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Travessia da Serra Negra - Parque Nacional do Itatiaia

Travessia da Serra Negra - Parque Nacional do Itatiaia

Terceiro relato sobre as três travessias do Parque Nacional de Itatiaia. Todas feitas sem pernoite.

Mountaineering Hiking

Travessia do Rancho Caído – 27/04/2013

Entre 2012 e 2013, eu e alguns amigos e membros do CEP (Centro Excursionista Petropolitano) fizemos as três travessias do Parque Nacional de Itatiaia sem pernoite. Já publiquei aqui no AventureBox relatos sobre as travessias Ruy Braga (setembro/2012) e do Rancho Caído (outubro/2012), com links no final deste relato. Só agora me dei conta que esqueci da travessia da Serra Negra (atual trecho 14 da Transmantiqueira), que foi a mais difícil das três.
Sempre existiu uma burocracia para fazer qualquer travessia dentro do PNI. Em 2013, era preciso fazer um agendamento com antecedência de no máximo 30 dias e no mínimo 7 dias, no site do parque. Esses prazos precisavam ser observados, pois do contrário, você corria o risco de ter seu pedido negado. Isso porque existia (e ainda existe) um limite de pessoas que cada trilha pode receber por dia. Hoje, existem algumas facilidades (vide abaixo, em Dicas).
Na ocasião, eu fiquei responsável por fazer o agendamento para a travessia. Disparei o pedido com exatos 30 dias de antecedência e, cerca de uma semana depois, recebi em meu e-mail a autorização do parque.
Dessa vez, meu amigo Marco Telles teria que ficar de fora, por problemas de saúde. Fomos convidando aqueles que haviam participado das outras travessias, mas com algumas desistências, acabamos chamando outras pessoas do CEP. Em pouco tempo, já tínhamos um grupo de 12 pessoas.
Fizemos como nas duas outras travessias, contratando os serviços de uma van, para facilitar a nossa logística. Deixamos tudo agendado para sairmos de Petrópolis as 3h do dia 27 de abril. Nosso ponto de encontro seria um posto de gasolina no Bingen, já próximo da saída da cidade.
No dia e hora marcados estávamos no posto aguardando a van, que não demorou a chegar. Como o motorista já conhecia bem a estrada, fomos num ritmo bom e chegamos antes das 7h no Posto Marcão. Lá, apresentamos a documentação da reserva e fizemos o pagamento das taxas. O frio estava cortante, o termômetro da portaria marcava abaixo de 1°C e vários trechos da estrada e da vegetação estavam congelados.
Aproveitamos para pegar água numa bica próxima a portaria e por volta das 7h10 tiramos uma foto "oficial" da travessia, com todos os integrantes.

Termômetro no Posto Marcão (Foto Marcelo Garcia)

A galera prestes a começar a pernada (Foto Marcelo Garcia)

O primeiro trecho é enfrentar a estrada que leva até o Abrigo Rebouças, um pouco enfadonho (apesar do visual das montanhas), mas serviu para aquecer um pouco o corpo naquele frio danado. Fizemos uma rápida pausa e logo estávamos na trilha em direção ao Agulhas Negras.
Um pouco antes de um riacho, existe uma bifurcação, onde pegamos a trilha da esquerda, que leva para a Pedra do Altar. Alguns metros acima, outra bifurcação, onde também seguimos para a esquerda. O ritmo da turma era bom e as 9h estávamos todos na entrada da trilha para a Pedra do Altar. Como tínhamos muito chão pela frente, passamos direto.
O trecho até a Cachoeira do Aiuruoca, aonde chegamos pouco depois das 10h, era conhecido pela maioria. A partir desse ponto, seria novidade para todo o grupo. Em consenso, optamos por não descer até o poço da cachoeira ou fazer uma parada, e pegamos a bifurcação para a esquerda. Até ali, já havíamos caminhado cerca de 8,5kms.
O primeiro trecho "novo" segue em boa parte do tempo por dentro da mata, descendo em curva de nível até uma área descampada conhecida como Invernada. Em pouco mais de 3,5kms, tivemos um desnível negativo de 400 metros. Faltando 20 minutos para meio dia, aproveitamos a área e fizemos a primeira parada para um lanche reforçado. Voltando os olhos para a área de onde viemos, avistamos a bonita cachoeira do Mané Emídio.

Depois do lanche, retomamos a caminhada. Alguns minutos depois, cruzamos o rio Aiuruoca e seguimos, sempre descendo, até as Cabanas do Aiuruoca, que estavam mal cuidadas. Não havia ninguém tomando conta, apenas uma placa com o telefone de contato. Na época, havia uma trilha que saía do Alsene e descia direto até essas cabanas, e muita gente fazia a travessia de forma clandestina, usando esse atalho sem passar pela portaria do parque e reduzindo bastante a quilometragem.
Não nos demoramos no local, e seguimos a caminhada. O trecho que leva até a Pousada Pico da Serra Negra é relativamente tranquilo, sem aclives e declives acentuados. A maior parte do tempo, a trilha está sob a mata e cruzamos pelo menos três pontos de água. Nesse trecho, o grupo acabou ficando bem disperso.
Em um desses riachos o grupo se reuniu e seguiu praticamente junto até a pousada, aonde chegamos as 15h30. Como ainda faltavam muitos quilômetros, alguns integrantes do grupo até sugeriram abortar o restante da travessia, mas a maioria optou por continuar e convenceu os "desistentes".
Não ficamos para um papo com o pessoal da pousada porque nesse ponto começa o pior trecho de toda a travessia, uma subida de 500m verticais em cerca de 2,5km de trilha, que tem o singelo nome de "Ladeira da Misericórdia". Começamos a subida um pouco antes das 16h e chegamos ao final as 17h40.
Um pouco antes do "cume", entramos em uma nuvem que aos poucos foi se dissipando e nos presenteou com um pôr do sol cabuloso. Letícia, Rafael, Gustavo, Eduardo, Garcia e eu ficamos por ali um bom tempo curtindo, fotografando e lanchando. O restante da turma não parou para assistir ao por do sol e desapareceu pela trilha.
Começamos o trecho final, que é a descida interminável até o vale de Santa Clara, no escuro. Assim que iniciamos a descida, as lanternas ligadas focaram em dois olhos brilhantes nos espreitando à certa distância. Silêncio total e os olhos nem piscavam! Só quando chegamos bem perto é que percebemos se tratar de um burrico de algum tropeiro.
Começamos a descida, com o cansaço batendo, mas a ideia de que "estava acabando" ainda nos animava. Em determinado ponto da descida, encontramos com mais uma tropa de burros que estavam levando alimentos para o outro lado do vale. Paramos para trocar um dedo de prosa com os tropeiros e, em algum momento, a Letícia fez um comentário sobre as mulas. Um tropeiro se assustou e perguntou: "Ô meu Deus, tem uma muié aí?". Foi uma risada geral...
Nos despedimos e continuamos a descida. No escuro, lembro de pouca coisa. Em determinado ponto, a gente já descia no automático! A Letícia deu uma topada, machucou a unha, e começou a ter muitas dificuldades para caminhar no trecho final.
Para a nossa felicidade, as 21h30 passamos pela última porteira e encontramos a van, onde o restante da turma nos aguardava. Trocamos rapidamente de roupa e seguimos para o centro de Visconde de Mauá, onde encontramos uma pizzaria aberta. Matamos a fome, tomamos umas cervejas (exceto o motorista da van) para comemorar a travessia e só a meia noite pegamos novamente a estrada.
Chegamos em Petrópolis às 3h30 da madrugada, completando assim 24h no ar e mais uma travessia concluída.

Dicas:
- Atualmente, para a travessia da Serra Negra, a capacidade máxima é de 40 pessoas por dia.
- Só é permitida a travessia no sentido Rebouças X Santa Clara.
- A travessia pode ser percorrida em no máximo 2 dias (com pernoite negociado a parte em áreas particulares) ou em um único dia.
- Em caso de pernoite, o mesmo deve ser negociado na Pousada Pico da Serra Negra (35 99965-6515) ou nas Cabanas de Aiuruoca (35 99158-2194).
- O início da caminhada deve ocorrer antes das 10h da manhã.
- Grupos são limitados a 13 participantes, contando com o guia.
- A reserva e a compra dos ingressos podem ser feitos no site criado pela empresa cessionária de Itatiaia (https://parquedoitatiaia.tur.br/).

Participantes:
Fábio e Letícia Fliess, Rafael Guerra, e os amigos e colegas do CEP Marcelo Garcia, Adriano Fiorini, Renato Walter, Raul Hermann, Leonardo Garrido, Átila Garrido, Vinicius Duarte e Gustavo Machado, além do irmão deste último, o Eduardo!

Observação:
No check list, coloquei o material que eu utilizei na ocasião para fazer a travessia em um único dia. Se for pernoitar, podem ser necessários outros equipamentos.

Travessias no PNI:
Travessia Ruy Braga: https://aventurebox.com/fliess/travessia-ruy-braga-parque-nacional-de-itatiaia/report
Travessia do Rancho Caído: https://aventurebox.com/fliess/travessia-do-rancho-caido-parque-nacional-de-itatiaia/report

Fabio Fliess
Fabio Fliess

Published on 03/24/2021 17:02

Performed on 04/27/2013

3 Participants

Gustavo Machado Letícia Fliess CEP

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185

2
Gustavo Machado
Gustavo Machado 03/25/2021 09:38

Eeee saudades!

Fabio Fliess
Fabio Fliess 03/25/2021 09:53

Nem fala @Gustavo Machado!!!

Fabio Fliess

Fabio Fliess

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Take it easy e bora pras montanhas! Instagram: @fliess

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