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Volta da Ilhabela

Volta da Ilhabela

Volta completa da ilha com bike, kayak e trekking

Mountain Bike Kayaking Trekking

Em boa parte do verão, ir para a montanha pode ser bem perigoso por conta das chuvas e os raios. Uma solução é migrar para as trilhas de praia e, nesse quesito, a Ilhabela é um dos lugares com maior quantidade de alternativas na região Sudeste. Trilhas, caiaque, mountain bike, mergulho, escalada, vela, stand-up. A ilha oferece opções para todos os gostos, inclusive para aqueles que querem fazer um pouco de tudo em uma travessia dura, mas incrivelmente bela, conhecendo boa parte das praias da ilha.

Ilhabela é um município-arquipélago marinho que fica no litoral norte de São Paulo. Trata-se da segunda maior ilha marítima do Brasil. Tem uma área de quase 350 mil km2 e uma população de pouco mais de 28 mil habitantes. Fica pouco mais de 200 km distante de São Paulo e 450 km do Rio de Janeiro.

Em tempos de Copa do Mundo, Ilhabela tem sido cada vez mais divulgada como um dos destinos indutores do turismo no país. E, para quem não conhece, a Ilhabela é um dos principais destinos do ecoturismo no Brasil. Mais de 85% da ilha ainda é coberta pela Mata Atlântica, com uma biodiversidade impressionante (e super ameaçada). O relevo é montanhoso, com o pico mais alto das ilhas brasileiras, o Pico de São Sebastião (1.375 m).

O que não falta ali é opção para se divertir. A ilha é considerada a capital da vela, com condições excelentes para velejar, além de se praticar o kite e windsurfe. O mergulho também é um clássico, com uma grande concentração de naufrágios, inclusive o transatlântico Príncipe das Astúrias, o Titanic brasileiro - com uma história tão trágica quanto a do navio irlandês: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%ADncipe_de_Asturias_(navio).

Para quem gosta de caminhadas, a Trilha do Bonete é sem dúvida uma das mais clássicas. Relativamente simples, o trecho com 13,3 km pode ser feito em menos de 5 horas, com direito a cachoeiras, mirantes incríveis e a chance de se acampar ou se acomodar nas pousadas da aconchegante vila de pescadores.

Para quem gosta de desafios maiores, desde 2012, está aberta a Volta da Ilha, um caminho histórico que contorna a Ilha por sua costa oceânica, indo da Praia de Borrifos até a Ponta das Canas. Esta travessia, considerada uma das mais lindas e difíceis do país, tem cerca de 67 km, para serem feitos de 5 a 7 dias. Principalmente o trecho que vai da Praia da Serraria até a Praia do Poço tem uma navegação bem complicada, com muito bambuzal, trechos de mata bem fechada e trechos acidentados e expostos. Para começar a conhecer e planejar esta trilha, vale a pena visitar http://www.viagensecologicas.com.br/ilhabela/passeios-e-aventuras/volta-da-ilha.

Uma alternativa bem interessante e um pouco mais simples para completar a volta na ilha é combinar bike, caiaque e caminhada. Para ser bem aproveitada, esta volta pode ser feita em no mínimo 2 dias, podendo se estender um pouco mais com acampamentos nas praias oceânicas do lado norte. É importante lembrar que a logística desta travessia não é simples e contratar alguém da ilha para ajudar com o transporte dos caiaques e bicicletas simplifica a vida de quem se aventura (e o custo é bem menor do que se imagina).

Eu e um amigo resolvemos fazer a travessia de uma vez só, quase como um treino de endurance. A ideia era completar toda a volta de uma vez, sem descanso, dividindo a logística em três trechos principais.

Para começar uma boa pedalada pelo lado urbano da ilha. A volta começa pelo estacionamento da Praia de Sepituba, o mesmo lugar onde começa a Trilha para o Bonete. Depois de um trecho bem curto em estrada de terra batida, o caminho segue pelas ruas principais de Ilhabela, cruzando as praias urbanas e as entradas para as trilhas que chegam às cachoeiras desse lado da ilha. Para quem vai fazer com bastante tempo, uma boa sugestão é aproveitar as trilhas curtinhas que levam às cachoeiras mais próximas, ou ainda aproveitar para fazer o Pico do Baepi (1.017 m, em trilha de aproximadamente 7 km, saindo do bairro do Itaguassú, com mais ou menos 6 horas de trilha).

O caminho de bike segue até a Praia do Jabaquara, na ponta norte da ilha. Os 8 km finais voltam a ser feitos em estrada de terra batida, com muitas subidas fortes e pedras no caminho (em alguns trechos, as pedrinhas deixam o caminho bem escorregadio, cuidado). No total são quase 40 km pedalados, com um ganho acumulado de 1100 metros de altitude e perda acumulada dos mesmos 1100 metros. O trecho não é técnico, mas é importante estar preparado para um forte sobe e desce, principalmente nos trechos finais. Os cachorros acabam sendo um desafio à parte. A ilha está cheia deles, que dão bastante trabalho, principalmente nos trechos finais (justamente os de subida mais forte).

A Praia do Jabaquara é curtinha, mas tem alguns mirantes incríveis. A infra é bem básica, com uma barraca de petiscos e um restaurante. Ali começou o segundo trecho da travessia, feito em caiaque. Contamos com a ajuda do Victor Levy, do Guido Botto e do André Venco, que organizaram a logística para pegar nossas bikes e nos deixar o caiaque na Praia do Jabaquara. Victor e Guido ainda nos acompanharam neste trecho de mar.

Usamos caiaques oceânicos duplos que nos ajudaram no trecho de 25 km até chegar na Praia de Castelhanos, com direito a uma passada para descansar e comer na Praia da Caveira. O mar, de forma geral, é bem tranquilo e não exige demais do canoísta, mas é importante ter muito cuidado, principalmente no trecho da Ponta da Cabeçuda, mais exposto, com ondas maiores.

Este é um bom momento para quem quer fazer a travessia de forma mais tranquila, com mais dias disponíveis. O trecho de caiaque passa por várias praias pouco acessíveis e lindas. Vale a pena parar na Praia da Fome (que também é acessível por trilha de 4 km desde a Praia do Jabaquara), Praia do Poço, Praia da Serraria (onde estão enterrados parte dos náufragos do Príncipe das Astúrias) e o Saco do Eustáquio (mais badalada, com restaurante).

A Praia dos Castelhanos está sempre presente nas listas de praias mais belas do Brasil. A praia é realmente fantástica e é bastante frequentada. Além dos turistas que vêm pelo mar, existe a Estrada Parque dos Castelhanos, um trecho de terra e muito barro (na época de chuvas), com 15,5 km geralmente feitos em veículos com tração 4x4, bike ou a pé.

Exatamente por esta estrada veio o nosso apoio, para ficar com os caiaques e nos deixar as mochilas prontas para a trilha que, saindo dos Castelhanos, nos levaria até a Praia de Sepituba, no mesmo estacionamento onde começamos. Um trecho bem pesado de 28 km. Apesar dos boatos que afirmavam que a trilha era muito fechada e difícil, encontramos boas condições na maior parte do tempo, com poucos pontos que exigiram mais na navegação. Mas foram subidas fortes e longas que, já no final do dia e começo da noite, exigiram muito, principalmente do ponto de vista psicológico.

A primeira parte da trilha leva até a Praia de Indaiaúba, cruzando a ilha a partir da Praia Vermelha, por mata fechada e sem vista do mar. Este trecho cruza o único pedaço de terra da ilha que não é visitado nesta travessia. A ponta mais ao sul, onde se encontra a Ponta do Boi e da Pirabura, um trecho com relevo impressionante de rochas escarpadas e muita Mata Atlântica preservada. Passar por ali, pelo mar, o que por si só já é desafiante por conta da exposição, é um passeio que vale a pena fazer.

Este primeiro pedaço de trilha tem quase 8 km, com subidas fortes e um longo trecho de platô, com a navegação um pouco dificultada em trechos onde a trilha está pouco utilizada. Na Praia Vermelha (1,5 km de Castelhanos), vale perguntar aos moradores onde começa a trilha para Inadaiaúba para evitar se perder logo na saída.

O segundo trecho do trekking vai de Indaiaúba até o Bonete, passando pela Praia das Enchovas, e tem mais 7 km. É um longo sobe e desce, bem cansativo, recompensado apenas pelas belas praias deste trecho, também pouco visitadas. A Praia das Enchovas é impressionante, com o Ribeirão das Enchovas, formando vários poços e deixando várias pedras pela praia. A Laje do Carvão, bem em frente, merece um tempo para mergulho. Neste trecho, se feito a noite, bastante cuidado com a travessia do rio, que pode ter alguma correnteza e muitos seixos soltos. Existe uma família morando na praia que possui uma casa de farinha.

Já a Praia do Bonete tem bastante infra para receber turistas, inclusive pousadas, campings e restaurantes excelentes. Vale a pena passar um tempo ali, para descansar e curtir uma praia incrível. Existe um centro de turismo mais estruturado, que atua na preservação da cultura caiçara local que vale a pena conhecer.

Por fim, o último trecho é a própria trilha de acesso à Praia do Bonete, com mais ou menos 13 km, passando por cachoeiras e muitos mirantes. A volta termina exatamente no estacionamento da Praia de Sepituba, depois de 93 km e muitas horas de uma travessia dura, mas muito bonita.

Algumas dicas importantes:

- existem MUITOS cachorros na Ilhabela. Eles podem dar algum trabalho, é importante tomar cuidado.

- os famosos borrachudos, já são muito menos hoje em dia, mas nas partes mais remotas da ilha também podem atrapalhar um pouco. Levar um bom repelente ajuda.

- encontros com serpentes são comuns. Por precaução fizemos boa parte da trilha mais fechada com perneiras, mas não tivemos nenhuma surpresa. É importante tomar cuidado, principalmente porque o acesso a boa parte das trilhas é muito difícil.

- deve-se levar em consideração que resgates (mesmo por barqueiros) são quase impossíveis em boa parte do trecho de trekking. Planejar muito bem é fundamental (inclusive o que levar de comida, bebida e materiais de primeiros-socorros).

- o trecho de caiaque pode ser simples, mas não se pode ignorar as condições de mar. Os sites weather.com e windguru.cz/pt podem ajudar com ventos, tamanho das ondas e outras informações úteis. Se não tem experiência com travessias oceânicas é melhor contratar um guia para esta parte (os preços não são altos e ajuda muito).

- fazer todo o trecho pode ser um desafio incrível e recompensador, mas fazer em mais dias permite aproveitar bem melhor o que a ilha oferece.

- o clima pode ser um fator limitante. Leve em consideração a quantidade de chuvas e se prepare para as temperaturas elevadas, sol forte e maresia durante o dia.

- existe bastante informação e relatos sobre travessias na Ilhabela. Muita coisa está mudando com o tempo, inclusive, trilhas que eram impossíveis estão sendo abertas e ficando mais simples para se navegar. Entre em contato com pessoas envolvidas com o turismo na ilha para confirmar informações. Boas e seguras fontes de informações: http://www.viagensecologicas.com.br/ilhabela/sobre-ilhabela e http://www.ilhabela.com.br/.

Edgar Perlotti
Edgar Perlotti

Published on 08/07/2015 14:27

Performed from 09/07/2012 to 09/08/2012

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Bruna Fávaro
Bruna Fávaro 08/17/2015 22:19

Que bacana, Edgar! Ótimas dicas!

Edgar Perlotti
Edgar Perlotti 08/18/2015 15:39

Bruna, super recomendo fazer essa volta... Mas em pelo menos 2 dias, 3 para ficar super agradável :)

Edgar Perlotti

Edgar Perlotti

Monte Santo de Minas - MG

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Mineiro de nascimento, paulistano por bastante tempo, mergulhador e entusiasta do montanhismo, cicloturismo, kayaking e tudo que tenha a ver com o mundo outdoor

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