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Campo dos Padres: Urubici, SC

Campo dos Padres: Urubici, SC

Um lugar desafiador para muitos e raro para poucos.

Trekking Hiking Camping

Vou contar pra você, uma história que aconteceu há muito tempo atrás. Lá por 2013, nos primórdios das minhas experiências com trekking selvagem. Mas, como disse, tudo é experiência e, bastou vivenciar uma vez para aprender a praticar o esporte com segurança e tranquilidade!

Nem sempre, quando optamos em viver uma nova aventura, escolhemos o local mais distante. Nos contentamos com a riqueza natural de nossa terra. Faz tempo que a região sul do Brasil, principalmente a Serra Catarinense, faz de nossas vidas uma aventura.
Sendo assim, a travessia no Campo dos Padres foi lançada à mesa.
Muitos desistiram da experiência. Afinal, uma travessia a pé não é apenas uma rota a seguir. Requer planejamento, disposição e preparo físico.

Planejamento e disposição

Tínhamos planejamento, disposição e sede por aventura. Mas o preparo físico não era dos melhores, principalmente para aguentar o peso de algumas mochilas cargueiras que estavam um pouco acima do normal. Principalmente a minha. Isto não vale para todos, pois alguns estavam muito bem preparados fisicamente e com mochilas muito bem arrumadas.
O trajeto inicial de 52km, tinha como objetivo alcançar o cume do Morro do Boa Vista, cuja altura mensurada pelo CEFET em 2010 alcança 1827m, ultrapassando o Morro da Igreja com 1822m como o ponto mais alto do Estado de Santa Catarina. Não é muita diferença, mas chegar ao ponto mais alto do Estado se tornaria um marco nesta aventura.
O percurso seria dividido em 3 dias. Com saída no dia 29 e retorno no dia 31 de maio. No primeiro dia percorreríamos 18km até o acampamento base. No segundo, 16km até o Morro do Boa Vista. E, no terceiro, 18km ao retornarmos.
Mas... não foi bem assim que aconteceu. Nunca é!

Albergue Rio Canoas

Partimos de Tubarão no dia 28, por volta das 14:20m em direção ao Albergue Rio Canoas (www.riocanoas.com.br), situado na região de Urubici, próximo ao corte na Serra do Corvo Branco, nas coordenadas: 28° 01' 49" S, 49° 22' 30" O.
O clima estava bastante instável. Por isso, fomos lamentando e torcendo que o tempo mudasse. O que não aconteceu.
Por volta das 18hs chegamos no albergue. Nos estabelecemos e procuramos ajeitar tudo o mais rápido possível para descansar ao máximo para o dia seguinte; início da travessia.
Por lá, nos encontramos com mais três colegas: o ex-PQD Omar Manne, sua esposa Kátia Otte e o fotógrafo Ricardo Dalmarco que chegaram da cidade de Pomerode perto das 20hs. Ainda faltavam para completar a expedição: o empresário João Garcia, sua filha Carol e o dentista Anderson Felipe que chegariam de Florianópolis por volta das 3hs da matina do dia 29.
Enquanto isso, já estabelecidos, fomos descansar. No entanto, a noite no albergue foi um tanto agitada, pois uma galera chegou próximo da meia noite e ainda foram jantar. Aquilo acabou com o meu socego.
Já na alvorada (5hs) do dia 29, tinha a sensação de que não havia dormido. Foi estranho e, pensei em desistir neste momento. Mas a partir daqui resolvi me desafiar e concluir o trajeto.

O trator

Omar, nosso "guia", combinou com o Sr. Edson, dono de algumas terras por onde passaríamos, uma carona de trator até a chamada casa de vidro (metade da travessia). Uns 9km do albergue. Economizamos tempo e desgaste físico. O trator tinha um reboque que levou nossas mochilas e equipamentos. Ainda sobrou espaço (pequeno, mas sobrou) para dez pessoas. Outros dois montanhistas de Rio do Sul foram junto do motorista, em cima do paralamas do trator, grudados no "puta merda". Bom pra eles, porque nós nem "puta merda" tínhamos. Foi um desapego à vida! Pensem! Foram 12 caronas e mais o motorista.
Passamos alguns apuros; hora repicando por causa das erosões e pedras (mas olha, cada pedra que você nem imagina) soltas na "estrada" e hora pensando em como sair inteiro caso o reboque caísse no precipício. Várias vezes passamos bem perto! O Dikson, que o diga!
No caminho encontramos um grupo numa rural todo alterada "geneticamente" (um 4x4 robusto e pau pra toda obra) que iria para um rodeio. Aquele carro era O BICHO! Nunca vi nada igual. Mas tenho uma teoria: Se todos estivessem sóbrios, não teriam conseguido fazer o que fizeram. Isso porque numa hora que estávamos passando próximo a uma baita queda, fazendo um curva para a esquerda, não sei como, acho até que uma das rodas daquela Rural ficou no ar, eles nos ultrapassaram. Nunca mais vou esquecer. Pensem na "Esquadrilha de Morte" embarcada no Chucabum, da Corrida Maluca! Aquela turma tinha mais álcool no sangue do que o carro tinha de combustível. Ou seja, mais sorte que juízo.
Contudo, chegamos bem na "casa de vidro". Graças a Deus! Dali foram mais 11km até o acampamento base.

Clima

O terreno, na maior parte era atoleiro. Muito pesado. O tempo não estava firme e o que predominava era o nublado e a chuva. Por um lado foi bom, pois de vez enquando o sol aparecia para "cozinhar" um pouco.

Contratempo

Durante o percurso, tivemos alguns contratempos. Nos perdemos duas vezes em bifurcações mal sinalizadas. O Omar deixou algumas marcações por lá. Com certeza irá ajudar outros montanhistas. Alguns de nós, chegaram a pensar que não iríamos encontrar o acampamento base antes do anoitecer.
Estava com GPS, mas não quis usá-lo, pois o Omar e o Ricardo tinham fotografias de satélite e cartas topográficas da região. Nunca duvidei da habilidade dos dois. Só demorou um pouco mais. O método tradicional nem sempre é o mais prático. Mesmo assim, por volta das 18hs encontramos a bendita base.

Acampamento

Além de tudo, o tempo parecia melhorar neste final de tarde. O que nos animaria para desbravar o Morro do Boa Vista no dia seguinte. Porém, durante à noite, a chuva fina ecoaria dentro da barraca e nos faria repensar nosso objetivo.
Logo quando chegamos o Anderson e o João Garcia deram falta de alguns itens importantes; João esqueceu o sobreteto da barraca (só um detalhe) e o Anderson esqueceu as varetas da barraca (baita de um detalhe). Nunca tinha visto algo parecido.
No fim, o Anderson emprestou o sobreteto da sua barraca para o João. E, por sorte, a minha barraca para "quatro pessoas", cabem duas com os equipamentos tranquilamente, mas este conforto teve um preço: O PESO. Mas na volta, o Anderson me ajudaria trazendo as varetas e os specs, reduzindo um pouco a minha carga.

Prosseguir ou retornar?

Já no dia seguinte (30), nos reunimos para decidir nosso rumo: ganhar o Morro do Boa Vista ou retornar? Decidimos retornar, devido as condições climáticas que não estavam favoráveis, pois o tempo amanhecera nublado e chuvoso novamente.

O retorno e o meu sacrifício

Iniciamos o retorno, no dia 30, por volta das 9h 40min. A alvorada foi por volta das 7h 30min. e já começamos a erguer o acampamento pois o tempo não nos favorecia.
Já no retorno, por ter pecado no peso de minha mochila, logo na metade do trajeto, comecei a sentir dores nas pernas. Principalmente nas subidas. Nas decidas, o bastão ajudava amortecendo o impacto nos joelhos.
Comecei a me desafiar, com aquele peso (+/- 30Kg), a ir cada vez mais longe sem pedir ou aceitar qualquer ajuda dos meus camaradas.
O João Garcia, que estava lado a lado comigo, tentou algumas vezes trocar de mochila, pois a dele estava bem mais leve, mas resisti. Neste momento ainda não havia sido derrotado pelo cansaço e pelas dores.
Sem me consultar, o Dikson achou que eu não iria conseguir chegar até o final e apertou o passo para verificar a possibilidade de alugar o trator novamente para me buscar.
No entanto, considerei a minha derrota, quando faltavam uns 6km, resolvi aceitar a ajuda do João trocando de mochila. A partir daqui apertamos o passo e chegamos no Albergue Rio Canoas uns 20 minutos depois do Dikson, para espanto dele que achava que estávamos algo em torno de 1h 30min de distância.
O cansaço e o stress muscular era tanto que mal conseguia caminhar depois de um pequeno descanso no albergue. Mas a sensação de não ter sido "resgatado" foi bastante gratificante no final.

Turma de Pomerode

Omar, Katia e Ricardo, resolveram permanecer mais um dia e acamparam próximo à casa de vidro ao invés de seguir com a gente até o albergue, retornando no dia seguinte.
No fim...Tudo correu bem com a graça de Deus.

João Batista G. Lostada

João Batista G. Lostada

Tubarão, SC

Rox
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Fui Técnico em TI por muitos anos, mas minha paixão pela aventura e fotografia me fizeram enxergar um novo caminho a seguir. Me tornei fotógrafo e film maker da vida outdoor.

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