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Pico Menor - Parque Estadual dos Três Picos

Pico Menor - Parque Estadual dos Três Picos

Hiking ao Pico Menor, no Parque Estadual dos Três Picos, em Salinas, Nova Friburgo na Região Serrana do Rio de Janeiro.

Hiking Mountaineering

Logística:

Como a área de camping do Parque Estadual dos Três Picos se encontra fechada, acampamos no quintal da Pousada dos Paula, aos pés do exuberante Vale dos Deuses.

Nossa ideia era fazer a ascensão aos Picos Menor e Médio, porém acabamos perdendo a hora de tanto comer o café da manhã maravilhosamente preparado pelo Pedro, dono da Pousada, e então nossa logística se resumiu a subir apenas o Pico Menor, aproveitar o quanto quisesse sem pressa, depois descer.

Sobre o trajeto, eu e Bruno saímos do Rio de Janeiro na sexta, chegando à Pousada bem na hora dos caldos maravilhosos (e quentinhos) preparados pelo Pedro. A ideia era descansar bem para a aventura do dia seguinte. Mais tarde, no mesmo dia, chegaram Let, Adhemar, PR e a Lari.

Relato:

Conforme comentei, começamos a trilha um pouco tarde. A ideia era iniciar a caminhada por volta das 7h, porém com a comida boa que o Pedro preparou e a prosa bacana, saímos da Pousada dos Paula às 8h10.

Até a porteira de entrada são cerca de 1,4km de caminhada por estrada de chão. Nós seis seguimos subindo com bom ritmo, conversando e fazendo algumas fotos. Esse início é belíssimo e o dia estava lindo! Todo o tempo caminhamos encarando as imponentes rochas e a paisagem de tirar o chapéu.

Subimos a pé até o estacionamento que, caso alguém queira, com muito custo devido às condições da estrada, o carro chega. Dali não tem erro: só cruzar a porteira do parque e continuar na estrada de chão por cerca de 1,5km até o Vale do Toledo, onde a trilha tem início.

Início da trilha, olhando para os Três Picos

Esse ponto é ideal para descansar um pouco e depois iniciar a trilha de fato. O Sol na cabeça faz com que este primeiro trecho até o Vale do Toledo seja bem cansativo. Tem bastante sombra, mas cuidado com cocô de boi e cavalos. A partir daí, a trilha continua quase que integralmente em mata mais fechada.

Os primeiros metros são marcados pelo cruzamento de um pequeno rio com as bordas bem enlameadas. Há pedras que possibilitam a passagem segura, mas é sempre bom ter atenção. Mais a frente, cruzamos pelas pedras uma cachoeira com um filete d'água. Depois de leve desnível encontramos uma bifurcação onde as trilhas do Pico Menor/Médio e Pico Maior se dividem. Tomamos o caminho da esquerda.

Nesta parte da trilha basicamente é preciso ter disposição e andar, não há muitos obstáculos até o primeiro trecho de exposição. Fizemos nossa primeira parada nesta parede mais exposta para hidratação e um breve lanche.

Bem, exatamente nesse ponto inicia a maior parte dos trechos com obstáculos e exposição. Primeiro subimos duas paredes com poucos apoios e usando aderência até reencontrar a trilha. Depois vamos 'beirando' o penhasco que dá para o vale entre os picos, seguindo a trilha para contornar o Pico Menor.

Dia lindo e uma vista incrível pouco depois das primeiras paredes de pedra

Além desses trechos descritos, há uma passagem onde fizemos uso de corda de 10m para apoio devido ao solo bastante erodido e escorregadio, para trazer um pouco mais de segurança na subida. E aí, toca pra cima. Pouco antes da via ferrata, em uma área que não tem incidência de luz solar, há uma descidinha chata e bem escorregadia, sem falar da lama. Ali também foi um ajudando o outro e seguimos tangenciando sempre a rocha úmida do Pico Menor até chegar a via ferrata.

Sem muito mistério, um de cada vez, subimos a 'escadaria' e aí sim começa a famosa subida final, onde literalmente tudo que nos resta é confiar nos tufos de vegetação na rocha para ter algum apoio. Dali é respirar e subir buscando agarrar algum tufo mais presinho e alguma estabilidade. É um trecho bastante exposto, mas apesar disso não há muitos lugares para fazer segurança com cordas de apoio.

Ainda assim, subimos sem problemas, sempre atentos às pegadas na vegetação e buscando manter alguma segurança em nossos movimentos. Ironicamente, olhava para o lado e via cãezinhos da região que 'passeavam' por ali super tranquilos e ágeis subindo a pedra e os matinhos como se estivessem num parquinho de diversões e fazendo cada movimento parecer muito fácil. (E sim, eles subiram a via ferrata sozinhos.)

Por fim, depois de cerca de 5h de movimentação, 6h no total, chegamos ao cume do Pico Menor. Uma ventania absurda no alto, mas a paisagem proporcionalmente incrível pairava por ali. Uma combinação daquela pintura exuberante da região e um manto de nuvens que parecia mentira de tão bonito. O Vale dos Deuses não tem esse nome a toa, é realmente uma beleza digna de deuses!

Cume do Pico Menor e vista do Vale dos Deuses. Ao fundo, Pico do Caledônia.

Conforme o combinado por conta da hora que iniciamos a caminhada, decidimos ficar apenas no Pico Menor, descansar, comer, aproveitar bem, tirar fotos...

Pouco depois, por volta de 15h decidimos que era um bom horário para iniciar a descida. Recolhemos todo o lixo, chamamos os cãezinhos que por ali estavam (pois mesmo que eu não os tivesse levado, jamais ia deixar eles sozinho lá sem comida, água, abrigo do frio...) e iniciamos a descida pelo mesmo trajeto.

Se subir pelos tufos foi desafiador, descer deixava tudo ainda mais complexo (e divertido). Com atenção e cuidado conseguimos descer todos em segurança.

Chegamos ao Vale do Toledo novamente por volta das 17h30/18h, ainda com luz. Cansados, porém super entusiamados com o desafio, caminhamos conforme a noite ia caindo até que a luz solar sumiu por completo dando lugar ao céu incrivelmente estrelado. Finalmente retornamos à Pousada dos Paula, onde o Pedro já nos esperava com mais um caldo maravilhoso!

Que dia!

Considerações:

Primeiro de tudo, em termos de planejamento, é muito mais jogo fazer Pico Menor e Pico Médio na mesma atividade. Nesse caso, é imperativo sair o mais cedo que conseguir e cumprir seu planejamento neste sentido. O horário é muito importante nessa trilha principalmente nos trechos mais técnicos e expostos.

Em tempos de seca não há muita água no caminho, sendo recomendado levar toda a água necessária para o consumo tanto da subida quanto da descida. Até passamos por um ponto de água boa, porém não era abundante e corria em leves filetes. Sempre, na dúvida, é melhor levar toda a água necessária que passar perrengue desidratado.

Esta trilha é considerada pesada, portanto é imprescindível ter bom condicionamento físico bem como preparo psicológico devido aos vários trechos com exposição. Além disso, vale ressaltar a importância de um calçado confortável e resistente, que tenha boa aderência.

Nesta última parte deixou uma reflexão bastante pessoal sobre meu desenvolvimento nas trilhas. Sempre fui muito de fazer as coisas no orgulho, daquele tipo 'eu vou me ferrar mas eu vou subir', mas deixando de lado alguns fatores bem importantes, ou não dando a devida atenção à alguns fatores. Incrivelmente essa foi a trilha em que pude observar de forma mais clara a minha evolução enquanto montanhista seguindo 'alguns passos':

- conhecer meu corpo: aprendi a fazer a gestão adequada de água e me hidratar de forma estratégica, bem como me alimentar de uma forma mais inteligente. Isso com certeza foi fundamental para o meu desempenho. Além disso, aprendi a valorizar e usar bastões nas caminhadas, e isso realmente foi um divisor de águas na minha vida.

- controle do psicológico: lidar com a ansiedade, ter controle e frieza nos meus movimentos também foram pontos de extrema importância ao longo de toda a minha trajetória na montanha. Além disso, confiar nos meus equipamentos, aderência, etc.

- conhecer a trilha: estudar sobre o local da aventura ajudou muito a me preparar fisicamente e psicologicamente para os desafios que vieram. Pude me planejar de forma adequada para a atividade a fim de evitar contusões ou dores musculares.

- sentir e curtir a trilha: não adianta nada também me preparar e agir como um robô na trilha apenas andando e vendo meu desempenho, então uma vez que eu estava ali plenamente preparada, me restava curtir todos os momentos e desafios. E foi o que fiz. A cada trecho pude perceber alguma evolução.

E é isso, como diz um grande amigo meu, a vida é uma eterna busca por EVOLUÇÃO. E certamente o Pico Menor representa isso pra mim.

Danielle Hepner
Danielle Hepner

Published on 08/04/2021 10:43

Performed on 07/17/2021

3 Participants

Adhemar Marias Aventureiras Bruno Negreiros

Views

207

5
Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 08/04/2021 10:44

E que evolução!!!!!!! Tá braba!

Fora de Roteiro
Fora de Roteiro 08/04/2021 11:50

Quanto foi para acampar no quintal da pousada?

Danielle Hepner
Danielle Hepner 08/04/2021 11:53

Fora de Roteiro, foi por volta de 65/70 por pessoa a diária. Vale lembrar que tem banho quente, café e os caldos da noite. Só a bebida é por fora.

Fora de Roteiro
Fora de Roteiro 08/04/2021 12:02

Obrigada!

Josye Villela
Josye Villela 08/04/2021 15:02

Babei aqui na vista, muito top! :)

Danielle Hepner

Danielle Hepner

Rio de Janeiro - RJ

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nerd! professora de matemática apaixonada por montanhas, viagens, doguinhos e ukulele.

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