o nascer do sol.
A chuva caiu assim que chegamos ao cume e o vento muito forte atrapalhou a
montagem da barraca. Tivemos bastante dificuldade com a barraca que, por ser
grande (5 lugares) e alta, sofreu muito com o vento chegando a quebrar uma das
varetas. Ficamos ali, de qualquer forma abrigados e já que o vento não nos deixava
dormir, jogamos, de dentro da barraca, adedanha com os vizinhos da barraca ao lado!
Por volta de meia noite, chegaram Alan, Caren, Ricardo e Sean, que vieram de São
Paulo também pela Dutra até Guaratinguetá e desceram para Cunha, eles se atrasaram
por causa da chuva que pegaram na estrada, e também pegaram a trilha molhada.
Enfim com a trégua da chuva, conseguimos colocar a barraca um pouco mais de pé. E
pelo adiantado da hora, dormimos os 8 na mesma barraca. É bom dar uma boa olhada
para montar a barraca o mais abrigada possível. Pelos relatos de pessoas que já foram
várias vezes, o vento sempre é muito forte lá em cima.
Às 5h30 da manhã despertamos com o nascer do sol, um maravilhoso espetáculo com
um visual incrível!
2º dia: Trilha dos 7 degraus
Por volta das 9:00 da manhã, já com o acampamento desmontado e café da manhã no
papinho, descemos da Pedra da Macela para seguir a aventura na Trilha dos 7
degraus. No final da descida, uns 200 metros após o portão onde deixamos os carros,
entramos do lado esquerdo numa porteira de madeira, ao lado de um casa, onde se
inicia a trilha. É na verdade a entrada de uma fazenda, onde nos deparamos com
muita lama, por causa da chuva e esterco, por causa do gado que caminha por ali.
Nossos amigos Jacque e Lucas decidiram não fazer a trilha e combinamos que eles
desceriam a estrada nos dois carros em que estávamos, em busca do final da trilha
que, conforme relatos na internet, terminava na Fazenda Murycana (bom, depois
descobrimos que não existe mais esta fazenda, mudou de nome virou “fazenda
bananal”e tão pouco a trilha termina nela).
A trilha segue em terreno plano, passamos por uma área de bastante charco no início
mas bem definida. Passamos uma segunda porteira e ao longe já avistamos a baía de
Paraty, que nos acompanhou boa parte da trilha.
A partir daí seguimos por áreas de pasto onde encontramos morangos silvestres.
Seguimos ao lado do rio que corria a nossa esquerda, no fundo do vale e demos uma
volta contornando o mesmo rio pelo outro lado. Por ali já encontramos além dos
morangos, amoras silvestres.
Depois de passar por um rancho à direita, com um curral para alimentar o gado,
continuamos pela trilha e passamos por mais uma porteira onde vemos araucárias do
lado direito e um grande descampado com uma pedra grande a esquerda da estrada.
Subimos a pedra e dali demos uma última olhada na baía de Paraty.
Há uma estrada que segue em frente, em direção a baía, mas não é a trilha. Neste
momento o Alan e o Paiva conferiram no tracklog a localização da mesma. Com isso
voltamos até a porteira e antes de atravessá-la subimos pela esquerda desta,
acompanhando uma cerca. Neste momento começamos uma subida, é a parte mais
íngreme da trilha. Já lá no alto desta subida, entramos a direita, por uma mata fechada
que deu um grande refresco no calor, além de ser a Mata Atlântica, deslumbrante!
Esta parte da trilha é pouco demarcada e o mato invadiu alguns trechos.
Continuamos subindo por 1 hora mais ou menos, até pararmos numa parte plana com
grande sombra para comer e descansar. Após o lanche continuamos a trilha, que
começou a ficar descendente e a aparecer os primeiros indícios da estrada real que
passava por ali, com o calçamento de pedra e pedaços do que foi um dia um longo
muro para proteger a estrada.
Esta parte estava muito escorregadia pela chuva do dia anterior e pelo musgo que se
criou ali, então precisamos descer bem devagar, Como foi uma descida bem íngreme,
deu uma boa forçada nos joelhos e pés. Em alguns momentos pegamos um pouco de
chuva, que ajudou a refrescar o calor da mata fechada.
Depois desta longa descida, onde a trilha fez uma curva pela direita, encontramos uma
linda cachoeira a esquerda, tomamos um bom banho para recuperar e renovar as
energias e continuamos. A partir deste ponto a trilha ainda desce por um bom trecho e
depois fica plana já sugerindo que estávamos chegando ao seu final.
Andamos ainda por uma hora até encontrar uma nova cachoeira em que avistamos do
outro lado a continuação da trilha. Ali deveria haver uma antiga ponte, hoje só restam
as armações de ferro, atravessamos pelas pedras para o outro lado e seguimos mais
um pouco a frente, até nos depararmos com uma estrada, o que indicava o final da
trilha.
Seguindo a estrada pela esquerda, nos deparamos com uma ponte larga de madeira,
onde vimos uma placa anunciando passeios e rapel. Abaixo da ponte uma linda
cachoeira, com vários poções, que deu uma vontade enorme de mergulhar mais uma
vez. Mas já estávamos preocupados, porque o tracklog ainda indicava 12 km de
caminhada e a cachoeira da Pedra Branca, que indicava a metade da trilha, ainda
estava bem a frente. Tínhamos combinado de encontrar com a Jacque e o Lucas por
volta de 17h e já eram 16h30 e pelo que indicava ainda tínhamos muito que caminhar.
Seguimos pela estrada para a direita, onde encontramos algumas pessoas que nos
indicaram ali, como sendo a estrada para chegar a Paraty-Cunha. Descobrimos depois
que ali é o bairro da Pedra Branca. Continuamos e paramos em frente a entrada da
Cachoeira 7 quedas para aguardar todos se reunirem novamente, alguns tinham
ficado para trás. Dali continuamos pela estrada, já bem movimentada por ser um
caminho turístico cheio de cachoeiras. Andamos por um trecho, por cerca de uma
hora mais ou menos, e desta vez a chuva não perdoou. Molhados, avistamos de longe
a Jacque e o Lucas com os carros a postos nos esperando na entrada da Cachoeira da
Pedra Branca! Que alívio (principalmente para Caren que estreou sua primeira trilha e
estava bastante esgotada), achávamos que andaríamos mais uns 6 km para
encontrá-los.
Descobrimos que eles não encontraram a tal fazenda Murycana, que a mesma
atualmente se chama Fazenda Bananal e que se eles não tivessem ido até ali para nos
encontrar, teríamos mesmo que descer mais 6 km para chegar na rodovia
Paraty-Cunha. E que lá embaixo não teríamos como subir de volta, para pegar os
carros na Pedra da Macela, se os mesmos tivessem ficado lá em cima, pois não sobem
mais ônibus por aquela rodovia, somente pela estrada que vai para Ubatuba. Ou seja,
se eles não tivessem lá para fazer nosso resgate com certeza não chegaríamos ainda
aquele dia na Pedra da Macela para pegar os carros.
No final deu tudo certo, fomos resgatados e ali mesmo terminamos a trip comendo os
últimos pedaços de brownie feitos pela Flavinha para adoçar e comemorar o final de
uma trilha, que nos surpreendeu pela beleza de suas florestas, cachoeiras e vistas
incríveis para da serra do mar!
