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Deserto do Atacama - Chile

Deserto do Atacama - Chile

Fotografias e relato da viagem pelo mais alto deserto do mundo

Logística: (ago/2016)

Aéreo: Rio de Janeiro x Santiago × Calama x Santiago x Rio de Janeiro

Saída do Rio de Janeiro com destino a Santiago, Chile. Ficamos dois dias em Santiago para, no terceiro dia, pela manhã, embarcarmos rumo a Calama. De Calama até San Pedro de Atacama pagamos um transfer a partir do aeroporto. O mesmo nos levou de volta para Calama dez dias depois, onde retornamos para Santiago e ficamos mais três dias até o retorno para o Rio de Janeiro.

Passeios no Deserto: todos pesquisados antes pela Internet... Busquei fotos, relatos etc. Então já cheguei com ideia de tudo que queria conhecer e acertei tudo lá mesmo, no primeiro dia.

Relato:

Dia 1: Saímos do hotel em Santiago durante a madrugada. Nosso vôo até Calama saiu no começo da manhã, e lá pousamos mais ou menos às 9 da manhã.

Na área de desembarque ficam muitas empresas que fazem o translado de aproximadamente 1h de Calama a São Pedro do Atacama. Quase todas as empresas tem o mesmo valor por pessoa; 20000 pesos chilenos ida e volta, se não me falha a memória. Mas, pechinchando, um senhor ofereceu um desconto e cobrou 18000.

Um ônibus da empresa nos aguardava no estacionamento. E, sem trânsito, caos da cidade ou buzinas, fomos deserto adentro até a pequena São Pedro.

Mei'do deserto

Conseguimos pelo airbnb uma estadia simples, porém cheia de aconchego e receptividade, de dois guias locais, o Sebastián e a Mariana. Foi neste ponto que o transfer nos deixou.

Vou tentar descrever um pouco a rua... Terra, barro e poeira pra todo lado. À esquerda, um conjunto de casinhas de Madeira. À direita, um hostel, depois algumas casinhas humildes e finalmente, num portão de ferro, estava a nossa moradia do deserto. Uma parede cinza, dois degraus de ferro. Lá dentro, cores. E um sentimento que jamais vou saber descrever.

Lá fora, ninguém. Apenas vento, poeira, frio. Paz.

O abraço caloroso do Sebastián e da Mariana deu margem a inúmeras perguntas, curiosidades, dicas. E então, já fomos desbravar a rua Caracoles.

Essa é a rua principal, onde fica a maioria das agências de Turismo e comércio. Reservamos esse dia para pesquisar preços dos passeios.

Entramos em cada agência, avaliamos pacotes... No fim das contas, escolhemos com o coração e fechamos praticamente todos os passeios com a Latchir (que não foi nem a agência mais barata ou o mais cara, eu diria 'justo').

E aí fechamos:

- Salar de Tara

- Sala de Atacama, Lagunas Altiplánicas y Piedras Rojas

- Geyser del Tatio / Laguna Cejar

(*os passeios de dia inteiro incluíam café da manhã e almoço, já os de meio período ofereciam café da manhã ou lanche da tarde)

Continuando a andança pela Caracoles, fomos na World White Travel, sugestão dos nossos anfitriões, era uma das melhores agências para a travessia Atacama x Uyuni e fechamos com eles (vale dizer que mesmo que não tivessem sugerido a WWT, pesquisando os preços, teríamos escolhido essa agência.)

Então, ficou decidido na WWT:

- Travessia Atacama x Uyuni em 4 dias (três até o Salar Salão de Uyuni e o último dia de retorno a São Pedro)

Aproveitamos o resto do dia para andar, comprar uns suprimentos no mercadinho e descansar da viagem.

De noite admiramos o céu incrivelmente estrelado.

O céu do deserto

Dia 2: Bem cedinho a van da Latchir passou na nossa casinha. Estava frio, bem frio.

Na estrada, já sentíamos a altitude através dos ouvidos tapados.

Salar de Aguas Calientes

Paramos num ponto chamado Salar de Aguas Calientes, mas as águas estavam bem congeladas na verdade. Nesse ponto o guia nos instruiu a não correr, pular ou fazer movimentos bruscos, pois não estávamos acostumados com altitude. E também preparou o café da manhã pra nós: chás, café, chocolate, biscoitos, bolos, pães. Uma vista bonita, Sol e -2°C.

Desse ponto, seguimos no ônibus ainda subindo até um mirante que tinha como plano de fundo os 'Monjes de Pacana' e uma lagoa de águas esverdeadas formada com o gelo e neve derretidos de um vulcão. Um cenário lindo e totalmente diferente de tudo o que já tinha visto.

Monjes de Pacana

Seguindo, fomos até o ponto que apreciamos do mirante. Vimos como o vento pode ser excelente artesão a ponto de criar a figura de um índio, que seguiu com o semblante do lugar onde estava, totalmente sereno.

Desse ponto, voltamos para o ônibus até as Catedrales de Piedra, onde pudemos caminhar até o topo de uma dessas esculturas do vento e admirar ainda mais a beleza do lugar.

Catedrales de Piedra

Além disso, para a minha felicidade, nesse lugar vi a neve pela primeira vez.

Depois caminhamos admirando a bela e colorida paisagem do Salar de Tara sentindo o vento gelado e escutando o sussurro das enormes esculturas do deserto.

Salar de Tara

Com essa paisagem, almoçamos um banquete: salada com verduras e legumes frescos, abacate, macarrão e frango grelhado. Além de suco ou vinho.

Tivemos tempo para andar, tirar mais fotos... Depois retornamos do passeio.

Volcán Licancabur

O último ponto de parada foi já bem próximo de San Pedro, no meio da estrada, onde pudemos admirar a beleza e imponência dos vulcões Licancabur e Juriques.

Há uma história que os guias contam a respeito dos vulcões Licancabur e Juriques. De acordo com a história, além de Licancabur e Juriques, havia um outro vulcão nas proximidades, uma donzela chamada Quimal. Licancabur e Quimal eram completamente apaixonados um pelo outro, porém Juriques, irmão de Licancabur, que também morria de amores pela dama, estava possuído de ciúmes.

Juriques então, num acesso de raiva, tenta violentar Quimal e, desta forma, acabou despertando a furia de Licancabur. Os irmãos começam uma intensa briga até que Licancabur corta a cabeça de Juriques. Lascar, pai de Licancabur e Juriques, como punição a Licancabur, afasta Quimal da região.

Como uma lenda, óbvio que todos ficam compenetrados escutando os contos do Atacama, ainda mais pelo fato do vulcão Juriques estar ao lado de Licancabur e possuir, ao invés de cume, um platô... Porém, a cereja do bolo vem quando é dito que mesmo com todos os problemas enfrentados, o amor de Licancabur e Quimal é tão grande que uma vez ao ano, depois do solstício de inverno, as sombras dos dois vulcões se tocam.

Licancabur e Juriques

Dia 3: Mais uma vez, a van da Latchir chegou bem cedo. Muito frio, estávamos totalmente encasacados. Dessa vez, outro guia.

Salar de Atacama - Reserva Nacional de los Flamencos

Fomos direto para o Salar de Atacama, na Reserva Nacional de Los Flamencos. Tinha pouquinho flamingo, uma pena; mas ainda assim curtimos demais. Pudemos caminhar por todo o circuito do Salar. Vimos eles voarem, pousarem... Tudo parecendo congelar no tempo.

Nosso guia preparou um belo café. E, depois de muito comer, continuamos nossa viagem.

Seguimos até o povoado de Socaire e lá visitamos uma capela de barro, pedras... Humilde, simples e cheia de vida.

Dali partimos pelos caminhos do deserto até chegarmos nas Lagunas Altiplánicas.

Laguna Miscanti

Miscanti e Miñiques... Lagoas de água de degelo das montanhas. Enormes, lindas. Refletiam o que de melhor o lugar tinha pra nos oferecer. Um cenário de Hollywood é pouco pra descrever, sabe... E, apesar do caminho bem marcado que tínhamos pra percorrer, nos perdemos nas melhores sensações que aquele lugar nos trouxe. Paz, muita paz, e o peito se inflando de gratidão.

Das lagunas, retornamos à van, onde seguimos ao ponto que mais sonhei em todo o processo de escolha da viagem: Piedras Rojas.

Piedras Rojas (oi!)

O lugar recebe esse nome devido ao tom avermelhado das pedras de lava vulcânica. E aos meus olhos, era o lugar mais perfeito desse mundo. Parecia que alguém tinha pintado, com tons perfeitos e o maior capricho.

Não sei se a combinação bucólica das cores, ou o toque rústico das pedras vermelhas moldadas pelo vento, se pelo azul mais clarinho que já vi... Piedras Rojas foi desde o ínicio a minha motivação para essa viagem e fez jus a toda expectativa que criei desde o planejamento de toda a viagem. Realizei um sonho.

Retornamos ao povoado de Socaire, onde almoçamos um verdadeiro banquete: sopa, salada de abacate com pedaços de frango frito, macarrão e ainda tinha fruta de sobremesa.

Depois fomos ao povoado de Toconao, conhecer o vilarejo e passear. Antes de chegar ao povoado, paramos na estrada no ponto do Trópico de Capricórnio. Esse é um ponto muito interessante de parada, já que os trópicos são pontos onde o Sol tem incidencia perpendicular durante os solstícios. No caso do de Capricórnio, o fenômeno acontece no verão do Hemisfério Sul. Além disso, como tal fenômeno acontecia quando o sol estava posicionado sobre a constelação de Capricórnio, por isso esta linha de latitude recebeu o nome de Trópico de Capricórnio.

Marcação do Trópico de Capricórnio na estrada

Neste dia nos despedimos do nosso lar, a casinha de Sebastián e Mariana. Cheios de gratidão, seguimos para o Hotel Purilackti, do simpático Javier Mondaca.

Dia 4: O transporte da Latchir nos buscou na esquina da rua do hotel. Dessa vez, se atrasaram uns minutos.

Era muito cedo, 04:30. Tínhamos que sair nesse horário pois o objetivo era pegar o nascer do Sol nos Geyseres do vulcão Tatio. Até a região, duas horas de estrada.

Geysers del Tatio

A madrugada era fria. Chegar aos gêiseres foi sentir cada parte do meu corpo congelando. Nunca senti tanto frio, -14°C.

O guia preparou o café da manhã antes de iniciarmos nosso 'tour' por entre os buracos de exterior congelado, mas com interior que parecia uma caldeira e faziam a água que derretia do gelo ferver. Nem a caneca com chá bem quente aliviava o frio e a sensação que os dedos iam quebrar a qualquer momento.

O nascer do Sol trouxe, além de um conforto pelo calor, uma sensação diferente. Ali sim era um cenário que eu nunca tinha nem imaginado. Atrás do vulcão 'inativo' surgiam tons de vermelho, laranja... E um céu azul ia descortinando.

Povo doido na 'piscina termal'. Dentro, 30°. Fora, -14°.

Enquanto a natureza ia cuidando do seu espetáculo, nós caminhávamos pela trilha de pedrinhas marcadas no chão. Um pouco mais adiante, uma piscina de águas quentes, água com 30°C e muita gente nadando. Achei bacana apenas admirar. rs

Machuca

Lá pelas tantas, fomos ao povoado Machuca. Lá, quem quis pôde provar espetinhos de carne de lhama. Eu preferi abraçar um filhotinho de 3 meses. Um senhor cobrava por fotos com a lhaminha, mas não por abraços. E eu a abracei o quanto pude.

Antes do almoço retornamos para San Pedro.

~

Depois do almoço, fomos para a Laguna Cejar.

(Foi o passeio mais zoado. A Latchir não teve quórum pra esse passeio e nos transferiu para uma agência que não lembro o nome. Pagamos por um passeio que incluía Ojos del Salar, Laguna Cejar e Laguna Tebiquinche. Fizemos apenas a Laguna Cejar.)

Chegamos na Laguna, o guia, que falava 392 idiomas, explicou que a tal lagoa que tinha tanto sal a ponto de nada afundar nela não era a Cejar, e sim uma que fica uns 200/300m da lagoa original.

Entramos na tal lagoa, uma sensação estranha e nada de afundar mesmo. A água é tão salgada que deixa a pele branquinha. Mas gelada a ponto de fazer cada ossinho doer.

Laguna Cejar

O guia enquanto isso arrumou um lanche da tarde, com o pisco mais famoso do deserto, petiscos... E curtimos o pôr do Sol que pintava a Cordilheira dos Andes. Depois que a noite caiu, retornamos à São Pedro.

Pôr do Sol visto da Laguna Cejar

Dias 5, 6, 7 e 8: Esses foram os dias da travessia Atacama x Uyuni. Foram tantas paisagens e histórias que prefiro escrever em outro relato.

Dia 9: O retorno do Salar de Uyuni foi exaustivo. Levamos 3 dias para chegar ao enorme deserto de sal e apenas um para retornar a São Pedro. Foi uma viagem exaustiva principalmente pelas intensas variações de altitude. Por isso, com a exaustão dos dias anteriores, pela manhã, dormimos. De tarde, fechamos o passeio do Valle de La Luna com a Volcano Adventure.

Valle de la Luna, fazendo jus ao nome

Fomos num micro ônibus ao vale. Lá, fizemos um tour por entre la cordillera de la sal. Uma caminhada curtinha, que leva de 15min a meia hora. O guia vai explicando sobre a Cordilheira, ação dos ventos... E ao fim da caminhada paramos num trecho que serve de 'mirante'.

Para assistir o pôr do Sol, voltamos ao ônibus e seguimos para o Valle de La Muerte, onde tem a Piedra del Coyote. É um mirante com vista para o Valle. Recebe esse nome devido ao desenho animado do papa-léguas, por ser a pedra onde o coiote faz inúmeras tentativas (frustradas) de capturar o papa-léguas. Lá a gente se maravilhou com o pôr do Sol, diversos tons iluminando as montanhas...

Mirador Piedra del Coyote - Valle de La Muerte

E nesse clima nos despedimos no deserto.

Dia 10: Nosso transfer nos buscou bem cedinho (e com MUITO atraso!) e partimos para o aeroporto de Calama, com destino a Santiago.

Sentimos apenas por não termos feito a ascensão ao Volcán Lascar e o tour astronómico (este não foi possível pela época da lua cheia, uma pena)

Considerações:

Em termos de altitude, é super recomendado que se comece por passeios de altitude mais baixa e sendo organizados de forma gradativa. Nosso organismo é uma caixa de surpresas e mesmo que você já tenha ido alguma vez ao Deserto e nada tenha acontecido, você pode sofrer sim com o mal da altitude. Neste caso, abuse da coca. Masque as folhas, consuma balas e chás... É o que ajuda a passar menos mal durante os passeios.

Opte por passeios full-day, pois todos incluem almoço e café da manhã. A alimentação no deserto é bem cara e, desta forma, você economiza muito.

Reserve o transfer do aeroporto na chegada a Calama. Assim que desembarcar vai ter uma infinidade de pessoas e empresas tentando vender seus transfer. Tente negociar sempre.

Guarde o primeiro dia para rodar pela rua Caracoles pesquisando preços de passeio e benefícios oferecidos, além de aproveitar para passear pela cidade e conhecer os atrativos locais como a igrejinha, centro de artesanato, caminhar pelas pequenas ruas...

Sobre as empresas, há uma infinidade de pacotes e preços, pesquise bastante e avalie os benefícios antes de fechar.

Tente planejar sua viagem no período de lua nova, para poder fazer a observação do céu de forma plena. O Atacama tem o céu mais lindo do mundo.

Essa foi uma das viagens que eu mais queria fazer na vida, a paisagem do deserto é de deixar qualquer um babando e totalmente apaixonado! Daquele tipo de experiência que você guarda num potinho e leva pra sempre!

Danielle Hepner
Danielle Hepner

Published on 04/19/2017 10:46

Performed from 08/07/2016 to 08/16/2016

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228

4
Renan Cavichi
Renan Cavichi 04/20/2017 07:31

:O Uauuu!

Fabio Fliess
Fabio Fliess 04/20/2017 11:01

Atacama é sensacional...

Ana Retore
Ana Retore 05/24/2017 11:16

Que lugar lindo!

Eli Gonsalves
Eli Gonsalves 04/23/2021 00:12

Show belíssimo roteiro Parabéns