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Travessia Alto Palácio X Serra dos Alves - Serra do Cipó

Travessia Alto Palácio X Serra dos Alves - Serra do Cipó

Travessia de 43kms cruzando o parque nacional da Serra do Cipó. Primeira travessia oficial do parque.

Mountaineering Trekking Camping

Travessia Alto Palácio X Serra dos Alves – PARNA Cipó 12 a 14.10.2018

O mês de outubro se avizinhava e ainda não tínhamos nada em mente para o feriadão. A Letícia é quem levantou a ideia de aproveitarmos o período para fazer alguma travessia nova. E sugeriu uma travessia que corta do Parque Nacional da Serra do Cipó, entre Alto Palácio e o povoado de Serra dos Alves, rasgando o parque de norte a sul por aproximadamente 42km.

Para variar, a parte mais trabalhosa de fechar nas travessias são os traslados. A Serra dos Alves fica relativamente distante da Serra do Cipó e as estradinhas de terra também não ajudam muito. Por conta disso, priorizei a análise dessa questão antes de fecharmos as cargueiras.
Fiz contato com o amigo e guia Luiz Gadetto de BH que, muito gentilmente, me passou o contato de algumas pessoas que faziam o serviço de transfer na região do Cipó. Aí surgiu outra dificuldade: os carros utilizados nesses serviços são para 10~12 pessoas, tornando o preço por pessoa proibitivo. E, até o momento, só iríamos Letícia e eu.
Conversa vai, conversa vem, o Gadetto comentou que iria tirar o feriado para descansar e acabou se oferecendo para fazer o serviço de transfer saindo de BH (bem mais perto para a gente, considerando que sairíamos de Petrópolis). E para ajudar ainda mais, um casal de amigos, Gilmar e Alessandra toparam ir nessa conosco.
Fechada a questão do transfer com o Gadetto, corremos para fazer as reservas no site do parque, para garantir o nosso acampamento na travessia, já que as vagas são limitadas.

Primeiro dia – 12/10/2018
Saímos cedinho de um hotel Íbis no centro de BH para encontrar com o Gadetto. Depois de todo mundo apresentado e as mochilas transferidas para o carro dele, saímos em direção a Serra do Cipó. Fizemos uma parada rápida para um café da manhã em Lagoa Santa e voltamos à estrada.
O portal de Alto Palácio fica aproximadamente 2 km depois da estátua do Juquinha, na MG-010. Ali funcionou durante um tempo a primeira portaria do parque nacional. Hoje a casa abriga funcionários e brigadistas do parque. Chegamos lá as 8h30 ainda debaixo de forte cerração.
Conversamos com os simpáticos funcionários e apresentamos nossas reservas, para liberar nossa entrada. Ofereceram-nos um café quentinho que saboreamos enquanto a prosa acontecia.
Colocamos as mochilas nas costas e pontualmente às 9h estávamos no portal de entrada da trilha, onde tiramos uma foto. Combinamos com o Gadetto o nosso resgate para domingo por volta das 11h. Despedimo-nos e começamos a pernada.
Nosso primeiro destino seria o Mirante do Travessão, um vale que é o divisor natural de águas das bacias do Rio São Francisco e Rio Doce. Por sorte, as subidas nesse trecho são bem suaves e tivemos tempo para acostumar o corpo a caminhar com o peso das mochilas. Além disso, o tempo ainda nublado e o forte vento aliviavam a sensação de umidade.

Estávamos sempre cercados de sempre-vivas e afloramentos rochosos, característicos da região do Cipó. Cada passo dado só reforçava o sentimento de admiração por essas paragens. Depois de aproximadamente 2hs de caminhada, chegamos a uma bifurcação, onde existe a junção da trilha vinda da Pousada Duas Pontes. Dali até o Travessão ainda teríamos uma descida de 1,5km.
Durante a descida, ao cruzarmos um ponto de água, uma pequena cobra ficou na dúvida se dava o bote na Letícia ou se fugia. Tentou a primeira opção, sem sucesso, e foi obrigada a recuar! Me pareceu arrependida por não ter tido uma segunda chance.
Chegamos ao Mirante as 11h45 e, mesmo com o tempo ainda nublado, o visual é incrível. Acho que nenhuma foto consegue representar fielmente aquele espetáculo da natureza. Aproveitamos o visual para fazer uma parada e um lanche reforçado como almoço, pois era sabido que o trecho até o acampamento seria mais puxado.

Depois de meia hora, recolocamos as mochilas e começamos o longo trecho de subida (pouco mais de 5 km). Cerca de 20 minutos depois cruzamos com um curso de água e aproveitamos para encher as garrafas. Voltamos a subir e o mormaço se instalou. A subida ficou bem mais penosa. Parecia infinita!
Mas depois de pouco mais de 2h de subidas, finalmente chegamos ao ponto mais alto do dia. E até o camping faltavam apenas 2,5 km. Fizemos esse trecho em cerca de meia hora, pois era uma descida tranquila. Após cruzarmos um riacho, subimos cerca de 500m até finalmente chegarmos às 15h na famosa Casa de Tábuas. Fomos os primeiros a chegar.
Encontramos uma área boa para montar as barracas e descansarmos um pouco. A Letícia preparou uma porção de linguiça mineira para distrair nossos estômagos. Como ainda não havia mais ninguém na casa, busquei o livro de visitantes para ler e deixar as nossas assinaturas. No final da tarde, aproveitei para fotografar os arredores, pois a luz estava incrível.

Ao anoitecer chegaram mais 2 grupos de montanhistas. Fizemos nosso jantar (macarrão com linguiça, bacon e queijo parmesão) e fomos dormir.
Esse foi o dia mais puxado da travessia. Caminhamos 17,5 km.

Segundo dia – 13/10/2018
Surpreendentemente, foi um dos acampamentos mais silenciosos onde estive. Embora estivessem umas 30 pessoas no local, não teve gritaria nem barulho.
Descansados, acordamos bem cedo e por volta das 6h já estávamos providenciando o nosso café. Desjejum tomado, arrumamos tudo nas mochilas e às 7h já estávamos na trilha novamente. Fomos o primeiro grupo a sair do camping.
Já começamos o dia encarando uma boa subida. Cerca de 300m de aclive a serem percorridos em 3 km. A cerração matinal estava forte, mas progredíamos bem. Esse trecho estava repleto de flores e de canelas-de-ema enormes. E mesmo andando em ritmo tranquilo, as 8h15 cruzamos o ponto mais alto de toda a travessia (1678m). A partir desse ponto, a trilha seria predominantemente uma suave descida, com poucas subidas e alguns trechos planos, até o ponto de pernoite, na Casa de Currais.
Por volta das 9h paramos para um lanche com a cerração dando mostras que iria ceder. Alguns minutos depois o tempo abriu de vez e pudemos apreciar a vastidão da Serra do Cipó.

Todo o trecho é muito bonito, mas acabamos acelerando um pouco da metade em diante porque o sol já estava bem forte e certamente o calor iria aumentar. Em um determinado ponto, optamos por não seguir o tracklog e resolvemos contornar uma elevação. Como a sinalização da travessia estava precária, acabamos pegando um caminho errado. Traçamos uma linha reta para interceptar o trajeto correto mais abaixo. Por sorte, naquele trecho não havia nenhuma dificuldade para fazer isso.
No trecho final, começamos a avistar porteiras e algum gado. Por outro lado, para o nosso conforto, surgiu um trecho de mata que terminou pouco antes de chegarmos à Casa de Currais.
Chegamos as 11h30, e batemos um papo rápido com os guarda-parques que estavam na Casa. Nos disseram que se estivéssemos sem barracas, poderíamos dormir dentro da casa (haviam camas sobrando). Também nos ofereceram água e açucar para fazer uma limonada, pois atrás da casa havia um pé de limão galego. Também disseram que o fogão a lenha estava aceso e que poderíamos usá-lo para fazer nossas refeições.
Como estávamos com barracas e todo equipamento de cozinha, deixamos esses "confortos" para quem realmente precisasse. Agradecemos a recepção e fomos montar nossas barracas no (até então) único local sombreado existente.
Aproveitamos o tempo livre para tomar um banho relaxante no riacho atrás da casa e descansar bastante. No final da tarde, subi um pequeno descampado para curtir o por do sol.

Um pouco mais tarde, fizemos nosso jantar (macarrão com molho de atum e queijo parmesão). Depois de alimentados, ainda ficamos conversando um pouco antes de apagarmos nas barracas.
Nesse dia caminhamos 12 km.

Terceiro dia – 14/10/2018
Acordamos ainda mais cedo com o barulho dos pingos sobre as barracas. Será que a chuva que estava prometida para o final de domingo resolveu chegar mais cedo? Saí para dar uma conferida no tempo e, para nossa sorte, era apenas uma nuvem passageira. O tempo ficaria bom, pelo menos na parte da manhã.
Fizemos nosso café sem correria, arrumamos tudo e saímos às 7h para o último trecho da travessia. Deu para perceber que todos os grupos estavam mais “acelerados” do que nos outros dias.
Como de costume, teríamos uma subida curta logo de cara, seguido de um longo trecho plano. Depois de passarmos por uma placa do parque, a descida mais forte começou. E cerca de meia hora depois, chegamos a um dos lugares mais bonitos da travessia: o cânion Boca da Serra. Paramos no mirante para algumas fotos e resolvemos subir a elevação que fica ao lado do cânion. Um visual único, sem dúvida! Ao fundo, já estavam próximas as serras do Bongue e dos Alves, nosso destino.

Optamos por não varar mato a partir do cume (embora não fosse difícil) e voltamos à trilha pelo mesmo caminho. Passamos por uma bonita casa abandonada e a forte descida voltou, agora com trechos bastante erodidos.
Resolvemos não parar na Cachoeira da Lucy e seguimos direto até a Cachoeira dos Cristais. Fizemos uma parada na parte alta da cachoeira para nos refrescarmos com um bom banho, pois o calor já estava bem forte. Ficamos quase meia hora por lá.
Ainda faltavam cerca de 2 km de descida até a estrada e pelo menos mais 1 km até o povoado. Descemos rapidamente e logo entramos em um trecho plano. E, para nossa felicidade, poucos minutos depois encontramos com o Gadetto que já estava a nossa espera. Esperamos o Gilmar e a Alessandra e fomos para o último “desafio” da travessia. Vencer uma ponte pênsil, sem tábuas! Foi, no mínimo, divertido.
Geralmente as vans não conseguem descer a estradinha de terra e aguardam os caminhantes no povoado. O Gadetto conseguiu trazer o carro até bem próximo da saída da ponte e quando chegamos ainda nos ofereceu água e Heineken geladinhas. Melhor cenário impossível.
Seguimos para o povoado e fizemos uma parada programada na Pousada Portal da Serra, do simpático Chiquinho. Eu reservado o almoço com antecedência, mas como chegamos muito cedo, não tinha nada pronto. Para não esperarmos muito e atrasar nossa volta, pedimos uma porção mista (muito bem servida) e uma bela cerveja artesanal de Divinópolis. Enquanto a comida era preparada, liberaram um quarto para tomarmos banho e trocar de roupa. Isso que é acolhimento!
Limpos e bem alimentados, agradecemos e nos despedimos do Chiquinho. Começava ali o retorno até nossa casa, aonde chegamos por volta das 22h.
Nesse dia caminhamos 12,2 km.

Serviços:

- Site oficial: para reserva dos campings e impressão dos vouchers para a travessia. Também tem um link para baixar o tracklog oficial da rota.
https://www.ecobooking.com.br/site3/destinoAtrativo.php?gHtY=ggyv4wahfnqunwgob2p0.

- Pousada Portal da Serra: pousada simples, mas muito acolhedora, no coração da Serra dos Alves. Contatos com Chiquinho pelo celular (31) 99645-2750 ou no site www.pousadaportaldaserra.com.

- Varamato: a agência do Luiz Gadetto é especialista em roteiros como a da Travessia Alto Palácio X Serra dos Alves. E, além de gente fina, o Luiz é um grande conhecedor da região. Vale um dedo de prosa para conhecer o trabalho deles. Contatos pelo celular (31) 97125-6083 ou pelo site www.varamato.com.br.

Fabio Fliess
Fabio Fliess

Published on 10/26/2018 14:32

Performed from 10/12/2018 to 10/14/2018

1 Participant

Letícia Fliess

Views

3974

18
Luiz Crisostomo
Luiz Crisostomo 11/09/2018 08:58

Esse lugar é incrível!

Marcelo A Ferreira
Marcelo A Ferreira 11/09/2018 12:32

muito show. já esta na minha lista de travessia. rsrs

Fabio Fliess
Fabio Fliess 11/12/2018 16:53

Salve Luiz. É incrível mesmo! A região tem muito potencial para inúmeras travessias!!!

Fabio Fliess
Fabio Fliess 11/12/2018 16:54

Fala Marcelo. Valeu meu camarada! Não deixe de ir. Abraços.

Wilson Iwazawa
Wilson Iwazawa 04/10/2019 14:13

E aí Fabio! Vou fazer essa travessia agora na páscoa. Estou na dúvida se levo um saco de dormir de 13 graus ou de 0 graus. Pode me dar uma opinião?

Fabio Fliess
Fabio Fliess 04/10/2019 14:33

Salve Wilson. Boa tarde!!!! Quando eu fiz em outubro, eu levei o de sempre: um saco de dormir de pluma da Deuter (conforto -2). Acho melhor sempre sobrar do que faltar. Eu levaria o de 0 graus. No máximo, ele vira um cobertor. Abraços.

Rafael Vidal
Rafael Vidal 06/21/2019 12:23

Olá, tem contato de transfer saindo de Serra dos Alves para BH ou Itabira?

Fabio Fliess
Fabio Fliess 03/17/2020 08:27

Fala Rafael. Bom dia. Cara, não tinha recebido a notificação com a sua pergunta. Saindo da Serra dos Alves não conheço transfer. Talvez a galera das pousadas de lá saiba informar.

Fabio Fliess

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Montanhista desde que me conheço por gente!!! Sócio e condutor do CEP - Centro Excursionista Petropolitano. Take it easy e bora pras montanhas! Instagram: @fliess

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