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Trilhas pela Amazônia Peruana

Trilhas pela Amazônia Peruana

Conhecendo a Amazônia do outro lado da fronteira do Acre, na região peruana de Madre de Dios, na reserva ARBIO às margens do R. das Pedras.

Hiking Navigating

Nesta visita ao Peru (maio/junho de 2019) fomos conhecer a Amazônia.

Fronteiras são linhas imaginárias que separaram administrativamente os países.

A vegetação, os animais e culturas desconhecem fronteiras.

Nossa porta de entrada foi Puerto Maldonado, capital da Região (Estado) de Madre de Dios, vizinha do nosso Acre.

Aeroporto de Puerto Maldonado


Aqui passa a Estrada (Carretera) inter-oceânica, ligando o Brasil Pacífico.

Puerto Maldonado é uma cidade plana, quente eu simples com um povo muito acolhedor e encantador.

A Pequena Plaza de Armas ostenta uma torre de relógio que atrai famílias ao seu redor. Nas noites de P. Maldonado a praça fica repleta de crianças correndo livremente.


Fica também em Puerto Maldondado a maior ponte do país, cruzando o rio Madre de Dios.


A Agência do Ministério da Cultura na cidade possui um interessante acervo arqueológico com cerâmicas e outros objetos. Apresenta também informações sobre as principais comunidades indígenas da região.

Ficamos hospedados na primeira noite no Hotel Copasu, que foi uma grata surpresa qual qualidade das instalações.

De Puerto Maldonado saem excursões e pacotes para Eco-Lodges na região do Rio Tambopata, que apresenta um turismo estruturado há mais tempo.

Mas em contato com nosso amigo peruano Sandro Taboada (guia turístico e estudante de engenharia florestal), fomos apresentados a uma área mais primitiva, na região do rio das Pedras.

Assim, fomos conhecer uma reserva particular denominada ARBIO, empresa de três irmãs, idealizada pela engenheira Florestal Tati Espinosa.

No Peru existe uma interessante forma de administração de áreas verdes que é a "concessão".

Uma empresa pode obter concessão de uma gleba de floresta para extrair madeira, ou minério. Mas pode também obter concessão para preservação.

Nestas concessões para preservação, a empresa pode explorar o turismo, essências ou outros produtos como sementes. Assim é a ARBIO.

Da cidade, fomos de van por cerca de 1 hora em rodovia até Alegria e então seguimos mais um 1h30 em estrada de terra até um ponto de embarque no povoado de Lucerna às margens do Rio das Pedras.

Lá tomamos a embarcação Maui (nome em homenagem a um cachorro da reserva) e em uma viagem de 1h30 chegamos ao destino: a Concessão ARBIO.

Além de nós (Claudio e Carlo) estavam no mesmo barco o nosso guia Sandro, a cozinheira contratada especialmente para nós, a D. Delicia, e o casal de caseiros que cuidam da Reserva, Don Emérito e sua esposa.



O local é rústico, mas muito bem cuidado. Há a casa dos caseiros, o alojamento (de dois andares), o refeitório com cozinha e os banheiros, com sanitários e duchas. A energia elétrica é a base de gerador, que fica ligado algumas horas à noite, para preparar e servir o jantar.



A falta de Internet e uma alimentação sem carnes, sem pimentas e outros condimentos fortes, e quase nada de café nos proporcionaram, além de uma desintoxicação, e uma conexão maior com a natureza que nos envolvia, que pode ser chamada Pachamama.


A atração principal da Reserva é o SHIHUAHUACO (Dipteryx micrantha), árvore de grande porte que está em extinção devido à intensa comercialização de sua madeira. O ARBIO possibilita que pessoas possam "adotar" uma SHIHUAHUACO, pagando um valor anual. O adotante recebe fotos periódicas da sua árvore e notícias de seu estado, ajudando assim a preservar estas imensas árvores centenárias.



Fizemos duas trilhas de cerca de duas horas cada, onde Don Emérito e Sandro nos contavam sobre as propriedades medicinais das árvores, nos mostravam árvores caídas que seriam utilizadas para edificações na reserva e até fungos, responsáveis por dar início a ciclo de vida e morte na floresta, reciclando nutrientes. Há uma incrível árvore cuja casca vermelha tem cheiro idêntico a atum. Infelizmente não é comestível.

á também alguns locais, chamados de Collpa, com alta concentração de sal onde os animais vem lamber o solo. Estavam instalando um casa de mata, para podermos observar os animais com segurança, e também para não disturbar o momento de alimentação dos bichos. Instalaram câmeras fotográficas de acionamento automático para estudar o comportamento dos animais e estabelecer os melhores horários para visitação.

Não chegamos a ver os animais grandes, mas as pegadas de cervos, antas e capivaras, tanto na Collpa, como nas margens de rios e "quebradas "(córregos) indicam a presença desses animais.

pegadas

É um bom local também para observação de pássaros e contemplação do céu noturno, já que a falta de luz artificial numa grande área de selva proporciona a visão da nossa Galáxia.



De madrugada, a neblina do rio condensava nas árvores e a água gotejava sobre nosso telhado, como se estivesse chovendo. Incrível também esse ciclo da água.

Visitamos também a comunidade indígena Vitoria da etnia Yines (pronuncia-se djnes), localizada a menos de uma hora de barco, rio abaixo. Infelizmente os nativos não vieram conservar conosco, apesar de permitir a visita as áreas da aldeia. Também deixaram de produzir artesanato e cerâmica. Por sorte, conseguimos comprar uma peça de cerâmica para nosso acervo em Puerto Maldonado, no Centro Turístico, onde há lojas de várias etnias.



Ao amanhecer do quarto dia, acordamos bem cedo, ainda envoltos pela neblina para levantar acampamento. Hora de voltar à cidade.



Todos a bordo do Maui, descemos o rio das Pedras por cerca de três horas até um pequeno porto na comunidade Savaluyoco, passando por algumas balsas transportando madeira aplainada. Nos parece uma atividade familiar, pois em algumas balsas iam homens, mulher e crianças.


Lá, nos despedimos de Don Emérito e sua esposa e fomos de carro até Puerto Maldonado em uma viagem de 45 minutos.

Nos despedimos de Dona Delícia (Facebook: delicia romero salinas) e do Sandro (facebook: Sando Taboada). Mas aproveitando o lado bom da Internet, vamos nos manter conectados com os nossos novos amigos.

Pelo pouco que conhecemos da Amazônia peruana e pelo pouco que conhecemos da Amazônia brasileira, parece que a grama do vizinho é mais verde!

Claudio Luiz Dias
Claudio Luiz Dias

Published on 06/21/2019 19:20

Performed from 05/27/2019 to 05/31/2019

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Edson Maia
Edson Maia 06/23/2019 12:36

trip muito bacana! deve ser uma experiência bastante singular e especial passar algum tempo em lugares assim. muito bom!!!

Claudio Luiz Dias
Claudio Luiz Dias 06/24/2019 15:32

É verdade Edson. A rusticidade conecta outros sentidos. Abraço

Claudio Luiz Dias

Claudio Luiz Dias

Caraguatatuba

Rox
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Agrônomo pela ESALQ USP.Trabalha na CETESB (Agência Ambiental do Estado de São Paulo) desde 1990. Interesse por meio ambiente, historia e cultura (foco em cerâmica indígena)

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