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Cachoeira Braúnas

Trilha realizada no início de 2019, durante um rolê no entorno do Parque Nacional da Serra do Cipó.

Hiking Waterfall

Cachoeira Braúnas - 05.01.2019

Esse é o sétimo e último relato sobre aventuras que fizemos no entorno do Parque Nacional da Serra do Cipó, entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019. Os outros relatos já publicados aqui no AventureBox, estão no final do texto. 

Dia 04
No dia 04 de janeiro nos despedimos de Cabeça de Boi. Logo depois de tomarmos nosso café reforçado, colocamos o pé na estrada.
Como o caminho mais curto para Ipoema passava por uma estrada em péssimas condições, não tivemos outra opção senão voltar até Itambé do Mato Dentro e depois seguir para Senhora do Carmo, agora por estrada asfaltada. Pegamos um pouco de neblina e isso fez com que andássemos mais devagar. Mas em menos de 30 minutos já estávamos cruzando o pequeno distrito e pegando a estrada de terra em direção a Ipoema.
Nossa ideia era aproveitar que passaríamos bem perto da entrada do Parque Estadual Mata do Limoeiro, que havia me chamado a atenção quando voltava da Serra do Alves, três meses antes, e fazer alguma das trilhas disponíveis por lá. Porém, por desatenção, acabamos passando direto e optamos por não voltar. Seguimos direto para Ipoema, onde chegamos na hora do almoço.

Fomos direto até a Pousada Quadrado, indicada pelo amigo Bernardo do Espinhaço e tendo o talentoso fotógrafo Roneijober como gerente. Assim que chegamos, fomos muito bem recebidos por este último, que nos indicou nossos quartos e um local para almoçar.
Na volta do almoço, visitamos o super organizado Museu do Tropeiro e aproveitamos para comprar algumas lembranças. De volta à pousada, conversei com o Ronei sobre o caminho para iniciarmos a trilha para a Braúnas, que se daria por uma localidade conhecida como Campo do Garça. Ele me mostrou o caminho no Google Earth e eu tratei de memorizar para depois, com tranquilidade, reproduzir e gerar um arquivo para colocar no GPS.
No final do dia, ainda demos um rolê no centrinho da cidade para comer um hamburguer artesanal e tomar uma cervejinha. Alimentados, fomos descansar para a pernada do dia seguinte. 

Dia 05
Já havíamos combinado com a responsável pelo café que iríamos acordar mais cedo para o nosso desjejum. Quando chegamos, já tinha bastante coisa na mesa e ela ainda preparava pães de queijo quentinhos.
Pegamos as mochilas e tratamos de pegar estrada. Logo o calçamento terminou e iniciamos um longo trecho de terra, bem sinalizado, até o Morro Redondo, onde fica uma das igrejas mais incríveis da região. Como a nossa intenção era retornar ainda com a luz do dia, deixamos para visitar a igreja na volta.
Seguimos reto, passando por alguns trechos mais delicados onde o 4x4 se fez necessário. Depois de uma bifurcação, a estrada começa descer bastante e o terreno piora muito. Tivemos que passar com cuidado. Ainda tivemos que vencer um trecho delicado dentro do rio, pois a ponte que existia não era nada confiável.
Chegamos na última casa da estrada e me lembrei do Ronei comentando que o dono da casa era “complicado”. Como acredito que o respeito e o diálogo com os moradores são fundamentais, bati palmas na entrada da casa e logo o dono (Josias) veio falar comigo. Expliquei nossa intenção e perguntei se haveria problemas em deixar o carro estacionado ali perto. Ele foi extremamente solícito e autorizou nosso estacionamento. Ficamos um tempo conversando com ele, que nos mostrou sua casa e o Bike Park que ele construiu no local (detalhes abaixo). O problema é que muita gente continuava de carro pela estrada, deixava o veículo em qualquer lugar e atrapalhava os moradores quando era necessário verificar as fontes de água. Era isso que o deixava chateado e concordo totalmente.
Nos despedimos dele e começamos a nossa pernada. Eu estava eufórico, pois queria conhecer essa cachoeira há muitos anos e finalmente o dia havia chegado. Existem inúmeras rotas para chegar a Braúnas, mas escolhemos esse por ter uma altimetria mais tranquila.

A primeira parte da caminhada é continuando pela estrada, ainda bem cuidada. Logo a frente, seguimos reto por uma outra estradinha um pouco mais esburacada. Cerca de 1,5km depois do início da caminhada, a estrada enfim vira uma trilha. Seguimos subindo a calha mais marcada que acabou nos levando para fora do caminho correto. Acertamos o rumo e logo começamos um suave declive, que parecia não ter fim. Cruzamos um ou dois pontos de água até encontrarmos um rio bem mais largo. Conseguimos atravessar sem tirar as botas, pulando as pedras.
Com um pouco mais de 500m, cruzamos outro rio, e fomos visitar a Cachoeira das Bandeirinhas, que estava com um bom volume de água. Gilmar e Alessandra ainda resolveram tomar um banho nessa cachu.

Voltamos para a trilha principal e demos uma conferida no relógio. Já eram 12h30 e a certeza de voltar com luz do dia até a cidade foi por água abaixo. A Letícia e o Gilmar acabaram desanimando com o tempo que estava fechando e falaram que iriam voltar dali. Muito provavelmente movida pela minha cara de desamparo, a Alessandra comentou que me acompanharia até a Braúnas.
Imprimimos um ritmo muito forte, aproveitando o terreno quase plano. Ainda cruzamos mais um rio que nos obrigou a tirar as botas para atravessar. Seguimos adiante, sem fazer mais nenhuma pausa. Aos poucos a trilha foi tocando para a direita e chegamos ao topo do mirante da Braúnas. Mais abaixo, estava a mítica cachoeira, que muitos diziam se tratar de uma lenda do Cipó. O volume d’água era bem forte.
A chuva da tarde já ameaçava chegar, mas resolvemos descer até um mirante mais próximo. É uma descida forte, com muito cascalho solto. Fiquei próximo a um descampado, onde existe uma pequena área de camping, tirando fotos e filmando com o celular, enquanto a Alessandra foi até o poço, negro como o breu.

Comecei a me preparar para a volta e nada da Alessandra voltar. Ela pegou outro caminho e já estava quase no topo me esperando. Subi esse trecho o mais rápido que eu pude.
Assim que encontrei com a Alessandra, a chuva chegou com vontade. Não tinha abrigo por ali e o jeito foi caminhar debaixo daquele toró. A vantagem é que a gente não se importava em tirar as botas para atravessar os rios e voltamos bem rápido.
No final do aclive sem fim, a chuva parou e aproveitamos para fazer uma rápida parada para comer alguma coisa e beber uma água. Até aquele ponto, já havíamos caminhado cerca de 24kms. Faltava pouco agora! Tocamos pra cima, acertamos o ponto que havíamos errado na ida e pouco tempo depois chegamos na estradinha. E 10 minutos depois chegamos no carro, um pouco antes das 17h.
Quando chegamos, a Letícia nos deu a triste notícia que o nosso carro não ligava. Tentaram de tudo e nada! Que lugar para o carro morrer... Por sorte, a Letícia tinha sinal de celular e consegui falar com a seguradora para mandar um reboque, mas ficou impossível explicar o caminho para eles. Então combinamos que iríamos voltar para Ipoema e lá faríamos novo contato.

Liguei para o Roneijober explicando a situação e ele fez contato com um amigo chamado Alex, guia da região, que foi nos buscar com sua Uno guerreira. Esperamos quase 1h até ele nos buscar para uma longa viagem de volta. Chegamos anoitecendo na pousada, onde tomamos um banho e fomos tentar comer alguma coisa. Nesse meio tempo, a seguradora disse que o reboque já estava a caminho e que ia nos aguardar na pousada.
Fomos para um bar na pracinha da cidade e enquanto ainda aguardávamos a comida, vimos o reboque passando. Conclusão: lá fui eu novamente até o Campo do Garça com os malucos do reboque, para ir mostrando o caminho. O caminhão atolou, saiu do atoleiro, passou por todos os buracos que nós havíamos passado mais cedo e os caras não pensavam em desistir.
Chegamos onde o carro estava perto da meia noite. Já me preparei para levar um esporro do morador, por fazer barulho num horário desses. Para a minha surpresa (novamente), ele veio conversar com a gente e na brincadeira, pediu o telefone da seguradora, porque ele não acreditava que alguém fosse buscar o carro, ainda mais tão rápido (rsrs).
Ainda teríamos a volta, que para a minha surpresa, foi mais “tranquila”. Cheguei 2h30 da manhã na pousada, exausto, com sono e com fome. Quase 20h no ar, depois de 85kms de estrada de terra (a estrada até o início da trilha tem 21kms) e caminhar 27,5km.
Por questões burocráticas da seguradora, o carro deveria seguir até um ponto de apoio (no caso, em Itabira) e de lá, ele seguiria de reboque até a concessionária Jeep de Itaipava, pertinho da nossa casa. Ficou combinado também com a seguradora que um taxi nos traria até Petrópolis.
E assim, um pouco no “anti-climax”, terminou o nosso rolê de 13 dias no entorno da Serra do Cipó. Eu estava bastante feliz por ter conseguindo conhecer tantos lugares legais e finalmente ter realizado o sonho de conhecer a “mítica” Braúnas.
Sem dúvida, essa foi uma viagem que rendeu momentos e visuais inesquecíveis!
Até a próxima!

Contatos:
- Pousada Quadrado: telefone (31) 98623-5200
- Roneijober Andrade: telefone (31) 98808-9294
- Alex (condutor de Ipoema): telefone (31) 98520-0197
- Museu do Tropeiro: (31) 98891-9106
- Terrenão Bike Park XC: proprietário Josias Barbosa (31) 99945-1130. Página no Facebook: https://www.facebook.com/terrenaoxc

Resumo do rolê:
Trilha 1 (Lapinha da Serra): Cachoeira Bicame
Trilha 2 (Lapinha da Serra): Pico da Lapinha
Trilha 3 (Serra do Cipó): Cachoeira do Gavião
Trilha 4 (Serra do Cipó): Cachoeira Capão dos Palmitos
Trilha 5 (Cabeça de Boi): Pico do Itacolomi
Trilha 6 (Cabeça de Boi): Complexo do Intancado

Fabio Fliess
Fabio Fliess

Published on 04/11/2020 17:45

Performed on 01/06/2019

1 Participant

Letícia Fliess

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421

4
Fael Fepi
Fael Fepi 04/11/2020 23:10

Cachoeira muito bela. Obrigado por compartilhar o relato.

Fabio Fliess
Fabio Fliess 04/14/2020 14:19

Fala Fael. Sim, é uma das cachoeiras mais bonitas que eu já conheci. Vale demais a visita! Abraços.

Alessandra de Paula Souza
Alessandra de Paula Souza 05/11/2020 07:49

Que cachoeira linda

Fabio Fliess
Fabio Fliess 05/11/2020 07:52

Oi Alessandra. Para mim, a Braúnas é a cachoeira mais bonita do Cipó!

Fabio Fliess

Fabio Fliess

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