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Vale do Pati - Travessia Guiné-Andaraí

Vale do Pati - Travessia Guiné-Andaraí

Trekking de 4 dias, realizado entre amigos, dormimos na casa dos nativos e visitamos algumas das principais atrações do Vale do Pati

Realizamos a travessia Guiné-Andaraí pelo Vale do Pati, na Chapada Diamantina-BA em 04 dias. Para quem não conhece, apesar do Vale do Pati ser um local relativamente distante e de dificil acesso existe uma grande quantidade de nativos que residem lá e oferecem, em suas residências, serviços como hospedagem, mercado, banheiros, cozinha com forno a lenha e alimentação, logo, se tem a possibilidade de realizar esta trilha sem precisar levar equipamento de camping e com uma quantidade relativamente pequena de comida. Além disso muitas casas contam com energia solar ou a gás e disponibilizam tomadas para uso dos visitantes. Desta vez realizamos esta trilha em um grupo de 04 pessoas sendo que 03 delas estavam indo pela primeira vez ao Vale, logo decidimos ir leves, levando apenas parte da comida e dormindo na casa dos nativos, visto que o planejamento foi de aproximadamente 100km de trilha.

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DIA 01 - (11/10/2018)

- Beco do Guiné
Chegamos no Guiné por volta das 6:00h, tomamos café em uma padaria, esperamos o mercadinho local abrir, fizemos as últimas compras e partimos de carro para o início da trilha do Beco do Guiné. Iniciamos a subida por volta das 7:30h com o sol ainda baixo até chegarmos nos Gerais, um terreno plano no topo do relevo de circunda o Vale do Pati. Ao final da subida paramos para tomar um ar e beber água.

- Mirante do Pati;
Após essa subida incial, seguimos em terreno plano pelos Gerais, até chegar ao Rio Preto, onde existe uma ponte construida por locais para a travessia do rio, que ajuda bastante nos tempos de cheia. Dessa vez o rio estava bem seco, mas mesmo assim atravessamos pela ponte e seguimos a trilha até o Mirante do Pati. Aqui paramos para descansar, fazer um lanche e tirar fotos.

- Cachoeirão por Cima;
Pegamos a trilha ainda por cima dos Gerais até chegar em um pequeno entroncamento na trilha, onde deixamos nossas mochilas e seguimos por mais ou menos 4km até o Cachoeirão por Cima. No mirante principal paramos para descansar, tirar fotos e fazer um lanche e depois seguimos para outro mirante. Passamos praticamente 1:30h nesse local.

- Casa de Aguinaldo (pernoite);
Seguimos caminho de volta para o entroncamento, onde pegamos de volta as mochilas e seguimos uma trilha descendo o Vale em direção a casa de Aguinaldo, que fica próximo a base do Morro do Castelo, perto da casa de Seu Wilson, Dona Raquel e Dona Leia. Chegamos ao final da tarde na casa de Aguinaldo e por sorte encontramos vagas na casa. Logo na chegada fizemos umas compras no mercadinho e fomos a cozinha preparar o jantar no fogão a lenha, que foi um ensopado de frango com legumes e cuscuz de milho. Depois do jantar ficamos observando o céu, que estava sem nuvens e totalmente estrelado e acabamos indo dormir cedo para se recuperar da longa caminhada. Na casa de Aguinaldo eles cobram 40,00 por pessoa e eles disponibilizam uma cama de beliche, toalha de banho, acesso aos baheiros (com chuveiro frio e vaso sanitário) e a cozinha com todos os utensílios.


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DIA 02 - (12/10/2018)

- Morro do Castelo
Acordamos cedo, ligamos o forno a lenha, fizemos algumas compras na vendinha e preparamos o café da manha. Por volta das 9:00h saímos da casa de Aguinaldo e já deixamos as mochilas prontas para quando voltarmos. Seguimos trilha até a base do Morro do Castelo, reabastecemos nossas garrafas de água em um córrego e então inciamos a subida, que é relativamente curta, porém muito íngreme em alguns trechos. Ao final da subida encontramos a entrada de uma caverna que leva aos mirantes do Morro do Castelo. Desta vez só visitamos a parte esquerda da caverna, que leva aos mirantes mais frequentados. Tiramos algumas fotos, fizemos um lanche, apreciamos as paisagens e após quase 2hrs voltamos pela mesma trilha até a base do Castelo. A descida é mais rápida que a subida, mas tem muitas pedras soltas.


- Cachoeira dos Funis
Na base do Morro do Castelo é possivel visualizar um entroncamento de trilhas, logo, pegamos outra trilha seguindo o Rio Funis até as suas quedas d'água. É um trekking relativamente fácil a depender das condições climáticas, porém, como é por dentro do leito do rio, em épocas de chuva pode ficar muito escorregadio e a depender do nível da água pode ser necessário retirar as botas para atravessar alguns trechos. A medida que nos aproximamos da cachoeira principal, podemos observar um estreitamento do canion, até que chegamos a uma grande queda d'água, que é a Cachoeira dos Funis. Desta vez o rio estava com nível muito baixo e o tempo aberto, então o caminho foi bem tranquilo, ao chegar, demos uma relaxada, fizemos um lanche e tomamos um banho de cachoeira que ainda tinha um bom volume de água.


- Subindo a Cachoeira dos Funis
Depois resolvemos retornar para a casa de Aguinaldo seguindo em frente pela mesma trilha, subindo todas as quedas dos Funis e dando a volta por cima do canion do Rio Funis. Este é um caminho alternativo, há a possibilidade de retornar pela mesma trilha seguindo novamente canion do Rio Funis, porém optamos por fazer essa trilha alternativa por conta das condições climáticas favoraveis e a também para conhecer todas as quedas do Rio Funis que estão acima da cachoeira principal. É um trekking moderado a avançado, com trechos muito íngremes, seguindo o leito do rio, podendo ser necessário uso de cordas, porém estava tudo seco e fizemos o percurso sem grandes dificuldades. Tivemos como recompensa mais algumas quedas menores e visuais muito bacanas. Após esse trecho de quase escalada, ao topo, seguimos em direção a Igrejinha e viramo a esquerda por uma trilha de barro bem ampla que passa pelo meio do Pati de cima, com uma vista bem bacana de todo o Vale, até chegar de volta na casa de Aguinaldo.


- Prefeitura (pernoite)
Chegamos já quase no final da tarde na casa de Aguinaldo, pegamos as mochilas já prontas, fechamos as contas em aberto com o pessoal da casa e partimos. No Vale, os nativos se comunicam através de rádio (onde pega), logo, como estavamos em um feriadão, pedimos para passarem o rádio para a casa de Jailso (Prefeitura) avisando que estariamos chegando para passar a noite e confirmando a vaga. Chegamos na Prefeitura já quase anoitecendo, guardamos nossas coisas no quarto tomamos algumas cervejas, compradas na vendinha da casa (8,00 a lata) e fomos a cozinha fazer o jantar. Na Prefeitura não conseguimos comprar proteina (carne, frango ou peixe congelados), porém eles disponibilizam cozinha com todos os utensílios e fogão a lenha, banheiro (com chuveiro frio e vaso sanitário) e um colchão no chão no valor de 40,00. Pela falta de proteina acabamos optando por utilizar os cogumelos desidratados que trouxemos e fazer um macarrão ao molho funghi. Logo após o jantar, fomos dormir.

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Dia 03 - (13/10/2018)

- Cachoeira do Calixto

Acordamos cedo e já nos deparamos com o visual sinistro do Morro do Castelo logo da janela do quarto, preparamos um café da manhã reforçado com alguns itens da vendinha como ovos (2,00), cuscuz (5,00), aprontamos as mochilas e partimos até a trilha da Cachoeira do Calixto sem mochilas. A entrada da trilha se localiza na mesma trilha entre a casa de Aguinaldo e a Prefeitura, logo retornamos um pouco e já encontramos a entrada. É um trekking leve, trilha aberta e bem marcada com muitas subidas e descidas porem sem muita inclinação, levamos aproximadamente 1:30h para chegar até o destino final. Existe uma bifurcação na trilha, onde podemos descer para o leito do rio e fazer o percurso final pelo seu leito subindo as Escadinhas, porém decidimos ir pela trilha principal. Ao chegar na cachoeira, fizemos um lanche, tomamos banho no poço e desfrutamos o visual do local. Após quase 2hrs retornamos pela mesma trilha até a Prefeitura, ainda no início da tarde. Pedimos para Jailso passar o radio para casa de Eduardo, avisando a nossa chegada, porém parece que por conta da localização da casa (Pati de baixo), o sinal não chega lá.

- Poço da Árvore

Ao chegar de volta na Prefeitura, fechamos as contas em aberto na casa e partimos para o Poço da Árvore, que se localiza na trilha entre a Prefeitura e a casa de Eduardo. Seguimos por aproximadamente 15 minutos e seguimos uma trilha a esquerda até o Poço da Árvore, onde ficamos por quase 1:30h tomando banho e fazendo um lanche.

- Casa de Eduardo (pernoite)

Depois de aproveitar o final da tarde no Poço da Árvore, seguimos caminho até a casa de Eduardo. Acabamos passando tempo demais nesse local e pegamos o ultimo trecho até o destino final já no escuro, porém estavamos equipados com lanternas então isso não foi um problema. Chegamos quase as 19:00h na casa de Eduardo, que na realidade já nem mora mais no Pati, hoje quem vive em sua casa é seu filho, Domingos, que nos recepcionou muito bem. Tomamos umas cervejas, colocamos nossas coisas no quarto e logo em seguida fomos a cozinha. Na casa de Eduardo ele disponibiliza quartos com cama de beliche, banheiro (chuveiro frio e vaso sanitário), cozinha com forno a lenha e todos os utensílios (muito bem conservados) a 40,00 e vendinha (a mais barata do Pati). Compramos para o jantar 1kg de carne do sol (35,00), macarrão (5,00) e ovos (1,00 un). Neste dia tomamos alguns vinhos que haviamos levado em garrafas pet (eles até vendem vinho nas vendinhas, porém temos que levar conosco as garrafas de vidro), e ficamos conversando até tarde.

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Dia 04 - (14/10/2018)

- Descanso pela manhã
Nesse ultimo dia acordamos mais tarde, tomamos café mais tranquilamente, desfrutamos um pouco do clima e astral da casa de Eduardo que é uma das mais bem equipadas e localizadas do Pati de baixo, pois é a casa de apoio mais próxima do Cachoeirão por Baixo (cerca de 1:20h de caminhada) e fica próximo a um rio, com uma ampla área de lazer no rio com slackline.

- Ladeira do Império
Quando chegamos próximo às 12hrs começamos a arrumar nossas mochilas para partir para o ultimo e talvez mais cansativo dia de caminhada. Inicialmente saímos da casa de Eduardo pela mesma trilha que chegamos. Após alguns minutos de caminhada chegamos a um entroncamento, onde seguimos em frente e cruzamos o rio que estávamos margeando. Desta vez foi bem tranquilo atravessar naquele local porque o nível da água estava baixo, porém em época de cheias precisamos retornar um pouco mais na trilha até uma ponte onde é possível fazer a travessia mesmo com o rio cheio. Após a travessia iniciamos gradativamente a subida da Ladeira do Império. É um trekking moderado, a trilha é ampla e toda calçada com pedras grandes, porém é uma subida muito longa, íngreme e sem degraus, alguns trechos inclusive com pedras soltas. Como se não bastasse, durante toda a subida o sol é pleno, sem sombras, o clima muito quente e não existem fontes de água, logo, apesar de estarmos no final da trilha, mais leves, tivemos que subir carregados de água para nos manter hidratados diante de condições tão adversas. Ao final de algumas horas de subida ininterrupta chegamos exaustos ao topo da Ladeira.


- Andaraí
Ao final da subida, decidimos parar para descansar, lanchar e reidratar. Após poucos minutos, seguimos viagem por uma descida bem leve e muito longa até chegar a uma nascente de água, que apesar do momento de seca que se encontrava a Chapada, estava ainda com um certo fluxo de água corrente, onde reabastecemos nossas garrafas e passamos praticamente 1hr bebendo água. Após de fato renovarmos nossa energia e agora com água a vontade, seguimos a trilha que se manteve com a mesma inclinação e intensidade por todo o trajeto até a cidade de Andaraí, onde chegamos já no finalzinho da tarde.

Eduardo Ferro
Eduardo Ferro

Published on 11/05/2018 16:38

Performed from 10/11/2018 to 10/14/2018

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Peter Tofte
Peter Tofte 11/13/2018 08:49

Parabéns Edu! Ótimas fotos e excelente relato! Já vi que vc foi picado pela mosca das trilhas! Vamos combinar uns trekkings pelo lado pouco conhecido e selvagem da Chapada!