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Travessia dos Lençóis Maranhenses

Surreal. Essa é a sensação que fica após um trekking de pouco mais de 4 dias pelos Lençóis do Maranhão!

Travessia realizada por um grupo de 9 pessoas, incluindo eu, Ique, Ronald e os 3 casais: Janaina e Sandro, Lili e Walter e Joana e Manoel, por dentro do parque dos Lençóis Maranhenses. Saindo beirando o mar e indo em diagonal até Santo Amaro do Maranhão, passando por duas comunidades existentes no parque.

Tínhamos um mapa/gps e os waypoints de algumas localidades: Canto do Atins, Baixa Grande, Queimada dos Britos e Santo Amaro.

Fiz um mapinha bem tosco só pra ter ideia. Sorry, não sei fazer isso rsrsrs.

Dia 1 – chegada em São Luis e passeio em Barreirinhas

A brincadeira toda começou na cidade de Barreirinhas, que fica a +/- 250 quilômetros da capital São Luis. Para chegar até lá, fretamos uma van com o Sr. Jorge [Levatur (98)99969 – 4544] por R$50/pessoa. Ele nos buscou às 4h da manhã no aeroporto e chegamos em Barreirinhas cerca de 9h.

Já em Barreirinhas, fiquei hospedada no Hostel Casa do Professor, que indico bastante pela facilidade de acesso ao centro, pela vibe do Rodolfo - o dono do local, pelo café da manhã e pelo preço (R$35).

A cidade tem alguma infraestrutura e por lá você encontra farmácias, mercados, restaurantes e muitas agências que realizam passeios mais turísticos.

Fechamos um passeio para o fim desse dia com a agência São Paulo Turismo, que nos cobrou R$60,00/pessoa para conhecer algumas lagoas da região e também apreciar o pôr do sol.

 Foto de Manoel Moraes

 Foto de Bruna Fávaro

 

Dia 2 – de Barreirinhas a Canto do Atins (4km)

Nesse dia precisávamos chegar em Canto do Atins, onde a travessia teria início. Para isso, você pode optar por contratar um 4x4 que te leve até lá ou fazer o que fizemos. Fechamos um passeio turístico pelo Rio Preguiças, que passava pelos povoados de Vassouras, Mandacaru e Caburé.

Em Vassouras você tem contato com uma porção de macacos prego. Em Mandacaru existe um bonito farol da marinha, aberto à visitação. Já em Caburé, muitos restaurantes estão lá prontos para receberem os turistas com muito peixe e camarão.

Vassouras - foto de Bruna Fávaro

Farol de Mandacaru - foto de Manoel Moares

 

Geralmente, após o almoço em Caburé os barcos voltam até Barreirinhas, mas nós seguimos de barco até uma região já no mar entre Atins e Canto do Atins.

Pisamos em solo, de mochila nas costas, já mais de 14h. Tivemos nossa primeira experiência em andar na areia fofa e com mochila nas costas. Caminhamos cerca de 4km e chegamos em Canto do Atins cerca de 16h.

Lá, nos hospedamos no restaurante da Dona Luzia, que vende uns famosos camarões. Havia quartos para hospedagem no valor de R$30/pessoa e também podíamos acampar gratuitamente em seu quintal.

Na verdade, a experiência de ter ficado no famoso restaurante da Dona Luzia não foi das melhores. Além da receptividade que ficou muito a desejar, o prato que nos vendeu estava bom, mas foi o menor de todos que comemos nos outros dias. Achamos que ela ficou brava depois de ter nos oferecido (por 600 reais) um veículo 4x4 que nos deixaria 13km pra frente na travessia e nós não termos topado. Enfim. O irmão dela tem um restaurante ao lado, e pareceu uma opção muito melhor.

Já sem as mochilas, saímos para dar uma volta na região e apreciar mais um pôr do sol de tirar o fôlego!

Céu à noite, em frente a Dona Luzia - foto de Manoel Moraes

 

Dia 3 – Canto do Atins até Baixa Grande  (28km)

Acordamos cedo e saímos às 5h da manhã da casa de Dona Luzia rumo à Baixa Grande. Caminhamos ainda um pouco usando lanternas, mas assim que a primeira pontinha de sol apareceu, iluminou completamente a vastidão que estava diante de nós. Ainda assim, como o dia também estava um pouco nublado, pudemos caminhar até cerca de 9h, quando fizemos a primeira parada, sem o sol nos castigar.

Amanhecendo - foto de Manoel Moares

As lagoas dessa parte do parque estavam baixas, pouca água. Também notei que a quantidade delas desse lado era menor, isso não quer dizer que não renderam inúmeros banhos deliciosos!

Hora do banho! - foto de Manoel Moares

Fizemos diversas paradas durante o dia, tanto para comermos quanto para nos refrescarmos nas lagoas. Seguimos sempre em direção à Baixa Grande e não tivemos muito problema de orientação ao longo do percurso.

No entanto, ao avistarmos Baixa Grande percebemos que não seria tão fácil assim encontrar casa de algum morador. Trata-se de uma grande área de vegetação que faz jus ao nome. Avistamos um coqueiro (sinal de casas!) e fomos em sua direção. Lá encontramos o Sr. José Ribamar que, muito simpático, nos levou até a casa da Dona Dete, que recebia alguns caminhantes.

Baixa Grande. Consegue ver o coqueiro? - Foto de Bruna Fávaro

No entanto, fomos por dentro da vegetação, cortando ela. Na verdade, ao avistar Baixa Grande, deveríamos tê-la contornado pela direita, saindo diretamente na casa da Dona Dete.

Em resumo, esse dia foi extremamente extenuante para todo o grupo, dos mais aos menos preparados.

Camping: R$15

Janta (arroz, feijão com leite de coco, galinha caipira e macarrão, tudo delicioso e caprichado): R$35,00

 

Dia 4 – de Baixa Grande até Queimada dos Britos (11km)

Pela manhã, aproveitamos um pouco a região de Baixa Grande e também da alegria da dona da casa, Dona Dete, que nos contou inúmeras histórias das pessoas da região, das brigas, amores e bebedeiras das pessoas.

Dona Dete! - foto de Bruna

Cerca de 11h, estávamos saindo para almoçar na casa de outra ilustre moradora, a Dona Loza, ainda em Baixa Grande. Chegamos lá e fomos recebidos com muita doçura por ela, que nos preparou um almoço maravilhoso e contou com muito carinho a história de seu nome e de sua família. A casa dela é uma graça! E era lindo ver o capricho e delicadeza dela em tornar tudo aquilo ainda mais acolhedor.

Dona Loza preparando o almoço - foto de Manoel Moraes

Barriga cheia, despedidas e fomos rumo à Queimada dos Britos.  De modo geral esse foi o dia em que avistamos as lagoas mais coloridas do parque. Não foram as maiores, nem as mais profundas, mas sem dúvida as mais surreais.

No canto esquerdo, nós numa mini-lagoa! - foto de Manoel Moraes

Já cerca de 16h chegamos em Queimada dos Britos, depois de novamente ter de atravessar algumas vegetações e rios. Encontramos a casa do Sr. Domingos e por lá ficamos. Foi uma noite muito agradável, de altos papos sobre as questões ambientais relacionadas ao parque, ao turismo na região, ao papel dos fiscais do Ibama, sobre cachaças, sarneys e pescaria. Não poderia ter sido melhor!

Camping: ele não cobrou, mas deixamos R$15 também pelo uso do banheiro.

Janta: R$30/pessoa.

 

Dia 5 – de Queimada dos Britos até próximo a Santo Amaro (24km)

Partimos cedo e o Sr. Domingos nos acompanhou em parte do caminho para nos mostrar a entrada para quem pretende ir também à Queimada dos Paulos (outra comunidade). Marcamos o caminho, mas felizmente teremos que voltar para conhecê-los, pois já estava um pouco tarde e achamos melhor seguir adiante.

 Saindo da casa do Sr. Domingos. - foto de Bruna

Nessa parte do trajeto as lagoas eram simplesmente gigantescas. Sim, gigantescas. E lindas. E com muitas gaivotas e ovos e filhotes. E com muita água. O que era ótimo na maioria das vezes, exceto quando você precisava atravessar uma lagoa dessas.

Ovos de gaivota - foto de Manoel Moraes

Foi, inclusive, o problema que tivemos. Encontramos a maior lagoa da travessia. Chama-se Lagoa das Emendadas, porque trata-se de um conjunto de lagoas que se juntam na época de cheia. Ficamos das 11h da manhã até às 15h atravessando essa mesma lagoa!! Ora passando pela água, ora contornando por um lado, ora por outro. Mas a mesma lagoa. Dá para acreditar?! O problema foi que em determinado momento não conseguíamos avançar na direção correta: não dava pra atravessar pela água, pois estava muito funda e também não havia uma opção para contornar. A única saída foi voltar um trecho enorme e tomar um caminho na direção oposta,  pra daí então continuar. Essa brincadeira nos rendeu uns 5km de caminhada a mais do que o esperado. Too bad.

Já cerca de 16h, estávamos cansados e achamos melhor não esticar até Santo Amaro. Montamos nossas barracas em um conjunto de lagoas que encontramos e ali passamos uma noite coberta de areia! Ventava bastante, e pelas dunas serem de uma areia muito fina, entrava areia na barraca mesmo com ela completamente fechada. A areia passava pelo tecido. Foi uma experiência muito diferente e, ao mesmo tempo que incômoda, maravilhosa!

 

Dia 6 – De algum ponto no caminho até Santo Amaro (8km)

Às 6h30 já partíamos pro último trecho dessa travessia encantadora. Aqui todos nós já estávamos com as pernas muito doloridas e andávamos de maneira muito engraçada às vezes. Também aqui já começávamos a sentir saudades do que estava prestes a acabar. Descíamos as dunas com muita alegria, porque ninguém queria perder a última oportunidade de se sentir criança fazendo aquilo.

Foto de Manoel Moraes

Já era possível avistar Santo Amaro no horizonte, cada vez mais perto. Até que cerca de 9h30 encontramos sinais de que por ali tinha gente, gente feliz.

 

Por volta de 10h chegamos na parte urbana da cidade. Pudemos lembrar da sensação de caminhar sobre um chão fixo. Pudemos devorar um pão com manteiga por 0,25 centavos cada. E mesmo estando há meses sem tomar refrigerante, não pude resistir a uma Coca-Cola geladíssima.

 Bom, dali, depois de 75 quilômetros lado a lado, o grupo se dividiu. Alguns ficaram por lá mais um dia. Outros voltaram pra São Luis (ônibus apenas 2h da manhã e 13h, R$60, indo primeiro até Sangue e depois até São Luis).

De qualquer maneira, o que ficou foi um sentimento delicioso de ter vivido essa experiência. A sintonia do grupo foi fenomenal. Responsabilidade, alto astral, papo bom. Observar a vida das pessoas locais foi enriquecedor.... suas conversas, rotinas, histórias vêm com tudo esbofeteando nossa vida muitas vezes consumista, rápida, rasa.  E o lugar? Puts. O que dizer do lugar....?

Como a vida, um espetáculo.

 

 

 

Bruna Fávaro
Bruna Fávaro

Publicado em 05/08/2015 23:23

Realizada de 19/07/2015 até 23/07/2015

2 Participantes

Janaina G. Rodrigues Sandro Amparo

Visualizações

5058

44
Aline
Aline 16/04/2017 11:45

Bruna, qual aparelho gps vc usou? foi tranquilo questão de sinal?

Aline
Aline 16/04/2017 11:52

outra coisa, nos vilarejos tem como recarregar os aparelhos (gps, camera, etc)? tem energia elétrica normalmente?

Bruna Fávaro
Bruna Fávaro 17/04/2017 03:11

Oi Aline, eu uso o etrex 30, e não tive problemas com sinal... levei pilhas e não me recordo se havia energia elétrica pra recarregar qq coisa.

Ricardo Katayama
Ricardo Katayama 06/07/2017 15:01

Bruna, acabamos de chegar em sto Amaro. A travesía foi animal! Conto mais depois. Mas passei para agradecer e dar o recado que o sr domingos e a dn vanira receberam sua mensagem. Alias, a foto de voces está la, bem so lado da TV. Bj

Hadassa Carolinny
Hadassa Carolinny 08/08/2017 01:18

Sensacional, Bruna! Excelente relato! To indo fazer a travessia essa semana. Confesso que me preocupou um pouco esse lance de atravessar dentro das lagoas. Já imagino o perrengue que vai ser atravessar as lagoas mais profundas, ainda mais porque sou baixinha. Mas isso faz parte da aventura, então a gente aceita! kkkkk Vou tentar fazer com gps também! Se der tudo certo, volto aqui para dar o feedback! Obrigada pelo relato! Me ajudou muito, ainda mais com os esclarecimento das dúvidas do Ricardo.

Ricardo Katayama
Ricardo Katayama 12/08/2017 21:37

Hadassa, os locais aconselharam passaram pelas emendadas pelo norte (mais próximo do mar). Para a gente funcionou bem: a minha mulher tem 1,58m e a gente atravessou praticamente todas as lagoas que passamos.

Bruna Fávaro
Bruna Fávaro 15/08/2017 20:43

Ricardo, sua mensagem me deixa muito, muito, muito feliz! Obrigada por voltar aqui e contar! Beijo e boas pernadas por aí!

Diogo dos Santos Ribeiro
Diogo dos Santos Ribeiro 25/01/2018 22:06

Que relato hein, parabéns !!!! Vou usar suas dicas tbm para quando eu for.

Bruna Fávaro

Bruna Fávaro

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