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TRAVESSIA ALTO PALÁCIO - SERRA DOS ALVES

TRAVESSIA ALTO PALÁCIO - SERRA DOS ALVES

Descritivo detalhado da travessia no Parque Nacional da Serra do Cipó, realizada em três dias.

Trekking Camping

APRESENTAÇÃO

Apesar de oficialmente aberta em outubro de 2015, a Travessia Alto Palácio – Serra dos Alves já era um roteiro conhecido por excursionistas, com algumas poucas variações no traçado, que aproveita antigas trilhas do Parque Nacional da Serra do Cipó, que há muito tempo não vinham sendo utilizadas.

A criação de roteiros oficiais, como o dessa travessia, tem como objetivo principal normatizar, minimamente, o uso dessas trilhas, visando aumentar a segurança para os usuários e reduzir os impactos ambientais negativos resultantes da presença, cada vez maior, de pessoas se aventurando no interior desta unidade de conservação.

Em 2009, montanhistas e condutores iniciaram um diálogo com o Parque, com o intuito de viabilizar a implantação de roteiros oficiais de travessias na Serra do Cipó. A iniciativa ganhou força em 2012 resultando no Projeto Piloto Travessias do Parque Nacional da Serra do Cipó, desenvolvido por um corpo de voluntários.

O traçado da travessia coincide com o da trilha de longo curso Transespinhaço, no trecho que esta cruza o PARNA da Serra do Cipó. Por este motivo, foi adotada a sinalização padrão caracterizada pela pegada dentro de uma seta.

Maiores detalhes sobre a travessia (roteiro, mapas e curiosidades) podem ser obtidos no Guia Prático da Travessia Alto Palácio - Serra dos Alves, diponibilizado em pdf pelo ICMBio no link: https://www.icmbio.gov.br/parnaserradocipo/images/stories/guia_do_visitante/Guia%20Travessia%20Alto%20Palacio%20Serra%20dos%20Alves.pdf

PRIMEIRO DIA: ALTO PALÁCIO - CASA DE TÁBUAS (18 km)

Trecho 1: Sede do Alto Palácio até a Lapa dos Veados

Distâncias aproximadas para referência:

  • Alto Palácio até a passagem pela cerca de arame: 4,5 km;
  • Alto Palácio até o início da descida da serra: 6,5 km;
  • Alto Palácio até as pinturas rupestres: 8,2 km.

Situada no município de Morro do Pilar-MG, junto à rodovia MG-010, a casa do Alto Palácio (alt. 1.320m) foi a primeira infraestrutura edificada no Parque Nacional da Serra do Cipó. Inaugurada em 27/09/1984, praticamente na mesma data do decreto de criação do Parque (25/09/1984), funcionou como sede administrativa durante os primeiros anos desta unidade de conservação e hoje serve como base de apoio a brigadistas e pesquisadores, além de ponto inicial da travessia, no sentido preferencial (Norte a Sul).

Neste primeiro trecho da travessia, serão cerca de 8 km de caminhada sentido Sul, ao longo do limite entre os municípios de Santana do Riacho e Morro do Pilar, pela região conhecida como Alto Palácio, até as pinturas rupestres situadas no entroncamento com a trilha que liga Duas Pontes ao Travessão. A altitude média do trecho é de 1.450 metros.

A trilha tem início no pórtico de madeira que identifica a travessia e um dos trechos da trilha de longo curso Transespinhaço (pegada na seta). Segue margeando a rodovia MG-010 por 750 metros, até encontrar a cerca que marca o limite do Parque, onde faz uma guinada para a esquerda, em direção à estação climatológica da UFMG, instalada no alto de um morrote (alt. 1.420m). A partir desse ponto, amplas paisagens tomadas por campos rupestres e extensos prados passam a compor o cenário da trilha, em uma região muitas vezes fustigada por fortes ventos e pela temida “Corrubiana”, fenômeno meteorológico caracterizado por ventos frios e forte cerração , que já fez muita gente se perder nesse alto de serra.

À esquerda da trilha pode-se avistar todo o vale do Salitreiro, afluente do rio Preto, região belíssima, porém, de difícil acesso, categorizada como Zona Intangível no Plano de Manejo do PARNA da Serra do Cipó. À direita é possível observar o complexo montanhoso da Lapinha da Serra, com destaque para o Pico da Lapinha (alt. 1.686m) e o Pico do Breu (alt. 1.687m), além das escarpas que formam o Cânion das Éguas e a região do Alto Palácio cortada pela MG-010.

Apesar da fase inicial de aclimatação à trilha e ao peso das mochilas cargueiras, o caminhante costuma experimentar uma sensação prazerosa nesse início de travessia, favorecida pelo percurso pouco acidentado, em meio ao relevo suave e levemente ondulado do alto da serra.

Após cruzar duas vezes a cerca de arame (km 4,5 e km 4,9) a trilha passa por trás da cumeeira que dá acesso ao topo da Pedra do Elefante, formação rochosa avistada da rodovia MG-010, na região conhecida como Duas Pontes, que lembra a forma de um elefante.

No km 6,2 (alt. 1.490m), uma lápide sinalizada com a pegada da Trilha Transespinhaço marca o início do trecho de descida para as pinturas rupestres, onde se descortina, de forma majestosa, a Serra do Cipó e os seus principais acidentes: o vale do Bocaina à direita, o Travessão à esquerda, a Serra das Bandeirinhas e o morro do Doutor ao fundo. Sem dúvida um dos mais belos cenários da travessia. Pare, contemple e respire!

A trilha desce em meio à região das cabeceiras do córrego Capão da Mata, afluente do Ribeirão Bocaina, que irá formar, mais à frente, o rio Cipó. Em alguns trechos é fácil notar as turfeiras, caracterizadas pela coloração preta do solo hidromórfico, rico em matéria orgânica e recoberto por gramíneas adaptadas a áreas mais úmidas, que funcionam como uma esponja que acumula e libera a água da chuva aos poucos, fundamental para a manutenção do equilíbrio hídrico da região. Trata-se de um trecho de alta sensibilidade ambiental, sujeito ao desencadeamento de processos erosivos, especialmente em decorrência da abertura de trilhas secundárias e atalhos em terreno íngreme. Por isso, mantenha se na trilha oficial!

Aproveite para matar a sede no pequeno córrego à esquerda, próximo ao final da descida, onde existe mais uma pedra sinalizada com a pegada (km 7,4; alt. 1.325m).
Antes de chegar às pinturas rupestres, ainda é preciso cruzar dois prados, um menor, com capim um pouco mais alto, que termina em um pequeno braço do córrego Capão da Mata, seguido de outro mais extenso, com capim mais ralo. Basta seguir a trilha bem marcada no terreno.

Após cerca de 8 km, ao chegar no entroncamento com a trilha que liga Duas Pontes ao Travessão, junto às pinturas rupestres dos veadinhos, a sinalização da Transespinhaço (pegada preta dentro de uma seta com fundo amarelo) indica o caminho a seguir, rumo ao Travessão.
Aproveite o local para uma rápida parada. Aprecie as pinturas, tire fotos, reúna o grupo e siga para o Travessão, onde existe uma área mais apropriada para descanso, lanche e banho de riacho, cerca de 1,5 km a diante.

Situada junto à rodovia MG-010, a casa do Alto Palácio foi a primeira infraestrutura edificada no Parque Nacional da Serra do Cipó em 1984. Hoje funciona como base de apoio a brigadistas e ponto inicial da travessia, no sentido preferencial (Norte a Sul).

Trecho inicial da travessia onde toda a Serra do Cipó se descortina a nossa frente.

Descida da Serra do Alto Palácio rumo às pinturas rupestres na Lapa dos Veados. As nascentes e drenagens dão origem ao córrego Capão da Mata, que forma o ribeirão Bocaina e, mais à frente, o rio Cipó.

Pinturas rupestres na Lapa dos Veados

Trecho 2: Travessão e cabeceiras do rio do Peixe

Distâncias aproximadas para referência:

  • Lapa dos Veados até o Travessão: 1,3 km
  • Travessão até a região das cabeceiras do rio do Peixe: 1,8 km

A Lapa dos Veados (pinturas rupestres) fica no entroncamento de trilhas que seguem para o Alto Palácio, para a região conhecida como Duas Pontes (MG-10) e para o Travessão, próximo destino da travessia. O caminho a ser seguido está sinalizado em uma lápide (pegada preta na seta com fundo amarelo). Ao longo da descida para o Travessão existem diversas trilhas secundárias, por isso, muita atenção. Opte sempre pela da esquerda nas travessias dos dois pequenos córregos. Próximo à chegada ao Travessão, você deve estar do lado esquerdo destes cursos d’água.

Divisor de águas das bacias do Rio Doce e São Francisco, o Travessão é a principal ligação entre dois trechos da Serra do Cipó. Trata-se de uma estreita passagem que separa o vale do rio do Peixe, a Leste, e o córrego Capão da Mata, a Oeste. Este último desemboca no ribeirão Bocaina que, junto com o ribeirão Mascates, forma o rio Cipó. Costuma ser erroneamente denominado como “Vale do Travessão” ou “Cânion do Travessão”. Neste caso, o referido vale ou cânion tão falado e fotografado é, na realidade, a belíssima região formada pelas escarpas do vale do rio do Peixe.

Ao chegar ao Travessão (km 11; alt. 1.080m), você certamente ficará encantado com uma paisagem espetacular, sem dúvida uma das mais belas do Parque. Mas não gaste todo o rolo de filme no primeiro momento. No local existem três principais mirantes, sendo o terceiro, no alto da ombreira Sul, o melhor ponto para contemplação. Para chegar até ele, cruze o travessão e suba pela trilha à esquerda, indicada pela sinalização da pegada na seta. Este é, sem dúvida, o melhor ponto de observação, de onde é possível ver, tanto o Travessão (divisor de águas), quanto as escarpas do vale do rio do Peixe. Entendeu a diferença?

A trilha pode ser retomada um pouco mais à frente e à direita, até uma área descampada situada cerca de 150m do mirante, onde pessoas, avisadas e desavisadas, costumam acampar clandestinamente (só é permitido acampar no entorno da Casa de Tábuas e Currais). Saindo um pouco da trilha pela esquerda, pode-se caminhar até o rio do Peixe (ainda um pequeno córrego!), onde há locais agradáveis para descanso e banho. Subindo pelo leito do córrego, há uma pequena cascata. Descendo o leito pelas pedras, há um pequeno poço, chamado por muitas pessoas de “poço do Ofurô”, com uma vista privilegiada para as escarpas. Mas não demore muito neste local. Lembre se que a caminhada no primeiro dia é longa e o próximo trecho é uma extensa subida da serra.

A trilha, bem marcada no solo, continua sentido Sul, inicialmente ao longo da margem esquerda do rio do Peixe, que deve ser cruzado duas vezes num intervalo de aproximadamente 400m. Fique atento e mantenha-se sempre na trilha mais batida, pois ainda existem algumas bifurcações discretas nessa região, que dão acesso a pequenos pocinhos. Após atravessar o corpo d’água pela segunda vez, a trilha vira para o sentido Leste e adentra a região das nascentes do rio do Peixe.

Antes de seguir, aproveite para abastecer os recipientes de água. No período seco do ano os cursos d’água a seguir costumam ficar com uma vazão bastante reduzida. No alto da serra não há pontos de água ao longo da trilha.

Sinalização padrão da Trilha Transespinhaço indicando o caminho a ser seguido.

Foto das escarpas do vale do rio do Peixe, tirada a partir do mirante do Travessão. Um dos cartões postais da travessia.

Trecho 3: nascentes do rio do Peixe até a Casa de Tábuas

Distâncias aproximadas para referência:

  • Travessia do rio do Peixe até a bifurcação para Cabeça de Boi: 3,5 km
  • Bifurcação para Cabeça de Boi até a Casa de Tábuas: 2,3 km

A região das nascentes do rio do Peixe é caracterizada por um extenso prado cortado por diversas drenagens, algumas perenes, outras intermitentes. Em um determinado ponto é necessário atravessar uma vala onde foi instalada uma pequena pinguela.

Mais adiante, a trilha atravessa um corte estreito e pedregoso em um morrote, antes de retomar novamente o rumo Sul. Há uma grande rocha no caminho, que deve ser contornada pela direita, onde a trilha está bem marcada no solo. A bifurcação à esquerda leva a um córrego onde é possível reabastecer os recipientes com água.

A partir deste ponto, tem início uma extensa subida pela cumeeira de um morro, que leva até o alto da serra. O esforço da subida é compensado pelas belas paisagens ao redor e, para os mais observadores, pela flora peculiar desta região, representada por bromélias, canelas-de-ema, arbustos e arvoretas típicos de formações rupestres.

Há uma bifurcação na trilha em um trecho mais plano da subida. O caminho da esquerda é o traçado mais antigo, que adentra o pequeno vale e contorna o morro. O da direita é o traçado novo, que segue pela crista até o alto da colina, permitindo ao caminhante desfrutar da bela paisagem da serra. As duas trilhas se encontram mais à frente.

Ao final da subida a trilha adentra uma região formada por extensos campos naturais recobertos pelo capim baixo, de onde se tem uma vista privilegiada dos morros e altiplanos existentes no interior do Parque, com destaque para a Serra da Farofa, Serra das Bandeirinhas, Serra da Lagoa Dourada, o morro do Doutor despontando ao fundo e, bem à direita, ao fundo do vale do Bocaina, o distrito de Serra do Cipó. Formações rupestres em formato de lápides alinhadas completam a paisagem, junto com uma agradável sensação de isolamento e paz.

Do ponto mais alto da serra, a trilha segue ao longo do Altiplano por mais cerca de 900 m até uma bifurcação sinalizada com a seta e pegada da Transespinhaço, A trilha da direita é o antigo caminho para a Casa de Tábuas, que foi desativado por cruzar áreas de maior sensibilidade ambiental, como brejos e pequenas matas em regeneração. Continue adiante por mais 140 metros, pela trilha que adentra um trecho sinuoso com formações rupestres, até a próxima bifurcação, onde tem início a trilha para Cabeça de Boi e a descida da serra para a Casa de Tábuas.

Siga pela trilha da direita que desce a serra e corta uma região de colinas com belas paisagens ao redor. O caminho cruza algumas drenagens que podem estar com água ou secas, dependendo da época do ano. A transposição é feita sem maiores problemas, por vãos estreitos em rocha. A Casa de Tábuas, local do primeiro pernoite, fica após um pequeno vale cortado por um córrego, normalmente perene no período seco do ano. Mas deixe para pegar água no córrego Palmital, que passa ao lado do local de pernoite.

Extenso prado na região de nascentes e drenagens que formam o rio do Peixe. Aqui a trilha assume o rumo Leste, para depois retomar o rumo Sul no trecho mais íngreme da subida da serra.

Subida da serra em meio à paisagem pontuada por exemplares de Lychnophora rupestris, planta endêmica da Serra do Cipó.

Casa de Tábuas
É comum quem não conhece a Casa de Tábuas perguntar se existe algum atrativo em seu entorno, diante da expectativa de concluir o primeiro dia de travessia com um banho em uma cachoeira ou poço. Mas a resposta é não. Mesmo o córrego Palmital que passa junto ao abrigo, não oferece condições para um bom mergulho. Os locais para montar a barraca também não são os melhores, uma vez que boa parte do terreno é inclinado, pedregoso e irregular. Então por que gostamos tanto desse lugar?

Porque a Casa de Tábuas tem uma história, uma personalidade, uma alma. O isolamento em uma área relativamente preservada e distante confere a ela um ar bucólico quase poético, que encanta o montanhista que lá pernoita. Sem dúvida nenhuma, é o verdadeiro atrativo desse trecho da travessia, motivo de muitas fotos e boas lembranças.

A Casa de Tábuas é uma antiga construção, anterior à criação do Parque, feita em madeira e que servia de rancho de apoio aos moradores das localidades vizinhas que cruzavam os caminhos existentes no alto da serra, muitos deles hoje rotas de travessias. Foi desmontada em 2008 de seu local original, onde faltava água, e remontada em um local mais adequado, próximo ao córrego Palmital. É um importante ponto de apoio para a brigada de incêndios e para os caminhantes em travessia.

Por se tratar de um espaço coletivo e de dimensões reduzidas, não é permitido aos participantes da travessia pernoitar dentro da Casa de Tábuas. O espaço interno deve ser compartilhado como local de convivência e no preparo das refeições. O uso dos catres (camas) é restrito aos brigadistas.

Todo o lixo deve ser levado embora e nenhum alimento deve ser deixado no local, como forma de evitar a atração e a proliferação de roedores silvestres. As necessidades fisiológicas devem ser feitas em uma área distante, no mínimo, 50 m do córrego Palmital e enterradas.

A pequena e bucólica Casa de Tábuas.

SEGUNDO DIA: CASA DE TÁBUAS – CASA DOS CURRAIS (11 km)

Trecho 4: Casa de Tábuas até o pico do Ernesto (3,7 km)

Partindo da Casa de Tábuas rumo a Casa dos Currais a trilha percorre um trecho inicial de 1,5 km por uma região de colinas cobertas por gramíneas, até chegar em uma pequena mata na encosta de um morro, região de ocorrência das canelas-de-ema-gigantes (Vellozia gigantea), espécie de planta endêmica, restrita aos afloramentos rochosos da face Leste do Espinhaço Meridional.

No trecho ao longo da encosta do morro onde estão as canelas-de-ema-gigantes a trilha é estreita e um pouco acidentada. À direita pode ser vista a região conhecida como Mata das Flores, onde estão alguns dos grandes remanescentes de matas que sobreviveram à exploração predatória de madeira realizada em tempos passados, antes da criação do Parque. No meio do caminho, uma antiga cerca de arame serve de testemunho do uso anterior dessa região para a atividade pecuária.

Ao sair da encosta do morro, entramos novamente em uma região formada por campos de gramíneas, com o pico do Ernesto (1.680 m) à nossa frente, um dos pontos culminantes do PARNA da Serra do Cipó. O nome “pico do Ernesto”, atribuído a esta formação de relevo, ainda carece de confirmação, porém, na falta de uma denominação mais exata, tem servido bem para indicar uma importante referência nesse trecho da travessia. Cabe ressaltar que algumas pessoas o chamam de “pico do Curral”, nome atribuído a essa formação de relevo pelo montanhista Sergio Beck em 2003, devido à existência de um pequeno cercado de arame próximo ao cume.

A subida ao cume do Ernesto é um roteiro opcional que merece ser realizado. Além de fácil e rápida, proporciona uma vista surpreendente de toda a região. Do alto é possível ter uma ideia do quanto caminhamos e do quanto falta caminhar até os próximos destinos. Também é possível avistar locais como a serra do Lobo, uma pequena formação de morros próxima ao vilarejo de Cabeça de Boi. Já no interior do Parque, as serras da Mutuca, Confins, Lagoa Dourada e Bandeirinhas, além dos maciços da Lapinha e, em dias com poucas nuvens, até a serra do Caraça, ao longe, na direção Sul.

Mas o que mais chama a atenção é a imensidão dos altiplanos do Parque, caracterizados por extensos prados permeados por manchas de matas nebulares e formações rupestres únicas. Não há quem não se encante com o visual e, para os mais observadores, a vegetação do cume também reserva surpresas, com belos conjuntos de espécies típicas de formações rupestres altimontanas.

Saída da Casa de Tábuas rumo à Casa dos Currais. No início a trilha segue por colinas cobertas por gramíneas. A sinalização (pegada dentro da seta) é o padrão adotado pela trilha de longo curso Transespinhaço, da qual o traçado da travessia faz parte. Seta amarela com pegada preta indica o rumo Sul. Seta preta com pegada amarela indica o rumo Norte.

Vista do interior do PARNA da Serra do Cipó a partir do cume do pico do Ernesto. Momento para contemplação e reflexão. Já pensou em fazer um curso básico de montanhismo? Procure um clube de montanhismo na sua região e se informe. Ele pode trazer um novo rumo para sua vida!

Trecho 5: pico do Ernesto até a Casa dos Currais (7,3 km)

Após a descida do pico do Ernesto, feita com inclinação bastante suave pela face Sul, é necessário um pouco de atenção, uma vez que o traçado da travessia faz uma curva acentuada à direita, onde há uma bifurcação. Pessoas mais distraídas costumam errar o caminho nesse ponto, seguindo em frente por outra trilha. Como o local foi bem sinalizado e balizado com estacas amarelas, agora é mais difícil errar.

Depois de cruzar uma cerca de arame liso ao longo do vale, a trilha passa por uma área de charcos, que costuma ficar um pouco alagada no período chuvoso do ano. Trata-se de uma das nascentes do córrego Palmital, que passa pela Casa de Tábuas, forma uma bela cachoeira homônima e se junta ao córrego Gavião para desaguar no ribeirão Bocaina, um dos formadores do Rio Cipó.

Saindo da área de charco, siga pela trilha à esquerda em meio à afloramentos rupestres por cerca de 150 metros e vire novamente à esquerda, onde tem início uma extensa pradaria com relevo predominantemente plano. Trata se do vale drenado pelo córrego Mutuca, o mesmo que passa ao lado da Casa dos Currais e que, mais à jusante, encontra com o Córrego da Garça e forma a cachoeira Braúna.

Após cruzar a pradaria uma porteira de madeira marca o acesso à Casa dos Currais, situada cerca de 1 km à frente, logo após um pequeno, mas agradável, fragmento de Mata Atlântica cortado pela trilha.

Extensa pradaria no caminho para a Casa dos Currais, onde estão as drenagens que formam o córrego Mutuca.

Uma das áreas de acampamento no entorno da Casa dos Currais. Local relativamente plano, gramado e próximo ao córrego Mutuca.

Casa dos Currais

A Casa dos Currais serve de base para os brigadistas. O espaço e a infraestrutura deste local são limitados e precários e a presença de muitas pessoas em seu interior interfere na rotina e no conforto dos que estão lá baseados. Seja educado e utilize o espaço com moderação. O uso da bica d’água é liberado a todos.

Em relação ao lixo e alimentos, valem as mesmas regras aplicadas para a Casa de Tábuas. Leve tudo embora e colabore para deixar o local limpo e arrumado. E não esqueça de deixar uma nota no livro de registros!

Casa dos Currais.

TERCEIRO DIA: CASA DOS CURRAIS – SERRA DOS ALVES (11 km)

Trecho 6: Casa dos Currais até Serra dos Alves

A partir da Casa dos Currais, os primeiros cinco quilômetros cruzam uma extensa pradaria, por uma trilha bem marcada no solo, em relevo predominantemente plano, com aclives e declives bastante suaves. Uma placa marca o limite do PARNA da Serra do Cipó e, pouco mais à frente, tem início a descida para Serra dos Alves, em meio a formações rupestres, com o relevo cada vez mais erodido e acidentado. Ao fundo, já é possível avistar o pico da Dalina (denominação local), em formato de barbatana e o morro onde fica o mirante de Serra dos Alves.

De imediato se avista o cânion Boca da Serra, formado pelo córrego homônimo, que surpreende pelas dimensões e pela beleza. Uma bifurcação na trilha pela direita leva até a base de um morrote que se destaca na paisagem, com acesso fácil ao cume, de onde se tem uma vista privilegiada do cânion e de toda a região no entorno. Deixe a mochila na base, pois o acesso a este mirante é feito por apenas uma via.

O último trecho plano antes da descida final até Serra dos Alves passa por uma casa verde abandonada (antigo Sítio Serra da Rita), onde parte do telhado da varanda já ruiu. À esquerda está o vale do córrego da Serra, que irá formar, mais abaixo, a cachoeira dos Cristais. À direita, o córrego Boca da Serra, no cânion de mesmo nome, em cujo interior estão localizados a cachoeira da Luci e a Ponte de Pedra.

Mais um pequeno e último trecho de descida íngreme em meio a paisagens rupestres e chega-se à Pousada da Luci, uma bela e pitoresca casa em uma área adquirida como compensação ambiental, que não chegou a funcionar comercialmente. A partir da pousada tem início o último e longo trecho de descida até o povoado, por uma antiga estradinha, sob a sombra de uma agradável mata que cresce no vale e por onde se tem acesso à cachoeira dos Cristais.

Ao final da descida da serra, caminhe cerca de 50 metros ao longo da trilha gramada na margem do rio Tanque, até uma precária ponte pênsil que deve ser atravessada. Devido presença de muitos cavalos, essa região costuma estar infestada de carrapatos. Portanto, cuidado para não encostar em ramos da vegetação ou mesmo ficar muito tempo parado no mesmo local. Esses bichinhos não perdoam e você certamente levará alguns de lembrança!

Depois de chegar na estrada de terra, faça uma minuciosa verificação nas roupas e, assim que puder, no corpo todo. Para chegar ao centro do povoado de Serra dos Alves, siga à direita pela estradinha, por mais cerca de 1.300 metros, passando por uma porteira e uma última subida.

Extensa pradaria no caminho para o povoado de Serra dos Alves. A trilha está bem marcada no solo e não há maiores dificuldades de orientação neste trecho.

Cachoeira dos Cristais, na descida para o povoado de Serra dos Alves.

Povoado de Serra dos Alves.

LEVE O LIXO DE VOLTA PARA SUA CASA!
A maioria dos povoados no entrono do Parque não dispõe de um sistema adequado para a destinação de resíduos sólidos, como, por exemplo, um aterro sanitário. Por este motivo, é muito importante levar seu lixo para a sua cidade de origem. Deixar o lixo em Serra dos Alves ou na portaria do Parque também não resolve o problema. Se você foi capaz de trazer as embalagens cheias, certamente não terá dificuldade para levá-las de volta vazias.

Boa caminhada!

André Jean Deberdt

André Jean Deberdt

Belo Horizonte - MG

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Biólogo e montanhista filiado ao Centro Excursionista Mineiro.

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