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Três Municípios - Parque Estadual dos Três Picos

Três Municípios - Parque Estadual dos Três Picos

Trilha bate e volta até o ponto culminante na fronteira das cidades de Teresópolis, Nova Friburgo e Cachoeiras de Macacu, no estado do RJ

Hiking Mountaineering

O Picos dos Três Municípios foi, durante alguns anos, uma pequena obsessão e, finalmente, através de muitos estímulos positivos do meu namorado, acreditei que conseguiria subir, mesmo estando há algum tempo razoavelmente parada por conta das limitações da pandemia.

Desta forma, respeitando os protocolos de segurança, reunimos alguns amigos conscientes pra essa aventura. Na verdade, eu fui convidada pelo Bruno a embarcar na ideia do Adhemar junto com a Letlet, Josye, William e o Renato.

Inicialmente estávamos combinando o dia 09-01 para a ascensão. Porém, o Adhemar estava acompanhando as variações climáticas e viu que, na data, cairia uma boa d'uma chuva na região do Parque Estadual dos Três Picos. Abortamos e transferimos para 16-01.

A logística, então, era que todos se encontrariam numa padaria próxima à estrada de terra que leva à Fazenda Itatyba às 7h10. Tomaríamos um café rápido e reforçado e iniciaríamos a trilha por volta de 8h30.

Relato:

Eu e Bruno acordamos 4h30 da manhã. Tomamos um banho rápido, pegamos os lanches que preparei na noite anterior, água... Refizemos o checklist para não esquecer de nada importante e fomos buscar a Josye e o Will mais ou menos 5h20.

5h30 já estávamos dirigindo pela Av.Brasil para entrarmos na Rodovia Washington Luís. Subimos a Rio x Teresópolis (há pedágio de R$19,30 na altura de Magé) e às 7h em ponto estávamos na Padaria Mini Max, no bairro Albuquerque, em Terê. Poucos minutos depois chegaram Adhemar, Let e Renato no carro mais movido a ódio que vocês um dia terão conhecimento.

Já ali na pequena padaria tomamos café da manhã num clima bem legal... Apesar de eu não conhecer a Josye, o Will e o Renatinho, já dava pra ver que eram gente muito bacana e que o dia seria bastante divertido.

Chegamos na porteira da Fazenda Itatyba mais ou menos 8h20. O dia estava nublado e caía um leve chuvisco. Avaliamos que seria muito melhor fazer a subida com esse clima do que com o Sol estalando na cabeça e o calor do verão do Rio de Janeiro.

A princípio, passamos a porteira da fazenda e, de lá, seguimos reto por um tempo até perceber que tínhamos passado a entrada da trilha. Seguindo por ali, a gente ia acabar chegando no Vale dos Deuses. Retornamos e entramos na estrada de pedras entre um curral cheia de ovelhas e uma casinha laranja. Dali, a estrada segue aberta por cerca de 2km, quando se torna uma floresta e andamos em meio aos pinheiros, e, posteriormente, um belíssimo jardim cheio de hortênsias. O corredor de hortênsias emoldura a Fonte da Sede, uma construção que protege a mina de água dali. Da floresta até a Fonte da Sede, cerca de 1km.

Início da trilha, estradinha de pedras

Floresta bonita

A partir deste ponto, tomamos bastante cuidado porque enfrentamos um trecho bastante escorregadio... Na Fonte há uns degraus de pedra com limo úmido pela vazão de água da mina. E, logo após os degraus, há arame farpado no chão. Poucos metros a frente, passamos por um filete d'água que escorre em uma parede de pedra. Esse foi um dos trechos mais escorregadios de todo o percurso pois a pedra por onde corre a água está totalmente coberta de limo. O Adhemar levou corda, então quem quis usou como uma segurança a mais. Fica registrado aqui, inclusive, que em tempos de chuva mais forte, esse trecho se converte numa cachoeira e torna a subida muito mais perigosa.

Ultrapassado o trecho, o caminho, sempre marcado por fitas coloridas amarradas em galhos, se torna uma trilha íngreme em terra preta batida e bastante úmida. Subimos por ela até chegar num paredão de pedra. Esse paredão caracteriza a inflexão, pois a partir dele passamos a descer, num percurso bem escorregadio, até uma pequena cachoeira que carinhosamente nomeamos de "Cachoeira da Josye". No último trecho antes da cachoeira usamos novamente a corda do Adhemar. Neste ponto paramos um pouco para reabastecer a água e as energias. A partir dali, teríamos uma intensa pirambeira pra subir.

Graças a Deus levei o bastão de caminhada do Bruno! Esse equipamento foi um companheiro fundamental para esta subida, pois ajudava demais na estabilidade uma vez que todo o terreno é bastante íngreme e de certa forma escorregadio. Fomos subindo mantendo algum ritmo. Todas as vezes que meu corpo dava sinais de cansaço eu tomava um golindo d'água e automaticamente o fôlego retornava. O nosso pequeno grupo praticamente não parou nesta subida.

Depois de 2km e muuuuuuito tempo subindo, chegamos num ponto alto de mirante que chamamos de Sela, de onde é possível ver o falso cume do Três Municípios e todo o resto do trajeto. A partir dali seguimos uns poucos metros em linha reta até começar uma descida bastante íngreme até o vale que leva à subida final. Fizemos essa descida com bastante atenção pois o terreno estava muito escorregadio.

Ao terminar a descida, chegamos no vale do capim elefante. O capim alto cobria o caminho inteiro. Primeiro precisamos cruzar um charco bastante enlameado. Dali, o Bruno olhava o GPS e deduzia por onde a gente ia se enfiar, já que era impossível enxergar pra onde deveríamos seguir. O capim estava tão alto que nos cobria quase que por inteiro. A cada fitinha colorida que encontramos pelo caminho, uma mini comemoração. Depois de muito varar capim, chegamos ao lajeado que caracterizada a subida final. Do mirante até o fim do vale, no encontro com o lajeado, mais 1km.

Ressalto que até este ponto estávamos bem protegidos do Sol. A partir do lajeado, enfrentamos os últimos 500m e quase que 1h de Sol estalando na cabeça numa subida bem intensa e íngreme, ora pelos caminhos nas pedras, ora pelos trechos de terra e pequenos arbustos. Confesso que até ali eu estava super bem, mas o Sol me destruiu. Fiz uma pequena pausa pra comer uma barrinha de cereal e garantir a energia pra chegar ao cume.

A subida engana, viu. Quando a gente acha que chegou, olha pra frente e se dá conta que estamos num falso cume. Dali, basta descer um cadinho e depois subir próximo ao que eu chamei de "Mini Caixa de Fósforo", dada a semelhança que o formato de uma pedra no caminho tinha com a curiosa e tradicional formação rochosa do parque. Aí sim, por volta das 14h finalmente, cume do Três Municípios. Sentamos para comer, descansar, comemorar, tirar fotos.. Curtimos a beça o cume!

Vista do cume para o penhasco que descortina a região de Guapiaçu, povoado de Cachoeiras de Macacu

Clássica foto no Três Municípios

Todos nós no cume!

Passamos quase 1h lá em cima até iniciar a descida. Nosso objetivo era não precisar das headlamps, ou então só usá-las no bosque da estradinha final.

Iniciamos a descida pelo lajeado com muita atenção dados os trechos super expostos e íngremes. Ao chegar no Vale, novamente precisamos andar bem mais próximos e buscando fitinhas, deduzindo o caminho.

A descida super íngreme que fizemos na ida se tornou um subidão infinito na volta. Subimos pra sempre, mas incrivelmente mantendo um ritmo bacana e constante. Chegamos novamente no mirante da Sela, e aí iniciamos a descida bizarra. Por sorte, além do bastão, que se fez suuuuper útil pra mim, o caminho tinha bastante árvore, bambu e cipó pra segurar e não rolar barranco abaixo. Por sinal, cuidado com os espinhos! Tem muitos galhos cheios de espinhos, escolha bem onde se apoiar.

Ao final dessa descidona, cruzamos a cachoeira da Josye novamente, onde paramos para jogar uma água no rosto e quem quis se reabasteceu também. Dali, o Adhemar recolou a corda, pra auxiliar um trecho mais escorregadio. Fizemos a subida rápida beirando o paredão de pedra e novamente começamos a descer até o trecho de com o filete de água. Se a subida ali já foi escorregadia, a descida nem se fala. Fomos sentados, agarrando em mato, pedra... O que tivesse! Ao final seguimos a trilha e por fim, ainda com luz do dia, chegamos novamente à Fonte da Sede. Dali já não há praticamente nenhum obstáculo e fomos caminhando felizes por termos completado uma trilha tão desafiadora!

Depois de todas essas pirambeiras e Sol na lata, eu e Let andamos conversando empolgadas sobre rotinas de skin care e autocuidado, porque tudo que queríamos era um escalda pés e, como diz vovó, uma pele de pêssego. rs

Trecho final, logo depois da Fonte da Sede. Acabada, porém fazendo foto pra minha avó ver as hortênsias!

Como ainda não estava totalmente escuro, garantimos uma foto com os Três Picos ao fundo. Chegamos ao mata burro da porteira da Fazenda Itatyba por volta de 19h15. Comemoramos muuuuuito, pegamos os carros e fomos comer um belo d'um podrão. A pernada se encerrou com um super brinde de copos cheios de Guaraná Friburgo!

Fim da trilha!

Reflexão:

Eu pensei muuuuuito se compartilhava um detalhe aqui, e cheguei a conclusão que seria importante fazê-lo... Se eu ajudar uma pessoa que seja, vai valer a pena.

Um dia ouvi que eu não conseguiria fazer esta trilha. Guardei isso numa caixinha e acreditei fielmente que o Três Municípios não era pra mim.

Hoje eu vejo o quanto a gente se deixa levar por comentários dos outros... Conhecendo o nosso corpo e os nossos limites psicológicos a gente faz o que quiser! Eu fiz o Três Municípios! E fiz bem! Escrevo este relato com as mesmas dores na lesão do tornozelo que sinto em qualquer trilha (e que está sendo devidamente tratado!), mas escrevo com a consciência que eu fiz sem maltratar o meu eu e a minha essência! Eu fiz porque amo a montanha e, independente do que já escutei, sei da minha capacidade e dos meus limites.

A gente precisa acreditar, precisa de pessoas que vibrem na mesma frequência, que fiquem felizes pelos nossos êxitos! E foi como eu senti nesse rolê! Fiquei muito feliz por chegar nesse cume, e muito mais feliz pela companhia que tive nessa conquista, por ver que todo mundo que estava comigo conseguiu também. Só tenho a agradecer o companheirismo de todos, as ajudas, as palavras que incentivam quando falta só mais um cadinho pra chegar...

Gratidão ao seis que me incluíram e foram super companheiros! Foi bacana demais!

E como reflexão, fica a ideia de que cada um é conhecedor da própria força, e portanto faz o que quiser. Assim como um amigo que muito admiro já comentou em outro relato meu, eu digo: "Vá".

Fotos: todas as fotos são do Bruno ou do Will.

Danielle Hepner
Danielle Hepner

Published on 01/25/2021 18:15

Performed on 01/16/2021

5 Participants

Renato Olmos Josye Villela Adhemar Marias Aventureiras Bruno Negreiros

Views

332

8
Adhemar
Adhemar 01/25/2021 19:12

Muito bom relato Dani, só uma correção, não é só meu carro que é movido a ódio, eu também sou...

Josye Villela
Josye Villela 01/25/2021 21:12

Ótimo relato! Esse dia foi massa e você anda bem demais! :)

Marias Aventureiras
Marias Aventureiras 01/25/2021 21:46

Amei o relato, Dani! Obrigada, mais uma vez, pela cia durante essas caminhadas e pelas trocas. 💙 Estamos juntas!

Jose Antonio Seng
Jose Antonio Seng 01/25/2021 21:58

💪 parabéns, Danielle !

David Sousa
David Sousa 01/26/2021 06:34

Bacana passeio lindo

Jose Antonio Seng
Jose Antonio Seng 01/26/2021 10:25

Já fiz e achei razoavelmente puxada. Principalmente pela mata fechada. Vale tambem a doversidade de terreno e a vista !

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 01/26/2021 10:53

Mulher forte, inteligente, montanhista! Você arrasou nos Três Municípios!

Clube Outdoor
Clube Outdoor 01/27/2021 07:56

Bom ver essa galera toda. Que esse período difícil acabe e possamos retornar com tudo nos nossos relatos. Aaaaai que saudade!