/abcdn.aventurebox.com/production/uf/5650c9bf75792/adventure/61cdf6bea4939/61cdf8f9bfa9d-2.jpg)
Travessia Cassino x Chuí -
Nosso desafio consistia em percorrer os 230 km da maior faixa contínua de areia do mundo, caminhando da Barra do Rio Grande - RS, nos molhes de entrada para a Lagoa dos Patos no Balneário do Cassino, até a Barra do Arroio do Chuí, na fronteira com o Uruguai.
Em nenhum momento caminhamos só nós dois. Foi uma travessia de vários amigos. Os que estavam torcendo por nós desde o início e os que foram feitos por lá, tanto humanos, quanto dogs.
A receptividade das pessoas de lá é gigante. Logo quando começamos na Praia do Cassino, várias pessoas vinham nos perguntar até onde iríamos e ao responder que a nossa intenção era chegar até o Chuí caminhando e carregando tudo que tinhamos nas costas, era "Baah" atrás de "Baah" - e muitas energias de boa sorte e proteção nos eram desejadas.
Um senhor que tinha passado por nós durante sua corrida matinal nos cumprimentou e logo escutamos um apito. Era ele chamando por nós, falando a seguinte frase: - algo me fez parar e falar com vocês, não sei, acho que foi Deus que mandou eu dar este apito para vocês. Ficamos sem resposta na hora mas aceitamos, falamos muito obrigado e concordamos que poderia ser útil e o senhor logo respondeu algo me fez entregar ele para vocês, não sei os planos de Deus. Desejou boa sorte e se foi.
Alex, um paulista que também estava fazendo a travessia e que conhecemos logo de cara. No decorrer dos kms sempre nos encontrávamos.
Bruno, um soldado que trabalha no Farol do Albardão, ao qual nos recebeu super bem, nos deu água, mostrou o farol e que nos desejou boa sorte.
Bruna e Eliezer, que nos deram uma carona no trecho chegando ao Balneário Hermenegildo. Também nos mostraram a Lagoa da Mangueira, que de outro modo nunca teríamos conhecido e as bandeiras de quem faz essa travessia. Um local onde todos passam e deixam algo.
Sim, no final pegamos uma carona. Nossos pés infelizmente estavam em carne viva.
A travessia é linda, mas no verão é muito dura e nossos pés aguentaram somente até o km 190. Ao chegarmos aqui, para nós essa travessia já estava concluída, pois tínhamos passado e vivido tudo o que aquele lugar tinha a oferecer.
Para o final deixei os nossos mais sinceros amigos: Cassino, o primeiro dog que nos adotou, ficando conosco até o quarto dia da travessia. Comendo, dormindo e cuidando da gente.
Depois veio a quadrilha: Verga, Sarita, Albardão e Hermenegilda, que nos acompanharam e nos protegeram até pegarmos nossa carona. Deixamos toda a nossa água para eles e o casal que nos acolheu, sedeu a comida do seu dog para alimentár-los.
Deixamos com o coração partido, mas seguimos nosso caminho, como teria de ser cedo ou tarde. Até mais amigos. Jamais esqueceremos de todos vocês!
Mais importante do que o chegar, é o ESTAR.
Na Praia do Cassino não contamos km, estávamos apenas presentes o tempo todo, vivenciando e admirando tudo aquilo.
