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Massa Crítica & 5 Dias En La Ciudad De La Furia
Terceiro episódio da série de relatos da expedição Ciclotrekking - Pra lá do Fim do Mundo. Uma trip de bike até o extremo sul da Patagônia.
CicloturismoSábado, 02 de novembro.
Acordei cedo e um pouco ansioso, pois em poucas horas embarcaria no ferryboat para Buenos Aires.
Estava preocupado de como seria a questão aduaneira e o embarque da minha bicicleta no ferry, e por conta disto, combinei com Tine, minha amiga mochileira belga que me acompanhava, que eu iria bem cedo para o terminal de passageiros de Colônia, pois se tivesse alguma surpresa, ainda teria tempo de tentar resolver. No fim, tudo correu na mais absoluta tranquilidade e embarcamos rumo Buenos Aires.
A travessia de Colônia para Buenos Aires não demorou mais do que duas horas e ao desembarcar no terminal, meu anfitrião, o Alex, já me aguardava de bike do lado de fora para o primeiro rolê de bicicleta e um café de boas-vindas.
Já de cara, fui surpreendido positivamente pela grande cidade, que ao contrário do que imaginava se mostrava bastante amigável com as bicicletas e com grandes espaços de áreas verdes. Num rápido pedal, até a casa do meu mais novo amigo, deu para sentir que a passagem por Buenos Aires seria algo muito bacana.
Na noite, Alex, Tine e eu, demos uma rápida volta para comer algo e conhecer um pouquinho da vibe noturna da cidade.
Domingo, 03 de novembro.
Dia de Massa Crítica!
Grande momento para mim. Estava realmente muito empolgado desde que recebi o convite para participar da Massa Crítica, ainda quando estava pedalando no Uruguay.
Para quem não sabe, Massa Crítica (do inglês Critical Mass) é um evento que ocorre tradicionalmente na última sexta-feira do mês em muitas cidades pelo mundo, onde ciclistas, skatistas, patinadores e outras pessoas com veículos movidos a propulsão humana, ocupam seu espaço nas ruas. Os principais objetivos são divulgar a bicicleta como um meio de transporte, criar condições favoráveis para o uso deste veículo e tornar mais ecológicos e sustentáveis os sistemas de transporte de pessoas, principalmente no meio urbano. È uma celebração e também um momento de protestar.
Por volta das 16 horas, chegamos ao Obelisco de Buenos Aires e enquanto a galera vinha chegando, o Alex, como um bom anfitrião, foi apresentando eu e Tine para várias pessoas que, assim como ele, sempre estão presentes na Massa. Em minutos, já estávamos enturmado com os hermanos.
Uma hora depois, como uma pequena multidão de mais ou menos 300 ciclistas, começamos o giro pelas áreas centrais da grande capital.
Estava um final de tarde perfeito com céu azul e temperatura amena.
No meio da galera, como acontece em qualquer Massa Crítica, tinha gente de todo os tipos e de todas as idades, com todos os tipos de bikes, skates, patins e etc... Música. Muita música, também. Afinal, uma das marcas da Massa Crítica, além do protesto é a “buena onda” da turma.
Rodamos mais de 30 quilômetros pelas ruas e avenidas até ficar escuro e depois, ao termino do evento, seguimos para a casa do Alex.
Segunda-feira, dia 4 de novembro.
Precisava muito resolver uma série de coisas, como compra a passagem de bus para Bariloche, fazer câmbio de moeda, comprar algumas coisinhas para a bicicleta e ainda arrumar tempo para poder conhecer mais da capital portenha dando alguns giros de magrela.
Depois de ter comprado a passagem e definido a data de partida para o dia 7, e com uns trocados no bolso, fiquei mais relaxado para curtir literalmente um cicloturismo com um guia local que manja muito dos lugares mais bacanas e tradicionais, fora da bolha turística tradicional.
Terça-feira, dia 5 de novembro.
Fui conhecer a orla do Rio Tigre com o Alex. Um lugar realmente muito bacana e tranquilo para curtir ao ar livre e dar longos pedais longe do trânsito pesado e da correria normal de uma grande cidade.
Uma coisa que também me surpreendeu, além da enorme malha de ciclo faixas é a facilidade de embarcar no trem com a bicicleta e ir para qualquer lado da cidade. Ao contrário de muitas cidades do Brasil, por lá, na capital portenha, a bicicleta tem seu espaço garantido e respeitado. Moraria fácil em Bs. As.
Quarta-feira, dia 6 de novembro.
Mais alguns giros pela cidade e na noite, nos reunimos os três para um jantar de despedidas minhas.
Fomos até o tradicional Club Eros Palermo, que além de quadra de futebol, tem um restaurante típico portenho, onde se come bem e gasta pouco. Lugar muito divertido e interessante, ao melhor estilo de clube de bairro onde a turma se reúne para bater bola e depois fazer um churrasco e tomar algumas cervejas. Comemos, bebemos demos muitas risadas.
Quinta-feira, dia 7 de novembro.
Dia de meter o pé no busão e rumar para Bariloche.
A tarefa de tomar o trem e ir até o terminal rodoviário de Buenos Aires com a bicicleta encaixotada e mais os alforjes, teria sido muito difícil e complicada se não fosse a grande ajuda de meus amigos de trip, Alex e Tine.
Chegamos cedo, com mais de uma hora de antecedência da hora de partir e ainda ficamos batendo um papo e fazendo uma longa e final despedida.
Nestes dias que passei em Buenos Aires, pedalando na companhia de meus novos amigos, Alex e Tine, nada estava programado em meus planos e que bom que foi assim. Às vezes, deixar as coisas fluírem sem o nosso controle da situação e prévio planejamento, pode render boas surpresas e belas recordações para levar na memória.
Foi uma bela e surpreendente experiência estes dias que passei na bela Buenos Aires, que inspirou Gustavo Cerati a compor a canção que eu, por vários momentos em que estive rodando de bicicleta por suas calles e avenidas cantarolava para mim mesmo.
Me verás volar
Por la ciudad de la furia
Donde nadie sabe de mí
Y yo soy parte de todos
Nada cambiará
Con un aviso de curva
En sus caras veo el temor
Ya no hay fábulas en la ciudad de la furia
Me verás caer
Como un ave de presa
Me verás caer
Sobre terrazas desiertas
Te desnudaré
Por las calles azules
Me refugiaré
Antes que todos despierten
Me dejarás dormir al amanecer
Entre tus piernas
Entre tus piernas
Sabrás ocultarme bien y desaparecer
Entre la niebla
Entre la nieblaUn hombre alado extraña la tierra
Me veras volar
Por la ciudad de la furia
Donde nadie sabe de mí
Y yo soy (Parte de todos)
Con la luz del sol
Se derriten mis alas
Solo encuentro en la oscuridad
Lo que me une con la ciudad de la furia
Me verás caer
Como una flecha salvaje
Me verás caer
Entre vuelos fugaces
Buenos Aires se ve
Tan susceptible
Ese destino de furia es
Lo que en sus caras persiste
Me dejarás dormir al amanecer
Entre tus piernas
Entre tus piernas
Sabrás ocultarme bien y desaparecer
Entre la niebla
Entre la nieblaUn hombre alado
Prefiere la noche
Compositor: Gustavo Adrián Cerati
A Aventura é agora!
Domingo, dia 12 de janeiro. Depois de finalizar a Carretera Austral e cruzar o Paso Rio Mayer, entrei na Argentina, e segui rumo para El Chaltén, onde rolaram uns trekkings. Agora, estou aqui em El Calafate, tirando um momento de descanso de la ruta e preparando as coisas para seguir em frente rumo a Puerto Natales, Chile.
Em breve, novo episódio cheio de causos para contar sobre todo esse tempo que estou rodando desde Bariloche até agora..
Quer saber como tudo começou? Acesse o primeiro eposódio da trip Ciclotrekking clicando AQUI.
Cobertura Online
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show!!!!
👏👏