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BARÃO DE GUAICUÍ E REGIÃO

BARÃO DE GUAICUÍ E REGIÃO

Passeios leves à pé, de bicicleta e de carro pela região de Barão de Guaicuí e Conselheiro Mata. Trilha Verde da Maria Fumaça.

Hiking Mountain Bike Waterfall

Feriado de Corpus Christi na quinta e quatro dias de folga pela frente. Mas para onde ir em meio à pandemia da COVID 19? O destino escolhido foi o vilarejo de Barão de Guaicuí, no município de Gouveia, local relativamente isolado e que abriga inúmeros atrativos naturais, culturais e arqueológicos, dentre eles o Vale do Pasmar e a Trilha Verde da Maria Fumaça, ambos compondo algumas das mais belas paisagens da Cadeia do Espinhaço.

Partimos de BH na quinta de manhã e chegamos em Barão de Guaicuí por volta das 11 horas, onde nos instalamos na Hospedaria da Nice, uma das poucas opções locais, que atendeu satisfatoriamente às nossas necessidades de alimentação e dormida. Com o Sol a pino e sem muito tempo hábil para iniciar uma caminhada, aproveitamos o tempo para tomar algumas cervejas, almoçar, obter informações e relaxar. Por volta das 15 horas pegamos as bicicletas e fomos pedalar em um trecho da Trilha Verde da Maria Fumaça.

A Trilha Verde da Maria Fumaça é um caminho sobre o antigo ramal ferroviário inaugurado em 1914 pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, que, em 1923, o repassou à Estrada de Ferro Central do Brasil. A ferrovia tinha 145 quilômetros de extensão e interligava a estação de Corinto, antiga Curralinho (607m de altitude), à estação de Diamantina (1.261m de altitude), passando por outras estações como: Roça do Brejo, Santo Hipólito, Monjolos, Rodeador, Conselheiro Mata, Barão de Guaicuí e Guinda. O ramal foi desativado em 1973. No ano de 2000, teve início uma mobilização comunitária para transformar o antigo ramal ferroviário Corinto-Diamantina na primeira trilha ferroviária do Brasil, hoje bastante frequentada por ciclistas e caminhantes.

Percorremos uma distância de aproximadamente 5,5 km até o pontilhão do rio Pardo Pequeno, com diversas paradas pelo caminho para contemplar as belas paisagens rupestres e serras do entorno, tirar fotos e até acompanhar a passagem de uma simpática cobra-cipó (Chironius flavolineatus) que cruzava lentamente a trilha. Apesar de curto, o passeio foi útil para nos dar uma ideia do nível de dificuldade do trajeto, pois tínhamos programado percorrer uma distância maior no sábado. Como o ganho de elevação ao longo do percurso é bastante suave, é possível percorrer maiores distâncias sem grande esforço.

No retorno ainda fomos visitar a antiga estação de Barão de Guaicuhy e depois seguimos para a hospedaria, onde tomamos mais algumas cervejas, petiscamos uma porção de linguicinha com fritas e formos dormir, com a temperatura caindo rapidamente no início da noite.

Trilha Verde da Maria Fumaça próximo ao povoado de barão de Guaicuí

Giselle trocando ideia com uma simpática cobra-cipó (Chironius flavolineatus) que cruzava a trilha no meio da tarde.

Pontilhão sobre o rio Pardo Pequeno, uma das atrações da Trilha Verde da Maria Fumaça.

No segundo dia acordamos cedo, tomamos o café da manhã e fomos caminhar pelo Vale do Pasmar, rumo à cachoeira de mesmo nome. Trata-se de uma extensa planície cercada de morros e serras, que abriga uma exuberante e curiosa flora rupestre, compondo um belíssimo e delicado jardim natural. Além da beleza cênica, a região abriga diversos sítios arqueológicos com pinturas rupestres. Logo no início fomos surpreendidos por uma enorme quantidade de “flocos de algodão” espalhados em meio à vegetação rasteira. Trata-se de uma espécie de sempre-viva que encontrou um curioso sistema de proteção contra a insolação e perda de umidade, na forma de um enovelado de fibras brancas.

Paramos e tiramos fotos em dois sítios arqueológicos com pinturas rupestres pelo caminho, até chegarmos à cachoeira do Pasmar, onde passamos algum tempo. Aventamos a possibilidade de escalar um dos morros, mas, as características do relevo escarpado e intensamente fraturado acabaram por nos desencorajar. Decidimos então cruzar um vale até o rio Pardo Pequeno, na esperança de encontrar um caminho que nos levasse de volta até a Trilha Verde da Maria Fumaça, o que não aconteceu, nos obrigando a retornar depois de algumas tentativas infrutíferas de seguir por trilhas feitas pelo gado em meio à mata. Ainda assim, fomos brindados na volta por um belo Sol de final de tarde iluminando com tons dourados todo o Pasmar. Finalizamos nossa aventura ao anoitecer, depois de 26,5 km ao longo de 10 horas de caminhada.

Caminhada no Vale do Pasmar

Pequenos cursos de água quase parada ao longo do caminho.

Curiosos “flocos de algodão” espalhados por toda a região. Na realidade uma estrutura de uma sempre-viva, utilizada para reduzir a perda de umidade na seca.

Sítios arqueológicos com pinturas rupestres por toda a parte.

Parte de cima da cachoeira do Pasmar.

Belas formações rochosas contrastando com os campos cobertos por gramíneas e sempre-vivas.

Momento mágico no final da tarde com o Sol iluminando a serra.

Sábado foi dia de mais um pedal na Trilha Verde da Maria Fumaça. Desta vez fomos até o povoado de Mendes, distante cerca de 12 km de Barão de Guaicuí. Pelo caminho fizemos algumas paradas em sítios arqueológicos previamente mapeados (Mendes 1 e 2), o que enriqueceu bastante o passeio. Tivemos tempo de retornar para o almoço e sair novamente, às 15h, para uma caminhada até a Serra do Coco, distante 10 km da hospedaria, onde fizemos uma ascensão ao cume do pico maior (1.390m), passando inicialmente por um belo lajeado na base, recoberto por exuberante vegetação rupestre típica da região. O ataque ao cume foi feito na base da tentativa e erro, com alguns pontos bastante expostos de escalaminhada em blocos de rocha.

Alcançamos o cume às 17 horas, quando o Sol já estava se pondo, nos dando tempo apenas para algumas rápidas fotos, seguida de uma descida tensa, antes do anoitecer. Felizmente não encontramos maior dificuldade e retornamos à base sãos e salvos, ainda a tempo de contemplar um belíssimo pôr do sol iluminando as serras do Pasmar ao fundo. A volta para a hospedaria foi feita já no escuro, aonde chegamos às 19 horas para brindar mais um final de dia com cerveja e uma conversa animada com o casal Denio Pessoa e Gleycilene Linhares, de João Monlevade – MG, que também estavam se aventurando por lá.

Na Trilha Verde da Maria Fumaça, sempre acompanhado de belas paisagens, como essa do rio Pardo Pequeno.

E os pontilhões reformados que agora recebem ciclistas e caminhantes.

À tarde fomos caminhar até a Serra do Coco, ao fundo.

Com uma vista fantástica do cume do pico maior, alcançado às 17 horas, depois de uma forte escalaminhada.

Encerrando o dia com mais um belo final de tarde após a descida do pico, com o vale do Pasmar ao fundo.

No domingo, quarto e último dia, acordei cedo e fui caminhando, em meio à uma leve garoa, até a cachoeira do Barão, cartão postal do vilarejo, localizada cerca de 1.500m da hospedaria. Tomamos o café da manhã, arrumamos as tralhas e seguimos viagem rumo a Conselheiro Mata, pela estrada de terra que liga Diamantina a Corinto (MG-220). Pelo caminho, uma sucessão de belas paisagens e sítios arqueológicos, com paradas em algumas pinturas rupestres mais próximas e acessíveis (Lapa de Moisés Leste, Lapa do Moisés e Lapa da Vargem), deixando as demais para uma próxima oportunidade, com mais tempo.

No início da tarde, já próximo a Conselheiro Mata, demos uma esticada até a cachoeira do Telésforo, outro cartão postal da região, com suas extensas praias de areia branca. O responsável pelo local (Jorge) nos deixou entrar sem pagar (R$ 30,00 por pessoa), já que a ideia era apenas conhecer a região, pois ainda tínhamos que retornar para BH.

Enquanto a Giselle caminhava pela areia, eu aproveitei para conhecer a parte alta da cachoeira, onde o rio forma quedas menores e diversos poços. Na descida fui atacado por marimbondos, situação presenciada por quem estava me observando lá de baixo. Felizmente foram apenas duas ferroadas.

Apesar de se tratar de um balneário bastante frequentado, possui uma extensa área com locais mais isolados e tranquilos, inclusive para acampamento. Isso sem falar na paisagem espetacular formada pelos bancos de areia ao longo do rio e por uma majestosa cachoeira. Só indo lá para entender!

Para finalizar o passeio ainda demos uma rápida passada em Conselheiro Mata, onde paramos num boteco para tomar um guaraná. Este povoado, embora pequeno, possui uma infraestrutura um pouco melhor que a de Barão de Guaicuí, com mais opções de pousada. Por isso, pode ser uma alternativa interessante como base para conhecer toda a região.

Cogitamos em visitar a cachoeira da Fadas, bem próxima ao vilarejo, mas já era tarde e tivemos que seguir viagem. No caminho ainda passamos por Rodeador, Monjolos e Santo Hipólito, que fazem parte da Trilha Verde da Maria Fumaça. Em Monjolos passamos próximo à gruta Pau-Ferro, cuja entrada fica em um belo paredão calcáreo escarpado. Também ficou para uma próxima oportunidade.

Já na BR-040, apesar da grande quantidade de carros e caminhões, o trânsito fluía bem... até próximo a Ribeirão das Neves, onde pegamos um enorme congestionamento. Para piorar, o tanque do carro estava na reserva e, naquele anda e para interminável, não chegaríamos até o próximo posto de gasolina. Felizmente o Google Maps apontou um atalho mais rápido por um bairro residencial, que nos salvou do sufoco, levando rapidamente até um posto onde pudemos abastecer e prosseguir tranquilamente até BH.

No caminho para Conselheiro Mata, mais paisagens e sítios arqueológicos com pinturas rupestres.

Pinturas rupestres na Lapa do Moisés. Algumas não escaparam dos rabiscos feitos por pessoas com acentuada deficiência educacional, que infelizmente frequentam o local.

No meio da tarde de domingo, uma passada rápida na cachoeira do Telésforo, próximo a Conselheiro Mata.

André Jean Deberdt
André Jean Deberdt

Published on 06/16/2021 16:59

Performed from 06/03/2021 to 06/06/2021

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Daniel Wardil
Daniel Wardil 06/18/2021 15:48

Fui aí n último carnaval antes da Pandemia. Lugar massa dimais

André Jean Deberdt
André Jean Deberdt 06/18/2021 16:03

Pois é Daniel, também não conhecia e fiquei encantado. Na próxima pretendo ficar em Conselheiro Mata, que possibilita uma exploração mais ampla de toda a região. Mas com a pandemia preferi Guaicuí, que é mais isolado.

André Jean Deberdt

André Jean Deberdt

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Biólogo e montanhista filiado ao Centro Excursionista Mineiro.

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