AventureBoxExplore
Create your account
Circuito Couto x Prateleiras + Pedras da Maçã e Tartaruga

Circuito Couto x Prateleiras + Pedras da Maçã e Tartaruga

Circuito Couto X Prateleiras passando pela Pedra da Maçã e Pedra da Tartaruga, na parte alta do Parque Nacional de Itatiaia / Itatiaia - RJ

Hiking Mountaineering

Logística:

Combinei com o Bruno Negreiros de irmos ao Parque Nacional de Itatiaia para fazermos o Circuito Couto x Prateleiras. Assim, nossa logística foi basicamente que nos encontraríamos na Garganta do Registro e, de lá, subiríamos os 14km até o Posto do Marcão em um único carro.

Eu saí de Caxambu - MG por volta das 5 da manhã, ele do Rio de Janeiro - RJ às 4.

Já no Parque, a ideia era subir o Morro do Couto, depois seguir para a travessia até as Prateleiras. Após isso, ir à Pedra da Maçã e Pedra Tartaruga e depois retornar à portaria pela estrada, passando pelo Abrigo Rebouças. Como eu já tinha feito este circuito em outra ocasião, levamos o gps apenas como segurança, mas não foi utilizado.

Os ingressos foram comprados pelo site do parque de acordo com as indicações do protocolo de reabertura da pandemia, onde gastamos R$18,00 cada, referente ao valor de entrada, e mais R$16,00 para o estacionamento.

Relato:

Minha intenção era acordar às 4 da manhã, organizar o que faltava na mochila, tomar um banho, pegar o carro e partir pra Garganta do Registro. Acabou que a ansiedade de voltar ao Parque Nacional de Itatiaia me fez abrir os olhos às 2 da madrugada, e não consegui mais dormir. Fiquei enrolando na cama até o despertador tocar. Saí de casa às 5h20 e peguei a BR-354 passando por Pouso Alto, pelo distrito de Capivari e finalmente Itamonte. A partir desta última, segui ainda pela BR por mais 20km no sentido Rio.

Cheguei no Bar do Miguelzinho, que fica na Garganta do Registro, bem no acesso da estrada do parque, às 6h45. Pedi um café puro acompanhado do melhor pão de queijo da região e fiquei esperando o Bruno chegar, o que aconteceu cerca de 20min depois. Deixei meu carro estacionado em frente ao bar e partimos no dele à entrada do parque no Posto do Marcão.

Essa estrada de acesso é bem ruim, e carros baixos passam certo perrengue durante os seus 14km de extensão.

Quando deu umas 8h chegamos na portaria. Fizemos o registro, apresentamos os ingressos e seguimos para a área do estacionamento. Rapidamente arrumamos tudo e começamos a caminhar no estacionamento mesmo até a estradinha ao lado do Morro da Antena, onde ficam as torres de transmissão de Furnas. Desde o início este circuito já vai mostrando toda beleza do seu visual.

Visual do início da trilha

Fomos caminhando por ali até bem próximo ao acesso das torres, onde pegamos uma saída à direita com placa indicativa do Morro do Couto. A partir desta saída a ampla estradinha se torna uma trilha mais estreita, porém super bem marcada. Este trecho oscila entre terra e pedras num percurso bem tranquilo.

Com cerca de 2,5km percorridos chegamos à um platô com uma pequena torre de Furnas que dá a impressão de cume. Porém, basta elevar os olhos um pouco e ver que ainda falta um pequeno trecho de trilha seguido de escalaminhada. Esta parte final é a mais exigente e perigosa do acesso ao Morro do Couto. Se trata de um amontoado de pedras bastante aderentes, onde rola o trepa pedra. Terminada esta subida, há um discreto desvio à direita, onde está o cume do Morro do Couto.

De lá, é possível admirar 360º de tudo que a vista alcança: Agulhas Negras, Serra Fina, o resto do percurso até o maciço das Prateleiras, bem como as cidades de Itatiaia e Resende, a via Dutra algumas cidades de São Paulo... Dá pra ver até mesmo a Serra da Bocaina! Foram cerca de 3km de trilha percorridos em 1h20 até o cume.

Inclusive, vale dizer que o Morro do Couto é o segundo ponto mais alto do estado do Rio de Janeiro, com 2680m de altitude, ficando atrás apenas das Agulhas Negras, e o oitavo ponto mais alto do Brasil. Além disso, seu nome vem do fato que, nos tempos de Brasil Colônia, muitos escravos fugiam das fazendas da região e se escondiam nos arredores do morro. O nome em si vem do verbo acoitar, que significa receber abrigo, ser acolhido. Por isso, inicialmente o local ficou conhecido como Morro do Coito passando posteriormente para Morro do Couto, como é conhecido até hoje.

Vista do cume do Morro do Couto

Paramos para descansar e comer, e fomos engolidos por uma nuvem e ventos bem gelados. Esperamos um pouco e o tempo abriu. Do alto, o Bruno pontuou sobre a clara transição da Mata Atlântica para os campos de altitude, onde a altura das árvores vai diminuindo e dando espaço à vegetação mais rasteira característica de locais acima dos 2000m.

Pouco depois já nos organizamos para continuar o circuito. A partir do Morro do Couto, o trajeto basicamente se divide entre leves subidas e descidas pelas cristas das montanhas que levam ao Maciço das Prateleiras.

Estávamos num ritmo bom e fomos descendo a trilha ora por terra batida, ora pedras marcadas por totens. Cerca de 1,3km após o cume do Couto há um ponto de água e 200m a frente há a saída da trilha que leva ao Abrigo Rebouças, para quem não quiser fazer o circuito completo. Passamos direto pelo local e seguimos nossa pernada. Encontramos o acesso para o Mirante para as Agulhas Negras 600m depois da bifurcação que leva ao Rebouças. Ali decidimos parar um cado pra contemplar a majestuosidade do maciço.

Cabe mencionar toda a beleza impressionante das Agulhas Negras... 2791m de altitude, sendo o quinto pico mais alto do Brasil. Suas rochas sofreram a ação chuvas e ventos por anos, criando sulcos que lembram um amontoado de agulhas e dando nome ao maciço. Pra mim, foi um dos pontos altos da mini travessia.

Vista do Mirante

Minha primeira experiência na montanha foi acessar a base do maciço das Prateleiras e em seguida caminhar à base das Agulhas Negras em junho de 2015. Na verdade, sendo sincera, me emociona apenas estar lá, seja pra ficar de boa na área de camping do Rebouças ou caminhar por alguma das muitas trilhas. O PNI é meu lugar preferido, e quando sentei nas pedras do Mirante, toda a emoção da minha carga de conexão com o lugar me arrebatou. Ao mesmo tempo que eu me sentia completamente feliz por estar ali, tentava conter o meu emocional pra uma porção de lágrimas não escorrer dos meus olhos. Passamos alguns minutos lá até o vento cortante nos convidar a continuar caminhando.

Mais ou menos 1km após o mirante chegamos à Toca do Índio. É uma espécie de gruta/caverna que possivelmente serve de abrigo. Para seguir na trilha é necessário entrar na toca e cruzá-la por completo até a saída.

Durante o caminho, conversei com o Bruno que ali era uma travessia bem tranquila mas que, da outra vez que estive ali, tinha me 'perdido' em um trecho específico de orientação mais difícil, onde acabei varando mato, sempre tendo como direção o sentido das Prateleiras, e aí caí de novo na trilha.

Esse trecho era exatamente a saída da Toca do Índio. Após o final da gruta há uma série de, aparentemente, 'mini caminhos', mas que não levam a lugar nenhum. Tem que ter bastante atenção para, assim que sair de lá, subir uma pedra à direita e depois cruzá-la para esquerda; só assim os totens de marcação ficarão visíveis. Uma vez que seguimos na direção certa, basta descer essa pedra e depois continuar na trilha.

Seguindo por aproximadamente 1,5km o circuito se conecta com a trilha tradicional ao maciço das Prateleiras e, mais 600m com trilha e algum trepa pedra a base das Prateleiras é alcançada. Ao fim de 7,5km do Circuito Couto x Prateleiras, estávamos super felizes. Nos sentamos pra comer e curtir o visual.

O Maciço das Prateleiras é um dos pontos mais altos do Parque Nacional, tendo 2539m de altitude. Sua base fica a 2460m. O maciço recebe esse nome devido aos imensos e curiosos blocos de rocha encostados uns nos outros, dando a impressão que formam um conjunto de prateleiras.

A ida às Prateleiras se tornou tão marcante pra mim que todas as vezes que vou até lá faço uma foto no mesmo lugar. Fiz questão de, mais uma vez, tirar a minha tradicional foto da base e aí depois descemos.

Vista da base do maciço das Prateleiras

Na descida, resolvemos seguir para o caminho da Pedra da Maçã, Pedra da Tartaruga e Pedra Assentada. Da bifurcação que leva à trilha tradicional de retorno ao Abrigo Rebouças seguimos por mais 300m até o platô onde estão a Pedra da Maçã e a Pedra da Tartaruga.

Mais uma vez, curiosas formações rochosas. A Pedra da Maçã é um bloco do rocha de cerca de 9m de altura por 6m de largura. Lembra realmente a forma da fruta e parece ter sido minuciosamente apoiada em uma pequena base. Já a Pedra da Tartaruga, que fica bem ao lado, tem seu formato semelhante ao casco de uma tartaruga. Tem aproximadamente 7m de altura e está equilibrada em cima de várias pedras bem menores.

Este lugar abre um pequeno vale que tem um espelho d'água, formando uma belíssima paisagem. O maciço que aparece mais em destaque no final deste cenário é o da Pedra Assentada. Do platô não é possivel vê-la, mas se trata de um bloco de rocha razoavelmente arredonda e em equilíbrio da perspectiva do maciço, cujo cume só pode ser acessado por escalada.

Fizemos algumas fotos do lugar e logo em seguida retornamos para o percurso tradicional, onde caminhamos por mais 2,5km até o Abrigo Rebouças, em trilha bem marcada, sendo acompanhados pelo maciço das Agulhas Negras ora diante de nós, ora à nossa direita. Uns 600m antes da chegada ao Abrigo Rebouças está, à direita, a trilha de acesso à Cachoeira das Flores.

Paramos rapidamente numa clareira que rende uma vista bem bonita pra cachoeira, tiramos umas fotos e já seguimos para o Abrigo Rebouças. Fizemos um lanche rápido ali e, enquanto isso, olhávamos para cima na direção da estradinha verificando parte do caminho que, mais cedo, tínhamos feito.

Recolhemos o lixinho e aí quando deu umas 15h30 seguimos pela estrada tradicional por mais 3km para retornar à portaria. Chegando lá o Bruno foi pegar o carro enquanto eu dava baixa nos nossos nomes para podermos ir embora.

Aí, assim que saímos da portaria, quando achávamos que tudo já tinha sido perfeito suficiente veio a cereja do bolo. Vimos um bicho enooorme cruzando a estrada do parque! Bruno olhou pra mim e questionou: 'Caraca, aquilo é um boi?' e eu na maior animação - e aos berros - disse: 'Não!!! É um lobo guará!!!!'

Registro do lobo guará

Um animal enorme, lindo, cruzando elegantemente a estrada bem na nossa frente! Apesar de ser uma espécie típica do cerrado, o desmatamento da Mata Atlântica acabou ajudando na aparição da espécie por essas bandas. Tentamos tirar uma foto, mas conseguimos apenas um registro dele mais ao longe, enquanto subia um pequeno morro à nossa esquerda. Enquanto o lobo guará foi saindo do nosso campo de visão, a gente se entreolhou meio besta, meio sem acreditar...

Por fim, seguimos descendo pela estrada até a Garganta do Registro, onde, mais uma vez, paramos no Bar do Miguelzinho, mas agora pra comer um belo d'um pastel. Aproveitei pra encher uns galões na bica da mina de água que tem ali na beira da estrada, depois peguei meu carro e voltamos em comboio pra Caxambu.

Considerações:

É preciso ter muito cuidado com a exposição ao Sol. Mesmo tendo passado protetor solar algumas vezes no percurso, eu fiquei bem queimada. Todo o tempo é Sol na cabeça, sem nenhum ponto de sombra, salvo na Toca do Índio e em alguns poucos pontos já na base das Prateleiras ou próximo à Pedra da Maçã.

Importante dizer também que, apesar de ter um ponto de abastecimento mais ou menos na metade do trajeto, é bom levar água suficiente para toda a travessia, já que é comum este lugar estar seco.

O Circuito Couto x Prateleiras é um caminho belíssimo e super tradicional do parque. É uma trilha de dificuldade moderada e, como eu já tinha feito uma vez, ficou bem fácil me orientar. Não usei gps nem nada, apesar de termos levado um tracklog pra usar em caso de emergência.

Pra mim, é uma das trilhas mais lindas da vida, dá pra curtir o caminho todo, tirar bastante foto... Vale muito a pena meeeeeesmo! Sou um cado suspeita quando o assunto é Itatiaia, mas é garantido gostar sabe...

Apenas vá.

Créditos: todas as fotos são minhas ou do Bruno.

Já a respeito das histórias e informações que coloquei no relato, algumas estão no site institucional do PNI, outras já conhecia através de conversas com montanhistas, guias locais, entre outros.

Danielle Hepner
Danielle Hepner

Published on 11/10/2020 18:45

Performed on 11/07/2020

1 Participant

Bruno Negreiros

Views

962

23
Mohit Rawat (MountainMan)
Mohit Rawat (MountainMan) 11/30/2020 05:07

Amazing 👌👌👌

Ygor Macedo
Ygor Macedo 01/30/2021 22:37

Tô querendo fazer o Couto!!! É possível para quem tá começando? Muito obrigado

Danielle Hepner
Danielle Hepner 01/30/2021 22:40

Oi Ygor! Tudo joia?? Super possível, viu! A subida pro Couto é bem tranquila e tem um visual muito bonito!! Só o trecho final tem uma escalaminhada, mas nada exposto! Vai amar!

Ygor Macedo
Ygor Macedo 01/30/2021 22:41

Estou bem, sim! E você? Obrigado pela resposta... Da para fazer em um dia? Experiência nenhuma em camping hahaha

Danielle Hepner
Danielle Hepner 01/30/2021 22:54

Tudo bem também! Dá sim. A subida do Morro do Couto dá +- 3km. Começando cedinho, tipo 7h da manhã, acredito que 11/12h já esteja de volta, tendo curtido bastante o cume. Já se quiser fazer o Circuito completo até a base das Prateleiras e depois indo até a portaria do parque, dá 12km. Começando 7h lá pras 16/17h termina tudo, isso contando as paradas nos pontos mais legais também.

Danielle Hepner
Danielle Hepner 01/30/2021 22:56

Pra camping, tem a área do Abrigo Rebouças... Tem banheiros e uma estrutura pra cozinhar. Se precisar de alguma ajuda pra equipamentos, etc, só dar um alô!

Ygor Macedo
Ygor Macedo 01/30/2021 23:03

Estamos pensando em ir minha esposa (tentando convencer, ahhaha), um amigo e eu! Como não entendemos muito, pensei em ficarmos em uma pousada e chegar no parque bem cedo! Se tiver dicas no geral eu agradeço muito

Danielle Hepner
Danielle Hepner 01/30/2021 23:12

Que bacana! Olha, o Fliess falou aqui em cima sobre a Pousada dos Lírios! Tem a Pousada dos Lobos também, ambas na estrada do parque. Já na BR354, perto do acesso na Garganta do Registro, seguindo a estrada pra Itamonte - MG, tem Yellow Hostel, Hostel Picus, Nativa Serra Fina... Pra vocês aproveitarem bem essa caminhada, usem calçados bem confortáveis, tênis ou bota de caminhada, um casaco corta vento e bastante protetor solar. Ah, lanches pra comer na trilha e água também!

Danielle Hepner

Danielle Hepner

Rio de Janeiro - RJ

Rox
2158

nerd! professora de matemática apaixonada por montanhas, viagens, doguinhos e ukulele.

Adventures Map

8 Posts

See More

1258 Following



Minimum Impact
Manifesto
Rox

Fabio Fliess, Bruno Negreiros and 405 others support the Minimum Impact Manifest


Together
Inclusive Adventures
Rox

Renan Cavichi, Fabio Fliess and 156 others support the Together page.