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Vinicunca, a montanha colorida. Peru.

Vinicunca, a montanha colorida. Peru.

Em 2019, voltamos a Cusco com o objetivo principal de conhecer a Montanha Arco Iris

Hiking Mountaineering

Na primeira vez que estivemos em Cusco, em 2016, fizemos a trilha Inca de quatro dias até Macchu Picchu. Na oportunidade ouvimos falar da Montanha Arco-íris, mas não tivemos tempo de conhecê-la.

Desta vez, em 2019, voltamos a Cusco com o objetivo principal de conhecê-la.

Assim que chegamos no Hotel Casa Real, recebemos a visita de nosso amigo Mario Fernandez Quispe, que foi nosso guia na trilha Inca, para um briefing sobre a caminhada até a Montanha Colorida e para nos apresentar seu colega Adner Choqque Lique, que seria nosso guia nessa jornada.

Vinicunca é uma montanha localizada a cerca de 100 km de Cusco, a uma altitude superior a 5.000m, que foi aberta à visitação há poucos anos, mas já está recebendo cerca de 1.000 turistas por dia. As cores resultam da oxidação dos diferentes minerais formados durante diferentes processo geológicos durante milhões de anos.

Uma das possíveis razões para este sitio turístico ser tão recente em uma zona tão antiga é a Mudança Climática: o aquecimento global derreteu alguns glaciais próximos e há muito tempo a montanha não fica coberta de neve, revelando então as cores incrivelmente delimitadas em faixas.

Para fugir das multidões, resolvemos fazer um tour particular, só nós (Claudio e Carlo) e nosso guia Adner, que foi também o motorista.

No dia combinado, após uma aclimatação à altitude, saímos do Hotel em Cusco às 3h00 da manhã, com temperatura ao redor de 8ºC.

A primeira grata surpresa foi que o pessoal do Hotel Casa Real nos brindou com um kit café-da-manha, com frutas, suco e lanche de queijo.

Seguimos por uma estrada muito boa por cerca de 80km, passando por vários povoados, cada um especializado em um tipo de produção (pão, porco, cui, etc).

Depois, ainda na escuridão, na localidade de Cusipata, entramos por uma estrada vicinal de terra, tão estreita e cheia de curvas que não passam dois carros ao mesmo tempo. (A escuridão da noite nos impedia de ver o desfiladeiro abaixo....) .

Além das curvas fechadas, alguns veios de água deixavam alguns pontos com lama, e o Adner se mostrou um exímio motorista pelos 22 km dessa estrada.

À medida que subíamos, o termômetro do carro indicava a temperatura caindo.

Uma pequena parada na portaria do Parque para adquirir os ingressos (10 soles por pessoa), percebemos como estava frio fora do carro, até para os locais.

Chegamos ao estacionamento por volta das 5h30 da manha, com o dia apenas clareando em meio à densa neblina e o termômetro marcando 0ºC.

O estacionamento que fica a uma altitude de 4.600m, ainda estava praticamente vazio e após nos recuperarmos do enjoo das curvas, comemos nosso café da manhã (aquele kit oferecido pelo Hotel), e criamos coragem de sair do carro.

O primeiro impulso foi pegar a máquina fotográfica e sair clicando. Mas ela se recusou a funcionar, muito provavelmente pelo frio. A solução foi usar a câmera do celular.

Os arrieiros (pessoas locais que transportam cargas e pessoas com cavalos) estavam iniciando suas atividades, preparando os cavalos. Com seus trajes típicos coloridos e grande simpatia. Eles levam turistas no lombo de cavalos até a base, antes da parte íngreme.

Para chegar aos 5.000m de altitude seguimos por uma trilha de 6 km, que se inicia plana e depois, no ataque final, fica bem íngreme.


No início, tudo era neblina e manchas brancas de geada. Vencendo o frio congelante, me arriscava a tirar a mão fora do bolso para fazer algumas fotos. Como tudo muda rápido demais com o Sol que estava nascendo, os cenários tinham que ser fotografados no instante, e não depois.

Isso me ajudava também a descansar, enquanto mascava algumas folhas de coca.

Uma moradora local também seguia a trilha para levar produtos para vender aos turistas lá perto do cume. Iamos seguindo essa moradora e nosso guia Adner nos incentivava a continuar, antes que as excursões chegassem.

O Sol começou a despontar e a neblina a se desfazer, revelando paisagens surpreendentes.

Chegamos então ao "ponto de sela" entre a montanha colorida e a montanha vizinha que serve de ponto de observação. Ali há uma parede de pedra que além de impedir o acesso à montanha colorida, nos abriga do vento.

Antes de nós, apenas um grupo que estava fazendo a trilha de quatro dias até Vinicunca e acamparam próximo ao topo. É preciso estar preparado para acampar em noites congelantes.

Paramos um pouco para descansar e Adner nos incentivou a seguir para o ataque final. Poucos metros para subir, mas a 5.000m de atitude e com frio intenso, a caminhada se torna uma proeza!

Ao chegar ao cume, um cachorro que passou por nós durante a caminhada, relaxava tomando sol. O que um cachorro vai fazer no alto da montanha?

Bom, o visual foi: Uau!!!!!

À medida que o Sol vencia as nuvens, as cores da montanha iam ficando mais intensas. Uma luta intensa acontecia: ficar fotografando, mudar lentes da máquina (que enfim voltou a funcionar) e aproveitar a paisagem sem os turistas ou guardar a mão do frio e descer para o abrigo?

Eu fiquei fotografando e o Carlo desceu. O cachorro o acompanhou e eu descobri o que o cachorro foi fazer lá: hipnotizar o Carlo que lhe deu toda a nossa porção de queijo, o pão, e umas bananas....

Lá de cima, pudemos observar também a montanha Ausangate, a montanha mais alta da região de Cusco que atinge 6384 m de altitude.

Começamos a descer, no contra fluxo das pessoas e cavalos subindo. Há duas trilhas, sendo uma especialmente reservada para os arrieiros e seus cavalos.

Com ajuda do Adner, conseguimos comprar um gorro legítimo de lã de alpaca, diretamente de um arrieiro muito simpático, que nos abraçou tão carinhosamente que nos emocionou.

O sol descongelou as moitas de vegetação que estavam esbranquiçadas pela geada e as alpacas começavam a pastar nas encostas íngremes.

Percebemos outra vantagem de ter ido cedo. Com o sol de frente, fica bem mais difícil caminhar. Na descida estávamos com o Sol pelas costas.

Paramos para fazer uma reverência à Pachamama, como o Mário nos ensinou na Trilha de Macchu Picchu: Três folhas de coca cruzadas em leque, depositadas no solo e por cima delas uma pilha de pedras, guardando nossa oração e nosso agradecimento pela oportunidade de estar neste incrível lugar.

Voltamos ao estacionamento, que já estava lotado e pegamos a estrada de terra de volta. Foi então possível ver todo o vale e como a estrada é estreita. Num certo ponto, um trator fazia manutenção da estrada, chegando a ficar em balanço no abismo. Do outro lado uma ambulância também esperava. No fim, como tinha outros carros atrás de nós, a ambulância foi de ré até um ponto possível de passar dois carros, e passamos!

Transitar por estas estradas não é para amador e Adner se mostrou muito competente.

Fomos observando as vilas e as fazendas de criação de alpacas. Pela falta de florestas, as cercas, currais, muros e casas são feitos de pedras, delicadamente empilhadas.

Voltamos a Cusco e apreendemos com um ceramista que em Quechua (língua nativa), não existe a palavra "adeus", mas somente algo como "até mais" ou até a próxima vez".

Este é nosso sentimento em relação ao Peru e a Cusco: Tupananchiskama!

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Marcelo A Ferreira
Marcelo A Ferreira 07/07/2019 22:59

que legal. fui ai em 19/05/2019. Primeira e provavelmente úniva vez, hahaha. É lindo porém um pouco cansativo.

Claudio Luiz Dias
Claudio Luiz Dias 07/08/2019 15:39

Sim, Marcelo. É cansativo , mas vale a pena, não é? Abraço

Edson Maia
Edson Maia 07/10/2019 08:58

Belo relato, Cláudio! Tenho o sonho de fazer os trekkings na região de Vinicunca... quem sabe eu consigo em 2020?!kkk Abraço!

Claudio Luiz Dias
Claudio Luiz Dias 07/15/2019 07:58

Edson, espero que consiga sim. O visual e as pessoas são incríveis. Se eu puder ajudar em algo mais, fique à vontade para entrar em contato. abraço e sucesso.

Edson Maia
Edson Maia 07/15/2019 08:18

Opa! Valeu, Cláudio! Quando eu colocar em pauta essa missão, vou entrar em contato para pegar algumas dicas. Abraço!!!

Claudio Luiz Dias

Claudio Luiz Dias

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Agrônomo pela ESALQ USP.Trabalha na CETESB (Agência Ambiental do Estado de São Paulo) desde 1990. Interesse por meio ambiente, historia e cultura (foco em cerâmica indígena)

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