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Escalada no Morro São João

Escalada no Morro São João

Escalada no Morro São João, Setor dos Escravos, em partes das vias Reynaldo 70, Thiers Meireles e Nova Vida, em Botafogo - Rio de Janeiro/RJ

Climb

Logística:

O acesso às vias é feito pela Rua Álvaro Ramos, n°511, em Botafogo, na Zona Sul da Cidade Maravilhosa. Neste endereço está a entrada do Condomínio Residencial Pio XII. Para chegar ao local da escalada, basta entrar no condomínio, respirar fundo e preparar as coxas pra subir tantas escadas.

Ao final da escadaria está o acesso à área de proteção ambiental do Morro São João. Dali, seguimos pela trilha da esquerda, beirando o muro de proteção por cerca de 200m até a parede do Morro onde estão as vias Thiers Meireles, Reynaldo 70 e Nova Vida, que foram as que escalei.

Relato:

Segunda experiência com escalada em rocha! Confesso que não estava muito animada rs. A semana foi exaustiva e desgastante psicologicamente. Estaria mentindo se não dissesse que no sábado eu só queria dormir.

Ainda assim, acordei às 6h e comecei a organizar tudo o que eu precisaria: sapatilha, protetor solar, máscaras, cadeirinha, capacete e claro, um casaco, porque tava aquele friozinho gostoso do inverno carioca.

Por volta das 6h40 saímos da Zona Norte e fomos pra Botafogo. Essa escalada foi convite do Gabriel, amigo do Bruno. O encontramos praticamente no endereço que mencionei na logística acima. Subimos, os três, as escadarias do condomínio. (Eu já disse que era uma BAITA DUMA ESCADARIA?)

Ao final das escadas, que subimos em 15/20min talvez, fica a Área de Proteção Ambiental do Morro São João. Dali é pegar a trilha para a esquerda por cerca de 200m até a clareira de acesso ao paredão.

Sentei e esperei enquanto o Bruno e o Gabriel organizavam cordas, cordeletes, fitas, costuras, freios e mais uma infinidade de equipamentos. Olhando um tanto curiosa, vi que eles separaram duas fitas, cada uma com um mosquetão diferente, para cada um de nós, que seria boa forma de ancoragem segura nas paradas. Também observei mosquetões com freios e cordelete com mosquetão para descer com segurança no rapel. Além disso, para quem fosse guiar, separaram ao menos 6 costuras.

Enquanto se organizavam, fui vestindo minha cadeirinha, capacete e sapatilha.

Logo os meninos se organizaram e decidiram que o primeiro a guiar seria o Bruno. Eu nem quis olhar, mas tá, óbvio que olhei.

Ele saiu subindo a via Thiers Meireles igual um gato. Em dois passos já estava fazendo a primeira costura. Mal pisquei e ele ja estava na parada dupla.

Enquanto isso, o Gabriel me dava algum apoio moral: "Tudo certo, pode subir". Ele foi me instruindo sobre onde pisar, e quando dei conta, já estava na primeira costura. Fui recolhendo as costuras pelo caminho. A cada passo, a perna bambeava, o corpo tremia, mas eu estava subindo. Era inacreditável, realmente a sapatilha sustentava tudo no atrito... De repente, vi uma perna. Era a perna do Bruno, que estava lá na parada dupla me esperando...

Bruno na parada dupla enquanto eu subia parte da Thiers Meireles

Nesse momento eu fiquei mais besta ainda: " Eu cheguei mesmo??". E sim, cheguei. Segundo a gentileza de ambos, fiz tudo direitinho até! Pausa para fotos e para tentar parar de tremer também e pronto, já queria descer. Se caminhar pelas montanhas se tornou parte de mim, escalar estava me tirando um pouco (leia "pra chuchu") da minha zona de conforto.

O Bruno então armou o rapel e daí desci tranquila por já ter praticado algumas vezes e possuir alguma familiaridade com a técnica de descida.

Lá embaixo, o Gabriel já estava se arrumando enquanto esperava o Bruno descer.

Não deu outra, Gabriel também subiu igual um gato. Pá pum, parada dupla, desceu. Eu mal pisquei. Depois que desceu falou pra mim: "E aí, vai de novo?". Eu ri. Ainda estava me recuperando da primeira subida. Mas aquilo, orgulho falando alto: "é, bora".

De novo o Bruno fez a guiada. Eu subi, mas por alguma razão foi mais tranquilo e natural. Fui subindo até que, de forma mais leve, eu já tinha chegado de novo na parada dupla. O Bruno tinha falado que repetir a via deixava ela mais simples de subir, e foi assim. Me senti uma criança descobrindo algo totalmente novo. Fiquei maravilhada por ter subido pela segunda vez, sem medos, tremedeira e pânico, só um cadinho de pavor rs

Segunda subida na Thiers. Ao fundo, na esquerda, Pedra da Gávea. À direita, o Cristo Redentor.

Mais fotos. Pronto, vou descer. Os meninos me desafiaram a subir, mas desta vez tendo a segurança de baixo, com o top rope. E lá fui eu. Subi certinho, desci e me dei por satisfeita no dia. Sentei num tronco e tirei a sapatilha. Enquanto isso, Bruno e Gabriel seguiam se divertindo na via até que resolveram ir para a via ao lado, a Reynaldo 70.

Disseram ser mais fácil que a Thiers, mas não achei. As agarras estavam mais esfarelentas. Mais uma vez o Bruno guiou, subindo igual o Homem Aranha, costurando até a parada dupla. Logo foi a minha vez e penei um pouco, mas consegui chegar até ele. Dali comentei que está seria última enfiada que eu estava fazendo, o pé já berrava de dor todo amassadinho dentro da sapatilha, e pra mim o dia já tinha sido suficiente. Minha intenção é evoluir aos poucos.

Bem, eles seguiram se divertindo ali na Reynaldo até que decidiram ir para as vias à esquerda da escadaria dos Escravos, especificamente a primeira enfiada da Nova Vida. Eu sentei e fiquei assistindo.

O Gabriel fez a guiada, que na minha visão, era muito difícil. Ele subiu, deixou a guiada pronta, e fez o Top Rope na via ao lado e desceu. Bruno subiu tão bem quanto ele, catando as costuras pelo caminho e também logo desceu.

Aí me vem o Gabriel e fala: "tenta Dani, é mais difícil, mas é pra se superar". Bruno dando apoio também... "AFFF, OK!"

Calcei a sapatilha e lá fui eu. Mal subi na lasca, Bruno me escorando, Gabriel dando a segurança. Fui subindo até um trecho sem ter onde apoiar as mãos! Que negócio desesperador! "Que que eu faço, gente?" E mal terminava a perguntas, caía. Tentava de novo. Pé aqui, pé ali, impulso... Queda.

Totalmente sem dignidade, tentando subir o trecho da Nova Vida. À esquerda o Top Rope montado pelo Gabriel.

Pé aqui, pé ali, impulso... Lá de baixo os meninos gritavam super empolgados com a minha falta de jeito: "VAI, VAI! JÁ CHEGOU!" Mas... Queda! Na terceira ou quarta vez que tentei fazer o trecho, entre gritinhos e tentativas frustradas, com um leve empurrãozinho do Gabriel, subi. De novo estava eu ali, incrédula! "COMO ASSIM EU SUBI?". E lá estava eu na parada dupla. Desci. "Gente, fiz um trecho da via de 4° grau!". Subi minha régua!

Eles seguiram fazendo esta e mais outras vias, e desta vez eu realmente me dei por satisfeita. Viemos embora era mais de 12h já. O dia foi incrível!

Considerações:

Sigo achando que escalada não é pra mim, mas assim como nós três estávamos conversando, ninguém precisa ser o melhor do esporte sabe... O importante é ser divertido, sair da zona de conforto e explorar os nossos limites. Tenho feito isso e estou bastante satisfeita assim, principalmente em poder ver a minha evolução sem auto julgamento.

Sobre o acesso, lembre-se que para chegar ao local passamos por dentro de um condomínio. Seja educado e gentil com as pessoas! Um "bom dia" dado com sorriso debaixo da máscara não mata ninguém! Muito pelo contrário, pode até melhorar o dia de alguma pessoa!

Apesar de ser um setor urbano, estava pouquíssimo movimentado. As poucas pessoas que vimos passaram bem ao longe pela trilha, fazendo caminhada apenas. Nesses tempos de pandemia, achar um lugar urbano vazio é uma pequena vitória!

No mais, manter os cuidados básicos tais como: uso de máscara, álcool gel, distanciamento social... E claro, sempre as práticas de mínimo impacto!

Danielle Hepner
Danielle Hepner

Published on 07/07/2021 11:59

Performed on 07/03/2021

1 Participant

Bruno Negreiros

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115

4
Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 07/07/2021 14:09

uhuuuuul

Adhemar
Adhemar 07/08/2021 14:54

Agora sim, partiu climb até os dedos sangrarem, na força do ódio

Thais O.
Thais O. 09/01/2021 16:29

Relato muito legal! Tô tentando começar na escalada haha Obrigada!

Danielle Hepner
Danielle Hepner 09/01/2021 17:11

Oi Thais! Obrigada!! Eu tenho me surpreendido muito com a escalada! Inclusive essa prática tem melhorado meu desempenho nas trilhas, sabe... Movimentação de corpo. Se aventura na escalada também! Não vai arrepender!

Danielle Hepner

Danielle Hepner

Rio de Janeiro - RJ

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nerd! professora de matemática apaixonada por montanhas, viagens, doguinhos e ukulele.

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