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SERRA DE CAMBOTAS

SERRA DE CAMBOTAS

Altiplano de grande beleza cênica localizado próximo à cidade de Barão de Cocais, MG.

Hiking

Início da caminhada no alto da Serra de Cambotas, rumo ao Pico da Bandeira.

A Serra de Cambotas está localizada próximo ao distrito de Cocais, no município de Barão de Cocais, porção nordeste do Quadrilátero Ferrífero. Sob o ponto de vista Geológico, constitui o limite meridional da Cadeia do Espinhaço. Apesar dos impactos visíveis da pecuária e de queimadas, a região ainda guarda belas paisagens, dentre elas, os raros e belos campos ocupados por canelas-de-ema-gigantes (Vellozia gigantea), espécie endêmica e ameaçada de extinção. A serra é cortada por diversas trilhas, o que facilita bastante o deslocamento pela região. Junto a ela, encontra-se a Serra do Garimpo, conforme denominação local, que abriga diversas cachoeiras e um sítio arqueológico conhecido como Pedra Pintada, com belos painéis repletos de pinturas rupestres.

Ainda em meio à pandemia da COVID-19 e com limitação de acesso na maioria das unidades de conservação da região, pensei em conhecer esse maciço montanhoso isolado no extremo Sul da Cadeia do Espinhaço. Em uma consulta ao Google Earth, mapeei algumas trilhas e encontrei uma estradinha que leva a um ponto próximo ao altiplano, reduzindo assim o tempo de deslocamento a pé e necessidades logísticas mais complexas.

Saímos de BH por volta das 6h e 30min da manhã rumo a Barão de Cocais, via Caeté, para escapar da temerosa BR-381. A partir do distrito de Cocais, pegamos uma estradinha de terra até o alto da serra. Estacionamos próximo ao início da trilha, junto a uma propriedade da Vale S.A., onde uma placa alertava sobre a proibição da presença de animais no local. Avaliamos o risco e decidimos continuar, mesmo assim.

Iniciamos a caminhada seguindo em direção ao Pico da Bandeira (1.400m), ponto culminante da Serra. Não há maiores dificuldades de orientação pela região, uma vez que as diversas trilhas existentes são visíveis a distância. As referências visuais também estão em destaque, o que torna o deslocamento entre um ponto e outro bastante tranquilo e agradável.

Com baixa umidade do ar e temperaturas acima de 35 graus, a ideia não era caminhar muito, apenas o suficiente para conhecer a região. Seguimos em direção ao pico, passando por belíssimos campos repletos de canelas-de-ema-gigantes, em uma paisagem única. Apesar dos exemplares não atingirem a mesma altura daqueles encontrados na Serra do Cipó (6 metros ou mais), possivelmente como resultado da ação frequente do fogo, ganham em número, pontuando a extensa campina recoberta com capim ralo.

Além de algumas casinhas isoladas, cercas de arame farpado, currais para o gado, torres de celular no alto de um morro e algumas estradas dispostas de forma geométrica em um ponto do altiplano, possível indicativo da intensão de implantação de um condomínio por lá, uma linha de transmissão de energia também cruza a serra, atribuindo ao local um aspecto peculiar, que costumo chamar de “paisagem cultural”, ou seja, um local que, apesar da interferência do homem, ainda guarda certa beleza e encanto próprios.

Subimos até o cume contornando o pico pela esquerda, junto às escarpas da serra, por uma trilha íngreme em meio ao campo rupestre, com alguns pequenos lances de escalaminhada no trecho final. Lá do alto, tivemos uma bela vista de toda a região, apesar do horizonte esfumaçado pelos incêndios florestais dos últimos dias. Ainda assim, conseguimos ver a silhueta das principais serras no entorno, dentre elas o maciço do Caraça, a Serra da Piedade e, bem ao norte, a Serra do Lobo próxima ao povoado de Cabeça de Boi e a Serra do Cipó, de onde uma coluna de fumaça anunciava mais um incêndio de grandes proporções.

Descemos do cume e retomamos a trilha, contornando o pico, em um trajeto circular que nos levou de volta ao local onde havíamos estacionado o carro. Às 13h concluímos nossa curta, mas agradável caminhada de 8km, realizada em 3 horas.

Tentamos seguir de carro até a parte sul da serra, por uma das muitas estradinhas de terra existentes por lá, mas um portão com cadeado impediu o nosso progresso. Retornamos para Cocais e pegamos a estrada que segue para o sítio arqueológico da Pedra Pintada, na Serra do Garimpo, que estava fechado em decorrência da COVID-19. De lá, continuamos pela estrada, cortando áreas com extensos eucaliptais, até o local conhecido como Canela de Ema Adventure Park, também fechado, mas de onde tivemos uma bela vista da porção Sul da Serra, com o relevo bastante escarpado.

Continuamos seguindo pelo labirinto de estradinhas em meio aos eucaliptais, com alguns trechos coincidindo com o Caminho dos Diamantes da Estrada Real, que liga Diamantina a Ouro Preto, orientados pelos aplicativos Google Maps e Maps.Me, até chegarmos em Caeté, onde fizemos uma rápida parada para tomar um refrigerante. De lá, retornamos para BH, via Sabará.

Serra de Cambotas, em meio às canelas-de-ema-gigantes.

Foto ao lado das canelas-de-ema-gigantes (Vellozia gigantea). Embora não sejam tão altas quanto as da Serra do Cipó, a quantidade delas por aqui é bem maior.

Trecho inicial da subida ao cume do Pico da Bandeira (1.400m).

Alguns pequenos lances de escalaminhada pelo caminho.

Tradicional foto ostentando, com orgulho, o lábaro do nosso clube!

Desescalando o Pico da Bandeira.

De volta à trilha, contornando o Pico da Bandeira.

Quase no final da caminhada, próximo ao córrego Cocais.

André Jean Deberdt

André Jean Deberdt

Belo Horizonte - MG

Rox
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Biólogo e montanhista filiado ao Centro Excursionista Mineiro.

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