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Serra da Capivara

Serra da Capivara

Parece mentira mas em 40 anos essa foi a minha primeira aventura sozinha, e eu adorei, quero fazer isso mais vezes. O lugar é mágico.

Localizada no semiárido nordestino a Serra da Capivara se encontra no meio de duas grandes estruturas geológicas: a Bacia Sedimentar Piauí-Maranhão e a Depressão do Médio São Francisco, compostas por vários tipos de rochas e minerais. Os Séculos de intemperismo provocaram transformações que geraram uma paisagem belíssima de planaltos, chapadas, morros, serras, serrotes, planícies e canyons, que são importantes, pois possibilitaram ao homem pré-histórico a formação de abrigos como grutas e cavernas, nos quais são encontrados vestígios arqueológicos e paleontológicos datados de até 60.000 anos.

O relevo da região é formado principalmente por serras cujas rochas dominantes são arenitos e conglomerados que erodidos criam formas espetaculares.

A formação vegetal do lugar é a caatinga porém em diversos locais do parque chamados de boqueirão é possível encontrar resquícios de Mata Atlântica, onde observamos espécies de tronco finos e porte elevado. Para alcançar essa serra tive que percorrer esse desfiladeiro coberto por árvores de várias espécies, é uma floresta do tipo semidecídua, nela encontrei o pau d'arco também conhecido como pau amarelo, o angico, o algumas espécies solo é arenoso e a temperatura muito agradável.

Da fauna do lugar que também é muito rica só me deparei mesmo com o macaco prego e alguns roedores infelizmente, talvez na próxima visita eu faça um tour noturno daí quem sabe eu encontre uma onça pintada ou mesmo uma jaguatirica, rsrs.

No santuário dos macacos pregos encontra-se o Caldeirão da Gameleira, árvore bicentenária cujas raízes estão incrustadas na rocha da qual retira a água que precisa.

No parque encontra-se a maior concentração de sítios arqueológicos das Américas, onde podemos ver registros de ocupação humana que segundo os estudos de arqueológos e antropólogos, podem chegar a 100 mil anos de antiguidade. São mais de mil sítios arqueológicos cadastrados dos quais 173 estão abertos à visitação.

O parque ainda abriga uma das maiores coleções de arte rupestre do mundo.

Seguindo vários estilos e tradições as gravuras retratam animais, cenas da vida pré-histórica, danças, lutas, caça, sexo e parto. Algumas não cabem inerpretações outras atraem nossos olhares por horas a fio, nos fazendo embarcar numa viagem de volta a um passado que mesmo muito distante está carregado e impregnado com a nossa mais pura essência.

Pra completar o tour, dei uma passada pelo Museu do Homem Americano, onde ficam expostos todos os artefatos encontrados nas escavações do parque. Nele dá pra tirar fotos dos objetos expostos, coisa rara num museu, o problema é que estava sem camera, meu cel estava com a menória cheia e o tablet sem flash, resultado: fotos muito ruins, só dá mesmo pra usar nas minha aulas, mas fica a dica, o museu é lindo e os funcionários são muito legais. Detalhe só tinha eu no museu, experiência inesquecível.

Diário de Bordo:

Durante essa primeira aventura solo, aproveitei pra analisar alguns pontos do meu plano de viagem e constatei algumas falhas que corrigirei para a próxima viagem:

Mochila - 65 litros são desnecessários, acredito que 45 seria bem mais adequada visto que mudei bastante meus hábitos e costumes no último ano;

Coturno - Ideal, amaciá-los antes da viagem foi fundamental, porém preciso investir numa bota impermeável o quanto antes pensando em visitar áreas mais úmidas qualquer hora dessas;

Chinelos - que bom que os levei, eles fizeram diferença nas várias horas de espera nas rodoviárias da estrada onde em alguns pontos o calor era insuportável, como em Palmas (TO).

Registro 1 - Levei apenas o celular e um tablet, senti muita falta de uma camera, consegui captar imagens muito bacanas, mas os vídeos não ficaram lá essas coisas;

Registro 2 - Senti muita vontade de colocar no papel as emoções e os momentos vividos nessa minha viagem experimental, usei muito o tablet mas não é a mesma coisa que o papel, ficou impessoal demais pra mim, por isso está decidido, próximo item de compra: uma caderneta sem pauta, uma do tipo etnográfica, bem mais o estilo de uma geógrafa de outros tempos, rara;

Pedras que rolam - durante todo o percurso encontrei muita gente bacana, mas não troquei contato com ninguém, não foi proposital, mas agora rememorando os fatos percebi que eu gostaria de reencontrar muitos deles. Agora só resta apostar naquele velho ditado que diz que a vida é uma esquina e torcer pra esbarrar com essa gente por aí;

Sem lenço e sem documento - sair com apenas a passagem de ida é legal, eu aconselho, nos coloca na rota do desconhecido e tudo pode acontecer, mas algumas horas de espera em busca de passagens em cidades muito pequenas podem se tornar um pesadelo para os mal acostumados com o conforto dos grandes centros urbanos: ausência de bancos, caixas eletrônicos qdo são encontrados ficam sem dinheiro durante os finais de semana pra evitar assalto, lojas sem maquininhas de cartão, lotação excedida nos ônibus interestaduais onde muitas vezes os passageiros viajam em pé, esse tipo de coisa;

GPS - equipamento fundamental nos dias de hoje e qualquer smartphone que se prese possui um app oferecendo esse serviço, mas em se tratando de um país com a extensão territorial do Brasil vale mesmo apostar num garmim visto que por kms ficamos sem acesso ao sinal de internet;

Souveniers - Camisetas compradas de ultima hora trazem consigo costuras mal feitas e/ou ausência delas, sugestão: compre-as logo no primeiro dia, assim em caso de defeito terá tempo de trocar a peça;

Terminais Rodoviários - as oligarquias nordestinas também se fazem presentes nos terminais das pequenas cidades, resultado: serviços de péssima qualidade, preços exorbitantes, ausência de infraestrutura para o atendimento dos usuários, vou fazer um mapeamento desses equipamentos no meu próximo destino.

Deu Bom - lenços umidecidos: salvou a pátria em diversos momentos, são excelentes pra manter uma higienização bacana.

Deu Ruim - Não levar dinheiro em cédulas apostando no dinheiro de plástico.

Balanço Geral - saldo positivo, próximo destino já está definido.

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Raffael
Raffael 03/07/2016 15:24

Muito bom. Parabéns!!!

Alexandre Paulo Kinas
Alexandre Paulo Kinas 04/03/2016 18:55

Lugar perfeito, quanto tempo e distancia?

Maristela J. Alves Martin
Maristela J. Alves Martin 04/09/2016 07:48

Daqui de Brasília são 1432 km até São Raimundo Nonato, a Serra fica lá De São Raimundo até a entrada são 20 minutos de carro. Vale muito a pena.

Carlos Araújo
Carlos Araújo 11/25/2016 21:23

Saudades da Serra da Capivara!

Fabio Fliess
Fabio Fliess 02/04/2017 21:53

Espetacular Maristela! Viajei no lugar...