Partilhar alimentos e valorizar um momento sagrado
Chegou em casa após um dia cansativo. Mal entrou e já foi até a geladeira por estar com fome. Esquentou rapidamente no micro-ondas um pouco de comida que havia sobrado do dia anterior. A família não estava em casa. Aproveitou para atualizar o feed no Instagram e responder as mensagens atrasadas do WhatsApp. Mas esqueceu de sentir o gosto da comida enquanto se alimentava. Você se identifica ou já viveu uma situação parecida!?
Vivemos em um tempo onde a rotina impõe hábitos e costumes que impactam nossa saúde, a forma como nos relacionamos com o meio e com nosso corpo.
Adoramos a frase que diz “Comer é um ato político, social e ambiental” e sempre trazemos em nossos textos compartilhados aqui. Pensando na parte social abordada na frase, lembramos da existência de um termo nada popular intitulado “COMENSALIDADE”. O termo pode não ser muito conhecido, mas está bem presente no nosso dia-a-dia, ou pelo menos deveria estar.
A importância de como nos alimentamos
A palavra comensalidade vem do Latim COMMENSALIS, “o que senta à mesma mesa que outro”. Ou seja, é o ato de sentar-se à mesa para realizar as refeições, compartilhando esse momento com outros indivíduos.
Partilhar os alimentos é uma prática humana que ocorre desde as primeiras civilizações. Com a globalização, modificamos imensamente a forma que nos alimentamos, não apenas “O QUE” comemos mudou, mas também o “COMO” comemos, nos tornando cada vez mais distantes da comensalidade. Isso se torna reflexo de uma alimentação cada vez menos saudável.
Nosso padrão social atual afeta diretamente a forma como nos alimentamos. Nas grandes metrópoles vivemos vidas aceleradas, bombardeadas de informações, o que por muitas vezes faz com que deixemos a alimentação em segundo plano. Isso resume um pouco o porquê do tamanho do sucesso das redes de fast food em uma sociedade capitalista: Comida rápida tal qual ao estilo de vida.
Por que o ato de partilhar os alimentos é tão importante para uma dieta saudável?
Quando comemos sozinhos tendemos a ter menos preocupação com o que consumimos. Muitas vezes até pensamos no porquê de cozinharmos apenas para nós mesmos e acabamos por optar por uma refeição mais prática, algo que podemos comprar pronto e que, preferencialmente, chegue o mais rápido possível.
Sozinhos também temos maior tendência de realizar as refeições assistindo televisão ou utilizando o celular, sem dar ATENÇÃO PLENA ao alimento, o que acaba por nos fazer comer quantidades maiores e nos desconecta de sentidos naturais do corpo, como a fome e a saciedade.
Diversos estudos mostram que indivíduos que preparam suas refeições em casa e compartilham esse alimento em família, tendem a ter um melhor estado nutricional. A participação dos familiares pode ser um fator determinante para uma dieta saudável.
A alimentação básica e sua relação com a nossa existência
Em 2014 o Brasil havia saído do mapa da fome segundo a FAO (Food and Agriculture Organization), mas infelizmente esse cenário promissor vem decaindo nos últimos anos. Notícias recentes demonstram que novamente a fome tem se alastrado no Brasil. Segundo dados do ano de 2020 do IBGE, o Brasil teve aumento de cerca de 3 milhões de brasileiros sem acesso regular à alimentação BÁSICA. Mas afinal, onde queremos chegar com essa informação?
Comida é cultura, transformamos a comida por meio da culinária, a alimentação é cultural, social e acima de tudo primordial para nossa existência. Sem alimento não existimos. Dentro da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional – LOSAN (Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006) existe um conceito chamado Segurança Alimentar e Nutricional – SAN, a qual diz que é um direito de TODOS ter acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.
Ou seja, a SAN é um dever do Estado, mas na prática ela não ocorre. Na prática existem seres humanos que não possuem o que comer, nem com regularidade, nem permanentemente e muito menos com qualidade e quantidade suficientes.
E onde está a relação do conceito de comensalidade com o conceito de SAN e a fome no Brasil?
É fundamental a identificação de privilégios, como o privilégio de ter uma mesa em abundância, rodeada por pessoas que amamos, para que possamos valorizar a comensalidade, e fazer da alimentação nosso momento sagrado valorizando além do alimento, as tão importantes relações humanas.
A comensalidade: a prática da trilha e o camping
Para quem ama praticar trilha e camping, já deve estar acostumado em partilhar os alimentos nas aventuras com os amigos. Em contato com natureza, esse ato se expande promovendo inúmeros benefícios positivos ao nosso organismo. E que tal realizamos essa atitude não só na montanha, mas também na selva de pedra? O seu corpo, mente e espírito agradecem.
Receita para praticar a comensalidade (no camping ou na cidade)
- 1 Maço de espinafre
- 2 Tomates
- 1 Cenoura
- 200g de requeijão cremoso
- Alho, cebola e pimenta a gosto
- 200 gr de queijo fatiado
- 10 unidades de massa de pão semi pronta (tipo panqueca)
Em uma vasilha, corte o tomate, rale a cenoura e deixe separado. Após isso, usando uma frigideira leve ao fogo médio e refogue o espinafre por um período de 2 minutos. Despeje o tomate cortado, a cenoura ralada, o requeijão e o tempero e deixe ao fogo por um período de 4 minutos.
Ao término dos 4 minutos, use esse recheio para passar na massa de pão semi pronta e inclua uma fatia de queijo para derreter com o calor do recheio junto com a massa.
Consciência e alimentação devem caminhar juntos
Buscamos falar muito sobre temas relacionados ao meio ambiente e ao cuidado que devemos ter com a natureza e todas as formas que nela habitam. Nós, seres humanos, fazemos parte do todo, parte da natureza, também somos uma forma que nela habita. Nada mais belo do que a consciência de que precisamos cuidar de nós, cuidar da nossa mente, do nosso corpo e daqueles que nos cercam. Partilhar os alimentos em um momento alegre, com os familiares e amigos é uma excelente forma de colocar esse conceito em prática. Ame-se, cuide-se, valorize-se, só assim teremos força para cuidar do todo.
Artigo escrito pelo Grupo Montanheros. Conheça mais em @grupomontanheros
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