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Travessia Petrópolis x Teresópolis + Portais de Hércules

Travessia Petrópolis x Teresópolis + Portais de Hércules

Clássico trekking realizado em 3 dias no Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO, de Petrópolis à Teresópolis, no Rio de Janeiro/RJ.

Mountaineering Trekking

Travessia Petrópolis x Teresópolis + Portais de Hércules | RJ

Travessia realizada entre os dias 9 e 11/03/2020.

Tipo de Aventura: Trekking de 3 dias no Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), de Petrópolis até Teresópolis, no RJ, realizado com o António Calvo do Armazém Aventura.

Ponto de Início: Petrópolis (Bonfim) - https://goo.gl/maps/qkgwZLotPeNoMsjG6

Ponto Final: Teresópolis (Barragem) - https://goo.gl/maps/png3oVqm1X5TcRvn9

Roteiro:
Dia 1: Sede Petrópolis (Portaria do Bonfim) x Abrigo do Açú.

Dia 2: Abrigo do Açú x Portais de Hércules x Abrigo 4 (Sino).

Dia 3: Abrigo 4 (Sino) x Sede Teresópolis (Barragem na parte baixa).

DICAS:

  • Todo o planejamento e a caminhada foram realizados com o Antônio Calvo. Ele é dono do Armazém Aventura: uma empresa familiar que atua no comércio de equipamentos para camping e montanhismo ponta de estoque, usados e novos; operadora de caminhadas, escaladas e rapel na região da Pedra do Baú em São Bento do Sapucaí - SP e escola de cursos de formação em escalada, auto resgate e mapa & bússola.
  • Saiba mais sobre o Armazém Aventura no site: https://armazemaventura.com.br.
  • Além disso, o Armazém Aventura é um dos Parceiros do Gear Tips Club, que trata-se de um clube de benefícios focado no segmento de atividades outdoor e aventuras que oferece para seus MEMBROS benefícios e descontos em empresas parceiras, como marcas de equipamentos, agências viagens, pousadas, lojas, cursos, eventos etc Saiba mais no link: https://geartips.club.
  • O Armazém Aventura tem 15% de desconto no Gear Tips Club.
  • Compre seu ingresso antecipadamente no site oficial do Parque Nacional da Serra dos Órgãos: http://parnaso.tur.br/o-parque/sedes/comprar-ingresso.
  • Em cada ponto de parada existem as opções de acomodação em beliches, bivaques ou camping. Faça as reservas adequadas para o seu estilo de aventura.
  • Tenha algum amigo ou contrate alguém para levar o veículo da portaria de Petrópolis para o ponto final da travessia em Teresópolis. Peça recomendações ligando para o Parque.
  • Independente do cronograma ou da sua velocidade, caminhe no seu ritmo, curta o visual e se conecte com o local.
  • Apesar das estruturas presentes nos locais de parada, recomenda-se que todo o resíduo gerado seja levado consigo para algum lugar com um sistema coleta e destinação mais estruturado e eficiente.
  • Nessa travessia fomos ajudados pelo Flávio Cupello, dono da loja Top Spin, saiba mais e conheça a loja em: https://www.instagram.com/lojatopspin.
  • Viva a experiência de fazer essa travessia durante a semana, onde as trilhas são vazias e a conexão com a natureza é total.
  • Não seguimos tracklogs específicos. Nos orientamos com o conhecimento prévio do trajeto, a carta topográfica com escala 1:50.000 Itaipava2715 e um aparelho de GPS para sanar algumas dúvidas pontuais.
  • A carta topográfica pode ser acessada em:
    https://geoftp.ibge.gov.br/cartas_e_mapas/folhas_topograficas/editoradas/escala_50mil/itaipava27154.pdf.
  • Recomendo a utilização do Tracklog do grupo Trilhando Trekking: https://www.wikiloc.com/hiking-trails/travessia-petropolis-x-teresopolis-portais-de-hercules-29283380

INTRODUÇÃO

A ideia dessa travessia nasceu durante uma conversa antiga entre eu e Antônio Calvo em alguns dos cursos em que fui seu aluno. Lá, entre muitos ensinamentos técnicos e conversas sobre a vida, o Antônio me confessou que ainda não tinha feito a travessia Petrópolis x Teresópolis, uma das clássicas do Brasil. De pronto, fiz o convite para que pudéssemos fazê-la no futuro.

O tempo passou e, no começo de 2020, ele me enviou uma mensagem dizendo que seria um dos palestrantes da II Jornada Científica de Montanhismo, disse que estava interessado em partir para a Serra dos Órgãos logo após o evento e me convidou para acompanha-lo. Aceitei de cara, resolvi as coisas no trabalho e marcamos então nossa ida entre os dias 9, 10 e 11 de março.

Confesso que aceitei o convite sem nem saber se seria possível estar lá por conta das questões do trabalho. Não me importei, eu daria um jeito de conseguir ir. Antônio é uma das pessoas que mais admiro em todo esse pequeno universo outdoor por tudo que sabe/viveu e pela pessoa humilde que é. Além disso, ele foi um dos meus maiores professores e é um dos meus maiores incentivadores. Sempre aprendi muito. Nisso tudo, eu não poderia deixar passar um convite desses de um dos meus maiores mestres. Bora? Partiu!

LOGÍSTICA

Saímos do Rio de Janeiro ainda no domingo dia 08/03/2020, por volta das 17:00 e logo após o evento científico. Pegamos a estrada sentido Teresópolis, onde um casal de amigos do Antônio nos hospedaria para descansarmos antes de partirmos para início da travessia em Petrópolis. Chegamos lá e fomos recepcionados pela simpática Katherine, que nos mostrou a casa onde dormiríamos. Deixamos as coisas, tomamos um banho e partimos para um restaurante perto. Precisávamos de uma pizza. Compramos algumas últimas coisas no supermercado, voltamos, arrumamos as mochilas, Antônio marcou alguns pontos importantes no mapa e fomos dormir.

Logo de manhã nós levantamos, colocamos as mochilas no carro e seguimos rumo ao centro de Teresópolis. Lá o Flávio Cupello, dono da Loja Top Spin, nos encontrou e entrou no carro. Ele gentilmente iria conosco até a entrada do Parque em Petrópolis, no bairro do Bonfim, para fazer a logística de retorno do carro até Teresópolis. Somos muito gratos a ele por isso. Dalí seguimos viagem pelas curvas da estrada que liga as duas cidades. Um pouco de nevoeiro no ar que, com o avançar nos minutos ia se dissipando e revelando a beleza cênica da região. A mata Atlântica verde que encobria morros e montanhas próximas. As conversas sobre empreendedorismo e montanhismo eram óbvias e ocuparam nossa viagem.

Chegamos na portaria do Parque por volta das 9:30. Antônio entregou a chave do carro para o Flávio, fizemos as últimas arrumações na mochila, entregamos os documentos e os comprovantes de reservas e, por volta das 10:10, iniciamos os nossos três dias de caminhada pelo PARNASO. Vazio de pessoas, mas cheio de vida.

RELATO

Dia 1 – 9.3.2020: Sede Petrópolis (Portaria do Bonfim) x Abrigo do Açú.

A travessia começou por volta dos 1.050 metros de altitude. Seguiu pelos caminhos que combinavam a mata atlântica fechada do fundo do vale, cruzamentos de pequenos canais de drenagem, desvios de rochas e visuais das últimas células de agricultura do bairro do Bonfim, antes de entrarmos de vez na região protegida do Parque.

Começo de tudo.

E assim seguimos por um caminho muito bem definido, deixando passar algumas entradas para poços onde visitantes normalmente tomam banho. Com aproximadamente 2,8km de caminhada e aproximadamente 1.220m de altitude, resolvemos entrar à esquerda para a Gruta do Presidente e a Cachoeira Véu da Noiva de Petrópolis. No primeiro ponto, um divertido cruzamento de rio com algumas fotos, já no segundo, após cerca de 1km do ponto de bifurcação e às 11:25, fizemos uma parada mais longa para um bom banho de água gelada. A cachoeira estava linda e imponente.

Cachoeira Véu da Noiva - Petrópolis

Depois da difícil decisão de sair da cachoeira, recolocamos as mochilas nas costas, voltamos para a trilha principal e começamos uma forte subida cheia de zig zags, saindo dos já mencionados 1.220m de altitude para os 1.420m, onde fica a Pedra do Queijo. Mais uma parada para fotos e avistamento de todo o Vale que marca a subida da trilha, descansamos e partimos. A subida continuou até o Ajax, quando chegamos por volta das 13:20, já com cerca de 1.700m de altitude, onde existe um bom ponto de água.

Dalí começamos a subida do famoso trecho mais íngreme da Isabeloca, com nome em homenagem a uma suposta passagem pelo local da princesa Isabel em cima do lombo de mulas. No meio da subida, bem acima de nossas cabeças estava parada uma nuvem carregada e escura. Foi quando começaram os raios e os trovões. Paramos, conversamos e começamos a contar o tempo entre o som e a luz dos raios. Caso os mesmos estivessem bem próximos, era perigo à vista. Decidimos por não subir por um tempo, já que a região mais elevada da crista seria mais suscetível aos raios. Os mesmos cortavam o céu. Para nossa sorte, a sua grande maioria era entre nuvem – nuvem. Cerca de 20 minutos de espera depois, a nuvem passou e os raios diminuíram. Respiramos aliviados e voltamos à subida até aproximadamente os 1.900m de altitude, quando chegamos ao chapadão por volta das 14:15, sentamos e comemoramos. Fizemos um lanche reforçado e tiramos mais algumas fotos. Agora só nos restava a caminhada final até os Castelos do Açú.

Dalí a caminhada seguiu com subidas e descidas de cristas suaves e com o ganho de altitude até os aproximadamente 2.200m de altitude dos Castelos do Açú. As nuvens saíram e tivemos uma bela vista da formação rochosa.

Castelos do Açú.

Deixamos as coisas em um canto e decidimos por ir até a Pedra da Cruz, por volta das 15:35, para curtir o visual norte da Serra. Lá em cima paramos um pouco, conversamos, contamos umas piadas e observamos a paisagem. Depois descemos até o abrigo e nos alojamos. Como a caminhada ocorria no meio de semana, optamos por contratar os beliches, assim poderíamos caminhar bem leves.

Partimos então para explorar as galerias formadas pelos Castelos. Entramos por um lado, olhávamos para cima, procurávamos vias de escalada, saíamos por outro. Como . Ao voltarmos para o ponto de entrada, subimos as cordas e chegamos em um de seus pontos altos, com toda uma vista do restante da Serra dos Órgãos que seriam percorridos nos dias a seguir.

As paredes de um pequeno labirinto natural

Descemos de volta para o abrigo, cozinhamos e ficamos um bom tempo conversando com o guarda-parque Felipe, que nos recebeu muito bem e nos contou muitas das histórias do Parque. Entre elas a do cruzeiro que tínhamos acabado de visitar, fincado em homenagem à um grupo de montanhistas mortos em uma tempestade elétrica em 1992 (escapamos dessa). Conversamos ainda muito sobre como era a sua rotina de trabalho e as dificuldades enfrentadas diariamente, desde os problemas de gestão, até a atenção extrema com montanhistas inexperientes e desrespeitosos. Uma dura vida que combina o extremo amor por aquilo tudo e a insatisfação de muitos casos reportados.

Por volta das 20:00 formos dormir depois de aproximadamente 10km de caminhada que combinaram a subida até o abrigo e os desvios que fizemos.

Dia 2 – 10.3.2020: Abrigo do Açú x Portais de Hércules x Abrigo 4 (Sino).

Acordamos por volta das 5:00, saímos dos beliches ainda sonolentos e voltamos aos Castelos do Açú, exatamente para aquele mesmo ponto alto do dia anterior. O objetivo agora era assistir o nascer do sol. E assim, foi. O sol trouxe o amanhecer e uma deslumbrante vista de toda a travessia. Palavras não seriam capazes de expressar, prefiro aqui colocar uma foto.

O Nascer do sol no Açú.

Brincando com as sombras.

Voltamos ao abrigo, arrumamos as mochilas, nos despedimos e agradecemos o Felipe por tudo. Por volta das 7:30 saímos para o segundo dia de caminhada. Nossos objetivos do dia eram visitar, ainda de manhã, os Portais de Hércules e cruzar os vales da parte alta do Parque até o Abrigo 4 (Pedra do Sino). Descemos o primeiro vale e logo tivemos uma forte subida até o morro do Marco com aproximadamente 2.150m de altitude. Logo depois, já descendo o segundo vale, deixamos as mochilas em um local protegido e viramos para leste, rumo aos Portais de Hércules. Aqui vale atenção para a bifurcação. Ela não é tão bem demarcada e pode gerar confusões. Conheça o caminho ou esteja muito bem orientado.

Um dos fundos de vale.

Daí em diante a trilha se transforma numa descida que, por vezes, aparece de forma suave e, em outras, algumas sequencias de degraus e pula-pedras. São aproximadamente 1,5km até um dos pontos mais bonitos da Serra dos Órgãos. O mirante possui esse nome por conta da imagem que uma das formações rochosas próximas fazem, parecendo o rosto do filho de Zeus. Chegamos às 8:40, mas infelizmente não pegamos uma vista aberta, apenas momentos de visibilidade da Coroa do Frade, ponto logo a frente. Não tenho uma super foto sobre esse ponto, mas valeu a experiência e a conquista.

Tonhão nos Portais de Hércules avistando a Coroa do Frade.

Voltando à travessia.

Subimos de volta ao ponto da bifurcação, encontramos as mochilas e voltamos à travessia. Descemos e subimos o segundo vale até o Morro da Luva. Continuamos adiante por uma das minhas partes favoritas da travessia: a descida/passagem pelo Morro do Balão até o pé do Elevador: uma escada de ferro íngreme e desafiadora para iniciantes. Para mim, que já estive tantas vezes lá, um dos pontos que mais gosto. Nos seus pés tem uma cachoeirinha. Paramos, nos abastecemos de água e fizemos um lanche reforçado por volta das 11:30. Subimos o elevador e chegamos ao alto depois do terceiro vale. Já não faltava muito para fecharmos o dia.

Súbida do elevador.

Seguimos adiante, contornamos pela esquerda e descemos rumo ao Vale das Antas. Passamos por lá, pegamos mais água, vencemos uma sequência com muita lama e sumidos o Morro da Baleia. Já lá em cima, respiramos e partimos para enfrentar o último vale.

Logo apareceu a vista imponente e gigante da Pedra do Sino. Já não lembro quantas vezes me deparei com essa vista, mas ela sempre me impressiona. Veio a descida do mergulhão: um trecho de desescalada que demanda um pouco de atenção. Passamos com certa facilidade e subimos o paredão do Sino rumo ao Cavalinho. Às 13:20 chegamos lá. Esse ponto da travessia trata-se de um pequeno trecho de escalada que pode ser feito sem cordas, mas que exige um pouco de atenção para que não aconteça nenhum acidente grave, já que existe um penhasco à sua esquerda. Ela recebe esse nome pois o seu último movimento se assemelha ao processo de montagem em uma sela de cavalo. Eu e Antônio passamos com tranquilidade. É só ter atenção nos passos prévios e decisivos para subir na última pedra.

O Sino aparecendo.

O cavalinho.

Logo em seguida aparece mais um lance parecido, comumente apelidado de Coice (depois do cavalo vem o coice). Passamos e, logo adiante, chegamos na bifurcação que dá acesso à Pedra do Sino. Deixamos as mochilas, viramos à direita e começamos a subida do paredão. A trilha é praticamente toda cravada na rocha, mas não apresenta mais dificuldades técnica ou lances expostos. Chegamos lá em cima por volta das 13:55. Conquistamos os 2.275m do ponto mais alto da Serra dos órgãos. No marco, curtimos o visual que aparecia de tempos em tempos entre as nuvens. E, claro, comemoramos muito.

No cume da Pedra do Sino.

Voltamos e seguimos para o nosso destino final. Chegamos no Abrigo 4 às 14:30. Nos alojamos, descansamos, fizemos comida e, mais uma vez, passamos horas conversando com o guarda-parque em serviço: Ed. Um monte de histórias e aprendizados. Já pensava nisso há algum tempo, mas hoje tenho ainda mais certeza da extrema necessidade de que esses caras sejam mais valorizados pelas empresas que fazem parte da administração da UC. Mesmo com tantas dificuldades, eles falam do Parque com uma paixão impressionante e sem deixar o brilho nos olhos cair. Aqui fica minha admiração total.

Lá pelo inicio da noite, fomos dormir. Foi um dia de aproximadamente 11km de caminhada pelas cristas e vales do alto da Serra, com suas paisagens impressionantes, suas rochas expostas em meio a uma vegetação baixa nos campos mais altos e os fundos de vale com córregos gelados e vegetação mais densa. Claro, lances desafiadores, pontos marcantes e o charme das nuvens que batem na serra, jogando uma pitada de mistério e de conquista a cada novo visual que se revela entre passos e respirações ofegantes.

Dia 3 – 11.3.2020: Abrigo 4 (Sino) x Sede Teresópolis (barragem na parte baixa).

Acordamos no terceiro dia também às 5:00. Como no dia anterior, subimos a Pedra do Sino para ver o sol nascer. Caminhamos por 20 minutos e sentamos novamente no topo da montanha para aguardar o amanhecer. Agora a vista era outra, ao invés de toda a travessia, víamos o Parque Estadual dos Três Picos no horizonte regendo a ascensão do sol. De cara, fiz o convite: “e aí, quando vamos lá?”. Muita empolgação e fotos já com o azul no céu. Descemos de volta para o abrigo, dessa vez pela Pedra da Baleia. Arrumamos as coisas mais uma vez, nos despedimos do alojamento e iniciamos a descida final rumo à Teresópolis. Um destaque especial vai para um Cachorro-do-mato avistado na descida da manhã, mas que depois retornou para nos visitar na porta do Abrigo.

O nascer do sol do Sino.

Visitante da manhã.

O trecho final se desenvolveu por aproximadamente 11km de uma suave descida, sempre seguindo o delineamento das curvas de nível. No início com um solo mais desenvolvido e repleto de raízes e rochas brutas, já no final, o que sobrou das trilhas coloniais feitas na época do império, com suas pedras “geometricamente” posicionadas que hoje se configura como um ponto de atenção pelas suas superfícies escorregadias. Vale ressaltar a parada na Cachoeira Véu da Noiva (também), mas agora a de Teresópolis.

Descemos e descemos até que, por volta das 13:00, chegamos à represa instalada na saída da travessia, já de volta aos 1150m de altitude. Lá encontramos o carro do Antônio estacionado. Comemoramos, tomamos água de uma das fontes do local e seguimos viagem para a saída do Parque. Acertamos as burocracias e nos despedimos rumo ao centro de Teresópolis para almoçar.

E assim foi a nossa caminhada. Concluímos a travessia Petrópolis x Teresópolis com muita calma e sem pressa, em três dias, leves e sem encontrar nenhum outro visitante. Aproveitando o extremo silêncio humano para ouvir o som da natureza. Uma conexão profunda pelos aproximados 32km percorridos.

CONCLUSÕES

Eu já fiz a travessia mais de 10 vezes, mas nunca tinha conseguido andar por ela sem encontrar ninguém. Foram três dias de meditação em movimento. Sempre atento ao próximo passo, ao flutuar das nuvens e à próxima paisagem que se revelava. Quase ninguém ao redor, foco total no que de melhor tem na Serra dos Órgãos.

Ao mesmo tempo, foram três dias de muito aprendizado técnico e de vida com o Antônio. Como disse anteriormente, ele é uma das pessoas que mais admiro por toda a sua simpatia e humildade. Saio dessa extremamente honrado pelo convite e pela possibilidade de ter caminhado por subidas e descidas com esse grande professor.

Essa foi a minha última caminhada antes do período de maior restrição provocado pela pandemia do Covid-19. De certa forma, enchi o meu espírito de boas energias para que pudesse passar por esses dias tão difíceis de isolamento e reflexão.

Por fim, guardo as boas conversas com os guarda-parques. Em todas as vezes que estive por lá, a atenção sempre estava muito direcionada às pessoas que estavam comigo, à logística ou ao que tinha que fazer em seguida e não conseguia ter boas conversas com os mesmos, também sempre muito ocupados. Fico ainda mais impressionado com a energia que esses caras têm. Hoje sei melhor sobre o grande amor que possuem pela Serra dos Órgãos. Minha admiração e profundo agradecimento só aumentaram depois dessa caminhada. Junto a isso, aflorou também o meu senso crítico com relação a administração privada de unidades de conservação. Será que o lucro e a ambição realmente combinam com cuidado e conservação?

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros

Published on 01/15/2021 18:30

Performed from 03/09/2020 to 03/11/2020

3 Participants

Antônio Calvo Armazém Aventura Gear Tips

Views

362

13
Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 01/16/2021 23:18

Fala, David. Essa é uma das clássicas! Você tem que ir...

Clube Outdoor
Clube Outdoor 01/27/2021 08:41

Que dupla! Tonhão, vamos para o Baú assim que a Pandemia acabar hein!

Antônio Calvo
Antônio Calvo 01/27/2021 14:52

Será um prazer Clube Outdoor 🤘

Zoé
Zoé 02/09/2021 21:56

To nessa aí do Baú hein.

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 02/09/2021 21:59

Boa, zozoca!!! Você tem que conhecer aquela escadaria irada!

Antônio Calvo
Antônio Calvo 02/11/2021 15:55

A Zoé não subiu o Baú ainda ? 😯

Zoé
Zoé 02/11/2021 16:08

Eu to aguardando o COMBO do Armazém Aventura de escalada no Baú + Massagem com a Luiza Calvo ! Um fim de semana energizante! To querendo🤘🏻

Antônio Calvo
Antônio Calvo 02/12/2021 08:57

Kkkkk boa ! Anotado

Bruno Negreiros

Bruno Negreiros

Rio de Janeiro

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Engenheiro ambiental e montanhista com o sonho de contribuir para a disseminação dos esportes ao ar livre e de aumentar a conscientização ambiental e social no mundo outdoor.

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