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Pico dos Marins

Pico dos Marins

2420m de altitude no coração da Mantiqueira

Trekking Mountaineering

Saí de Caxambu - MG por volta de 12h. Combinei de encontrar o amigo Samuel Oscar em Piquete - SP, porém tive uma reunião de trabalho e acabei saindo bem tarde. Meu trajeto passou pelas cidades de Pouso Alto, Capivari, Itanhandu, Passa Quatro, Cruzeiro, onde caí para outra estrada e cheguei a Piquete. Começamos a trilha às 16h.

A partir de Piquete, cerca de 1km depois do portal da cidade, o acesso foi feito por estrada de terra, de cerca de 14km de extensão ao camping do Sr. Dito. Vale dizer que em diversos pontos a estrada é bem ruim e, devido à inclinação, possivelmente, carros de passeio não consigam trafegam por ali.

Dentro da propriedade do Sr. Dito está um caminho que leva à estrada para o início da trilha em cerca de 10/15 min. Após o final deste trecho, segui para a direita, onde há uma porteira, e aí sim está o ponto onde realmente começa a trilha.

Como perdemos o timing do encontro com o rapaz do resgate para fazer a travessia completa, além do avançado da hora, acabamos optando por fazer apenas o Marins em 3 dias, pra explorar bastante a região, curtir mesmo, fotografar...

1º dia: Sr. Dito ao 1º camping

2º dia: Camping ao cume do Marins

3º dia: Marins ao Sr. Dito

Tracklog que usei como base: https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/pico-do-marins-serra-da-mantiqueira-divisa-sp-mg-923639

Relato:

Começamos a andar pela floresta que leva à estrada de terra mencionada acima. Local de mata bem fechada e úmido. Partimos pela estrada de terra ao começo da trilha onde segue tendo caminhos mais fechados, sempre subindo. Em pouco tempo o caminho se abre e vamos andando por algo que parece já ter sido uma estrada de terra batida algum dia. Seguimos assim por cerca de 50min/1h até atingir o Morro Careca.

Após o Careca há uma pequena descida onde a bifurcação leva, pela esquerda, a um ponto de água confiável, e pela direita para o resto do caminho de uma subida forte até a área de acampamento.

Chegamos a tempo de ver o Sol se pôr. Montamos a barraca e fomos curtir o visual. O céu estava meio nublado meio estrelado, mas pudemos apreciar a noite caindo ao som de alguns acordes de ukulele.

Mais tarde preparamos um belo d'um rango e depois dormir pra acordar bem cedo e ver o Sol nascer.

No dia seguinte, Sol meio tímido nascia atrás do paredão de pedras que estava diante de nós. Um mar de nuvens se formou e embelezou ainda mais o lugar. Pra nossa surpresa, não estava tão frio. Preparamos um chá e por ali ficamos vendo as cores do raiar do dia. Como estávamos sem pressa, conforme o Sol ganhava força, nós preparávamos o café da manhã.

Aliás, preciso dizer... Assim que definimos que o rolê seria só Marins, fomos beeeeem abastecidos de comida, então foi rolê beeeem gourmet.

Depois de um super café, arrumamos tudo e partimos em direção ao Marins. Depois dessa área de camping a subida fica bem mais divertida, com muito trepa pedra, pé na cabeça, escalaminhadas e trechos de aderência. Vamos subindo de leve até o primeiro trecho bem íngreme que tem um paredão de pedra, depois um trecho mais técnico de escalaminhada e aí damos de cara com o Vale dos Cristais. Antigamente havia bastante cristal ali, mas com a popularização das trilhas e a falta de consciência de alguns praticantes, os cristais foram levados. Neste ponto, na bifurcação, optando pelo caminho da esquerda segue o caminho para o Itaguaré, passando pelo Marinzinho. Para a direita há a trilha que leva ao Marins.

A partir do vale já é possível avistar todo o caminho que será feito para atingir o cume. Cruzamos um pequeno riacho na base do Marins. Esse ponto, apesar de ter água, não é nada confiável.

O trecho final da subida ao cume exige bastante, tendo muito trepa pedra e infinitos trechos de aderência. Além disso, os 100/200m finais são bem íngremes e expostos, e pedem muita atenção.

Chegamos ao cume por volta de 13h, num dia meio nublado. Apesar disso, estávamos acima das nuvens contemplando um céu azul muito bonito. Montamos a barraca, comemos uns petiscos e fomos andar pelo local, tocar ukulele... Curtir a vibe da montanha mesmo.

Nos preparamos para o pôr do Sol torcendo que ele acontecesse, porque nessa hora o tempo começou a fechar. Fomos nos acomodar próximo ao livro do cume, e, num raio de sorte, a chuva que caía no horizonte emoldurou uma bola vermelha incadescente maravilhosa. Depois de uns bons minutos dando as caras, o Sol descansou.

Ao passo que o bonitão se foi, pingos de chuva começaram a nos atingir e retornamos à barraca. Os pequenos pingos deram lugar a uma chuva torrencial, porém breve. Mas depois desse aguaceiro, mais chuva pesada, mais trégua, mais chuva...

Acreditávamos que a noite seria dessa forma, mas ao colocar um olhinho pra fora vimos que o céu abriu e ali contemplamos por alguns poucos minutos as estrelas. Em seguida, começou, mais uma vez, um temporal.

Dormi preocupada com o tanto de água que caía e o frio que tomava conta de cada espacinho da barraca. Foi preciso colocar as mochilas para dentro e nos apertar pra tentar deixar tudo seco.

No dia seguinte, nada de vista ou nascer. Uma névoa bastante fria e úmida nos encobriu. Olhando para cima vimos que mais chuva nos acompanharia na descida. Foi apenas o tempo de organizar todos os pertences e começar a andar. E, mais uma vez, chuva.

Fomos descendo com todo cuidado do mundo todos os trechos íngremes e expostos. Havia muita água correndo pelos paredões, pedras e lajeados. Era inacreditável ver as pedras pontiagudas do Marins tão escorregadias. Com atenção e bastante companheirismo fomos passando por todos os trechos.

Depois de cerca de 5/6h de caminhada chegamos novamente ao camping do Sr.Dito, totalmente ensopados, porém maravilhados com a experiência.

Fotos: As maneiras e bem editadas são do Samuca, as selfies zoadas e demais fotos são minhas mesmo rs

Reflexão:

Não mencionei nos detalhes do relato, mas uma das coisas que mais me entristece é encontrar um amontoado de lixo pelos caminhos. Papel higiênico, papel de chocolate, garrafas, guimba de cigarro... Recolhi o que pude, mas seria muito melhor se as pessoas tivessem mais consciência, noção do impacto que um plastiquinho pequeno pode ter ali no ambiente. Tenha consciência e leve embora todo o lixo que você produzir!

Além disso, na ocasião esbarramos com dois rapazes fazendo fogueira próximo ao ponto de água do primeiro dia, num trecho de mata fechada. Não sei se falta consciência, informação... Mas deveria ser algo óbvio entender que fogo, folha, madeira não formam um trio saudável no meio da floresta. Mais uma vez repito: NÃO FAÇA FOGUEIRA! Não tem muito anos o Marins foi devastado por um grande incêndio que destruiu não apenas a vegetação mas também a fauna local!

No mais, pra tirar um pouco do peso desses fatos, fica a reflexão sobre algo que recentemente dividi aqui em forma de matéria, sobre a beleza de olhar o mundo do alto. Esses três dias foram uma experiência completa. Teve Sol, teve chuva... Em ambos os cenários, tava tudo bem, tudo lindo! Se tinha vista ou não, era só uma consequência de estar ali. Essa é a beleza: estar na montanha.

Danielle Hepner
Danielle Hepner

Published on 09/02/2020 22:32

Performed from 01/01/2020 to 01/03/2020

1 Participant

Samuel Oscar

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Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 09/03/2020 00:25

Que foto de capa irada!!!

Fabio Fliess
Fabio Fliess 09/03/2020 13:12

Delícia de relato!!! Essa dupla Uke & Lele vai longe hein?!?

Renan Cavichi
Renan Cavichi 09/03/2020 14:13

Hahaha essa é vibe! Teve Uke mesmo, demais galera! 🤘🏼

Samuel Oscar
Samuel Oscar 09/15/2020 22:20

Manolita, que demais esse Relato. Serio, mesmo que participei de tudo isso. Serio mesmo, que consegui te levar no local mais especial da minha vida. Serio mesmo que tive essa honra. Serio mesmo que sou seu amigo. Serio mesmo que vc n]ao vai desistir da minha Amizade. Gratidão Amiga por me mostrar que ainda vale muito apena Vivenciar tudo isso. @ranan pode contratar que esta bem detalhado as anotações desta colaboradora hahahahah

César Zamparo
César Zamparo 09/16/2020 17:24

Muito legal, parabéns! Pretendo voltar lá, solo. Foi lá recentemente? Sabe se os pontos de água estão secos?

Danielle Hepner
Danielle Hepner 09/16/2020 22:29

Oi César! Então, tinha pouca água viu... E como não chove há tempos imagino que estão bem precários...

Daniela Wajman
Daniela Wajman 09/20/2020 10:22

Incrível , adorei as fotos, o relato e a trilha musical. Parabéns!

Danielle Hepner

Danielle Hepner

Caxambu - MG

Rox
1934

nerd! professora de matemática apaixonada por montanhas, viagens, doguinhos e ukulele.

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