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Pico das Agulhas Negras e Maciço das Prateleiras - PNI

Pico das Agulhas Negras e Maciço das Prateleiras - PNI

Aventura realizada pelo grupo EtaNóis na Trilha, na parte alta do Parque Nacional de Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro

Hiking Climb

Logística:

Esta aventura foi realizada pelo grupo EtaNóis na Trilha, nos dias 06 e 07-05-17, como parte de um evento que contemplava ataque aos cumes do Picos das Agulhas Negras no sábado e ao Pico das Prateleiras no domingo. Toda a logística foi feita pelo grupo, bem como a contratação do guia local Reginaldo.

Dia 1 (06-05-17) - Pico das Agulhas Negras

Dia 2 (07-05-17) - Maciço das Prateleiras

Relato:

Na noite de sexta, todos nos encontramos na Vila da Penha, bairro da cidade do Rio de Janeiro, na casa de uma das organizadoras do evento. A saída estava programada para as 2h da manhã. Tentamos descansar de alguma forma e, no horário marcado, partimos para a parte alta do Parque Nacional de Itatiaia. Nosso objetivo era chegar com o parque abrindo, se adiantar o quanto pudessémos para montar as barracas na área de camping e já iniciar a caminhada até a base das Agulhas Negras para posterior ataque ao cume. Do Posto do Marcão ao Abrigo Rebouças são 3km de caminhada.

Dia 1: Apesar da noite de viagem, a mesma tinha sido bem tranquila e chegamos bastante dispostos e disparamos neste trecho. Já organizamos tudo, montamos barracas, preparamos as mochilas de ataque e, a partir do Abrigo Rebouças, começamos uma caminhada leve de cerca de 1km até a base das Agulhas Negras. A partir deste ponto é recomendado o uso de corda para a ascensão ao cume.

Com 2.791 metros acima do nível do mar, o Pico das Agulhas Negras é o ponto culminante do estado do Rio de Janeiro e o quinto ponto mais alto do Brasil e, por possuir mais de 20 vias de escalada, o tempo de subida pode variar.

Em nosso caminho, pouco depois de atingirmos a base, tivemos uma rampa extensa para subir. Ao fim dessa rampa, um paredão de cerca de 5m se eleva diante de nós, sendo indispensável a segurança das cordas.

Deste trecho segue mais um amplo lageado de pedra, que pode ser vencido sem uso de corda, pois não é tão íngreme. Depois de subir todo este trecho, uma 'escadaria' de pedras se abre, e iniciamos uma escalaminhada. Ao final desta parte está um platô que dá acesso à mais uma subida onde a corda se faz necessária. Nesse pedaço há uma fenda enorme que precisamos passar para fazer a subida final ao cume falso.

Parece rápido, mas todo esse percurso tem cerca de 2km de subida, com vários trechos de escalada e escalaminhada.

No cume falso, que está bem próximo do verdadeiro, há uma boa área para descanso, onde o grupo parou um tempo e lanchou. Os que quiseram seguiram para os dois últimos trechos de corda que levariam ao cume verdadeiro.

Preciso, antes de continuar, contar uma história. Em 2015, na minha primeira vez no Parque de Itatiaia, me reencontrei. Caminhei pelas trilhas e fui até a base das Agulhas Negras. Até então, na minha ignorância, eu não sabia que qualquer pessoa podia chegar lá se quisesse. Eu achava que o cume era acessado apenas por militares da AMAN, e que este seria um sonho que eu não realizaria nesta vida. Porém essa pequena caminhada foi suficiente para que eu me apaixonasse pelo montanhismo. Depois dessa experiência fui estudar, me preparar, equipar... E aí eu vi que sim, eu poderia estar no cume das Agulhas Negras se quisesse! A partir daí, chegar ao topo das Agulhas virou uma pequena obsessão, um sonho que em algum momento seria realizado... Daí, quando finalmente cheguei ao cume falso, olhei para o cume verdadeiro tão perto... Vi que esse sonho só estaria completo se eu fosse até lá.

Foto de 2015, no Abrigo Rebouças

Bem, recoloquei a cadeirinha, e lá fui eu descer a fenda rapelando. Logo depois, iniciei a subida final e a cada toque na pedra, uma lágrima diferente escorria dos meus olhos. Finalmente eu estava ali, chegando no topo das Agulhas Negras. Tentei conter a emoção, mas fiquei uns bons minutos olhando tudo ao meu redor e fazendo a minha ficha cair. Enquanto isso, alguns outros participantes do evento foram chegando.

Quando finalmente peguei o livro do cume nas mãos, senti uma felicidade absurda... A cara inchada pelo choro de algo tão significante pra mim já não importava mais... Eu estava, naquele momento, totalmente preenchida.

Em seguida, fiquei mais algum tempo sentada, absorvendo a energia boa de tudo aquilo que eu estava vivendo. O tempo não estava super aberto, mas não havia risco de chuva... Ainda assim, aquele era o meu momento e tava tudo lindo demais.

Foto de 2017, no cume verdadeiro das Agulhas Negras

Pouco depois fiz o retorno ao cume falso... E mais uma vez não contive a emoção.

Para a descida, fizemos o primeiro trecho pelo mesmo caminho que subimos e depois nosso guia armou um rapel que levava já na metade da 'escadaria' que tinha nos levado até o platô. Todo o resto da descida foi feita exatamente pelo mesmo local que passamos na subida.

Quando finalmente chegamos ao Abrigo Rebouças, fui tomar um banho (frio!) pra acordar pra vida e acreditar que realmente, depois de dois anos, tinha estado ali e tinha acabado de realizar um sonho. Preparei meu jantar, contive a animação e fui descansar. No dia seguinte o desafio seria o cume das Prateleiras.

Dia 2: A noite passou tão fria que acordamos com as barracas congeladas. Organizamos bem cedinho as coisas para o café da manhã e demais itens para o ataque ao cume das Prateleiras e já começamos a caminhar. Da área da camping voltamos à estrada que leva ao Posto do Marcão e seguimos no sentido contrário. Passamos pelo acesso à Cachoeira das Flores e, mais adiante, encontramos um platô de pedra. Pouco a frente, há uma bifurcação: pela direita vamos às Prateleiras e o caminho da esquerda leva à travessia Ruy Braga. Vamos subindo tranquilamente até que um enorme vale se abre e podemos avistar a Pedra Assentada e da Maçã, além do Maciço das Prateleiras. Até a base o caminho tem 2,5km sem muitas dificuldades, tendo apenas um trechinho com escalaminhada curta.

Da base já temos uma vista arrebatadora: é possível ver a Serra Fina, os municípios de Resende, Itatiaia... Também avistamos o percurso da travessia Couto x Prateleiras, além da imponência das Agulhas Negras. Nesse local foi possível descansar um pouco e contemplar.

Foto de 2015, na base das Prateleiras

A partir dali, há placas indicando o uso de equipamentos de segurança. Essa subida tem cerca de 500m e é bem mais exposta que a subida das Agulhas Negras viu... Vamos beirando as pedras com abismos infinitos, fendas, paredões que se estendem por metros diante de nós. Lembro que fomos com muita cautela, principalmente nas passagens por fenda. Subimos até um ponto onde há uma parede que leva ao lageado do falso cume. O guia arrumou as cordas e fomos todos subindo. Dali, aguardamos um outro grupo terminar sua ascensão e fizemos a subida ao trecho final, com corda apenas para a segurança dados os penhascos muito próximos.

Chegamos ao cume, e novamente aquela sensação de 'dever cumprido' pairou sobre mim. 2539m de altitude e mais uma emoção. Não mencionei antes, mas no mesmo dia que fui à base das Agulhas eu tinha ido antes à base das Prateleiras. Me dei por satisfeita na época mas sabia que em algum momento eu voltaria ali. Bem, voltei.

Foto de 2017, no cume do Maciço das Prateleiras

Assinamos o livro do cume, mas infelizmente o tempo fechou e fomos cobertos por uma névoa densa e bastante úmida. O Reginaldo nos alertou que seria bom descer para evitar acidentes por conta da rocha molhada e escorregadia, e nos apressamos na descida. Fizemos pelo mesmo caminho da ida.

Retornando ao Abrigo Rebouças, organizamos o almoço e, logo após, voltamos à van para retorno ao Rio de Janeiro.

Reflexão:

Eu tenho um carinho todo especial pelo Parque Nacional de Itatiaia. Foi o local onde eu entendi que amava o montanhismo e me joguei de peito aberto à todas as sensações que essa natureza rústica me deu.

Ter chegado ao cume tanto do Pico das Agulhas Negras quanto do Maciço das Prateleiras me deram uma felicidade sem igual, tendo sido uma das melhores experiências da minha vida. A montanha, ela por ela mesma, me preenche de uma forma que eu não sei explicar com palavras. <3

É o típico lugar que se alguém me fala: "Vum'bora pra lá?", eu respondo sem nem pensar: "vum'bora".

Recomendo fortemente que todos passem alguma vez na vida por esse lugar mágico. Aproveitem ao máximo, percorram todos os caminhos que puderem... Itatiaia foi inaugurado em 1937, sendo o parque nacional mais antigo do Brasil, e tem uma beleza única, além de uma energia avassaladora.

E no mais, só agradeço por essa experiência.

Danielle Hepner
Danielle Hepner

Published on 10/14/2020 14:01

Performed on 05/06/2017

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Denner Moraes
Denner Moraes 10/14/2020 14:56

Lindas fotos... de tirar o folego.

Fabio Fliess
Fabio Fliess 10/14/2020 15:26

A definição do que é Itatiaia e do que ele representa para o montanhismo, está aqui nesse relato!!!

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 10/14/2020 17:52

Todos nós temos um lugar especial no mundo. O seu é incrível!

Maurício Façanha
Maurício Façanha 01/15/2021 14:41

Oi, Danielle, falaram-me de umas trilhas por Caxambu... Algum percurso interessante por aí?

Danielle Hepner
Danielle Hepner 01/26/2021 00:36

Oi Maurício, tudo joia? Caxambu mesmo, não... Mas as cidades próximas, Baependi, Aiuruoca, São Thomé, Carrancas, entre outras, tem bastante coisa legal, viu!

Danielle Hepner

Danielle Hepner

Caxambu - MG

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nerd! professora de matemática apaixonada por montanhas, viagens, doguinhos e ukulele.

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