AventureBoxExplore
Create your account
Peru

Peru

Lima, Miraflores, Cusco, Águas Calientes e enfim Machu Picchu

Mountaineering Hiking Mountain Bike

Ver esse patrimônio da Humanidade de pertinho, dessa forma, é uma das melhores lembranças que guardo comigo... Gratidão!!

Após recuperação de uma cirurgia, decidi que comemoraria meu aniversário de maneira especial, já que uma viagem me faz feliz, em 27 de julho de 2014 sai do aeroporto com o objetivo de me presentear com a cidade perdida dos incas. Para minha surpresa foram alguns presentes a mais que ganhei, rs, acabei conhecendo Lima, Miraflores, Cusco, Águas Calientes e pessoas que fizeram dessa aventura mais que especial... Para isso usei quase todos os modais de transporte avião, bus, van, bike, pedonal kkk.

Ao chegar em Lima dia 28 fiz um tour pelo centro histórico, e me surpreendi com bandeiras comemorativas nas fachadas de todos os edifícios. E não é que no dia do meu aniversário se comemora declaração de independência do Peru ?! kkkkk O feriado nacional é fortemente esperado e comemorado no país e as pessoas te desejam “Feliz Fiestas Pátrias”.

Fiquei em Lima, um dia, pra conhecer o centro histórico, apreciei a arquitetura espanhola dos edifícios e fiquei impressionada com o cuidado com o patrimônio histórico e a limpeza das áreas centrais.

Aproveitei pra conhecer oceano Pacifico, a orla marítima em Miraflores é toda urbanizada, a principal atração é o Parque del Amor.

Depois do rápido tour me hospedei em um hostel no bairro de Miraflores achei o preço justo, com direito a café da manhã.

No dia seguinte acordei cedinho e aproveitei pra conhecer as redondezas, fui ao Museu do Ouro e Armas. São impressionantes as peças de ouro e o acervo das armas, mas a fiquei impressionada mesmo foi com a múmia de uma mulher peruana que estava inteira em posição fetal.

No final do dia embarquei num confortável ônibus leito rumo a Cusco, fui numa poltrona única na parte superior e frontal, isso me permitiu ver toda a estrada, que é muito perigosa, muitas serras com curvas fechadas, mas o visual das cordilheiras e das aldeias é lindo, foi uma oportunidade de conhecer mais de perto as paisagens do Peru, mas na próxima vou direto pra Cusco rs.

No meio do caminho a estrada estava em obras, tivemos que parar e esperar por horas a liberação para prosseguir viagem, aproveitei pra ir até as margens do rio e curtir a paisagem.

Ao chegar em Cusco fiquei encantada com o clima turístico da cidade, as cores terracota das montanhas e das catedrais se contrasta com o azul celeste. O frio não incomoda, basta um bom casaco e disposição para conhecer Cusco, tive sorte em pegar um dia ensolarado, a luz solar intensa acaba por harmonizar os edifícios e a paisagem. Andei pelas ruas, vielas e praças, me encantei com tantas pedras no pavimento e nas edificações, senti que todas aquelas ruínas e construções mudas me falavam que tinham sobrevivido a guerras, revoluções, terremotos e testemunhavam as histórias de muitas pessoas.

Depois de visitar a Praça Maior me hospedei num hotel pra descansar da viagem rodoviária, precisava rs, no dia seguinte fui para um hostel RAIZ, mas muito confortável e limpo.

O dia seguinte foi para andar por Cusco turistando e negociando pra definir a aventura, pesquisei e avaliei, tem uma variedade de agências e serviços com pacotes turísticos no centro de Cusco, depois de muito negócio defini e saiu bike + 3 dias trilhando até Machu Picchu.

Passei o restante do dia visitando museus e curtindo Cusco, fiz um tour guiado para entender a história de Cusco, é ótimo o serviço de guia gratuito da cidade...

O império inca, cujo último chefe político foi Tupac Amaru, morto em 1572, era conhecido como Tahuantinsuyu, isto é, “o mundo dos quatro cantos”. Essa denominação estava ligada sobretudo ao fato de o império dividir-se em quatro partes principais. Cuzco (que significa “umbigo do mundo”) ficava no centro dessas quatro regiões e era considerado a capital da civilização inca. Fonte : https://www.historiadomundo.com.br/inca/machu-picchu.htm

A foto acima é do Jardim Sagrado, na parte mais alta a esquerda localizava-se o templo o Qorikancha, considerado o mais importante e elaborado do Império Inca. Seu nome significa dourado pátio e, no período dos incas, as paredes do local eram cobertas com folhas de ouro maciço. Quando os exploradores espanhóis colonizaram a área, eles demoliram e saquearam boa parte do templo e construíram o Convento de Santo Domingo no topo da estrutura.

Regra Inca (1438 – 1533)

A origem de Cusco/Cuzco se confunde com as lendas do império inca. Embora a civilização inca surgiu no início do século 13, seu período de dominância coincidiu com o período em que Cusco era sua capital. É surpreendente o suficiente para que eles pudessem construir Machu Picchu e as pontuações de outros sites no vale do Cusco em apenas 95 anos, mas quando você considera que seu império incluía a maior parte do moderno Peru e Equador, pedaços significativos da Argentina, Chile e Bolívia, e até mesmo uma pequena fatia da Colômbia, suas conquistas são ainda mais incompreensíveis.

Sob o domínio inca, Cusco foi dividida em quatro e cada um desses lugares serviu como a capital da seção do império que irradiava dele. Quando Francisco Pizarro (explorador e conquistador espanhol, que entrou para a história como “o conquistador do Peru”), visitou Cusco pela primeira vez, ele escreveu ao rei da Espanha explicando que Cusco “é tão bonito e tem tão bons edifícios que até seria notável na Espanha”.

Regra espanhola (1536 – 1821)

Entre 1533 e 1536, a regra da cidade passou de um lado para o outro entre os Incas e os espanhóis, mas depois de 1536 estava firmemente em mãos espanholas. Sob o domínio espanhol, Cusco serviu como o centro da expansão cristã nos Andes e também como principal fonte de matérias-primas (ouro e prata) para a Espanha.

Em 1543, Lima foi declarada capital do Peru, e houve um declínio na importância do Cusco, mas, no entanto, os espanhóis ainda construíram inúmeras igrejas, mosteiros e edifícios administrativos durante seu reinado. Normalmente, estes foram construídos em cima das funestas incas gigantes. Cusco sofreu enormes terremotos em 1650 e 1950, o que causou danos significativos a esses edifícios espanhóis, mas as fundações Inca permaneceram ilesas. Em nenhum lugar isso é mais evidente do que no Convento de Santo Domingo, que foi construído sobre os alicerces do templo mais sagrado dos incas, o Qorikancha. Fonte: https://webcache.googleusercontent.com/searchq=cache:wOLfRAWpE7QJ:https://diariodesalvador.com/peru-um-pouco-da-sua-historia-de-cusco/+&cd=7&hl=ptBR&ct=clnk&gl=br

Arrumei a mochila e no dia seguinte as 7 horas saímos numa turma de 20 pessoas, norte americanos, europeus, asiáticos e latino-americanos. Fui inserida na van dos latino-americanos, uma brazuca é sempre vista como conhecedora de samba. O que não é meu caso não sei nada de samba, mas o guia não entendeu muito bem, acabei por me enturmar com um grupo de amigos equatorianos que me apelidaram de Angelica, rsrs uma moça do grupo estudou a faculdade no Brasil e falava português, isso foi ótimo para se comunicar com mais facilidade.

Ser brasileira e viajar sozinha é realmente um desafio e requer muita coragem. Infelizmente é preciso lidar com a imagem distorcida que todo mundo tem da típica brasileira sensualizada que desfila nua no Sambódromo. Lamentável essa imagem que o Brasil exporta. Mas meus colegas latino-americanos de aventura logo perceberam que eu era apenas uma brazuca trilheira, foi divertido e perfeito para mim a companhia deles.

Saimos de Cusco de van e subimos até a base do Nevado Veronica. "O Nevado Verônica é a montanha mais alta da Cordilheira de Urubamba. Está situado a noroeste de Ollantaytambo, no Vale Sagrado dos Incas. Era chamada originalmente de Waynawillca (Jovem Sagrada) e teve grande importância cerimonial, sendo um dos Apus (montanha sagrada) protetor da agricultura. No entanto, em 1536, Manco Inca ao ser derrotado pelos espanhóis deixou Cusco para refugiar-se em Vilcabamba, onde fundou o império independente do mesmo nome. Durante a sua retirada atravessou o Passo de Málaga (4.300m), no lado nordeste do Waynawillca que, desde então, teve seu nome alterado para Wakaywillque (lágrima sagrada), em memória da tristeza do povo Inca pela perda do seu império. Fonte: www.niclevicz.com.br/nevado-veronica-5-750m-primeira-montanha-escalada-na-expedicao-imperio-do-sol"

Numa altitude de acima de 3.400 m iniciamos a aventura com descida de bike pela estrada a partir da base do Nevado Veronica. Foi meu primeiro contato visual tão próximo de uma montanha de mais de 5.000 de altitude, fiquei emocionada.

Nessa altitude a natureza da paisagem no primeiro momento me pareceu sem vida, mas olhando atentamente há plantinhas pequenas entre as pedras, vi uma pata e seus filhotes indo para uma lagoa. Enquanto o ar puro enchia meus pulmões, a natureza andina com suas cores enchia meus olhos, o céu tinha um azul maravilhosamente incomum rs.

Na foto acima os amigos equatorianos prontos pra descida de bike!

Me entusiasmei durante a descida e minha bike voava,rsrs, as curvas são insanas e tive muita atenção para não desviar e ir pro penhasco kkk. Foi uma sensação de liberdade maravilhosa!!! Vou guardar pra sempre em minha memória, e os pulmões pareciam se estufar e agradecer por esse oxigênio livre de poluição.

Há quedas d'água na estrada nas aproximidades do Vilarejo de Santa Maria e a paisagem de cor ocre das montanhas vai sendo substituída pela mata até ficar verdinha ;).

A foto acima foi para registrar com os colegas equatorianos o fim da aventura de bike, depois entramos na van que nos levou para os alojamentos em Santa Maria. Lá pelas tantas da noite descubro que os banheiros dos alojamentos são horríveis, os chuveiros não tem energia elétrica a água é super gelada amortece até a alma kkk mas tudo bem estamos no Peru e o espírito é de aventura.

De manhã acordamos cedinho, foi o tempo de tomar um café reforçado e experimentar o chá de coca. Na foto abaixo nos reunimos em frente à placa do Vilarejo de Santa Maria, esse foi o início da minha primeira travessia. Sinceramente eu não tinha nem idéia que chamava isso de travessia rsrs.

Nessa foto estou no centro de camiseta azul e chapéu e feliz da vida rs, que boas são essas lembranças...

Cruzando o Rio Urubamba começa minha primeira travessia, muitas coisas mudaram desse rio em diante, oficialmente nasceu uma mochileira e trilheira.

Seguimos uma estrada que margeia o rio Urubamba e subimos para uma trilha por vezes perigosa que se você escorregar num dia de chuva vai pro penhasco rs, mas o dia ensolarado e a boa energia permitia apreciar a paisagem.

O Rio Urubamba vai ficando menor aos olhos e vamos caminhando e se acostumando com a altitude, entre plantações de coca e propriedades de moradores locais, um ponto de descanso divertido foi numa área coberta com artesanatos e esse doce personagem, rsrs mascote dos trilheiros que ama banana. Ah! tive que ficar de pertinho e tirar uma foto.

Seguimos adiante até o horário do almoço na propriedade de um morador local que tem estrutura para receber os trilheiros para almoçar, foi uma refeição com muito carboidrato. Depois de uma cochilo nas redes que ficam na áreas externa continuamos nossa caminhada.

Com direito a duas travessias para lados opostos do rio Urubamba, chegamos num parque de nas águas termais e ficamos aguardando a van para nos levar até o hostel, foi um dia cansativo e maravilhoso!

No dia seguinte após o almoço, seguimos para o ponto de partida na linha férrea, agora tendo que carregar a cargueira, confesso que foi minha primeira cargueira, eu não tinha nem idéia do que estava carregando kkk, eu tentei ficar feliz na foto mas não rolou, kkkKK, bad :( estava com a mochila muito pesada!! Coloquei tudo e mais um pouco, depois dessa experiência só levo o essencial e útil...kkk. ;) aprendi muito com essa falha!! Tudo foi uma grande experiência e aprendizado!!

Ao chegar em àguas Calientes meus pés estavam repletos de bolhas kkk, que sorte ter levado hipogloss, kkk minha super cargueira tinha algo útil simm!!! kkk untei a sola dos pés, na manhã seguinte estavam novos. Toca subir até Machu Picchu!!! 5 horas da manhã, sem cargueira é lógico!!

Machu Picchu foi construída por volta do século XV pelo Imperador Inca por Pachacutéc, o nono imperador do povo Inca.

A cidade inca foi descoberta no ano de 1911 pelo antropólogo norte-americano Hiram Bingham, que estava à procura da legendária capital inca de Vilcabamba.

A subida começou com uma fila enorme de turistas falando as diversas línguas, os colegas equatorianos foram com o serviço de van, mas eu optei por subir a pé, subi em fila única por degraus de pedras, a subida é um pouco cansativa e a expectativa vai aumentando, tive momentos de reflexão, estava exausta.

Falei pra mim mesma: Você está indo para um Santuário onde muitas pedras foram lavradas para construção de uma cidade acima de 2.400 m de altitude que leva o nome que significa “velha montanha”, fique calma e busque as respostas dentro de você. É quase uma romaria essa subida, pedi a Deus por saúde e agradeci pela saúde, e agradeci pela pessoa que meus pais permitiram eu ter me tornado.

Cheguei na portaria por volta das 6:30 da manhã, entrei e busquei a parte mais alta para ver toda a cidade, quando cheguei lá em cima o horizonte estava com uma neblina densa que não permitia ver nada, fiquei andando nos arredores acreditando que logo teríamos a tão almejada vista do monumento.

A "cidade perdida dos Incas" é considerada em 1982 Patrimonio Mundial pela UNESCO e em 2007 oficialmente uma das 7 maravilhas do Mundo. A cidade tem cerca de 530 metros de comprimento e 200 metros de largura, onde se contabiliza mais de 170 recintos. O local é dividido pela zona agrícola, que ficava ao leste e contava com uma complexa estrutura que permitia o desenvolvimento da agricultura; e a zona urbana, onde fica localizada a maioria dos templos e casas. As áreas são divididas por um muro de cerca de 400 metros de comprimento.

Por volta das 9 horas a neblina se dessipou e como uma cortina se abriu, e pude ver o grande espetáculo da Cidade Perdida dos Incas!

Foi incrível ver aquela cidade de pedras enormes encravada nas montanhas, ostentando sua firme resistência a beira dos penhascos, ao olhar pra baixo vi o rio Urubamba, fino como um fio de cabelo. Fiquei por horas meditando e sentindo o sol e a energia desse sítio arqueológico onde o mundo todo vai para constatar a grande necessidade do homem de se conectar com o Sagrado.

Por volta das 13 horas desci todas as escadarias com a leveza que me galtou na subida, fiquei com meus pensamentos, refletindo sobre o inigmático monumento...

Os colegas equatorianos foram para a Bolívia e eu voltei para Cusco de trem, em questão de dias eu pude entender que somos todos humanidade, não há fronteiras.

Voltando para Lima conclui que o Peru é uma pátria que resistiu fortemente as invasões estrangeiras e não permitiu que destruissem suas raízes e até hoje com um grande respeito pela natureza, a vida se faz entorno do Sol e do Sagrado, sua grande história cultural é iluminada, e me fez querer voltar pra conhecer mais desse país cheio de mistérios e paisagens lindas, foi além das minhas expectativas, vou voltar!

Gratidão a Deus por me dar coragem e inspiração para sonhar e realizar essa aventura !

2
Luis Alves
Luis Alves 08/26/2019 15:58

Peru é mágico. Relato muito bom! Parabens

Angelique J. Oliveira
Angelique J. Oliveira 09/16/2019 11:38

Obrigada, lugar mágico mesmo, só quem vive esse lugar entende, guardo tudo na memória !