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Um pouco sobre 14 lindos dias no Peru

Um pouco sobre 14 lindos dias no Peru

Puno (Ilhas de Uros e Taquile) + Salkantay Trekking + Machu Picchu + Huayana Picchu + Hiking Montanha Colorida (Ausengate) + Vale Sagrado

Trekking Hiking Mountaineering

Esse relato está sendo feito com um atraso de pouco mais de um ano, então me perdoem pela falta de detalhes.

Costumo programar minhas viagens com mais de seis meses de antecedência, sempre optando por tirar minhas férias no mês de maio, para comemorar meu aniversário. No caso da viagem ao Peru, comecei a programar tudo no final de outubro de 2016, quando a empresa onde trabalho confirmou minhas férias. Li inúmeros relatos em blogs e no grupo dos mochileiros no facebook. Estava receosa por ser minha primeira viagem sozinha, foi quando conheci a Thais Ferreira numa postagem procurando companhia para o Peru em maio. A Thais é baiana, morava em Porto Seguro, taurina feito eu, mas bem mais calma e menos comilona. Compartilhei com ela meu roteiro, ela curtiu e fechou tudo conforme eu havia fechado, mesmo hostel, agência e alguns passeios. Eu já não viajaria sozinha. Criamos um grupo no whatsapp para reunir os mochileiros que estariam no Peru na mesma época que nós, no dia da viagem esse grupo tinha mais de 40 pessoas.
Faltando um mês para embarcar, a Vanessa Brito, amiga recente que eu havia feito no carnaval através de um amigo em comum, decidiu ir também, pegaria o mesmo vôo e fechou roteiro semelhante ao meu, exceto pelo trekking.

Definitivamente eu já não partiria sozinha, teria por companhia duas excelentes amigas que o mundo mochileiro me daria de presente.

Daqui do Brasil eu fechei com a agência Salkantay Trekking + Ilhas de Uros e Taquile (Puno) + Montanha Colorida, escolhi a Viajes Cusco pelas boas referências que encontrei na internet. Não sou muito de arriscar na sorte, então preferi fechar com antecedência, mas praticamente todos os passeios são perfeitamente passíveis de contratação poucos dias antes (acho que os Trekking Salkantay, Trilha Inka e o boleto para entrada em Machhu Picchu esgotam com meses de antecedência) tem muitas agências especialmente na Plaza de Armas, a concorrência é imensa, sendo possível negociar bastante o preço.

Saímos de Recife/PE às 20h do dia 09 de maio de 2017, tendo feito uma conexão em Guarulhos e outra em Lima, chegamos em Cusco no dia 10 às 11h20.

Perto da esteira para pegar as malas, fica à disposição uma cesta cheia de folhas de coca, fui logo experimentando e cuspindo os pedações da folha seca, achei horrível e logo acharia horrível também o chá, ainda bem que a altitude não me afetou, pois estaria perdida se precisasse de coca para amenizar qualquer sintoma.


Pegamos as mochilas e logo no desembarque encontramos o Carlos, com uma 'plaquinha' de papel com meu nome. Já tinha lido em algum blog a recomendação ao taxista Carlos, pessoa a quem só tenho as melhores referências. Super correto, simpático, pontual, e ainda por cima guia para alguns passeios (segue número dele para falarem pelo WhatsApp+51 940 184 277, diz que foi Fabiana Pessoa do Brasil quem indicou).
Em menos de 10 min, uma distância de menos de 6km, chegamos no Hostel Inka Wild, que dispõe dos meus requisitos necessários básicos: bem localizado, barato, com café da manhã e banho quente. De quebra ainda eles tinham um menu para almoço e jantar com ótimos preços e comida excelente, e boa música praticamente todas as noites.

Reservamos o restante do dia para aclimatar e no final da tarde fomos ao terminal de ônibus da Cruz Del Sur para comprar as passagens para Puno, faríamos o passeio no lago titicaca no dia 12. A Thais estava fazendo passeio pelas ruínas e a encontramos no final da tarde no hostel, e depois saímos para jantar, fomos de cusqueña e pizza no restaurante Cava Mora na Plaza de Armas. Lá conhecemos o Valmir, um mineiro gente boa que viaja tanto quanto eu respiro.

No dia 11 fiz o passeio com a Vanessa pelas ruínas de Cusco (Sacsayhuaman, Q'enqo, Pukapukara e Tambomachay), contratamos o Carlos e valeu muito a pena pela atenção e exclusividade do tour privado. Na oportunidade comprei o famoso boleto turístico, que permite a entrada nos principais sítios arquelógicos da região. 'Sexyawoman' é um encanto a parte, em sua grandiosidade, com pedras enormes que em suas junções não permitem a entrada de uma folha de papel, e tanto simbolismo.

No meio da tarde, perto das 16h nos encontramos com a Thais e almoçamos no "Kushka..,fe", e final da tarde voltamos para o hostel, tomarmos uma cusqueña, organizamos nossas coisas e partimos para a rodoviária, nosso ônibus sairia às 22h para Puno. O ônibus era confortável, com assentos reclináveis, tipo leito, deu para cochilar, mas a escuridão lá fora não era confortável, mas a viagem foi tranquila, e a estrada parecia em bom estado. Chegamos em Puno às 4h30 do dia 12, e ficamos aguardando a agência no terminal de ônibus. Estava muito frio, fazia 3 graus, mas acho que a sensação térmica era de bem menos que isso.
Logo que a van da agência chegou para nos pegar no terminal, entrou também o Luis, que faria o passeio conosco. Seguimos para uma casa, tomar café da manhã. às 8h estávamos no Porto para pegar a balsa/barco, teve toda uma problemática com o barco, o que até hoje nos rende boas risadas com meu melodramático portuñol alegando estar 'mui decepcionada' com um barco que mais parecia uma carroça que a agência queria nos 'empurrar', enquanto que ao lado partiria um barco mais arrumado e que faria o percurso em menos tempo que a carroça. Não estava preocupada com luxo, mas sim com a perda de tempo para curtir o destino, não queria perder 3h a mais me locomovendo numa carroça. No final das contas, achei que a agência estava agindo de má fé, pois eles vieram com uma conversa de que eu e outras pessoas tínhamos pago menos que os outros e que teríamos de ir na balsa lenta. Só que na hora da confusão, eu misturei espanhol e inglês e nenhum dos dois direito, e comecei a contestar quanto os outros teriam pago para eu saber quem pagou menos do que quem. No final das contas, eles colocaram todo mundo na balsa rápida mais confortável e ainda pagaram meu almoço e o das meninas. Enfim, partimos rumo as Ilhas Flutuantes de Uros. Uros é uma experiência antropológica incrível. Não sei ao certo quantas ilhas são ocupadas, mas visitamos uma das menores, e lá eles explicam como trançam o capim para formar a ilha, mostram as pequenas cabanas onde vivem, explicam a rotina.

De Uros seguimos de barco até a Ilha Taquile, um hiking leve e bem legal, e a ilha é super linda! Subimos pouco menos de 200m até a vila, e fazemos uma parada para um almoço espetacular repleto de tradições, com música e dança local, e recebemos atentos um pouco da história daquele povo. O almoço ocorre nos fundos de uma casa de barro, de frente para o lago, com uma mesa grande rodeada de bancos, debaixo de um toldo. A tolha de mesa é um charme a parte. De entrada é servida uma sopa de quinoa deliciosa, e que caí bem no frio do lugar. Em seguida podemos optar por truta ou omelete de frango. Logo após o almoço, seguimos a caminha pela vila, e descemos uma escadaria até o barco.

Havíamos feito uma nova amiga nesse tour, a Nathaly, uma boliviana simpática que também voltaria para Cusco de ônibus no mesmo horário que nós. No final de tarde, aproveitamos para andar pela cidade de Puno, paramos em um café para tomar um capuccino, e andamos mais um pouco pelas lojinhas até parar novamente para jantar pizza e beber pisco sournum restaurante que não me recordo o nome mas acho que era Tambor del inca, algo assim. De sobremesa experimentamos a tutuca, uma pipoca doce maior do que a vendida na Agamenon (os recifenses irão entender) e crocante mesmo estando expostas abertas em grandes cestos. A noite fomos para rodoviária, nosso ônibus só partiria para Cusco às 22h. A espera foi congelante.

Chegamos em Cusco às 4h30 do dia 13, após descansar um pouco, saímos para andar por San Blas e comer algo típico peruano. Na companhia da Nathaly, eu e a Vanessa fomos almoçar chicharron no restaurante "La Cusquenita". Uma experiência deliciosa em todos os sentidos. Era um sábado, véspera de dia das mães, data comemorativa muito respeitada pelos peruanos, e no restaurante estava rolando umas apresentações culturais de tradição inca, um verdadeiro espetáculo. A comida peruana é do meu agrado, milhos batatas, porco e pimenta, um presente para os olhos e paladar. Do restaurante, seguimos para dar uma volta pela cidade.

Passeamos pela cidade, visitando alguns museus do centro, com uma parada em um café da Plaza Regocijo que não me recordo o nome, mas paramos mesmo pensando em nos aquecer no forno a lenha, e aproveitamos para comer torta de chocolate. A cidada fervilhava de apresentações, procissões e homenagens à Pacha Mama, o dia das mães acolhia a todos.
Encontramos com a Thais e seguimos para o Mercado Público, riquíssimos em sabores, frutas, ervas, café, chocolates, novidades sem fim, e repleto de souvenir baratinhos, bolsinhas, encharpe, meias, luvas, casacos, toucas tudo de alpaca ou quase isso.

Encerramos a noite no hostel, deliciando hambúrgueres e cusqueña no maior luxo de meia e havaianas. Estávamos em casa. Mas a noite estava apenas começando, em poucas horas comemoraríamos o aniversário da Thais e a noite no hostel foi animada, ao som de muita música latina, especialmente brasileira.

Havíamos feito mais uma amiga no quarto do hostel, a Marina, argentina quieta e simpática, com que dividiríamos o passeio do dia seguinte.


Não sei como, mas acordamos cedo no dia 14, às 08h o Carlos passou para nos buscar no hostel e seguimos para o tour pelo Vale Sagrado. Fizemos Chinchero, Ollantaytambo, Salineras de Maras e Moray e Pisaq.
A primeira parada foi em Chinchero onde conhecemos mais a arte de preparar a lã de alpaca, tinturar e tecer; logo depois, fizemos uma parada estratégica para comer empanadas, tomar um café e curar ressaca. Em seguida, paramos emOllantaytambo, difícil pronunciar sem titubear, é simplesmente incrível imaginar aquelas escadarias e construções sendo feitas pelos incas a cerca de 2.792m há mais de 400 anos. A título de curiosidade, Ollantaytambo é a única cidade da era inca no Peru ainda habitada. Almoçamos em um restaurante na vila ali perto e seguimos para as Ruínas de Moray, onde é possível apreciar o que outrora foram grandes terraços de agricultura e estudo, formado em círculos concêntricos. De Moray seguimos para Salineras de Maras, outro espetáculo inca formado por mais de 3 mil pequenas piscinas alimentadas por um manancial subterrâneo hipersalino que se originou há 110 milhões de anos, durante a formação das montanhas da cordilheira dos Andes (Orogenia Andina) (viva google). De Maras, seguimos para Pisaq, nossa última parada no tour pelo Vale Sagrado. Logo que entramos no sítio, era possível ouvir ao longe um homem com trajes incas, tocando uma zampoña, uma espécie de flauta de tom nostálgico. O sítio é conhecido por seu observatório astronômico (isso eu também descobri no google), mas a sensação nas ruínas é de uma forte energia.


A noite quando chegamos em Cusco fui correndo para a agência que contratei pra fazer Salkantay trekking, pois teria de receber instruções sobre como faríamos nos dias seguintes. O que foi praticamente uma piada, o grupo era formado de franceses, americanos e holandeses, eu e Thais, ou seja, as instruções foram dadas em inglês, e ao final de cada tópico eu falava 'in spanish please' como se eu fosse entender metade do que ele falasse em espanhol, mas deu para entender que às 4h do dia seguinte deveríamos estar prontas na recepção do hostel, o resto seria surpresa pela falta de entendimento das instruções.

Fechei com a "Viajes Cusco", procurem a Gladys. Paguei metade antecipadamente para eles reservarem a trilha e comprarem o ingresso de Machu Picchu, e o restante paguei quando cheguei na agência.

No dia 15 (meu aniversário) acordei pouco antes das 4h. A agência pegou eu e Thais no hostel, a Vanessa havia desistido de fazer a trilha em razão do mal estar pela altitude. Fomos andando até o centro onde estava a van, no caminho paramos em outros hostels e pegamos outras pessoas que fariam parte da trilha. Na van, fomos conversando até Molepata, onde pararíamos para tomar café da manhã, e deixar as mochilas com os carregadores (elas seriam carregadas por mulas durante os quatro primeiros dias do trekking). Fomos divididos em três grupos de 18 pessoas. É importante que eu diga que eu e Thais ficamos no grupo mais tedioso, formado por seis casais, duas norte-americanas pouco simpáticas, e um pai e filho colombianos que foram a salvação do grupo. Mas para complicar a vida dos guias, eu e Thais ficávamos mais com o outro grupo, e passamos a maior parte da trilha na companhia de cinco gaúchos, um paulista, um coreano, um austríaco e uns holandeses muito loucos.

Ali começamos o famoso e tão esperado 'Salkantay Trekking'. No primeiro dia, fazemos uma caminhada de 13km em cerca de 6h até o acampamento em Soraypampa, a 3850m. Nada muito difícil, sem subidas muito íngremes. Almoçamos no acampamento onde iríamos pernoitar, uma espécie de galpão com três paredes de madeira e um teto de lona. Vocês não tem noção do frio que fazia naquele descampado, e só iria piorar nas próximas 24horas.

Após o almoço, quem quisesse poderia subir para o Lago Humantay a 4200m. E eu lógico, escolhi subir, e vou contar para vocês, vale muito a pena o esforço e frio da subida. As fotos falam por si mesmas, e a cor do lago é um espetáculo a parte.

Fazia muito frio e não consegui esperar pelo jantar, tomei um chá e fui organizar minhas coisas para dormir. Senti falta de ter uma headlamp, pois escovar os dentes no escuro segurando uma lanterna requer muita habilidade que eu não tenho. O banho foi de gato mesmo, na base do lenço umedecido, nessa primeira noite não tem banho, vamos dormir sujos e congelando mesmo. Muita gente me pergunta sobre banheiro. Nesse primeiro dia temos dois banheiros externos um pouco afastados do acampamento, com direito a parede, teto e assento sanitário, e uma pia do lado de fora.


As barracas são montadas pela equipe, ou seja, é 'camping nutella', pois além de não carregarmos as cargueiras, nem fazer nossa comida, nós também não montávamos nossas barracas, mas para um primeiro trekking estava tudo perfeito. Como era meu primeiro trekking, eu ainda não tinha saco de dormir adequado para as temperaturas que pegaríamos, então aluguei com a agência. Dividi a barraca com a Thais, que tinha levado um cobertor térmico e o jogou por cima de nossos sacos de dormir, na manhã do dia seguinte, o cobertor estava congelado com a condensação da barraca.
No segundo dia de trilha, fomos acordados pela equipe que saía distribuindo copos de chá de muña na porta de cada barraca. Acordamos bem cedo, cerca de 3h, tomamos café e começamos a subida para Salkantay, onde alcançamos 4650m, ou seja, cerca de 800m de desnível. A subida é pesada, mas é possível alugar mulas por 100 soles e o pessoal mais inteligente, mais rico ou menos aventureiro opta pelas mulas, mas eu subi na raça. E que raça. A subida é penosa, íngreme, repleta de enormes pedras que minhas pernas curtas xingam até hoje. Peguei muita chuva e gelo e queimei as mãos por não estar com luvas impermeáveis. Como falei acima, era meu primeiro trekking e eu ainda não sabia a necessidade e importância de alguns equipamentos como luvas de frio e luvas impermeáveis. Neste dia fez diferença ter botas impermeáveis, capa de chuva e roupas adequadas pra frio e chuva. Eu estava encantada com tudo, era a primeira vez que minha via diante a tanta grandiosidade da natureza. Após descer a montanha Salkantay, fazemos uma parada para almoçar, num acampamento mais simples que o anterior, na verdade, limitado a uma pequena área coberta também de lona. Nesse dia andamos cerca de 22km em 9h até o acampamento em Chawllay. Esse acampamento é mais sofisticado, uma casa de madeira onde é possível tomar um banho quente por 10 soles, e ficamos alojados em uma estrutura anexa de primeiro andar sem paredes apenas teto, próximos a um riacho. Após o banho e o jantar, tomamos cusqueña e ficamos conversando com os brasileiros, com o coreano a quem passamos chamar de 'presidente' e com o austríaco.

Acordamos novamente cedo no terceiro dia de trilha, caminhamos 16km em 6h, dentro da selva, até chegar no local onde almoçamos, acredito que em algum lugar entre Wiñaypoqo e La Playa. E de lá seguimos de Van até o nosso terceiro acampamento em Santa Tereza, um alojamento de até dois andares com paredes de alvenaria, no qual as barracas são montadas. No final da tarde vamos para as águas termais de Santa Tereza. Não consigo descrever quão relaxante foi essa experiência, após tanto caminhar com botas nem tão confortáveis assim. Leve seu repelente e recoloque imediatamente após o banho, caso contrário você vai ficar com mais de 100 picadas nas pernas feito eu. A noite foi de diversão com direito a fogueira, música brasileira e muita tequila inca e cusqueña.

No quarto dia de trilha, novamente acordamos cedo para seguir a caminhada. Ainda em fazer Santa Tereza eu decidi fazer ZipLine (tirolesa), a van parte logo cedo para o local da aventura. Valeu super a pena, recomendo para quem curte esportes radicais. São cinco tirolesas (uma de dupla, uma de cabeça para baixo, uma deitada de bruços, uma sentada e outra que esqueci), além de uma travessia em uma ponte suspensa de madeira bem estreita de tábuas esparsadas, que eu até hoje tenho dúvidas se minhas pernas tremiam de medo ou era a ponte que balançava muito. Depois a Van nos deixa na Hidrelétrica, de onde despachamos nossos mochilões de trem e partimos andando para Águas Calientes, neste dia são percorridos cerca de 19km em 6h. chegando ao entardecer no Hostel Eco Mapi, a guia da agência mostrou nosso quarto, e fomos andando para a estação de trem esperar as mochilas. Voltamos ao hostel, tomamos um banho decente. Teve um jantar de despedida do pessoal, mas eu e Thais nem participamos, demoramos no banho e a nos arrumar. Nos encontramos com a Vanessa, que mesmo tendo desistido da trilha, conseguiu readaptar o roteiro dela e ficou em águas calientes, aproveitou até um thermas. Jantamos numa pizzaria que não lembro o nome, mas que fica de frente ao Índio Feliz.

No quinto dia, último de trilha, acordamos às 3h e fomos andando até o Posto de Controle de entrada para Machu Picchu, pois faríamos o Camino Peatonal (hiking/caminhada a pé) até as ruínas. Ainda estava escuro e ficamos na fila que foi aumentando até a hora de abertura do portão, para iniciarmos a subida da escadaria às 5h. São cerca de 1750 degraus (a maioria de pedra e bem largos), em uma subida que levamos aproximadamente 1 hora, com o coração quase saindo pela boca e o suor brigando com o frio. Mas também é possível subir de ônibus ou van até as ruínas, mas nem cogitamos essa possibilidade., Aventura era nosso sobrenome até entrar no avião para voltar para casa. Essa subida é recomendada para quem quer ver os primeiros raios de sol entrando pelas ruínas de Machu Picchu, algo definitivamente deslumbrante. Os guias da agência se reuniram e fizeram um tour com explicações sobre vários trechos das ruínas, em seguida nos despedimos de todos e ficamos andando por conta. Às 10h, eu e Thais fizemos a subida para Huayana Picchu, bem tensa e emocionante, com trechos de escadaria curta e íngreme, onde beiramos vários penhascos, mas valeu muito a pena ver Machu Picchu lá de cima. Passava das 14h quando descemos tudo e fomos andando pra Águas Calientes. Paramos para almoçar em um dos primeiros restaurantes que vimos no caminho, eu estava morta de fome. Fizemos hora na cidade, fomos a um café delicioso com tortas também deliciosas, e voltamos ao hostel para pegar nossas mochilas. Seguimos para estação de trem, e perto das 20h pegamos o trem pra Ollantaytambo, onde a Van da agência nos esperava pra levar de volta pra Cusco. Passava da meia-noite quando chegamos em Cusco, ao descer da van no centro da cidade ainda pegamos um táxi até o hostel.

Conforme eu havia mencionado no inicio deste relato, havíamos criado um grupo no whatsapp que tinha mais de 40 brasileiros que estariam em Cusco em maio, alguns até encontramos pessoalmente em Cusco. Um deles foi o cearense Marcio Oliveira, pessoa extremamente cativante, de coração do bem. Ele nos acompanharia no tour de aventura do dia 20, oportunidade na qual fizemos rafting no Rio Vilcanota! Exceto pela água extremamente gelada, todo o resto foi de diversão e muita adrenalina. No final do percurso de rafting, nos esquentamos numa espécie de sauna a lenha, que àquela altura e tamanho era o frio, nem ligamos pro cheiro de fumaça, praticamente fomos defumados. Almoçamos com o pessoal da agência na beira do rio, e voltamos para Cusco. No final da noite nos reunimos com a Vanessa, recifense como eu, que também estava lá em Cusco e fazia parte do grupo do whatsapp, com o Marcio e com o Joseph, austríaco que fez a trilha conosco. Fizemos hora na baladinha do hostel.

No dia 21 ficamos perambulando pela cidade e descansando no hostel, e viciei no café com folhado de nutella que encontramos perto do hostel.

No dia 22 fiz sozinha o hiking para Montanha Colorida, Ausengate. A Thais tinha partido para Lima, e a Vanessa adentrou pela madrugada na balada e não conseguiu acordar. A van me pegou ainda de madrugada no hostel, e pegamos estrada por quase 3 horas até um vilarejo onde tomamos café da manhã. De lá, seguimos mais um pouco com a van até o portão de controle da Apu Winicunca. Essa subida é bem famosa nos blogs pela beleza e pelo sacrifício da subida, é possível ver relatos de pessoas que não chegaram no topo, que alugaram cavalos, que caíram do cavalo, que tiveram de usar garrafa de oxigênio, de tudo um pouco. Bem, meu maior sofrimento mesmo foi com o frio. Subi num ritmo bom e frequente, praticamente não parei, levei cerca de 1h30. Toda vez que eu achava que não sofreria mais com o frio, ele me surpreendia e o vento só intensificava. Tava caindo alguns flocos de neve quando cheguei no topo, era um presente de Deus estar ali. A descida foi bem mais rápida, e já perto do portão de controle, começou a chover forte, o frio logo pioraria. Mesmo com o joelho já doendo, eu praticamente corria de volta para a van.

Ressalto que o lance com meu joelho ocorreu desde a descida de Salkantay, as enormes pedras e a subida íngreme foram fatores desencadeantes do que eu viria a descobrir depois ser 'condromalacia' e 'osteonecrose'. Ao final da trilha, eu mancava de dores, e meu joelho estava todo roxo, como se tivesse levado uma pancada. Continuei subindo todas as montanhas que eu tinha programado, e ao final da viagem, eu mal podia subir um degrau. Quando cheguei em Recife, fiz ressonância e tive acompanhamento de ortopedista especializado em joelho e fiz fisioterapia, logo eu estava recuperada. Um ano depois dessa primeira trilha, tendo mudado meu treino para fortalecer os joelhos, e conhecendo melhor meu corpo, me sinto com mais desempenho do que há um ano. Mas tudo foi aprendizado, e nem a dor tirou a beleza desse momento.

No dia 23 fiz compras e sai a noite. Fui ao Mama Africa dançar salsa, muito legal. Dei uma passada na balada do Loki e dps voltei ao Hostel.




No dia 24 comprei algumas coisas que faltaram e a noite fui com a Vanessa para o aeroporto. Encerrava ali uma viagem linda, que marcaria minha vida para sempre.

Fabiana Pessoa
Fabiana Pessoa

Published on 07/31/2018 16:17

Performed from 05/09/2017 to 05/24/2017

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Jader Vieira
Jader Vieira 08/05/2018 22:18

Oi Fabianaaa, muito legal seu relato. Inspirador. Parabéns!!!

Fabiana Pessoa

Fabiana Pessoa

Recife

Rox
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Advogada por profissão, trilheira por amor. Sempre procurando uma oportunidade de colocar a mochila nas costas em busca de uma montanha, trekking, hiking... Insta @fabianapessoa

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