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Divanei Goes de Paula 13/10/2025 11:15
    ESTRADA PARQUE: PANTANAL SUL-MATO-GROSSENSE.

    ESTRADA PARQUE: PANTANAL SUL-MATO-GROSSENSE.

    Atravessamos a Estrada do Pantanal no Mato Grosso do Sul.

    Acampamento

    ESTRADA PARQUE SUL-MATO-GROSSENSE.

    Quando desembocamos em CORUMBÁ, o dia estava encandecente , como sempre foi por aquelas bandas. Eu já estivera por lá 3 outras vezes , indo ou voltando da Bolívia e do Peru, porque simplesmente é o ponto de partida para o lendário TREM DA MORTE , basta atravessar a fronteira para o país vizinho e embarcar para Santa Cruz de la Sierra-BO, mas dessa vez seria apenas um porto para outra viagem , mas agora para dentro do próprio país. E quando falo porto, tem tudo a ver, porque a cidade está às margem do incrível Rio Paraguai e por isso mesmo se auto denomina CAPITAL DO PANTANAL SUL.

    ( RIO PARAGUAI, Corumbá)

    Aproveitamos para um bom mergulho numa das praias do rio e no outro dia partimos para fazer a travessia de carro pela Estrada Parque, numa extensão de mais de 120 km , aproveitando que estávamos na estação seca e não necessitaremos de um 4x4 .


    Bem sedo, fomos em direção para quem vai voltar para Miranda e uns 15 minutos depois, abandonamos a rodovia pavimentada e pegamos para a esquerda, numa rotatória que indica a direção à Porto Manga( MS 228). Uma estrada empoeirada, onde caminhões vindo de alguma mineradora, infernizam as nossas vidas , nos cobrindo de terra o tempo todo. A informação de que seria melhor atravessar a estrada parque na seca , nos levou ao erro, simplesmente porque não sabíamos que estava tão seco , tão seco a ponto da maioria das lagoas que beiram o caminho , praticamente não terem água, só sobraram cheias as lagoas maiores .

    O primeiro trecho é cruzado por incontáveis pontes e serão mais 100 e em algumas delas , jacarés vagabundos nadam preguiçosamente. O caminho segue , sempre cruzando por mais pontes, a maioria são cruzadas sobre terreno seco e uma hora e meia depois, trafegando a 60 km por hora ou até menos, interceptamos o povoado de PORTO MANGA, bem às margens do impressionante rio Paraguai , obviamente, um pouco mais abaixo de Corumbá.

    É um povoado minúsculo, pontilhado por casas sobre palafitas e um ar de fim de mundo paira sobre o lugar , deserto de gente, deserto de casas , espremido do lado direto do rio , sem pontes , apenas servido por uma balsa velha que , se aproveitando da situação, arranca o couro dos turistas desavisados , cobrando 80 reais por veículo para uma travessia de pouco mais de 100 metros.


    Quando chegamos era hora do almoço e balsa não funciona, então aproveitamos para comer algo numa birosca poeirenta e depois, fui nadar no rio.


    Com muito tempo a disposição, fui dar uma volta pelo povoado pra conhecer uma construção característica e única, trata-se da casa usada pelo lendári desbravador do Brasil, o MARECHAL CÂNDIDO RONDON, que por ali passou , abrindo as fronteiras , estalando telégrafos.

    Como nossa passagem seria rápida , a intenção era apenas cruzar de carro no mesmo dia , não tive dúvidas, saquei do porta malas do carro, uma varinha de pesca, que sempre carrego comigo e como não haveria tempo hábil para ir atrás de iscas específicas, lancei mão de uma calabresa e fui me divertir, pescando umas piranhas , que obviamente foram devolvidas ao rio .


    Quando a balsa estacionou, embarcamos nosso carro, pagamos a "extorsão" e fomos curtindo a travessia , que não leva mais que uns 10 ou 15 minutos e nos deixa novamente na sequência da Estrada Parque, que a partir daqui, iremos encontrar um pouco mais de propriedades , mais áreas alagadas e outras incontáveis pontes , algumas com a possibilidade de ver alguns jacarés.


    Mais à frente , o caminho vira a direita e entra em outra estrada a MS 184 e até aí já rodamos uns 70 km, uns 20 depois de Porto Manga. Aí rodamos mais uns 35 km até o RIO MIRANDA , onde há um povoado ribeirinho , um pouco maior que MANGA , mais movimentado, onde há uma ponte para passagem de veículos e uma de madeira , que cruza o grande rio por baixo, onde os nativos se divertem e eu , sem nada pra fazer , aproveito para aplacar o calor e me batizar em mais um rio pantaneiro.

    ( RIO MIRANDA)
    A tarde já se avizinha e a viagem tem que seguir, afinal de contas , ainda temos uma viagem longa até a cidade de Miranda e 8 km depois , interceptamos novamente a rodovia, junto ao posto da polícia rodoviária , quando o sol já havia nos deixado.


    Não foi exatamente o passeio que sonhamos, a seca não nos deixou ver os bichos que fomos procurar , mas como já estávamos ali na região de Bonito, curtindo férias , vislumbramos a possibilidade de aproveitar a oportunidade, já que dificilmente faríamos uma viagem somente pra isso . E viajar é isso mesmo, nunca será possível prever o que vai acontecer, mas alguns diriam que escolhemos o momento errado, e para esses eu sempre digo, se formos esperar o momento certo na vida, nunca iremos fazer nada e o momento certo é um só: Quando temos TEMPO, SAÚDE E DINHEIRO para fazer as coisas , do resto a vida se encarrega de botar tudo no seu lugar.

    Divanei Goes de Paula

    Divanei Goes de Paula

    Sumaré - SP

    Rox
    2422

    Quase 30 anos me dedicando às grandes trilhas e travessias pelo Brasil e por alguns países da América do Sul .

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