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Travessia Marins x Itaguaré

Travessia Marins x Itaguaré

Relato dessa travessia linda, cheia de belezas e desafios, feita em 2 dias.

Camping Mountaineering Trekking

No fim de semana dos dias 01 e 02 de junho realizei o desejo de fazer minha primeira travessia na Mantiqueira, Marins x Itaguaré. Já havia algum tempo que queria fazê-la, por muito ouvir de sua beleza. Fui com o grupo Clube Outdoor, do qual sou administradora, junto com mais 3 amigos que também estavam presentes. Você também pode ler o relato dessa mesma travessia lá no perfil do Clube, que está muito legal.

Nós resolvemos fazer a travessia Marins x Itaguaré já tem algum tempo. O combinado foi fazermos em 2 dias, o que muito me preocupou, porque apesar de saber que ando bem, estar num local sem ponto de coleta de água e onde tem bastante subida e descida, traz uma preocupação. Nossa primeira data pra fazê-la era os dias 18 e 19 de maio, mas nessa época choveu bastante no Rio e em São Paulo, e por segurança adiamos a viagem. Uma semana depois disso os termômetros na Mantiqueira atingiram a temperatura mais baixa do ano. Quem esteve lá esse dia teve sua barraca coberta de gelo ao amanhecer, o que também nos trouxe mais uma preocupação ao arrumar as mochilas, levar o mínimo de coisas para fazer uma trilha leve, mas também não passar frio.

Sábado, dia 01 de junho, Marins

Saímos do Rio de Janeiro na sexta, dia 31, às 21h, em direção a São Paulo. Até chegar em Piquete fizemos uma viagem tranquila, sem muito a relatar. Na subida da estrada para o acampamento base do Marins começaram nossos problemas. Não estávamos com o motorista que geralmente nos leva para nossas aventuras, e esse motorista não se sentiu muito a vontade com a estrada para o início da trilha. Ele avançou até onde pôde, em muitos momentos descemos da van para que ele pudesse passar por locais onde a estrada estava mais esburacada, até que por volta de 2h30 e a cerca de 2km do ponto final da van, decidimos seguir a pé. Chegamos ao acampamento base, tomamos café, ajeitamos nossas mochilas, bastões e recarregamos a água. Éramos em 11 pessoas. Por volta de 4h, ainda noite, começamos a trilha. Seguimos bem, todos em ritmos parecidos, e chegamos até o Morro do Careca em pouco tempo, de onde pretendíamos ver o nascer do sol, mas visto que estávamos bastante adiantados seguimos em frente. Um pouco mais além, percebemos que nem veríamos o nascer do sol de lá, pois estávamos na face da montanha contrária a ele, mas pudemos começar a ver o clarear do dia e com isso o lindo mar de montanhas que deixávamos para trás. O tempo estava bonito, limpo, não fazia muito frio e as nuvens enfeitavam o mar de montanhas, parecendo águas que enchiam os vales.

O lindo mar de montanhas enfeitado de nuvens

Seguimos subindo as pedras, dando a volta na montanha, e chegamos à base da subida para o cume do Marins às 8h, onde deixamos as cargueiras e fizemos um ataque. Um pouco antes de atingir o cume, espessas nuvens invadiram a visão da nossa paisagem, o que não nos tirou a emoção em esperar cada janelinha entre elas pra admirar a vista e tirar fotos. Lá ficamos durante um pouco mais de 1h. Além das fotos, assinamos o livro, descansamos e resolvemos seguir. Na travessia os locais de camping não são poucos, porém que comportem muitas barracas são, então a ideia era garantir nosso acampamento no local previamente planejado, na Pedra Redonda, e agora já outros grupos chegavam ao Marins.

Vista do Marins

Seguimos subindo o íngreme Marinzinho, onde no topo fizemos uma pequena parada para recuperar o fôlego. A partir desse ponto percebemos alguns ritmos diferentes no grupo. Fiquei para trás para fechar o grupo e fomos assim até boa parte do caminho, até que um dos meninos que ficou atrás sentiu bastante cansaço. Já era em torno de 14h e estávamos caminhando desde 4h da madrugada. Nesse momento outro grupo grande se aproximou da gente, o que nos gerou preocupação em perder o camping e termos que caminhar mais, tendo pessoas já cansadas conosco. Então nos separamos, o grupo mais rápido seguiu para o camping e fiquei para trás, eu, uma pessoa com GPS e a parte do grupo mais cansada. Seguimos devagar e parando bastante para o pessoal descansar, chegando ao acampamento cerca de 1h depois do restante do grupo, que conseguiu garantir o camping indo na frente. Montamos as barracas, ajeitamos nossas coisas e ainda tagarelamos bastante até a hora de dormir, era muito cedo quando chegamos, por volta de 17h. E assim acabou nosso primeiro dia de travessia.

Domingo, dia 02 de junho, Itaguaré

No domingo, dia 02, acordamos por volta de 5h. O tempo estava fechado, bastante neblina e um pouco frio, nada absurdo. Eu e mais 3 amigos arriscamos subir até uma pedra que daria para ver o nascer do sol, não custava tentar né rsrs, mas foi em vão, nenhuma possibilidade ver algo no horizonte. As 8h, acampamento desmontado e mochilas arrumadas, seguimos rumo ao Itaguaré. Até a hora de sair o tempo havia melhorado bastante e já o víamos de longe, lindo, imponente entre as outras montanhas. O grupo estava bem, descansado, homogêneo, e assim seguimos descendo e subindo montanhas de pedras.

Ao ver várias montanhas a minha frente, entrepostas entre a gente e o Itaguaré, com descidas e subidas íngremes que ainda teríamos, fez com que eu começasse a me preparar psicologicamente pelo que ainda estaria por vir. Na verdade, com antecedência da trilha já vinha me preparando para essa travessia, pelo fato de ter que levar muita água, diminuir outros pesos da mochila, e por fazer em 2 dias um percurso geralmente feito em 3. Mas a verdade é que o restante do caminho, no segundo dia, foi tão natural e tranquilo, tantas paisagens bonitas ao nosso redor, a caminhada é tão contemplativa que em muitos momentos o cansaço nem teve qualquer destaque. Por volta de meio dia chegamos à base do Itaguaré, onde novamente deixamos as mochilas e seguimos para o ataque ao cume. Assim como o Marins, a subida é toda em pedras, algumas partes íngremes, alguns trepa pedras e chegamos ao tão falado Pulo do Gato, uma pequena fenda que liga uma pedra a outra e é preciso dar um pulo para passar. Do outro lado da fenda tem uma caverna onde, com a incidência da luz, cria a silhueta de um gato, por isso o nome da passagem. Infelizmente não poderei fazer meu relato até o cume do Itaguaré, eu não fiz o Pulo do Gato rsrs. Apesar de subir montanhas e já ter escalado há alguns anos, desenvolvi certa fobia de altura. O Pulo do Gato não é algo difícil de ser feito, mas o fato de ficar na beirada de lugares demasiadamente altos e que eu tenha a dimensão da altura me faz perder um pouco o raciocínio lógico. Preferi não atravessar e fiquei aguardando o restante do grupo voltar. Junto comigo, apenas mais um amigo não passou, ficamos ali conversando e rindo da vista que mais uma vez nos foi completamente tirada pelas nuvens. Depois de cera de 40 minutos o grupo começou a voltar, na hora certa, pois foi eles passarem novamente o Pulo do Gato começou a chover. O que nos fez descer rapidamente o cume do Itaguaré para não acabar correndo risco de descer partes muito íngremes com a pedra tão molhada, e também porque deixamos as mochilas na base sem as capas, erro de principiante rsrs. Por sorte a chuva foi bem rápida, nada suficiente para nos molhar ou o interior das mochilas. E seguimos novamente o caminho, agora rumo ao fim da travessia. E lá se foram mais muitas paradas, agora não por cansaço, mas porque eram muitas fotos, pra cada lado um mar de montanhas diferente, e a nossa frente a beleza da Serra Fina se mostrava entre uma trégua e outra das nuvens que tampavam seu cume, lá longe, no horizonte.

Descemos, descemos, descemos e assim se seguiu grande parte do segundo dia. Já quase no fim nos separamos novamente, um grupo seguiu para o fim da travessia e outro parou para pegar água na pequena cachoeira no fim do caminho. Apesar do medo em relação à água, todos levaram o suficiente e não houve qualquer problema relacionado a isso. Chegamos ao fim da travessia por volta de 18h. O horário combinado com o motorista da van, que ainda não estava lá. Essa, talvez, foi a parte mais preocupante da travessia rsrs. Quando estávamos no cume do Itaguaré tínhamos sinal de celular e o motorista da van já havia avisado que não voltaria e mandaria outra van em seu lugar. Como às 18h não havia van no ponto de encontro, ficamos bastante preocupados. Mas com um atraso de meia hora nossa preocupação se dissipou. A van chegou e seguimos nosso caminho para o Rio, realizados por mais uma travessia concluída com sucesso.

Josye Villela
Josye Villela

Published on 06/13/2019 17:50

Performed from 06/01/2019 to 06/02/2019

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6
Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 06/14/2019 15:09

Que relato irado!

Elton Alberto Brandão
Elton Alberto Brandão 06/15/2019 21:06

parabens

Fabio Fliess
Fabio Fliess 06/16/2019 17:24

Show o relato! Tá na fila pra julho. Vamos ver se rola! Parabéns Josye e a turma do Clube Outdoor. Abs

Josye Villela
Josye Villela 06/16/2019 18:51

Ahh meninos! Muito obrigada! =) Aproveite muito Fabio, aquele lugar é demais!

Marcelo Tartari
Marcelo Tartari 06/17/2019 10:41

Parabéns, Marins x Itaguaré sempre lindo o ano todo

Anselmo Sabino
Anselmo Sabino 06/17/2019 22:32

Quero fazer essa travessia também, mas receio não estar apto para o desafio por falta de experiência.