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Tour du Mont Blanc

Tour du Mont Blanc

Foram 11 dias com 196,7km percorridos, 11.065m de elevação acumulada, 27.841 calorias gastas e uma imensurável paz interior.

1 dia - Chamonix a Les Houches (13,8km 167m asc. 1.591m desc. acumulada) Começa o TMB com um dia nebuloso, com várias pancadas de chuva durante todo o dia e temperatura entre 6 - 15C. O que deveria ser tranquilo, algo para aquecer, se tornou uma grande prova para o joelho, uma descida extremamente íngreme, nos forçando a começar o TMB com lesão.

2 dia - Les Houches ao Refuge de Miage (16km - 1.300 asc. - 710m desc. acumulada Temp 11-19C) O dia começou com chuva, prometendo um dia fechado, uma subida de respeito em quase todo o trajeto, paramos próximo ao Glaciar Bionnassey para um lanche rápido e recuperar o fôlego para a subida mais íngreme do dia até o Col de Tricot, agora foi só descer ao Refuge du Miage, em um lindo vale. Deixando as pequenas vilas e partirtindo pras montanhas.

3 Dia - Refuge du Miage - Refuge Coix du Bonhomme (21,5km - 1.520m asc. - 671m desc. acumulada Temp 8-31C) O dia amanheceu ensolarado e com uma subida de bom dia com 200 metros verticais. Seguimos para o vilarejo de Les Contamines, lugar adorável, com um parque de variadas práticas esportivas, dentre elas o Biatlon, com jovens treinando e dando pra escurar os tiros perto da pista. Dali por diante sabíamos que nos afastaríamos da civilização, e foi-se também o sinal de celular. Encaramos uma longa subida de 1k vertical ate o Col, a 2300 metros. Passamos por uma encosta exposta e um pouco mais técnica, ao Refugio Croix du Bonhomme, com um final de tarde frio e isolado!

4 dia - Refuge De la Croix du Bonhomme - Rifugio Elisabetta (21km - 1.143m asc. - 1.375m desc. acumulada Temp 9-30C). O tempo ajudou e fomos autorizados a pegar a variante pela rota alta, e chegamos ao cume do Tete Nord des Fours, 2756m, basicamente um palco com a rochosa do Mont Blanc em nossa frente, seus glaciares e agulhas adjacentes. A melhor visão do Mont Blanc até então. Descida um pouco técnica e escorregadia até o Vale dos glaciares, onde tínhamos a esperança de encontrar uma vila com comércio, já que não conseguimos comprar o lanche para o dia. Só casas. Não tivemos alternativa: usamos o salame de emergência. Deu certo. Depois disso uma subida monumental, com o vale ao nosso lado e que terminava na divisa de países. Pisamos na Itália. Quarenta e poucas vaquinhas com sino depois, chegamos ao Rifugio Elisabetta, colado ao Glaciar do Lex Blanche, então imagina o frio na mão pra escrever esse texto aqui fora.

5 dia - Rifugio Elisabetta - Courmayeur (17,3km 530 asc. 1.700 desc. acumulada Temp. 11-31C) Iniciamos o dia descendo por um vale pantanoso que rendeu um espelho d’água único do maciço rochoso ao fundo.
Entre duas geleiras à meia altura dos cumes, avistamos um refúgio completamente isolado, acessível apenas pelas geleiras em alto desnível, sendo inacreditável imaginar sua construção. O caminho até Courmayeur surpreendeu pelo nível desgastante de descida, uns 900 metros verticais em cerca de 3 km. Foi-se um joelho, veio a bonança, pois agora chegamos ao break de 1 dia do TMB.

6 dia - Courmayeur - Rifugio Bonatti (17km 1.578m asc. 792 desc. acumulada Temp 13-31C) Tínhamos programado um trajeto sem variante, mais rápido, mas estávamos descansados demais pra ele. Pegamos uma variante pelas montanhas, seguimos na crista e fizemos um cume: Teté de La Troche, 2581 metros. O custo foi alto, com uma ascensão vertical acima do programado. Seguimos para um vale, andamos ao lado de uma escarpa de pedras escorregadias e descemos o vale ao lado de um riozinho até o Rifugio Bonatti, onde 500 ml de cerveja foi consumido em 2, talvez 3 minutos. E tem sinal de celular aqui, não entendo como, pois não há vilarejos ou cidades por perto.

7 dia - Rifugio Bonatti-La Fouly (21,3km 902m asc. 1.276m desc. acumulada Temp. 10-32C). Amanheceu o dia e só víamos o Mont Blanc laranja a nossa frente, tempo aberto, nem parecia que estava 10 graus. Caminhamos pela encosta, se despedindo do vale da face Sul, e de fato, o vale acabava ali, com uma cadeia montanhosa ao fundo, fazendo sentido ser ali a fronteira com a Suíça, e obviamente, subida interminável. Chegamos no colo da montanha, na divisa dos países, a 2530 metros. Pausa pro almoço com uma sinfonia vogal chinesa perto de nós. Era um pequeno grupo de uns 20 chineses, animados, quando a ventania fez voar o saco de comida deles, repetidamente, e por 3 vezes nós resgatamos o saco no ar, evitando a poluição da Montanha. Eles agradeceram. A Suíça nos recebeu num vale com múltiplos riachos nascentes na montanha, drenando para um veio central, muito bonito. Passamos pela vila de Ferret com raras casas e chegamos um tempo depois em La Fouly, com casas de porta baixa e de madeira, e o rio glacial ao meio. Com 21km a fome considerável trouxe a ânsia de experimentar a Raclette do auberge Maya Joie. Fenomenal.

8 dia - La Fouly - Champex (17km 512m asc. 649m desc. acumulada Temp. 13-30C) A jornada de hoje começou na floresta de pinheiros que forma as encostas do vale de La Fouly, andando entre pinheiros num chão de pedras e turfa macia. Cruzamos largas áreas de deslizamento de pedras, mostrando como a chuva pode ser um perigo local, mais que a pequena cobra que quase se encontrou com a sola da minha bota nova. Passamos por duas isoladas vilas de casas de madeira preservadas do século XVIII, um charme. Subimos a encosta até a chegada no Lac Champex, um lago magnifico e transparente, perfeito pra nadar pra quem entra em água a 17 graus.

9 dia - Champex a Trient (19,4 km 1.157m asc. 1.327m desc acumulada Temp ). Hoje foi o dia “D” do tour: dia da variante mais complexa, a Fenetre d’Arpette. De frente ao hotel víamos duas montanhas e um vale fechado à frente, o fechamento dele lá no alto, cruzando para o outro lado da rochosa, é a Fenetre. Subimos decididos ao lado de um riozinho ganhando inclinação, até que o Marco cai, machuca o cotovelo esquerdo e perde a força de tração para o Stick nesse braço. Ele agradeceu a seleção natural por ser bípede e tocou o barco. A subida fica mais e mais íngreme, com pedras maiores e mais exposta, em 5 horas subimos mais de 1 km vertical e “Voilá”, a Fenetre, a 2665 metros de altitude. Almoço rápido, e o salame que era de emergência já virou o prato do dia. Do outro lado desse colo escorre um Glaciar gerando um rio de degelo bastante turbulento. Na descida para Trient também íngreme e infindável, uma cabra da montanha nos encarou, mas ela só queria tomar água e a gente não fez objeções. O vale de Trient é meio assustador, pois o leito dele é um cânion estreito e profundo, e no funil das encostas acima de nós, víamos áreas devastadas de pinheiros arrancados por rios de pedras vindos dos temporais. A vila de Trient e suas 20 casas é linda.

10 dia - Trient a Tré Le Champ (18km 1.113m asc. 985m desc. acumulada Temp. 12-30C) O dia começou com uma subida íngreme zigue-zagueando pelo Brasil osque até chegar no Col de Balme, 2.200 metros, que marca fronteira com a França. Neste ponto, a rochosa e o próprio Mont Blanc tomam frente à paisagem, imponentes. No Col, um refúgio com um café morno tomado num único gole, e tocamos pela variante, pois ainda havia mais subida pela crista rochosa da montanha que compõe a face norte do vale de Tré Le Champ. Na crista pudemos ver parte da trilha de amanhã em outra montanha mais ao norte. Paramos na Aiguillette des Posettes, almoço, e reencontramos uma figura, a Sra Golene, que aos 72 anos e seus últimos vinte nas montanhas, nos alertou sobre as nuvens escuras chegando pelas colinas ao norte e ao sul tb. Acatamos e descemos sem demora. Resultado, chuva, mas já estávamos estalados.

11 dia - Tré Le Champ a Chamonix (14,5km 1.302 asc. 348 desc. acumulada Temp. 13-28C). Dia de reviravoltas. Acordamos com um barulho de helicóptero perto de nós, fazendo voos de carga de contâiners de abastecimento dos refúgios de altitude. Apesar da chuva e intensa neblina, com cerca de 30 metros de campo visual, decidimos por pegar a rota da Via Ferrara, com escadarias verticais nas escarpas rochosas da face norte do vale. Chegamos ao Lac Blanc com um mix de neblina intensa e aberturas rápidas do céu. O lago fica a 2.360 metros de altitude e é rodeado por geleiras que o abastecem. O final da jornada foi por uma rota de altitude também, com pedras deslizantes, quase sem vegetação, meio paisagem lunar. Apressados para chegar a Planpraz, descobrimos, já avançados no caminho que a estação estava fechada, e não poderíamos chegar ao ponto de início. Abortamos, voltamos um tanto e descemos à vila de Le Praz. Seguimos de uma vila à outra por uma via ribeirinha contínua, até Chamonix.

Evelyn Bertazo
Evelyn Bertazo

Published on 08/30/2018 15:12

Performed from 08/12/2018 to 08/23/2018

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