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360 Santa Rita

360 Santa Rita

Esta foi uma caminhada de 27 km desbravando a Serra do Espinhaço, sem conhecimento prévio do que viria partimos para a aventura.

Trekking Camping Waterfall

Numa sexta-feira à tarde, no susto, resolvemos que era hora de fazer uma caminhada. Então comecei a pesquisar uma rota que já havia um tempo que queria fazer. Subir a trilha dos tropeiros que ligava (liga) Casa de Telha atual Serra Azul de Minas, a Diamantina, atual.

Possibilidade de cachoeiras bonitas, de acampar com vista para o Pico do Itambé, foram alguns atrativos que me convenceu que esta seria uma boa trilha.

Elaine topou, Bruna e Bruno topou e iniciamos os preparativos para realização da trilha.

Desenhei a trilha que iriamos percorrer, gerando algo em torno de 10 km por dia. Nesta análise rápida não olhei com detalhes para a declividade do terreno o que nos desgastou muito durante toda a trilha.

Sábado pela manhã fomos à cidade vizinha buscar o casal companheiros e fazer algumas compras no supermercado. Por volta das 08:40 já estávamos em Itambé recolhendo os últimos itens para caminhada e seguimos de carro por cerca de 10 km de asfalto e mais 10 km de terra. Na estrada de terra passamos pelas comunidades de Gameleira, entramos em Tamanduá até chegar na fazenda Água Fria, onde dar início a trilha dos tropeiros.

Na região da Água Fria selecionei uma casa para deixar o carro. Entretendo ao chegar la, ela tinha um aspecto de abandono e não encontrei a estrada de carro até ela, então partir para a segunda casa, alguns metros à frente.

Chegamos à casa de Sr. Sergio e Dona Marta que não só nos permitiu guardar o carro como cedeu uma garagem coberta. Ali eu já fiquei muito feliz com a hospitalidade.

Minhas esposas, muito comunicativa já lançou uma solicitação: "Seria possível um frango caipira para amanhã quando chegarmos da trilha?" Dona Marta prontamente respondeu que sim. Mais um ponto da hospitalidade.

Encontros como estes me deixam muito feliz, a simplicidade da vida expressa em atitudes de acolhimento.

Mochilas nas costas, Dona Marta já nos indica um cortar caminho saindo da casa dela.

Iniciamos a trilha as 10:51 h, com um calor muito forte, céu limpo de nuvens e um morro gigante a nossa frente (654 m / Declividade (D) = 17,4%), onde gastamos quase 22 minutos sendo 12 em movimento e 10 parados tomando folego. Conquistamos o primeiro cucuruto.

Depois deste morro continuamos a caminhada por um percurso muito bonito, com muitas quaresmeiras floridas, terreno relativamente plano.

Percorridos cerca de 1 km pegamos o nosso segundo morro com cerca de 629 metro de comprimento e 12,3% de declividade, mas o que me chamou atenção foi a presença de uma araucária ao lado da trilha.

Somados 2,5 km encontramos uma trilha saindo a direita com um barulho interessante, demostrava a presença de uma cachoeira por ali, algo que o Sr. Sergio já havia nos alertado.

Seguimos pela trilha e realmente chegamos à cachoeira, mas infelizmente chegamos pela parte de cima. Ali mesmo nos preparamos para nos refrescar daquele dia ensolarado e seco, foi então que descobrimos o porquê do nome da fazenda. A água estava muito fria, diria gelada.

Ficamos ali por cerca por cerca de 40 minutos e seguimos a trilha que estava plana e arborizada, um trecho muito agradável de caminhar (827 m, D = 3,4%).

Passamos por algumas subidas, nada muito assustador, até chegarmos um ponto que demos o nome de trecho das 10 curvas.

Foi um curto trecho, 198 m, mas com 27,7% de declividade. Gastamos cerca de 10 minutos para andar esta curta distância. Ali acredito que ficou boa parte da energia que tínhamos para a caminha.

Concluímos com os pulmões trabalhando em 100% e seguimos a trilha.

Meio quilometro a frente atingimos o cume daquela serra e viramos para a região Santa Cruz (D = 7,2%)

Continuando a trilha, agora morro abaixo, logo abaixo tinha mais um ponto de coleta de água. Mais à frente uma escola municipal.

Daquele ponto já tínhamos um visual de onde iriamos subir para chegar ao nosso objetivo. Continuamos pela estrada que liga a região de Santa Cruz a região de Covão até o ponto de deixar a estrada e pegar a trilha para subir rumo a Chapada do Couto.

Houve uma pequena confusão, de onde deixaríamos a trilhas, perdemos um tempinho valioso ali, mas logo encontramos nosso caminho a ser seguido partimos morro acima.

A subida seguia na crista de um espigão de um lado pasto e do outro samambaias que mais a frente se tornariam decisivas nesta caminhada.

Foi neste momento de subida expostos ao sol que quase tivemos nossa primeira baixa, mas resolvemos com um probiótico e seguimos caminho.

O visual que me chamou mais atenção foi uma arvore enorme isolada no alto da serra bem distante, imponente.

Seguimos na crista por um tempo entramos em uma área mais plana e logo largamos a trilha bem batida e saímos a esquerda, agora rumo ao rio soberbo.

Passamos por mais longo período por trilha de criação, margeemos um alagado, onde fizemos uma parada para descansar frente a mais um trecho íngreme que nos esperava.

Neste momento as pernas já não respondiam aos comandos.

Mochilas nas costas seguimos para aquele que seria a nossa última subida do dia, só que não.

Ao chegarmos ao cume, deparamos com uma área de samambaia, algo que já era previsto. Entretanto o caminho não estava tão limpo como gostaríamos, mas estas surpresas fazem parte de uma caminhada não convencional.

Como não tínhamos alternativa e o sol já demostrava vontade de se pôr, entramos samambaia adentro, levando chicoteadas de seus ramos em todo o corpo.

O que não contava era com a presença de centenas de carrapatos. Com menos de 100 metros de trilha já havia cerca de uns 30 subindo por minha calça. Como tenho aversão a carrapato apertei o passo.

Elaine que seguia a frente, parou em uma bifurcação aguardando instruções. Eu com minha aversão a carrapato nem olhei para o GPS e afirmei: “Segue pela direita”. Seguimos até um campo rupestre que nos permitiu remover algumas centenas de carrapatos sedentos por sague.

Aproveitando a pausa, vamos verificar o GPS. Ops! Errei a trilha. Na bifurcação deveríamos ter seguido a esquerda.

Sem opções alternativas às samambaias, nos restou entrar novamente naquele que acho que era o ninho dos carrapatos de todo o mundo.

Retornamos, só que agora morro acima, até a famigerada bifurcação e seguimos no caminho correto, agora convivendo com outras famílias de carrapatos.

Algum tempo depois voltamos a percorrer em campos rupestres, já com o visual do local onde faríamos o nosso camping e com o sol quase a se pôr.

Ao chegarmos mortos de tanta subida e tanto calor, escolhemos o local de acampar, montamos rapidamente as barracas e já na boca da noite tomamos um banho.

Apreciamos a lua, que estava maravilhosa, conversamos sobre constelação e logo dormimos.

Dia 02

Naquela manhã o assunto foi os sons noturnos da bicharada. Não posso dizer nada a respeito pois durmo feito pedra.

Tomado café da manhã partimos a desbravar a região, pois em minha rápida análise no Google Earth me fez crer que ali teria uma cachoeira.

De fato, tinha uma cachoeira, maravilhosa, mas os problemas era a falta de acesso a parte de baixo. procuramos por um lado, por outro e chegamos à conclusão que seria possível subindo o rio.

Como o relógio não estava a nosso favor, optamos por nadar na parte de cima mesmo, em pequenos poços que tinhas nas corredeiras.

Hora de desmontar as barracas e decidir o caminho a seguir. Duas opções pairavam a nossa mente. Uma pelo ninho mundial dos carrapatos e a outra por uma estrada que aumentaria cerca de 4 km em nossa jornada.

Não tivemos coragem de encarar os carrapatos e optamos pelo caminho mais longo, que seguiria pelo lado esquerdo do rio soberbo.

Como recompensa, vislumbramos um visual muito atrativo do Pico do Itambé e Serra da Bicha.

Continuamos por uma estrada de carro até alcançarmos um corta caminho, uma trilha que além de economizar alguns quilômetros, desviava de um morro gigantesco.

Desta trilha tivemos o visual de duas cachoeiras, uma próxima de nossa pernoite e outra possivelmente a beira da estrada que iriamos passar.

Seguimos pela trilha até alcançarmos a estrada, só que agora na região do covão.

Antes de atravessar o rio encontramos com Sr. Loro e Dona Maria Luiza que estavam a caminho da Igreja, mas tiveram um tempinho de nos explicar como chegar aquela cachoeira que ficava cada vez mais próxima.

Desce morro, atravessa a ponte do Ribeirão Soberbo, sobe morro, chegamos à entrada da cachoeira, descemos e tivemos o que consideramos a maior recompensa pelas dores adquiridas até ali.

Na cachoeira do Olinto, assim nos informaram, nadamos, descansamos, reforçamos o bucho, tiramos muitas fotos. Mochilas nas costas e seguimos caminho.

Daquele momento em diante parece que nos redemos ao cansaço e ao fato que muitos quilometro ainda nos aguardava. Um silencio pairou sobre os caminhantes e um ritmo ainda não visto tomou conta daqueles corpos destruídos de tanto sobe e desce.

Caminhamos a plano sol, passando por várias casinhas até chegamos novamente à escola municipal e logo a frente descemos o morro que hora foi subida desgastante.

Naquele momento comecei a sentir o meu joelho. Paramos novamente na cachoeira da água fria, fizemos um lanche. Ali meu corpo esfriou e na retomada da caminha percebi que meus joelhos poderiam me deixar na mão, ou melhor, na beira da trilha.

Por sorte faltava poucos quilômetros, num ritmo lento, passos curtos, mas contínuo conseguimos alcançar o nosso ponto de partida.

Ufa!

Dona Marta logo nos chamou para a cozinha e iniciou a servir um baquete onde o prato principal era um delicioso frango caipira.

Nos deleitamos com aquela comida feita com tanto carinho. Regamos nossa alimentação com muita prosa.

Nos despedimos do casal que nos acolheu divinamente bem e seguimos com os corpos acabados para um merecido descanso em nossas camas.

Esta foi uma trilha de muitos desafios, muito calor, muita montanha, pouco vento e pouca sombra, mas faria tudo novamente, pois estar em meio a montanha é o que me alegra.

Mas engana quem acha que o sobe desce serviu apenas para cansar nossos corpos. Ainda durante a trilha pensei, aqui está o meu banco de dados sobre declividades e como elas nos impactam na caminhada.

Felipe Meira
Felipe Meira

Published on 09/22/2020 08:22

Performed from 09/19/2020 to 09/20/2020

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Danielle Hepner
Danielle Hepner 09/22/2020 08:57

Nossa Felipe, que relato bacana! E imagino o perrengue dos carrapatos rs acaba que 'faz parte né' hahahaha O lugar é lindo, parabéns pela aventura!

Felipe Meira
Felipe Meira 09/22/2020 09:36

Obrigado Danielle. Faz parte sim, eles são membros desta natureza maravilhosa. Adicionam um pouco de adrenalina.

Peter Tofte
Peter Tofte 09/22/2020 11:07

Parabéns, boa aventura. Os carrapatos de Minas não dão mole kkkkkk. Digo por experiência própria. Quando cheguei em casa tive de botar Deltacid no corpo.

Fernanda Meira de Paula
Fernanda Meira de Paula 09/22/2020 16:26

Muito bom ler o relato desta aventura! O lendo foi possível imaginar os prazeres de uma caminhada banhada pela natureza e pela simpatia das pessoas que nela estão imergidas. Foi possível repousar a mente nas paisagens e se contrair com os carrapatos. Só não deu para cansar....rsrs! Beijos .

Felipe Meira
Felipe Meira 09/22/2020 17:02

Nanda, a natureza cansa o corpo, mas relaxa a mente, mesmo passando por ninhos de carrapatos, sempre voltamos melhor que iniciamos. Beijos

Fabio Fliess
Fabio Fliess 09/22/2020 23:02

Excelente relato Felipe, mesmo com os carrapatos! Rsrsrsrsrs Minas sempre propicia grandes aventuras. Parabéns!

Felipe Meira
Felipe Meira 09/23/2020 08:07

Obrigado Fabio, Minas é maravilhosa mesmo, mas você tem uma travessia ai que sou doido para fazer. Petro - Tere, maravilhosa também.

David Sousa
David Sousa 01/05/2021 14:31

Parabéns! Top

Felipe Meira

Felipe Meira

Santo Antonio do Itambé

Rox
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Especialista prático em geoprocessamento de trilhas, certificado pelos companheiros que me acompanham e sempre retornam com um sorriso e/ou com historia para contar.

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