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Jonas de Paula e Silva 03/06/2022 08:05
    É preciso aprender a desistir.

    É preciso aprender a desistir.

    Montamos o acampamento em meio aquelas nuvens todas, não tinha ideia do espetáculo que nos aguardava.

    Trekking Hiking Camping

    Era dia 20 quando chegamos na Chácara da Bolinha. O tempo estava ensolarado, mas as nuvens já começavam a destoar. Eu, minha esposa e uma amiga (WC) começamos a subida, nossos planos era ir até o Pico Paraná e voltar.

    Já na primeira hora o tempo mudou completamente, começava uma garoa fina e contínua. A trilha logo se tornou um banhado. Começamos a encontrar os primeiros desistentes, que relatavam estar chovendo lá encima.

    Com a chuva e o frio começamos a colocar as roupas de frio. Quando a nuvem dispersava precisávamos sacar a roupa, no entanto logo era preciso vestir novamente.

    Assim que chegamos na rampa do Camapuã o vento passou a castigar sem piedade. Fizemos uma pausa para alimentação. Colocamos mais blusas e iniciamos a temida subida. A rampa parecia um rio, faziam cachoeiras de tanta água descendo. Havia também bastante gente descendo, cada um escolhia um lado da erosão agravando-a ainda mais.

    Chegamos no cume com chuva de verdade. Enquanto preparava um café dei conta que a WC estava encharcada. Questionei o motivo, ela reportou que colocou as blusas e quando precisou tirar deixou do lado de fora da mochila. Foi o primeiro momento que pensei em desistir. Fui contrariado, e, então começamos a descer a cela para Tucum. Nesse momento caiu um toró, a mochila da WC escorria água. Para piorar ela caiu e rolou uns 20 m abaixo. Parei para decidir sobre a continuação.

    Esse tipo de decisão é difícil de tomar. A adrenalina distorce a lógica, somo incentivados a continuar e acreditar que tudo vai se arrumar, que não fará tanto frio, a roupa vai secar e vai dar tudo certo. Acontece que estamos empolgados, com o corpo aquecido, sem fome, empenhados em caminhar e não em ficar refletindo. Mas quando entrarmos no estado de relaxamento, o corpo começar a esfriar, o metabolismo reduzir. O frio vai bater a porta, a roupa molhada não seca a tempo, o vento vai castigar e o psicológico vai jogar do outro lado. Aí vem a espiral que desencadeia os acontecimentos trágicos. Estávamos na linha vermelha, determinei que retornaríamos para a base.

    Os primeiro minutos foram tensos, era o único que tinha certeza que deveríamos voltar. Mas eu havia analisado os riscos de seguir naquelas circunstancias, e conheço uma série de acidentes que se desencadearam do otimismo.

    Subimos a cela novamente e fizemos uma pausa no cume do Camapuã para esperar o trânsito na rampa diminuir.

    Eram 13:30 quando iniciamos a descida da rampa do Camapuã. Não demorou muito e mais um tombo. dessa vez sem rolar. Em seguida veio um terceiro, quarto e quinto tombos, cada vez ficando pior. Terminamos a rampa com a sola da bota da WC só com a metade do solado. Nos primeiros metros da mata a sola foi de vez. Aí começava o verdadeiro desafio, para em pé.

    A cada curva novos tombos ia se acumulando, nas descidas mais íngremes ela sentava e descia escorregando, quando não sentava era certo que descia rolando. As horas foram correndo, antes da metade da trilha a outra bota perdeu a sola.

    Cada vez mais devagar, parando a cada curva para aliviar os arranhões e retomar o fôlego. A tarde foi chegando, e a minha esposa adiantou para ir preparar o acampamento. Chegamos na chácara já era noite. Não fossem as roupas da minha esposa servirem, teríamos de ir para casa ainda, pois tudo estava encharcado.

    Organizamos o acampamento, emprestamos alguns itens e preparamos o jantar enquanto eu tentava traçar outro plano para não perder a semana de folga e todo o planejamento inicial que era fazer uma subida até o Itapiroca no dia 1, até o PP no dia 2, retornar ao Tucum no dia 3 e retornar no dia 4. Também não podia abandonar WC na chácara para que se virasse na volta para a capital.

    Fomos dormir com duas opções em mente, a primeira de ir até a Fazenda PP e sair de lá para o gigante ou recomeçar da chácara depois de levar a WC até um rodoviária ali perto.

    No outro dia amanheceu como prometido pelo tempo, céu azul, sol brilhando. Às 08:30 deixamos WC na rodoviária de Campina Grande do Sul e voltamos para a chácara. Reiniciar a subida.

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    Jonas de Paula e Silva

    Jonas de Paula e Silva

    Campo Mourão - PR

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    Paranaense, apaixonado pela natureza, espirito livre e aberto a novas experiências. Até 2017, quando descobri o termo "montanhista", era apenas "mateiro".

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